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Críticas

Batman: Arkham Knight (Multi) fecha a série com chave de ouro

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O Homem Morcego entra em ação para mais uma vez salvar Gotham City das ameaças de terríveis vilões


Um dos maiores personagens da DC Comics, nas histórias em quadrinhos o Batman chama a atenção não apenas por seu ar misterioso, inteligência bem acima da média e incrível poder de percepção, mas por ser membro-fundador e ter cadeira cativa no time principal de heróis de grande escalão da Liga da Justiça.

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Nos games, o cavaleiro das trevas se destacou — e muito — graças à série Arkham (mesmo já tendo estrelado alguns títulos excelentes no passado), da produtora Rocksteady Studios, que conseguiu capturar incrivelmente bem toda a essência do personagem em uma grande saga interativa nos videogames. Depois do sucesso de Arkham Asylum, Arkham City e Arkham Origins (este último, um prequel desenvolvido pela Warner Bros. Games e lançado junto de Arkham Origins Blackgate), a série chega ao seu capítulo final com o lançamento de Batman: Arkham Knight.

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Gotham em toque de recolher

Os eventos de Arkham Knight se passam depois da derrota de Hugo Strange, responsável pelo caos visto em Arkham City. Após a morte do Coringa, Gotham finalmente fica em paz graças a uma considerável queda na criminalidade… por pouco tempo. Afinal, o Espantalho não demorou a aparecer e liberar sua toxina do medo em uma lanchonete, onde todos ficam loucos e começam a matar uns aos outros.

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O vilão anuncia que isso é apenas uma parte do seu potencial e que vai liberar a toxina sobre Gotham inteira, o que leva o Departamento de Polícia de Gotham City (DPGC) a impor um toque de recolher e todos fogem da cidade — deixando o caminho livre para os criminosos, que logo dominam o lugar. Para combater os bandidos, a polícia do Comissário Gordon conta com a ajuda de Batman e seus parceiros, Asa Noturna (Dick Grayson), Robin (Tim Drake) e Oráculo (Barbara Gordon).

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E assim se inicia a trama de um dos jogos mais sombrios do cavaleiro das trevas.

 

A cronologia Arkham

A série Arkham possui 5 jogos: Batman: Arkham Asylum, Batman: Arkham City, Batman: Arkham Origins, Batman: Arkham Origins Blackgate e Batman: Arkham Knight. Mas essa ordem não segue a cronologia da história. Adaptando para a linha do tempo, Batman Origins seria o primeiro, com Origins Blackgate vindo na sequência. Em seguida vêm Arkham Asylum, City e Knight, com as aventuras rolando em um intervalo de 2 anos.

 

Um Batman mais forte

Batman está ficando velho, mais lento, mas sua força é bem acima do “normal”. Como acontece sempre que envelhecem o personagem, ele troca agilidade por força (como nas animações Batman The Dark Knight Returns e The Batman). Tá certo que ele não está tão velho assim mas, em comparação aos seus jovens parceiros, sem sombra de dúvidas o morcegão é o que bate mais pesado.

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A movimentação é similar aos outros jogos da série, sem grandes mudanças na forma de controlar o personagem ou seus aparatos, então quem já está acostumado com a série vai se sentir em casa. A inovação mesmo ficou por conta do Batmóvel, que trouxe à série inúmeras possibilidades de jogabilidade e habilidades únicas que o Homem Morcego pode usar a seu favor.

O veículo conta com duas formas: o modo normal, cuja prioridade é a velocidade e é perfeito para perseguir inimigos ou chegar a outros pontos do mapa mais rápido, ou o Modo Batalha, que transforma o carango em um tanque de guerra lento, mas extremamente poderoso, que pode abater veículos inimigos num instante. Você precisará dominar ambas as formas para salvar a cidade, então é bom praticar bastante.

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Além da locomoção e o modo tanque, o Batmóvel pode ser usado ainda durante os combos, ajudando a finalizar os adversários. Fora dos combates o veículo pode dar propulsão ao Batman, fazendo com que o herói ganhe mais velocidade enquanto plana, além de permitir alcançar áreas de difícil acesso, além de ser peça-chave para acessar áreas mais escondidas, arrancando grades, derrubando paredes ou suspendendo até mesmo o cabo de um antigo elevador. Louco, né?

O fato de a cidade ter sido evacuada antes de a ação rolar solta veio bem a calhar, já que metade da cidade acaba sendo invariavelmente destruída, enquanto você aprende a controlar e manobrar o carango com um mínimo de decência.

 

Vale a pena?

