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Análise: FIFA 14 dá o pontapé inicial na next-gen

Não tem jeito: brasileiro é mesmo apaixonado por futebol e, em tempos de Copa do Mundo, o nobre esporte bretão se torna ainda mais onipresente. Nada mais justo, então, que a gente inaugure as nossas análises do Play Replay com um futiba esperto, né não?

Desde os tempos do Super Nintendo e Mega Drive as séries FIFA e Pro Evolution Soccer (antiga Winning Eleven – International Super Star Soccer) vivem uma rivalidade digna de Fla-Flu ou Gre-Nal, mas nos últimos anos a franquia da EA vêm levando a melhor sobre a Konami.

Com a chegada da nova geração de consoles não foi diferente: FIFA 14 veio com tudo, mostrou o que é futebol arte e levantou mais um caneco. Tudo bem que a partida acabou sendo vencida por W.O., já que PES preferiu não dar as caras na next-gen esse ano, mas isso não muda o fato de que FIFA 14 é o melhor jogo de futebol disponível atualmente.

 

O toque de bola é nossa escola

Se a jogabilidade já era impecável nas versões antigas, aqui ela continua perfeita! A EA sabe que em time que está ganhando não se mexe, então driblar, chutar e passar continua muito preciso e natural. Em poucas horas você já vai estar encobrindo o goleiro, criando tabelas humilhantes e pedindo música no Fantástico!

É um esquema de controles simples o suficiente para não espantar ou intimidar a turma dente de leite, mas profundo o bastante para ser estudado e aperfeiçoado por meses a fio pela galera mais hardcore, que vai se divertir descobrindo cada nuance e finta que os jogadores podem aplicar com a menor das inclinações no direcional analógico.

Há uma boa variedade de modos de jogo onde você pode mostrar seus talentos, mas vamos ser sinceros: depois de experimentá-los você só vai querer saber do Ultimate Team e das peladas online, o resto é perfumaria.

 

Amarrando o jogo

O modo carreira é bem bem burocrático e já mostra claros sinais de desgate. Seus loadings intermináveis dão saudades do clássico Elifoot, eterno campeão dos jogos na linha manager, e afugentam mesmo o mais paciente dos jogadores. Qual a graça de bancar o treinador se você vai passar a maior parte do tempo apenas vendo as datas do calendário avançarem?

Mesmo atuando como atleta o modo carreira fica devendo, pois o ângulo de câmera é bem estranho e causa certo desconforto. Para piorar, dependendo da sua posição em campo, as partidas podem ser mais tediosas que assistir a um 0 x 0 entre Olaria e Bangu, já que periga a bola nem parar no seu pé.

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O Pro Clubs é outra boa ideia que acaba ficando aquém das expectativas: fazer um time com seus bros online e deixar que cada um controle seu próprio jogador soa ótimo no papel, mas na prática é bem difícil participar de uma partida sem lag e, com isso, o nível dos jogos fica pior que aquelas peladas de jardim de infância no colégio.

Melhor sorte leva o modo challenges que, atualizado semanalmente, recria as partidas e eventos mais marcantes que rolaram no verdadeiro mundo da bola. Não curtiu a derrota do seu time no brasileirão? Vai lá e vira o jogo, rapaz! Tem até um DLC gratuito (coisa rara hoje em dia) que traz os times, uniformes e desafios da Copa pra você se divertir!

O modo de treino também é bacana e vem cheio de minigames interessantes para você melhorar suas técnicas e virar um craque. Tem desde cobrança de pênaltis até joguinhos que o obrigam a acertar cones com chutes e cruzamentos certeiros. Para ser completo, só faltou mesmoum treino que ensine a gente a cavar faltas igual ao Neymar.

Os campeonatos via internet seguem aquele modelão esperto de promoção e rebaixamento de divisões, o que pune a turma sem fairplay e premia quem sabe jogar bonito. Assim, por mais que seus primeiros jogos possam estar cheios de trolls, é questão de poucas horas até você ser promovido e jogar só com a nata das pelejas online.

Quem brilha muito é o modo Ultimate Team, uma espécie de híbrido entre Master League e álbum de figurinhas. Aqui você vai abrindo pacotinhos – com moedas obtidas jogando ou através de micro transações – e montando o melhor time possível. Para não precisar contar com a sorte, dá para participar de leilões online e tentar bancar um Messi ou Cristiano Ronaldo no plantel. Mas prepare os bolsos, pois os craques são tão valiosos aqui quanto na vida real!

O legal é que absolutamente tudo que você completa nos modos acima se converte em pontos que podem ser usados em um catálogo online que libera novos uniformes, comemorações e habilidades para seus jogadores, então ao menos você sempre se sente estimulado para jogar.

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Show de bola

A trilha sonora é bem legal e variada, apostando em várias faixas indie que acabaram estourando após o lançamento do game, como Love Me Again de John Newman e F For You, da Disclosure. Ainda assim, falta aquele hit matador na linha de Funk Soul Brothers, Tubthumping ou Song 2, hinos dos velhos FIFA.

A versão nacional conta ainda com a narração do Thiago Leifert e comentários de Caio Ribeiro. A gente sabe que os dois não são exatamente os melhores narradores e comentaristas do Brasil, mas, cá entre nós, o texto e localização do game foram bem caprichados, e você vai se pegar rindo de piadinhas bobas como “belo passa para a placa de publicidade”.

Apesar das leves – e põe leves nisso – melhorias gráficas em relação à geração passada, que tornaram os jogadores mais soltos e a torcida mais presente, esse ainda não é um game com cara de next-gen. O modelo dos atletas chega até a ser mais tosco que alguns jogos dos consoles passados!

Mas isso não tira o brilho dessa que é uma das melhores versões da série. Pode não ser ainda um gol de placa que redefine os games de esporte e marca toda uma geração, mas FIFA 14 sai de campo consagrado como a melhor pedida para quem quer juntar a galera e jogar o melhor e mais divertido simulador de futebol da atualidade. E não é essa a maior vitória que um game de futebol pode alcançar?

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FIFA 14 — Nota 4,0 / 5

Desenvolvimento: EA Sports
Plataformas: PS4, Xbox One, PS3, Xbox 360, Nintendo 3DS, PS Vita
Plataforma utilizada na análise: PS4

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