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Críticas

Kirby: Triple Deluxe é diversão em triplo no 3DS

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Kirby é uma bolota bastante versátil. Já trocou sopapos em Super Smash Bros., disputou corridas em Kirby: Air Ride, foi uma bola de pinball em Kirby’s Pinball Land e até se transformou em lã em Epic Yarn. Mas é claro que o personagem rosado da Nintendo se destaca mesmo em seus jogos de plataforma.

Seguindo o clássico estilo que consagrou o personagem na década de 1990, Kirby: Triple Deluxe mostra como a simplicidade pode ser extremamente divertida, carismática e criativa.

 

Três é demais!

Após um “cansativo” e longo dia no qual Kirby brincou, comeu frutas e dormiu em Dream Land, veio a noite. E lá estava o dorminhoco aproveitando mais um sono! Mas uma misteriosa luz caiu do céu, fazendo crescer um pé de feijão gigante. Após acordar assustado, Kirby vê o vilão Taranza sequestrando King Dedede e decide resgatar o velho antagonista das garras do novo adversário.

Kirby 1


Triple Deluxe não foge do estilo dos jogos side-scrolling de Kirby. Você vai progredir pelas fases usando a clássica habilidade da bolota de sugar inimigos e copiar habilidades até chegar ao final. E, como você deve saber, a dificuldade é baixíssima, já que o foco da série Kirby é principalmente o público infantil. Então isso significa que é um mais do mesmo? A resposta é “não”.

O jogo brinca com o efeito 3D estereoscópico do portátil desde o seu nome (Triple Deluxe, um trocadilho com 3D, sacou?). Nas fases, é possível controlar a bolota tanto no plano principal, no cenário de fundo ou até nos trechos em primeiro plano. O efeito tridimensional de Triple Deluxe mostra-se bastante eficiente ao proporcionar profundidade nos estágios.

Kirby 2

A sacada de interagir com os planos do cenário é utilizada de formas variadas. Há momentos em que é preciso ir ao cenário de fundo para abrir uma passagem no plano principal, enquanto em outros você precisa escapar de ataques inimigos que vem do primeiro plano ou vice-versa e abrir caminhos para um inimigo com a chave que está no plano de fundo.

Outro uso curioso do efeito 3D ocorre quando Kirby precisa passar por Gordos, os inimigos espinhosos. Há sempre um inimigo posicionado à frente da tela do caminho da bolota, permitindo-o passar, apenas podendo ser efetivamente notado se o recurso estereoscópico do portátil estiver ativado. Além disso, alguns inimigos, ao serem derrotados por Kirby, são arremessados em direção à tela.

Kirby 3

 

Homenagem em forma de jogo

Como as chances de morrer em Triple Deluxe são mínimas, sabendo que Kirby pode voar o quanto quiser e mortes acontecem apenas com quedas em abismos ou zerando a barra de vida, o verdadeiro desafio está em encontrar as Sun Stones e chaveiros espalhados pelas fases dos seis mundos do jogo. Cada estágio possui um número determinado de Sun Stones e, ao coletar todas em um mundo, uma fase extra é liberada.

Coletar chaveiros será uma bela onda de nostalgia. Cada fase possui um número variados de chaveiros pratas e um dourado, chamado de Rare Keychain. Eles são ao estilo 8-bits e trazem personagens, poderes, vilões e Kirbies de formas variadas inspirados nos títulos anteriores da série, um prato cheio para os fãs da bolota!

Tanto para encontrar Sun Stones quanto os chaveiros, é preciso atenção e explorar os cenários cuidadosamente para descobrir portas, caminhos secretos e até mesmo usar poderes específicos em determinados locais. Porém, uma das ausências sentidas no título foi um indicador nas fases para mostrar que você coletou ou não os chaveiros, que certamente vai fazer falta para aqueles que querem fazer 100% no jogo.

Chaveiros

Além disso, Triple Deluxe está recheado com trechos que prestam homenagem aos 22 anos da franquia. É possível encontrar pergaminhos em algumas fases que trazem, por exemplo, todas as formas de Kirby ao longo dos anos e a clássica cena da batalha contra King Dedede de Kirby’s Dream Land.

 

Pelos poderes da sucção!