Batman Arkham Knight tem uma das tramas mais sombrias da série, contando com inúmeras referências a outras mídias nas quais o Cavaleiro das Trevas dá o ar da graça. Alguns exemplos disso são os pôsters que aparecem nas bases do Morcegão, como o Fantasma Cinzento, personagem da animação Batman The Animated Series (Beware the Gray Ghost – 1ª Temporada Episódio 08), cenas dos acontecimentos vistos em Batman: The Killing Joke (A Piada Mortal, de Alan Moore) e Batman: A Death in the Family (Uma Morte em Família). Todas essas peças são dignas de atenção do público, então fica a dica pra quem quiser se aprofundar sobre a história do morcego.

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Também é possível encontrar cartazes se referindo a personagens e vilões do Batman, como O Promotor, Harvey Dent (o vilão Duas Caras) e de um filme estrelado por Basil Karlo, o primeiro Cara-de-Barro.

Mas, afinal, o jogo vale ou não a pena? Levando em conta sua trama incrível e sombria, digna no Cavaleiro das Trevas, somada a todas as referências ao universo do Homem Morcego e toda a tensão gerada pela urgência da situação de caos instaurada pelos vilões, digo que Batman: Arkham Knight é sim um jogo que merece (e muito) ser jogado.

Os gráficos são, de longe, os melhores da série, fazendo jus à nova geração de consoles. Tudo parece ter sido cuidado nos mínimos detalhes, desde a chuva na capa do morcego até os detalhes da roda do Batmóvel, em níveis minuciosos que só provam o quanto o time se empenhou pra que essa fosse a aventura definitiva.

Em nossa análise nós experimentamos o jogo tanto com o áudio original quanto o dublado em português, e ficamos surpresos com o resultado. Tom de voz, interpretação, dublagem, tudo parece perfeitamente encaixado, sem causar nenhum estranhamento aos ouvidos, mesmo de quem está acostumado a ouvir apenas as vozes em inglês. Ponto para o Brasil!

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Um outro ponto a favor de Arkham Knight é a presença dos combates em dupla, o Dual Play, onde você consegue controlar dois personagens de forma simultânea, criando novas combinações de ataques e combos especiais para finalizar a pancadaria com mais estilo. Enquanto você controla um dos heróis, a IA assume a rédea do outro personagem e você pode revezar nas ações, trocando de combatente a qualquer momento.

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Todos os novos aparatos, durante o combate ou não, trazem um sopro de inovação à jogabilidade, sem descaracterizar o jogo. A jogabilidade da série sempre foi muito boa, e “em time que está ganhando, não se mexe”, mas não há nada de errado em aprimorar, não é verdade? Só ficou faltando estender essas novidades até o modo Detetive.

De toda forma, Batman: Arkham Knight honra o peso que o personagem da DC Comics traz de bagagem, representando bem o mundo sombrio em que o Homem Morcego se aventura e trata bem de representar os perigos que um ser humano, ainda que muito bem treinado, pode sofrer nesse mundo de insanidade proporcionado por seus vilões.

Ah! Por último, mas não menos importante, quem diabos é o tal Arkham Knight, vilão mais que alardeado e exclusivo dos games? Não contaremos, é claro! Incentivamos que vocês joguem o bendito jogo e descubram por conta própria!

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Batman: Arkham Knight — Nota 4/5

Desenvolvedora: Rocksteady Studios
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
Plataforma utilizada na análise: PlayStation 4

Designer, pós graduado em Gestão da Informação e Business Intelligence, amante da música e pianista, é gamer desde os 4 anos de idade e seu maior sonho sempre foi trabalhar com videogames. Fez parte do portal GameBlast, mas hoje se dedica exclusivamente ao PlayReplay.

Cinema

Star Trek Discovery tem um voo de estreia turbulento

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Por mais que Star Trek tenha inspirado dezenas de filmes, não há como negar que Jornada nas Estrelas sempre ficou muito mais à vontade na televisão, seja na série clássica absurdamente inovadora de Gene Roddenberry, ou em suas várias derivadas, como as cultuadas Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager.


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Assim, a notícia de que a CBS e a Netflix disponibilizariam uma temporada completa focada em novas aventuras no universo principal, e não no cânone alternativo estabelecido pela série de filmes da Bad Robot, foi recebida com bastante interesse e, claro, inevitáveis polêmicas na internet, com fãs apaixonados temendo pelo pior. Curiosamente, o primeiro ano de Star Trek Discovery consegue agradar e irritar todos os tipos de espectadores ao mesmo tempo e, infelizmente, isso acontece devido a sua falta de foco.

Os primeiros capítulos são, de longe, os piores da temporada, e mais parecem um extenso, desnecessário e desinteressante prólogo, que poderia ser apagado sem qualquer prejuízo para a série. Ainda que não falte valor de produção neles (todas as naves e planetas mostrados são muito bem feitos, ainda que sua estética pareça derivativa demais do jogo Mass Effect e do filme de JJ Abrams), a trama não empolga.

