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Análise: Akiba’s Trip: Undead & Undressed tem vampiros seminus em Akihabara

O sol brilha forte nas ruas de Akihabara. Em uma das calçadas da rua principal há uma aglomeração de pessoas gritando, torcendo. Bem no centro da confusão estão um rapaz e uma moça — e eles estão brigando. A moça dá um soco de direita, o rapaz desvia. Ela desfere então um chute na direção do rosto de seu oponente, que esquiva para o lado e, com um movimento sutil… tira sua saia!

Achou estranho? Então prepare-se, pois situações como essa acontecem o tempo todo em Akiba’s Trip: Undead & Undressed.

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Akiba’s Trip: o passeio em Akiba

Akihabara (Akiba, para os íntimos) é um dos mais famosos distritos da cidade de Tóquio. Atualmente o lugar é como uma verdadeira meca para os otakus: além da grande quantidade de lojas de tecnologia, Akiba também é conhecida por concentrar grandes lojas de games, souvenirs e os famosos maid cafés. E, é claro, pelos boatos de diversos eventos bizarros.

Dentre um sem número de histórias estranhas — como a que diz que homens viram fadas se chegarem virgens aos 30 anos de idade —, ao menos uma delas se provou verdadeira: existem monstros perambulando pelas ruas de Akiba. E cabe a você combatê-los para tornar o bairro seguro novamente.

Por “monstros”, entenda “vampiros”. Mas não o tipo tradicional, daqueles que bebem sangue humano (e muito menos o tipo de brilha. Grato.); em Akiba’s Trip, os vampiros se chamam Synthisters e se alimentam da energia vital das pessoas, sugando sua felicidade e sua vontade de viver. E que lugar melhor para conseguir isso do que na alegre, colorida e diversificada Akihabara?

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E é aqui que entra Nanashi (ou seja lá o nome que você vá usar), o herói da história. O rapaz é membro do Akiba’s Freedom Fighters, um grupo de adolescentes que procura manter a ordem no distrito. Nosso protagonista tem uma pequena queda por figuras de ação e miniaturas de personagens de anime, e por isso acaba caindo na armadilha de uma organização pouco convencional.

Prometendo pagar boas quantias de dinheiro (e dar toda e qualquer miniatura rara que você quiser), a tal organização reúne suas vítimas e realiza procedimentos que as transformam em Synthisters. Nanashi cai na conversa e acaba sendo convertido. E aí, numa virada do destino, ele acaba conhecendo Shizuku, uma menina misteriosa que o ajuda a escapar e se torna uma de suas maiores aliadas na luta contra os vampiros.

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Irmão mais velho

Apesar de ter sido lançado aqui sem numeração, Akiba’s Trip: Undead & Undressed é, na verdade, o segundo jogo da série. O primeiro game saiu exclusivamente para o PSP no Japão. Já o segundo, conhecido na Terra do Sol Nascente como Akiba’s Trip 2, teve versões para PS3, PS Vita e, posteriormente, para PS4.[/infobox]

 

Akiba Strip: despindo em Akiba

Como todo bom vampiro que se preze, os Synthisters também têm aversão à luz do sol. E que jeito melhor de proteger sua pele contra os raios ultravioleta do que cobrindo-a com peças de roupa? Com isso em mente, fica fácil saber como derrotar seus adversários: deixe-os seminus!

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A única maneira de dar um fim a um Synthister é expondo-o à lus do sol. Mas isso não fica restrito aos seus inimigos, já que o próprio Nanashi se tornou um “vampiro”. Então, além de despir seus inimigos, é preciso tomar muito cuidado para não ter suas peças de roupa arrancadas. Afinal, você não quer virar poeira.

Boa parte do gameplay de Akiba’s Trip: Undead & Undressed gira em torno de tirar a roupa das pessoas. É assim que você consegue novos trajes e armas, e é a única forma de parar seus inimigos. É preciso completar missões (que geralmente envolvem deixar alguém nu) para avançar na história, e mesmo as missões paralelas em algum momento vão pedir que você deixe alguém pelado.