É claro que o foco do jogo é a sucção de inimigos para Kirby copiar habilidades. Os já conhecidos Beam, Bomb, Crash, Cutter, Fighter, Fire, Hammer, Ice, Leaf, Mike, Needle, Ninja, Parasol, Sleep, Spark, Speark, Stone, Sword, Wheel, Whip e Wing retornam, mas Triple Deluxe adiciona quatro novas habilidades a Kirby, além do inédito poder Hypernova:

 

Bzzzzzz!

Ao engolir o inimigo Beetley, Kirby ganha a habilidade Beetle. Além de poder voar mais rapidamente e emtir som de besouro, com o pequeno chifre na ponta Kirby pode prender inimigos e arremessá-los. Essa habilidade é inspirada em uma espécie de besouro-rinoceronte japonês.

beetle

 

“Bowlota” and Arrow

Quem jogou Kirby & The Amazing Mirror vai achar a nova habilidade Archer bastante familiar com a Cupid. Engolir um Spynum transforma Kirby em um arqueiro, permitindo-o disparar flechas em várias direções. É possível carregar um disparo, causando um dano gigantesco.

Archer

 

Jingle Bell

As ondas sonoras também são armas de Kirby. A habilidade Bell, obtida ao engolir Ringle, permite a bolota atacar com dois sinos, um em cada mão. Além de poder arremessá-los contra inimigos, Kirby pode se proteger de ataques escondendo dentro do sino.

bell

 

Respeitável público!

A habilidade Circus, obtida do inimigo Clown Acrobot, é interessante por sua variedade. Kirby realiza movimentos relacionados ao circo, como fazer malabarismos com pinos flamejantes, saltar através de aros de fogo, se equilibrar em bolas, pular em trampolins e estourar balões. Um artista de respeito!

circus

 

“Kirburaco” negro

O poder supremo de Triple Deluxe se chama Hypernova. Ao engolir uma Miracle Fruit, Kirby fica brilhante e colorido, podendo engolir tudo em seu caminho, já que sua habilidade de sucção é elevada. Inimigos gigantes, chefões, trens e árvores no caminho podem ser engolidos, além do Hypernova ser essencial para resolver quebra-cabeças nos estágios. Kirby se torna literalmente um buraco negro rosado (!?).

hypernova

 

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Os três Waddle Dees e o Kirby mau

Os 3 porquinhosO jogo faz uma curiosa referência à clássica fábula “Os três porquinhos”. Na fase 3-5, após Kirby conseguir o poder Hypernova, ele encontra um Waddle Dee que se esconde em uma casa de palha.

Após sugar tudo, o inimigo entra na casa de madeira com outro Waddle Dee e novamente a bolota engole tudo. Na sequência, três deles se reúnem em uma construção de pedra.

Notou a semelhança? As diferenças aqui são que Kirby não assopra, mas sim usa a sucção para acabar com tudo e, diferentemente do Lobo Mau da fábula, sai vitorioso e de barriga cheia.

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Em ritmo de luta

Duas adições interessantes no título são os minigames. O primeiro deles, Kirby Fighters, é uma espécie de Super Smash Bros. apenas com vários Kirbies com as diferentes habilidades presentes em Triple Deluxe. É possível batalhar em sequência em vários níveis de dificuldade, lutar sozinho ou em multiplayer local no modo livre.

Assim como Smash Bros., itens também aparecem na arena para atrapalhar ou ajudar os jogadores, porém, é uma pena que esse modo não tenha suporte a partidas online.

Kirby Fighters

Dedede’s Drum Dash é o segundo minigame de Triple Deluxe. É um jogo rítmico singleplayer no qual King Dedede salta por tambores até o final da fase. É preciso coletar moedas, desviar de inimigos e acompanhar o ritmo de canções clássicas da franquia antes do término do tempo.

O minigame é divertido, mas bastante curto. E é um pouco triste saber que a Nintendo lançou ambos minigames à parte na eShop com mais fases e modos de jogo, porém, para quem quiser experimentar, é preciso comprá-los, incluindo até mesmo quem já possui o jogo completo.

