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Críticas

Hatoful Boyfriend é sua bizarra e imperdível chance de namorar pombos!

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Quando fiquei sabendo da existência de um jogo no qual o objetivo era fazer uma garota humana se apaixonar por um pombo em uma escola para pássaros super inteligentes, não podia mais conceber minha vida sem Hatoful Boyfriend.

Talvez a maioria das pessoas ouvisse falar deste game e já chegasse à conclusão de que ele era ridículo ou algo assim, mas como coisas bizarras, bem-humoradas e sem noção me atraem como os pombos atraem a protagonista de Hatoful Boyfriend, não perdi a primeira chance de ter o jogo em meu PS Vita.

Dando asas ao amor

Antes que você também ache um absurdo que este jogo exista ou pense que é algo “muito japonês” (como já ouvi de outras pessoas), é importante ressaltar que nossos amigos do oriente também têm um ótimo senso de humor e que Hatoful Boyfriend foi criado como uma mera piada que deu muito certo.

O game foi originalmente lançado em 2011 para o PCs e, desde então, tem conquistado uma verdadeira legião de fãs por sua estranheza e momentos engraçados que proporciona. Neste ano, ele finalmente chegou aos consoles da Sony para levar a palavra do amor dos pombos ainda mais longe.


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A história mostra uma escola de ensino médio especial para pássaros inteligentes, na qual nossa protagonista humana resolveu estudar por algum motivo. A única coisa que você pode escolher é o seu nome, já que o gênero é definitivo e nunca vemos sua aparência.

Aparentemente, tudo acontece em futuro distante onde um vírus devastou boa parte da humanidade enquanto pássaros desenvolviam sua inteligência cada vez mais. Infelizmente, nada sobre essa incrível trama de fundo realmente aparece no game e nós somos deixados apenas com algumas pistas misteriosas.

A verdade é que Hatoful Boyfriend acaba sendo um jogo muito rápido, que pode ser terminado em pouco mais de meia hora. A parte boa é que há muitos finais, já que cada um dos nove pombos tem seu próprio desfecho e partes diferentes para uma história maior.

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Pois é, porque mais que seja difícil de acreditar, o game tem uma trama à parte (não vamos revelar nada para que você mesmo tenha surpresas bizarras no meio do caminho). Então, é muito aconselhável que você tente todos os finais para ver como a história realmente se desenrola.

Pombos para todos os gostos

Como é de se esperar de um jogo de simulação de namoro, nós temos todos os clichês de personalidade que poderiam existir: o garoto quieto e perturbado emocionalmente, o rico e esnobe, o professor legal, o cara meio psicopata, etc. A diferença, obviamente, é que são todos pombos.

Você provavelmente vai se encontrar na situação de querer tirar várias fotos dos diálogos (muitos que não seriam normais nem se todos fossem humanos) para mostrar aos seus amigos. Isso acaba deixando tudo mais divertido, mesmo que uma hora você meio que se acostume e esqueça que é a única garota humana no meio de pombos amorosos.

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Em questão de jogabilidade, Hatoful Boyfriend é exatamente como a maioria dos jogos do gênero visual novel e você verá muito texto e nenhuma ação. Sua maior interação na história será a escolha de certas respostas em conversas com os pombos e de onde ir ou que aula assistir ao longo dos dias.

Estas aulas, aliás, são importantes para determinar se seu nível de inteligência, carisma ou vigor aumenta durante o jogo. Isso combinado com os lugares que você frequenta e suas opções de diálogo determinam qual pombo se interessará por você por no final.

Ou seja, não há como adivinhar em que pombo você estará realmente paquerando até que comece a perceber mais “cenas” com ele. Por isso, caso queira focar em um certo candidato logo de início (até para facilitar a conclusão do jogo com todos os pombos), é bom dar uma olhada em guias específicos na internet. Felizmente, eles não são nada difíceis de encontrar, especialmente pela popularidade do jogo.

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Na questão de trilha sonora, não há muita variedade, mas também é meio difícil prestar atenção na música de fundo quando você está dando em cima do seu professor pombo. Infelizmente, também não há diálogos gravados ou sons de ambiente, mas isso acaba sendo apenas um detalhe.

