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Análise: do lixo ao luxo, Deponia é incrível

Poucos gêneros dos videogames passaram por tantas mudanças quanto os adventures. Nos primórdios, as aventuras eram narradas através de uma interface totalmente focada na leitura e edição de textos. Em sua forma mais conhecida, o mouse era utilizado para coletar itens e mover o personagem, os populares point and clicks. Nos dias de hoje, temos desde walking simulators como Virginia e Gone Home até dramas interativos cheios de escolhas morais na linha de The Walking Dead.

Se você sente falta do formato popularizado pela LucasArts, e fica nostálgico só de ler nomes como Monkey Island, Full Throttle e Grim Fandango, vale a pena dar uma chance a Deponia. Lançado originalmente para computadores em 2012, o título da Daedelic Entertainment é uma ficção científica extremamente carismática e bem humorada, mais ou menos na linha de um bom livro do Douglas Adams.

A trama não poderia ser mais divertida. No comando do (nada) simpático Rufus, é preciso sobreviver a, literalmente, um lixo de vida. Afinal, além de não ter emprego e morar com uma pessoa que o odeia, Rufus está preso em uma cidade cercada de lixo.

A fim de conquistar uma vida melhor, Rufus tenta escapar e, para isso, precisa resolver uma série de enigmas complicados que envolvem a coleta de itens, interações com outros personagens e investigação minuciosa do cenário. Além de, claro, um bocado de raciocínio lógico e pensamento fora da caixa.

Talvez até um pouco fora da caixa demais, já que alguns enigmas envolvem soluções excessivamente inusitadas e contra intuitivas. Nada que um bocado de tentativa e erro não resolvam, claro, mas esses momentos se destacam negativamente já que a esmagadora maioria dos puzzles são bem trabalhados e envolvem uma série de pequenos enigmas muito bem conectados, com sutileza e elegância.

O jogo original já era muito bonito, mas seu relançamento no PlayStation 4 é um verdadeiro colírio. Cada personagem e cenário mais parece um frame retirado de uma animação cinematográfica 2D da mais alta qualidade. Bem otimizado, o jogo tem poucos loadings e uma interface acessível e eficaz.

Para ajudar na compreensão da divertida e inteligente trama, Deponia conta com legendas e menus em português. Isso é ótimo mas, infelizmente, boa parte da tradução poderia receber mais capricho, pois alguns termos foram traduzidos literalmente, com aquela cara de tradutor do Google. Ainda é possível entender a maior parte das conversas, mas algumas frases perdem totalmente o sentido.

Ao fim da campanha, todo fã de adventure point and click que se preze estará com um sorriso no rosto, não só por Deponia relembrar tudo que o gênero proporciona de mais bacana, mas também porque sua alta qualidade pode indicar um futuro brilhante para os adventures.

Deponia – Nota: 5/5

Desenvolvimento: Daedelic Entertainment
Plataformas:PC, PS4
Plataforma utilizada na análise: PlayStation 4

Formado na arte de reclamar, odeia a internet. Ainda assim, sua hipocrisia sem limites o permite administrar a página facebook.com/thomasschulzeescritor , plataforma de divulgação do seu primeiro livro. Você também pode segui-lo em @thomshoes no Twitter, mas provavelmente é uma má ideia...
Técnicas de Storytelling e Narrativas em Games