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Análise: Assassin’s Creed Unity mostra uma nova versão da Revolução Francesa

Revoluções civis, guerras, ditaduras. Tudo isso já fez parte da história de centenas de Estados e Países ao redor do mundo, mas será que você realmente sabe o que aconteceu por trás de cada um deles? Assassin’s Creed: Unity traz essa ideia, nos questionando se conhecemos a real face da Revolução Francesa, ocorrida entre 1789 e 1799. Antes de partir para a análise do jogo, vamos relembrar mais ou menos o que dizem os nossos livros de história.

Em 1789, a França era governada por uma monarquia absolutista que havia entrado em colapso, dissolvendo consequentemente privilégios feudais, aristocráticos e religiosos no país. Políticos radicais de esquerda, as massas das ruas e a população rural atacaram o governo para que os novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) fossem aplicados no país.

Só esse resuminho básico, já da pra perceber a grandiosidade do movimento, não? Não? E se eu disser que isso foi um estopim para mudar praticamente a Europa inteira? Agora sim! Mas vamos para o que interessa, chega de material da escola!

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A Revolução Francesa em Unity

Antes de entrarmos na história do jogo, ao ligar o console, nos deparamos com uma lista de cenários contendo vários personagens conhecidos, como Altair, Ezio, os Bórgias, Connor e muitos outros personagens da série Assassin’s Creed. Porém, apenas um desses cenários está liberado no começo, e nele você joga com templários para proteger dos assassinos um pedaço do Éden em forma de espada.

Após essa breve “introdução”, começamos a história do jogo de verdade. Arno Victor Dorian é nosso protagonista, o ano é 1776 e o nosso herói tem apenas 8 anos de idade. O jovem corre atrás de uma pequena garota enquanto seu pai, que o havia pedido pra ficar sentadinho na cadeira, foi resolver alguns “negócios”. Ao voltar para o encontro de seu pai, Arno encontra seu corpo no chão, morto. O garoto é adotado por François de la Serre, pai da menina com quem brincava — a pequena Élise.

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Treze anos se passaram e Arno já é um jovem adulto, no auge de seus 21 anos de idade, e trabalha na casa de seu pai adotivo. Em um determinado dia, François de la Serre sai para participar de um evento e, assim que parte, um de seus servos aparece desesperado para entregar-lhe uma carta. Cabe a você, no controle de Arno, entregá-la a tempo — mas, como era de se esperar, a tarefa não é nada fácil. E é assim que começa a aventura que levará o rapaz a se tornar um Assassino.

 

A potência da nova geração …

Como já dito, a Revolução Francesa foi bem turbulenta para o país. Centenas de pessoas nas ruas, protestos rolando a cada esquina, pessoas se matando na rua, tudo possível graças ao aumento da potência gráfica dos consoles da nova geração.

Até a geração passada era perceptível que os consoles tinham dificuldades para exibir centenas de personagens na mesma tela, principalmente em títulos multiplayer. Jogos como os da série Warriors (Dynasty, Samurai e Orochi) são um ótimo exemplo desse problema. Assassin’s Creed Unity, porém, consegue mostrar milhares de elementos em tela sem apresentar redução de frame durante a jogabilidade, deixando fluir bem o jogo. É o poder da nova geração.

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.. ou será que não?

O problema é que, mesmo não tendo um frame rate reduzido, o jogo pecou com os bugs mais hilários da série até agora. No decorrer do meu gameplay, logo nas primeiras cutscenes, o protagonista sumia, ficando apenas uma maçã flutuante no lugar dele, e às vezes as pessoas sumiam no meio da rua.

Nem tudo é um mar de rosas em AC Unity, mas a Ubisoft rapidamente preparou uma atualização para corrigir esses e outros erros. Para compensar a galera, a empresa liberou todo o conteúdo do Season Pass do título de graça (e deu um jogo em formato digital para quem já havia adquirido o pacote).

 

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As mil possibilidades de completar uma tarefa

Assassin’s Creed Unity permite que você conclua suas missões de mil maneiras diferentes. Você pode ser o brutão, que entra pela porta da frente, sai matando geral e chega no seu alvo. Ou pode bancar o Sam Fischer (de Splinter Cell), arranjando alguma brecha para entrar sem nenhum alarde e matar o alvo sem que ninguém perceba sua presença no local.

E quem decide como agir, como realizar cada missão, é você. O mapa mostra todas as possibilidades e e cabe a você optar por uma delas.

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O assassino voa pelos telhados franceses

Desde a chegada de Assassin’s Creed: Revelations, a série passou por diversas mudanças em sua jogabilidade. Revelations contava com uma jogabilidade bem intuitiva, enquanto Assassin’s Creed III era um tanto confuso e AC IV Black Flag revolucionou, tirando a ação das cidades e levando para o mar. Já em Unity a coisa fica muito melhor, começando pela exploração.

O jogo agora facilitou as escaladas, corridas e descidas, e você só precisa segurar dois botões para que seu personagem corra e escale as casas, paredes e árvores. Com apenas dois botões, Arno faz o caminho contrário, de descida. Isso faz com que a fluidez do personagem nesses movimentos seja mais natural. É claro que ainda há algumas escaladas um pouco travadas, mas bem menos do que vimos nos jogos anteriores. O combate também ficou mais simples, lembrando bem as lutas dos primeiros jogos da série.

Você ainda conta com uma grande variedade de itens que podem auxiliar nas batalhas ou nas fugas, e que também podem receber melhorias, aprimorando a forma como funcionam.

 

Upgrades, upgrades e mais upgrades

Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a possibilidade gigante de realizar upgrades em seu arsenal. Inúmeras espadas, machados e armas de fogos já eram previstos, mas o que me impressionou mesmo foi a possibilidade de personalização da sua vestimenta. Nos jogos anteriores já existia a variação bem de leve da sua roupa, que podia ser incrementado com uma armadura, mas em Unity você muda completamente sua aparência, podendo usar roupas de ladrão misturadas com roupas de soldados. Sensacional.

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Pode-se perder horas e horas para conseguir adquirir todas as variações de vestimentas, já que algumas são muito caras ou só são habilitadas concluindo certas missões. Se você é daqueles que enjoa facilmente do seu visual, é só trocar uma peça de roupa que já da outra perspectiva.

 

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A novidade do Multiplayer Co-op

Finalmente recebemos o multiplayer que tanto queríamos em um Assassin’s Creed: uma versão cooperativa! E tenho que dizer, fiquei impressionado com a facilidade de se conectar a outros jogadores e a fluidez do jogo que roda numa boa mesmo com 4 players na missão.

Apesar de eu não ter usado o headset para conversar com meus parceiros assassinos, conseguimos completar várias missões sem muitos problemas. Elas são bem intuitivas, basta não fazer nenhuma besteira e a missão pode ser concluída de forma eficiente. É possível jogar horas e horas de multiplayer sem enjoar, e sempre recebendo boas recompensas para usar no modo single player.

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E no fim, tudo isso vale a pena?

Como um bom fã da série, digo que esse Assassin’s Creed Unity me empolgou. Já estava desanimado com a série desde o AC III, e Black Flag não me atraiu. Mas o título para a nova geração de consoles se mostrou um bom jogo e, apesar dos bugs que já são famosos no mundo dos gamers, AC Unity fará você gastar horas e horas na frente da TV, analisando todas as possibilidades de assassinatos, fazendo as side-quests e encontrando os objetos espalhados pelas ruas francesas.

 

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Assassin’s Creed Unity – Nota: 3,5/5

Desenvolvedora: Ubisoft
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
Plataforma utilizada na análise: Xbox One

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