Um par perfeito para a diversão

Apesar de parecer meio estranho à primeira vista, Hatoful Boyfriend é mais do que recomendado para quem gosta de games engraçados e divertidos, já que é completamente diferente do que estamos acostumados a ver por aí.

O melhor de tudo é que o jogo consegue realmente te prender e fazer o jogador gostar de alguns dos personagens, por mais absurda que seja toda a situação. Por ser bem rápido de concluir cada uma das nove histórias, é um jogo ótimo para se distrair e aproveitar aos poucos, em pequenas doses.

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Então, se está procurando por algo mais descontraído, original e que é certeza de te fazer rir a cada minuto, não há como deixar Hatoful Boyfriend passar batido! E falando sério, quem é que não quer experimentar um simulador de namoro de pombos pelo menos uma vez na vida?!

 

Hatoful Boyfriend — Nota: 3,5/5

Desenvolvedora: PigeoNation Inc.
Plataformas: PlayStation 4, PlayStation Vita, PC
Plataforma utilizada na análise: PlayStation Vita

Seus irmãos a viciaram em video games antes que ela aprendesse a falar, e agora ela passa os dias escrevendo sobre isso para sites misteriosos.

Cinema

Star Trek Discovery tem um voo de estreia turbulento

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Por mais que Star Trek tenha inspirado dezenas de filmes, não há como negar que Jornada nas Estrelas sempre ficou muito mais à vontade na televisão, seja na série clássica absurdamente inovadora de Gene Roddenberry, ou em suas várias derivadas, como as cultuadas Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager.


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Assim, a notícia de que a CBS e a Netflix disponibilizariam uma temporada completa focada em novas aventuras no universo principal, e não no cânone alternativo estabelecido pela série de filmes da Bad Robot, foi recebida com bastante interesse e, claro, inevitáveis polêmicas na internet, com fãs apaixonados temendo pelo pior. Curiosamente, o primeiro ano de Star Trek Discovery consegue agradar e irritar todos os tipos de espectadores ao mesmo tempo e, infelizmente, isso acontece devido a sua falta de foco.

Os primeiros capítulos são, de longe, os piores da temporada, e mais parecem um extenso, desnecessário e desinteressante prólogo, que poderia ser apagado sem qualquer prejuízo para a série. Ainda que não falte valor de produção neles (todas as naves e planetas mostrados são muito bem feitos, ainda que sua estética pareça derivativa demais do jogo Mass Effect e do filme de JJ Abrams), a trama não empolga.

À bordo da nave Shenzhou acompanhamos a protagonista Michael Burnham (Sonequea Martin-Green) e sua capitã e mentora Georgiou (Michelle Yeoh), mas, após uma batalha infeliz com os Klingons, eles e a Federação começam uma guerra, e Michael acaba perdendo sua patente de primeira oficial e o direito à liberdade após responder por seus atos em um julgamento marcial.


 

Presa e odiada por todos, Michael acaba encontrando uma nova chance à bordo da USS Discovey, onde o Capitão Lorca (Jason Isaacs) nota seu potencial e a coloca para trabalhar com sua tripulação. É uma premissa ok, mas que é pessimamente conduzida por uma trama muito dark, que nada tem a ver com o tom dos seriados anteriores.

Tempos de guerra e conflitos sangrentos até poderiam apontar para um caminho audacioso e servir de gancho para boas soluções otimistas e moderadas, mas praticamente não há espaço para leveza, nem mesmo entre os tripulantes sem carisma da Discovery.  Honrando a histórica luta por diversidade que a franquia Trek sempre se empenhou em trazer muito bem, Paul Stamets (Anthony Rapp) e o Dr. Culber (Wilson Cruz) formam um casal homossexual, mas seu relacionamento é totalmente sem graça e dificulta a criação de empatia, se resumindo a panfletagem vazia e sem graça.