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Na verdade, esse é um dos principais pontos-fracos de Akiba’s Trip. A maior parte das missões envolve ir de um ponto a outra da cidade, gerando diversas telas de loading, para que você possa encontrar com alguém, entregar um item ou sair no braço com grupos de pessoas, e isso cansa. De verdade.

A trama principal, que normalmente começa e termina no MOGRA (um game bar que funciona como base de operações dos Freedom Fighters), é bem curtinha. Isso é proposital, pois o título foi feito para ser jogado diversas vezes: são ao todo oito finais influenciados pelas suas respostas nos diversos diálogos que pipocam vez ou outra.

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O amor está no ar

Undead & Undressed também pode ser considerado um Dating Sim, já que é possível começar um relacionamento com quatro das suas amigas. Elas vão começando a se interessar por vocês (ou não) dependendo das suas respostas ao longo do jogo.

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É bom, mas não é perfeito

Além do problema das missões repetitivas, da quantidade de telas de loading a cada quest, o combate também acaba se tornando cansativo depois de algumas horas de jogo. Como o esquema é bem simplificado, com um botão de ataque para cada peça de roupa (chapéus, camisas e calças/saias), outro para esquiva e um último para se recuperar dos danos recebidos (a.k.a. botar a roupa no lugar), logo fica enjoativo cair na porrada com os Synthisters.

Nem mesmo os ataques especiais em dupla salvam, já que a variedade deles não é muito grande. Mas confesso que ainda assim é divertido fazer combos e mais combos de peças de roupa removidas para executar o Full Strip, removendo até mesmo as roupas de baixo dos adversários. Concordo, porém, que a ideia de depois usar essas peças íntimas é no mínimo estranha — e até meio nojenta.

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A propaganda é a alma do negócio

Quando perambulando por Akihabara, constantemente você vai se deparar com gente divulgando algumas lojas. Eles vão te dar alguns panfletos, e se você der uma conferida vai perceber que todos eles são flyers de lojas reais. Há, inclusive, um mapa mostrando onde fica cada uma dessas lojas, o que por si só já é bacana pra caramba!

Outra coisa bem legal e que ajuda a entrar no espírito do jogo, te fazendo sentir como se estivesse mesmo passeando pelas ruas de Akiba, são as telas de loading. Quando um novo cenário está carregando, o jogo exibe uma propaganda de alguma loja real, como a GAMERS e a Taito Station, ou jogos como Mind Zero e Conception II! Sensacional![/infobox]

 

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A impressão que Akiba’s Trip: Undead & Undressed passa é a de que a ideia do jogo é muito melhor do que sua execução. A mistura inusitada e um tanto pervertida joga suas expectativas lá pra cima, mas aí você começa a jogar e, por mais interessante e divertido que o jogo possa ser, no final das contas você acaba se perguntando “é mesmo só isso?”. Mas não se engane, o jogo está longe da perfeição mas é muito divertido. Mesmo!

Existem períodos em que você joga muita coisa ao mesmo tempo, e no meio de tanto jogo você se depara com um monte de bomba e algumas jóias. Undead & Undressed pode até não ser o melhor jogo do mundo, mas posso dizer com todas as palavras que é o mais divertido que joguei esse ano. É tudo tão surreal que, no fim das contas, nem o jogo se leva a sério. Constantemente você ver ver um diálogo louco cheio de referências à cultura pop e muita, mas muita zoeira mesmo.

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Akiba’s Trip é um jogo inusitado? Sim. É um jogo pervertido? Talvez. É um jogo ruim? Definitivamente não. Se o que você procura é um jogo legal, com história profunda e cheio de reflexões sobre vida, morte e a humanidade (ou a perda dela, no caso dos Synthisters), esse jogo não é para você. Mas se o que você quer é um game divertido, engraçado e recheado de referências a animes, mangás, otakus, a vida, o universo e tudo mais, então comece logo a explorar as ruas de Akihabara.

 

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Akiba’s Trip: Undead & Undressed — Nota: 3 / 5

Desenvolvimento: Acquire
Plataformas: PS3 e PS Vita (já lançados); PS4 (final de 2014)
Plataformas utilizadas na análise: PS3 e PS Vita

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