Dedede Drum Dash

 

O triplo de luxo

Apesar das limitações dos minigames, Kirby: Triple Deluxe alia ideias criativas com a simplicidade e consegue agradar tantos fãs da franquia quanto jogadores que querem apenas se divertir ou completar 100%. E o jogo não acaba quando termina, já que ao finalizar o Story Mode novos modos são desbloqueados. Definitivamente um jogo de luxo com diversão ao triplo!

 

[infobox color=”light”]

Kirby: Triple Deluxe – Nota: 4/5

Desenvolvimento: HAL Laboratory
Plataforma: Nintendo 3DS[/infobox]

é formado em Gestão de T.I. e formado como jogador graças a um Super Nintendo na infância. Cresceu com um Nintendo 64, PlayStation One e lendo revistas de games. Além de redescobrir seu amor pela Nintendo nos últimos anos, é fã assumido de Zelda, Rayman e Silent Hill. Pode ser encontrado no Facebook para falar sobre games e outras besteiras.

Cinema

Live Action de Fullmetal Alchemist tem ritmo acelerado até demais

Adaptação é muito corrida para fãs das antigas, mas pode agradar curiosos

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em

Diversos animes alcançaram o sucesso nos anos 2000, mas poucos deixaram uma marca tão grande em seus fãs quanto Fullmetal Alchemist. Depois de inspirar séries em 2003 e 2009, longas animados e jogos, o mangá de Hiromu Arakawa agora serve de base para um filme em live action. Bom, mais ou menos, já que o filme toma diversas liberdades criativas.


Veja também:


Se você é fã do material original, é bom se preparar um pouco psicologicamente antes de dar play no filme, já disponível para streaming na Netflix. Afinal, embora a temática básica tenha sido mantida, há muitas diferenças em relação ao material que conhecemos e amamos.

A história segue os irmãos Elric, que tentam trazer sua mãe de volta à vida por meio do tabu da alquimia humana. No entanto, tudo dá errado e Al perde seu corpo físico e fica obrigado a vestir uma armadura para abrigar sua alma, enquanto Ed precisa vestir braço e perna mecânicos. Os irmãos partem, então, em busca da cobiçada Pedra Filosofal, a única forma de restaurar os seus corpos.


Embora apareça com o selo de Original Netflix por aqui, o filme estreou em dezembro do ano passado no oriente pelas mãos da Warner Bros. Japan, com produção da Oxybot. Aliás, se você não está acostumado com o estilo de atuação oriental, não estranhe esse choque de cultura!

Em adaptações live action, os atores japoneses tentam fazer uma atuação bem em estilo “desenho animado em carne e osso”, o que pode causar estranheza para os menos versados na arte. Para quem está acostumado, Ryosuke Yamada, Dean Fujioka e a bela Tsubasa Honda fazem um ótimo e divertido trabalho sob a direção competente de Fumihiko Sori.

É na história, então, que residem a maior parte dos problemas do longa, que serão notados muito mais por quem sabe a obra original de cor. Como o filme tem menos de duas horas para expor toda sua narrativa, naturalmente acontecem muitas concessões e adaptações. O sentimento é de que é tudo muito corrido, até porque personagens importantes são omitidos sem dó, como o Scar. Beira a heresia falar da guerra de Ishtar sem tocar em seu nome.

Da mesma forma, não há qualquer menção ao Pai dos homunculos. Simplesmente é informado que eles foram criados, mas nada tem impacto na narrativa. O ato final é especialmente mal trabalhado, e torna mais notória a superficialidade dos personagens secundários. As pessoas apenas vêm e vão, e não é possível se importar com nada direito.

Ainda assim, não deixa de ser uma opção decente de diversão. Certamente há portas de entrada melhores para o apaixonante universo de Fullmetal Alchemist, mas, se você já é um fã e tem a mente bem aberta, há algo de mágico e profundamente divertido em ver seus personagens favoritos em carne e osso, por mais que sua passagem seja bem breve e corrida.