Melhor sorte tem a fofa Sylvia Tilly (Mary Wiseman), que consegue ter um bom arco de personagem, começando como uma garota insegura que fala demais e teme a opinião dos outros, e progredindo lentamente para o posto de uma oficial determinada, que acredita e luta por seus amigos. Sem dúvidas ela é quem mais se aproxima do tom tradicional de Star Trek.

O grande problema da primeira metade da temporada é inserir personagens bem desinteressantes e obrigá-los a enfrentar temas pesados, que vão desde crimes de guerra, passando por estupro e os traumas derivados disso, racismo, abuso animal, enfim, só “diversão”!

Talvez já notando os problemas e insatisfação justificada de uma parcela dos fãs com o clima pesado e militarizado demais, após as férias de fim de ano, a primeira temporada voltou para uma leva final de episódios muito mais palatáveis para quem via a série clássica assiduamente, com direito até a uma exploração rica do Universo Espelho, onde reencontramos o Império Terran, além de uma referência bem bonita à série clássica em seu episódio final.

Atirar para todos os lados pode até não ter gerado o produto final mais coeso do mundo, mas há algo admirável na tentativa de correção de curso no meio do caminho, ainda que isso venha ao custo de sabotar as expectativas de quem estava gostando da série em seus primeiros episódios. Foi um voo turbulento, sem dúvidas, mas se a o próximo ano seguir mais a linha da reta final da primeira temporada, talvez Discovery finalmente encontre um pouco mais de amor quando chegar a seu destino.

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Críticas

Brinquedos que Marcam Época é um presente da Netflix

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No finzinho de 2017 a Netflix disponibilizou uma de suas melhores e mais subestimadas produções. Quase sem alarde, The Toys That Made Us (Brinquedos que Marcam Época, em português) chegou ao serviço de streaming e, se você gosta de brinquedos e colecionáveis, não deveria deixar esse documentário passar batido!


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Por enquanto são apenas quatro episódios com pouco menos de uma hora cada um, mas já há outros quatro encomendados, com estreia programada para ainda em 2018. Já estão no ar documentários sobre Star Wars, GI Joe, Barbie e He-Man, e na segunda levam estreiam LEGO, Transformers, Hello Kitty e Star Trek.

Com direção de Tom Stern, o documentário criado por Brian Volk-Weiss é extremamente nostálgico, como não poderia deixar de ser, mas, diferente de outras produção da Netflix, jamais se limita a uma apelação barata para nossas lembranças a fim de provar seu valor. Não, aqui há bastante trabalho de pesquisa e material interessante até mesmo para os aficionados mais versados no tema.

Pessoas envolvidas com as mais diversas etapas da produção e venda de brinquedos, desde seus idealizadores, passando por empregados das empresas, advogados, executivos e varejistas, fornecem aspas repletas de informações, então há muito a se aprender sobre a história do hobby favorito de milhares de pessoas por todo o mundo.


Naturalmente, o foco do documentário fica restrito ao mercado norte-americano mas, felizmente, isso não impede a nossa apreciação e identificação, já que todos os brinquedos mencionados por enquanto fizeram muito, muito sucesso em nossas lojas também, ainda que em diferentes proporções.

Se você nasceu na década de 1980, seguramente deve ter várias memórias sobre esses bonecos! Mas, se for mais jovem, encontrará aqui uma oportunidade de ouro para o aprendizado, que não deve ser desperdiçada.

Ao fim da série, você vai saber muito mais sobre como era a cultura pop durante as décadas de 1970 e 1980. Mais importante, vai entender melhor como funciona a cabeça daqueles que vivem em função de pequenos pedaços de plástico, e como esses pequenos objetos podem ganhar um improvável e gigantesco significado nos corações das pessoas.

 

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Críticas

Franz Ferdinand não consegue ser nem sombra do que já foi em Always Ascending

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No começo dos anos 2000, o rock ganhou uma sobrevida inesperada com o advento do indie e da volta do rock de garagem. Liderado por nomes como The Strokes e Arctic Monkeys, o período foi imensamente frutífero, e até bandas “secundárias” como Kaiser Chiefs conseguiam lançar grandes músicas, mesmo longe de chegar ao mesmo status de fama dos líderes do movimento.