À bordo da nave Shenzhou acompanhamos a protagonista Michael Burnham (Sonequea Martin-Green) e sua capitã e mentora Georgiou (Michelle Yeoh), mas, após uma batalha infeliz com os Klingons, eles e a Federação começam uma guerra, e Michael acaba perdendo sua patente de primeira oficial e o direito à liberdade após responder por seus atos em um julgamento marcial.


 

Presa e odiada por todos, Michael acaba encontrando uma nova chance à bordo da USS Discovey, onde o Capitão Lorca (Jason Isaacs) nota seu potencial e a coloca para trabalhar com sua tripulação. É uma premissa ok, mas que é pessimamente conduzida por uma trama muito dark, que nada tem a ver com o tom dos seriados anteriores.

Tempos de guerra e conflitos sangrentos até poderiam apontar para um caminho audacioso e servir de gancho para boas soluções otimistas e moderadas, mas praticamente não há espaço para leveza, nem mesmo entre os tripulantes sem carisma da Discovery.  Honrando a histórica luta por diversidade que a franquia Trek sempre se empenhou em trazer muito bem, Paul Stamets (Anthony Rapp) e o Dr. Culber (Wilson Cruz) formam um casal homossexual, mas seu relacionamento é totalmente sem graça e dificulta a criação de empatia, se resumindo a panfletagem vazia e sem graça.

Melhor sorte tem a fofa Sylvia Tilly (Mary Wiseman), que consegue ter um bom arco de personagem, começando como uma garota insegura que fala demais e teme a opinião dos outros, e progredindo lentamente para o posto de uma oficial determinada, que acredita e luta por seus amigos. Sem dúvidas ela é quem mais se aproxima do tom tradicional de Star Trek.

O grande problema da primeira metade da temporada é inserir personagens bem desinteressantes e obrigá-los a enfrentar temas pesados, que vão desde crimes de guerra, passando por estupro e os traumas derivados disso, racismo, abuso animal, enfim, só “diversão”!

Talvez já notando os problemas e insatisfação justificada de uma parcela dos fãs com o clima pesado e militarizado demais, após as férias de fim de ano, a primeira temporada voltou para uma leva final de episódios muito mais palatáveis para quem via a série clássica assiduamente, com direito até a uma exploração rica do Universo Espelho, onde reencontramos o Império Terran, além de uma referência bem bonita à série clássica em seu episódio final.

Atirar para todos os lados pode até não ter gerado o produto final mais coeso do mundo, mas há algo admirável na tentativa de correção de curso no meio do caminho, ainda que isso venha ao custo de sabotar as expectativas de quem estava gostando da série em seus primeiros episódios. Foi um voo turbulento, sem dúvidas, mas se a o próximo ano seguir mais a linha da reta final da primeira temporada, talvez Discovery finalmente encontre um pouco mais de amor quando chegar a seu destino.

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Críticas

Brinquedos que Marcam Época é um presente da Netflix

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No finzinho de 2017 a Netflix disponibilizou uma de suas melhores e mais subestimadas produções. Quase sem alarde, The Toys That Made Us (Brinquedos que Marcam Época, em português) chegou ao serviço de streaming e, se você gosta de brinquedos e colecionáveis, não deveria deixar esse documentário passar batido!


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Por enquanto são apenas quatro episódios com pouco menos de uma hora cada um, mas já há outros quatro encomendados, com estreia programada para ainda em 2018. Já estão no ar documentários sobre Star Wars, GI Joe, Barbie e He-Man, e na segunda levam estreiam LEGO, Transformers, Hello Kitty e Star Trek.

Com direção de Tom Stern, o documentário criado por Brian Volk-Weiss é extremamente nostálgico, como não poderia deixar de ser, mas, diferente de outras produção da Netflix, jamais se limita a uma apelação barata para nossas lembranças a fim de provar seu valor. Não, aqui há bastante trabalho de pesquisa e material interessante até mesmo para os aficionados mais versados no tema.

Pessoas envolvidas com as mais diversas etapas da produção e venda de brinquedos, desde seus idealizadores, passando por empregados das empresas, advogados, executivos e varejistas, fornecem aspas repletas de informações, então há muito a se aprender sobre a história do hobby favorito de milhares de pessoas por todo o mundo.


Naturalmente, o foco do documentário fica restrito ao mercado norte-americano mas, felizmente, isso não impede a nossa apreciação e identificação, já que todos os brinquedos mencionados por enquanto fizeram muito, muito sucesso em nossas lojas também, ainda que em diferentes proporções.

Se você nasceu na década de 1980, seguramente deve ter várias memórias sobre esses bonecos! Mas, se for mais jovem, encontrará aqui uma oportunidade de ouro para o aprendizado, que não deve ser desperdiçada.