Fullmetal Alchemist
6.5 Nota
6.6 Leitores (5 Notas)
Prós
  • Bons atores
  • Divertido
Contras
  • Ritmo acelerado demais
  • Omissão de personagens importantes
Avaliação
A versão em live action de Fullmetal Alchemist tem acertos o suficiente para valer o tempo investido pelos fãs e agradar aos curiosos de plantão, mas adaptações e omissões em excesso comprometem a experiência.
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Cinema

Viva A Vida é uma Festa repleta de emoções

Nem tudo é alegria nessa festa, mas você vai lembrar dela por muito tempo

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em

Devo admitir que não comecei a ver Coco (Viva A Vida é uma Festa, em português) com a melhor das expectativas. Afinal, desde 2010 ou, mais especificamente, desde Toy Story 3, não assisto a um filme da Pixar que eu considere essencial, bonito e divertidíssimo. Então, ainda que muita gente estivesse se derretendo em elogios ao novo desenho, eu não estava lá muito animado.


Veja também:


Até a premissa eu não considerava das mais interessantes, já que a temática de Mundo dos Mortos eu julgava ter sido realizada bem próxima da perfeição no jogo Grim Fandango. Então até o fator ineditismo se perdia neste sentido. Ainda assim, relevei tudo isso e, com a maior boa vontade que consegui reunir, comecei a ver o filme.

 

Viva a Vida é uma Festa conta a história de Miguel, um garotinho de apenas 12 anos que sonha em ganhar a vida como músico. Uma ideia simples o bastante, exceto pelo fato de que sua família odeia música com todas as suas forças. Tudo porque, mais de 100 anos atrás, o tataravô de Miguel abandonou sua tataravó para perseguir o estrelato.


Assim, Miguel pratica violão escondido enquanto decora todas as músicas de seu ídolo Ernesto de la Cruz. Ao mesmo tempo, sua família se esforça ao máximo para convencê-lo a seguir a carreira de sapateiro, como todos os demais familiares. Insatisfeito, o jovenzinho foge de casa no feriado de Dia dos Mortos e, no processo acidentalmente cruza a barreira para o “outro lado”, onde acredita ter uma chance de finalmente encontrar Ernesto.

Durante os dois primeiros atos do filme, a jornada é repleta de clichês e reviravoltas previsíveis e, com isso, me deixou consideravelmente de saco cheio, a despeito de alguns personagens carismáticos que surgiam pelo caminho aqui e ali, com destaque para o adorável esqueleto Héctor, magistralmente interpretado por Gael García Bernal.

Ainda que uma ou outra piadinha funcionasse, a aventura em si não estava me agradando, e chegou à beira do desastre quando seu principal antagonista foi reduzido ao puro maquiavelismo barato. No entanto, os últimos 20 minutos de filme me provocaram algo inesperado e muito especial!

Sem spoilers, várias coisinhas espalhadas ao longo da jornada foram ressignificadas (especialmente a sua canção principal, em uma sacada de gênio) e, quando unidas à linda trilha incidental do mestre Michael Giacchino, viram um soco emocional certeiro em seu cérebro, capaz de demolir até a mais durona das pessoas.

Faz quase um dia inteiro desde que vi o filme e, desde então, já devo ter ouvido a sua música principal, Remember Me, algumas dezenas de vezes. E não penso em parar tão cedo! Aliás, muito me impressionaria se ela não vencesse o Oscar 2018 de melhor canção original, pois seria muito merecido.

Ainda que eu não tenha achado a animação maravilhosa como um todo, e veja sérios problemas com a barriga da jornada, o final de Viva é tão gratificante e emocionalmente devastador que eu não posso deixar de recomendar a obra para qualquer um que tenha interesse em desenhos 3D. Só não esqueça de separar alguns lencinhos antes de começar!

Viva A Vida é uma Festa
8.5 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Emocionante demais
  • Linda trilha sonora
Contras
  • Aventura arrastada
  • Piadas fracas
Avaliação
Viva a Vida é uma Festa é mais uma animação da Disney Pixar que tem tudo para conquistar uma montanha de prêmios. Sua mensagem é linda e sua conclusão emocionante, mas a jornada em si não é das mais divertidas.
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Cinema

Star Trek Discovery tem um voo de estreia turbulento

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Por mais que Star Trek tenha inspirado dezenas de filmes, não há como negar que Jornada nas Estrelas sempre ficou muito mais à vontade na televisão, seja na série clássica absurdamente inovadora de Gene Roddenberry, ou em suas várias derivadas, como as cultuadas Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager.


