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Análise: Child of Light é uma emocionante história de amadurecimento

A preguiça definitivamente vem tomando conta da indústria! Ano após ano somos bombardeados com novos shooters e jogos genéricos que mal demandam esforço criativo de suas desenvolvedoras, que parecem pouco se importar com isso, desde que suas estratégias continuem dando lucro.

A Ubisoft ainda é uma das poucas que tentam fazer algo diferente, e Child of Light chega para provar que ainda há espaço para criatividade, até mesmo em gêneros consagrados que já foram exaustivamente aproveitados pelas empresas. Poema em forma de RPG, o título é um sopro de esperança para os que pensavam que o gênero estava morto.

 

Através do espelho

Em Child of Light, você assume o papel de Aurora, uma princesa austríaca que vivia uma vida tranquila até ser misteriosamente envenenada e transportada para o desconhecido mundo de Lemuria, local que já fora pacífico, mas que agora está nas mãos de Umbra, uma feiticeira ditadora que, com seu enorme poder, roubou o Sol, a Lua e as estrelas do lugar. Caindo de paraquedas e sem saber bem o que está fazendo lá, a garota apenas descobre que o destino do lugar está em suas mãos e que todo o povo de Lemuria depende de seu esforço. E você pensava que morrer fosse algo tranquilo.

Após rondar um pouco por uma floresta macabra, a garota obtém uma espada e conhece Igniculus, uma esfera de luz azul com um senso de humor afiado. O ser explica toda a situação para a garota que, sem ter muita escolha, parte em busca da salvação de Lemuria na esperança de conseguir reencontrar o seu pai, que está vivo, mas muito doente. Não demora muito para que a garota encontre uma misteriosa senhora que lhe concede o poder de voar, para que assim, ela comece definitivamente a se aventurar pelo local.

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Um elenco adorável

Child of Light possui personagens genuinamente variados e carismáticos. Desde magos covardes, passando por bobos da corte deprimidos e ratos com complexo inferioridade, cada ser que cruza o caminho de Aurora tem uma história interessante para contar, o que torna tudo ainda mais divertido para os jogadores. Vários deles são conhecidos de maneira mais profunda, já que decidem acompanhar Aurora em sua jornada, enquanto outros apenas pedem favores à garota e seus amigos, o que resulta em diversos itens e prêmios interessantes para o jogador.

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Jogabilidade refinada

Apesar de não ser conhecida por produzir RPGs, a Ubisoft parece ter aprendido bastante sobre o gênero nos últimos meses. Depois do divertidíssimo e bem construído South Park: The Stick of Truth, Child of Light vem com uma temática mais séria e um estilo de gameplay um pouco diferente. Jogado sob uma perspectiva bidimensional, o título herda muito de Rayman Legends no quesito exploração, de maneira que o jogador deve vasculhar cada canto dos cenários em busca de itens, personagens e outras quinquilharias que podem ajudar de alguma forma no decorrer da aventura. A única grande diferença entre os títulos é que a capacidade de Aurora de voar faz com que a exploração dos cenários também seja vertical, o que permite que eles sejam recheados de segredos interessantes para serem descobertos.

Durante a exploração, diversos inimigos horrendos e criativos podem ser vistos vagando de um lado para o outro, e assim que os tocamos começa o quebra pau. Contando com batalhas em turnos, o jogo se diferencia de outros RPGs em estilo graças a uma barra que se localiza na parte inferior da tela, que serve para definir a ordem de ataque de todos os lutadores, sejam amigos ou não. O advento de poder ver em que momento os inimigos vão realizar alguma ação, possibilita a criação estratégias para interrompê-los e impedi-los de aproveitarem seus turnos. Para isso, basta conseguir desferir um ataque enquanto eles estão se preparando pra dar um golpe. A interrupção pode ser feita com facilidade, desde que o jogador saiba utilizar as habilidades de seus personagens no momento certo, sempre considerando que cada uma delas possui um tempo de espera para ser completada. E não pense que você estará livre de ser interrompido, pois seus inimigos também tentarão fazer isso a todo custo!

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Apesar de ser completamente aberto à formação de estratégias de combate, o jogo peca por permitir que apenas dois personagens de seu time lutem por vez. O problema até é um pouco contornado com a possibilidade de trocá-los em tempo real durante as lutas, mas ainda assim a mancada é perceptível, já que o grupo de Aurora é bem grande e cada personagem possui habilidades únicas que, por conta disso, podem ser subaproveitadas durante a aventura. Como de praxe nos jogos do gênero, Child of Light ainda conta com um sistema de níveis – que é aplicado ao final das lutas até mesmo aos personagens que não lutaram –, uma árvores de habilidades que concedem novos poderes e com equipamentos que, ao serem utilizados, melhoram determinados atributos dos heróis.

 

Obra de arte

Child of Light possui um estilo gráfico familiar, já que foi desenvolvido por meio do Ubiart, mesmo engine utilizado pela Ubisoft na criação dos espetaculares Rayman Origins e Legends. Assim como ocorre nos títulos do herói sem braços, tudo parece ter sido desenhado à mão, o que dá um tom mais orgânico à aventura, que ainda conta com uma trilha sonora belíssima e melancólica, que dá o tom triste de toda a jornada de Aurora. Para completar, quase todos os diálogos do título são rimados, dando um toque poético de conto de fadas para aventura. O mais legal é que as rimas aparecem até quando jogamos tudo em português brasileiro, o que comprova ainda mais o comprometimento da Ubisoft com nossas terras tupiniquins.

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Durando cerca de doze horas, Child of Light pode até ser considerado um título curto, mas ainda assim apresenta uma consistência pouco vista em jogos recentes. Divertido do começo ao fim, o RPG experimental da Ubisoft se mostra uma excelente pedida para aqueles que anseiam descobrir novos mundos em meio a tantos tiros e soldados genéricos soltos por aí. Child of Light é uma aventura profunda que fala sobre o amadurecimento de uma garota inocente, mas que também mostra o amadurecimento da desenvolvedora francesa em se aventurar por novos territórios.

 

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Child of Light — Nota 4,5 / 5

Desenvolvimento: Ubisoft
Plataformas: PS3, PS4, X360, XOne, PC, Wii U, PS Vita
Plataforma utilizada na análise: XOne[/infobox]

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