Ao fim da série, você vai saber muito mais sobre como era a cultura pop durante as décadas de 1970 e 1980. Mais importante, vai entender melhor como funciona a cabeça daqueles que vivem em função de pequenos pedaços de plástico, e como esses pequenos objetos podem ganhar um improvável e gigantesco significado nos corações das pessoas.

 

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Críticas

Franz Ferdinand não consegue ser nem sombra do que já foi em Always Ascending

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No começo dos anos 2000, o rock ganhou uma sobrevida inesperada com o advento do indie e da volta do rock de garagem. Liderado por nomes como The Strokes e Arctic Monkeys, o período foi imensamente frutífero, e até bandas “secundárias” como Kaiser Chiefs conseguiam lançar grandes músicas, mesmo longe de chegar ao mesmo status de fama dos líderes do movimento.


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Em algum lugar no meio do caminho ficava o Franz Ferdinand, banda formada em Glasgow em 2002, com clara inspiração em Talking Heads e nas guitarras do Gang of Four. Com músicas perfeitas para dançar e pular, o grupo trouxe toda uma vibe festiva e sexy para o rock da época, mas acabou não alcançando tanta fama em escala global, até eventualmente se resignar e acomodar com o posto de banda de nicho. Seu novo disco foi lançado esta semana, então vamos avaliá-lo faixa a faixa.

Always Ascending, a faixa título do disco e também a responsável por abrir os trabalhos, é um perfeito resumo dos problemas do novo Franz Ferdinand. Ela começa com uma extenuante introdução de 1:20 minutos regida por um corinho insuportável. O “prêmio” por sobreviver a isso é encontrar um pouco de música eletrônica batalhando por espaço até a canção ter algo interessante a mostrar, o que só acontece aos 2:27 minutos, quando a faixa finalmente soa minimamente tolerável, e nada mais que isso.


Lazy Boy, como o próprio nome indica, mostra um Kapranos mais preguiçoso e desinteressado do que nunca, uma persona que, infelizmente, ele não consegue abandonar por praticamente todo o disco. Melhor sorte tem Paper Cages, a melhor faixa do álbum até então, e uma das poucas que conseguem apontar para o que poderia ser um futuro interessante para a banda.

Ao invés de se contentar com guitarrinhas genéricas tentando alcançar o trabalho lendário do ex-membro Nick McCarthy, a canção abraça o teclado que, por sua vez, alavanca o baixo dançante de Bob Hardy em direção a novos caminhos bem gratificantes. Ali sim Kapranos parece empolgado com o material, e seu vocal vai bem além do tédio onipresente no disco.

A faixa seguinte, Finally, prontamente destrói esse pequeno progresso ao apostar em um novo coro intragável, o que é a segunda pior ideia que a banda teve em sua carreira (perde apenas para a esdrúxula parceria com o Sparks, que gerou a atrocidade chamada FFS). The Academy Award não é das piores, mas sofre do mesmo mal que a maioria das faixas do disco: dura um bom minuto e meio a mais do que deveria, e cansa por isso. Ainda assim, seu ritmo mais lento é um bom suspiro de tranquilidade em um disco que o tempo inteiro se força a parecer agitado, mas jamais consegue engrenar de verdade.

Lois Lane é um pouco agridoce, porque algumas partes instrumentais são interessantes e quase empolgantes, mas a harmonia vocal coloca tudo a perder com versos arrastados e chatos. Algo parecido acontece em Huck and Jim, porque o baixo e a bateria de Paul Thomson apontam para uma  música instigante, e o vocal de Kapranos e letra pífia anulam as virtudes da canção.

Quando tudo parecia fatalmente corrompido, Glimpse of Love aparece como uma salvadora improvável. Não por acaso, tal qual Paper Cages, é um exemplo perfeito de como jogar uma vibe meio Hotline Miami pode dar certo para um Franz Ferdinand desfalcado de seu guitarrista principal. O tecladinho, quando bem usado, cria uma atmosfera muito boa e, de novo, ela ajuda Kapranos a soar como o bom vocalista que costumava ser. Disparado a melhor faixa do álbum!

Munido dessa energia, Feel the Love Go aponta para um fechamento de disco com um pouco de dignidade. Instrumentos de sopro foram uma boa adição e, finalmente, o Franz Ferdinand conseguiu soar dançante e feliz como a banda que conquistou a galera no começo dos anos 2000.

Slow Don’t Kill Me Slow é um epílogo desnecessário e novamente mais longo do que deveria, e ajuda o álbum a terminar com bem mais erros do que acertos. No entanto, nem tudo está perdido. As poucas faixas genuinamente boas, como Paper Cages e Glimpse of Love, são um claro indicativo de que o Franz Ferdinand ainda consegue soar interessante mesmo sem apelar para truques batidos ou meras emulações de seu passado. O jeito é torcer para vermos mais disso nos trabalhos futuros da banda.

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