Veja também:


Assim, a notícia de que a CBS e a Netflix disponibilizariam uma temporada completa focada em novas aventuras no universo principal, e não no cânone alternativo estabelecido pela série de filmes da Bad Robot, foi recebida com bastante interesse e, claro, inevitáveis polêmicas na internet, com fãs apaixonados temendo pelo pior. Curiosamente, o primeiro ano de Star Trek Discovery consegue agradar e irritar todos os tipos de espectadores ao mesmo tempo e, infelizmente, isso acontece devido a sua falta de foco.

Os primeiros capítulos são, de longe, os piores da temporada, e mais parecem um extenso, desnecessário e desinteressante prólogo, que poderia ser apagado sem qualquer prejuízo para a série. Ainda que não falte valor de produção neles (todas as naves e planetas mostrados são muito bem feitos, ainda que sua estética pareça derivativa demais do jogo Mass Effect e do filme de JJ Abrams), a trama não empolga.

À bordo da nave Shenzhou acompanhamos a protagonista Michael Burnham (Sonequea Martin-Green) e sua capitã e mentora Georgiou (Michelle Yeoh), mas, após uma batalha infeliz com os Klingons, eles e a Federação começam uma guerra, e Michael acaba perdendo sua patente de primeira oficial e o direito à liberdade após responder por seus atos em um julgamento marcial.


 

Presa e odiada por todos, Michael acaba encontrando uma nova chance à bordo da USS Discovey, onde o Capitão Lorca (Jason Isaacs) nota seu potencial e a coloca para trabalhar com sua tripulação. É uma premissa ok, mas que é pessimamente conduzida por uma trama muito dark, que nada tem a ver com o tom dos seriados anteriores.

Tempos de guerra e conflitos sangrentos até poderiam apontar para um caminho audacioso e servir de gancho para boas soluções otimistas e moderadas, mas praticamente não há espaço para leveza, nem mesmo entre os tripulantes sem carisma da Discovery.  Honrando a histórica luta por diversidade que a franquia Trek sempre se empenhou em trazer muito bem, Paul Stamets (Anthony Rapp) e o Dr. Culber (Wilson Cruz) formam um casal homossexual, mas seu relacionamento é totalmente sem graça e dificulta a criação de empatia, se resumindo a panfletagem vazia e sem graça.

Melhor sorte tem a fofa Sylvia Tilly (Mary Wiseman), que consegue ter um bom arco de personagem, começando como uma garota insegura que fala demais e teme a opinião dos outros, e progredindo lentamente para o posto de uma oficial determinada, que acredita e luta por seus amigos. Sem dúvidas ela é quem mais se aproxima do tom tradicional de Star Trek.

O grande problema da primeira metade da temporada é inserir personagens bem desinteressantes e obrigá-los a enfrentar temas pesados, que vão desde crimes de guerra, passando por estupro e os traumas derivados disso, racismo, abuso animal, enfim, só “diversão”!

Talvez já notando os problemas e insatisfação justificada de uma parcela dos fãs com o clima pesado e militarizado demais, após as férias de fim de ano, a primeira temporada voltou para uma leva final de episódios muito mais palatáveis para quem via a série clássica assiduamente, com direito até a uma exploração rica do Universo Espelho, onde reencontramos o Império Terran, além de uma referência bem bonita à série clássica em seu episódio final.

Atirar para todos os lados pode até não ter gerado o produto final mais coeso do mundo, mas há algo admirável na tentativa de correção de curso no meio do caminho, ainda que isso venha ao custo de sabotar as expectativas de quem estava gostando da série em seus primeiros episódios. Foi um voo turbulento, sem dúvidas, mas se a o próximo ano seguir mais a linha da reta final da primeira temporada, talvez Discovery finalmente encontre um pouco mais de amor quando chegar a seu destino.

Star Trek Discovery - Temporada 1
7 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Alto valor de produção
  • Referências nostálgicas
Contras
  • Tom sombrio demais
  • Personagens sem carisma
Avaliação
Star Trek Discovery lutou muito para encontrar sua própria identidade em sua primeira temporada. Os personagens sem carisma atrapalham demais, tal qual o tom sombrio em demasia. Mas, em sua segunda metade, a temporada engrena um pouco e pode agradar até os fãs da série clássica.
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