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Em algum lugar no meio do caminho ficava o Franz Ferdinand, banda formada em Glasgow em 2002, com clara inspiração em Talking Heads e nas guitarras do Gang of Four. Com músicas perfeitas para dançar e pular, o grupo trouxe toda uma vibe festiva e sexy para o rock da época, mas acabou não alcançando tanta fama em escala global, até eventualmente se resignar e acomodar com o posto de banda de nicho. Seu novo disco foi lançado esta semana, então vamos avaliá-lo faixa a faixa.

Always Ascending, a faixa título do disco e também a responsável por abrir os trabalhos, é um perfeito resumo dos problemas do novo Franz Ferdinand. Ela começa com uma extenuante introdução de 1:20 minutos regida por um corinho insuportável. O “prêmio” por sobreviver a isso é encontrar um pouco de música eletrônica batalhando por espaço até a canção ter algo interessante a mostrar, o que só acontece aos 2:27 minutos, quando a faixa finalmente soa minimamente tolerável, e nada mais que isso.


Lazy Boy, como o próprio nome indica, mostra um Kapranos mais preguiçoso e desinteressado do que nunca, uma persona que, infelizmente, ele não consegue abandonar por praticamente todo o disco. Melhor sorte tem Paper Cages, a melhor faixa do álbum até então, e uma das poucas que conseguem apontar para o que poderia ser um futuro interessante para a banda.

Ao invés de se contentar com guitarrinhas genéricas tentando alcançar o trabalho lendário do ex-membro Nick McCarthy, a canção abraça o teclado que, por sua vez, alavanca o baixo dançante de Bob Hardy em direção a novos caminhos bem gratificantes. Ali sim Kapranos parece empolgado com o material, e seu vocal vai bem além do tédio onipresente no disco.

A faixa seguinte, Finally, prontamente destrói esse pequeno progresso ao apostar em um novo coro intragável, o que é a segunda pior ideia que a banda teve em sua carreira (perde apenas para a esdrúxula parceria com o Sparks, que gerou a atrocidade chamada FFS). The Academy Award não é das piores, mas sofre do mesmo mal que a maioria das faixas do disco: dura um bom minuto e meio a mais do que deveria, e cansa por isso. Ainda assim, seu ritmo mais lento é um bom suspiro de tranquilidade em um disco que o tempo inteiro se força a parecer agitado, mas jamais consegue engrenar de verdade.

Lois Lane é um pouco agridoce, porque algumas partes instrumentais são interessantes e quase empolgantes, mas a harmonia vocal coloca tudo a perder com versos arrastados e chatos. Algo parecido acontece em Huck and Jim, porque o baixo e a bateria de Paul Thomson apontam para uma  música instigante, e o vocal de Kapranos e letra pífia anulam as virtudes da canção.

Quando tudo parecia fatalmente corrompido, Glimpse of Love aparece como uma salvadora improvável. Não por acaso, tal qual Paper Cages, é um exemplo perfeito de como jogar uma vibe meio Hotline Miami pode dar certo para um Franz Ferdinand desfalcado de seu guitarrista principal. O tecladinho, quando bem usado, cria uma atmosfera muito boa e, de novo, ela ajuda Kapranos a soar como o bom vocalista que costumava ser. Disparado a melhor faixa do álbum!

Munido dessa energia, Feel the Love Go aponta para um fechamento de disco com um pouco de dignidade. Instrumentos de sopro foram uma boa adição e, finalmente, o Franz Ferdinand conseguiu soar dançante e feliz como a banda que conquistou a galera no começo dos anos 2000.

Slow Don’t Kill Me Slow é um epílogo desnecessário e novamente mais longo do que deveria, e ajuda o álbum a terminar com bem mais erros do que acertos. No entanto, nem tudo está perdido. As poucas faixas genuinamente boas, como Paper Cages e Glimpse of Love, são um claro indicativo de que o Franz Ferdinand ainda consegue soar interessante mesmo sem apelar para truques batidos ou meras emulações de seu passado. O jeito é torcer para vermos mais disso nos trabalhos futuros da banda.

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