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Análise: Life is Strange prova que jogos de aventura ainda podem inovar

Ao lado da Ninja Theory (Enslaved), a Dontnod Entertainment é uma das novas desenvolvedoras mais subestimadas da indústria. Seu título de estreia, o incompreendido Remember Me, possui uma jogabilidade precisa, personagens cativantes e uma ambientação fora de série, algo raro de se ver até em grandes desenvolvedoras, que muitas vezes preferem lançar jogos produzidos pela metade a valorizar sua própria obra e oferecer aos jogadores uma experiência digna.

Após o sumiço de quase dois anos, o estúdio está de volta em parceria com a Square-Enix para nos apresentar Life is Strange, uma aventura episódica nos moldes dos títulos da Telltale, mas com uma proposta extremamente inovadora e interessante.

Vida nova em Arcadia Bay

O título conta a história de Max Caulfield, uma aspirante a fotografa de 18 anos que consegue uma vaga em uma renomada escola de fotografia em Arcadia Bay, cidade em que vivera até quatro anos antes, quando seus pais decidiram se mudar em busca de uma vida melhor. Como é de se esperar, devido à mudança abrupta de seus pais, Max foi obrigada a deixar sua vida para trás, inclusive sua melhor amiga, Chloe, cujo contato foi completamente interrompido.

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Max então segue sozinha para a cidade em busca de seu sonho e tudo corria conforme o planejado e com todo o drama adolescente que podemos esperar em uma escola com alunos de 18 anos, exceto por alguns pesadelos bizarros que vinham tirando seu sossego. É neste contexto que Max passa por uma experiência que faz sua vida mudar completamente.

Um pouco deprimida com seu futuro e se sentindo completamente sem talento, a garota vai ao banheiro do colégio e acaba testemunhando uma briga de dois jovens que acaba resultando em um assassinato. Contudo, como num passe de mágica, Max descobre que possui o dom de voltar ao passado recente para mudar o futuro.

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Max então volta no tempo e salva a garota, cuja identidade é completamente desconhecida. Assim como o jogador, a protagonista fica perplexa com sua recém-descoberta habilidade e começa a utilizar esse poder para direcionar melhor suas escolhas, sem ter a menor ideia se isso pode lhe causar algum mal e que consequências isso pode trazer para as pessoas à sua volta.

Mudando o futuro

E é justamente aí que Life is Strange brilha! No começo, tudo nos leva a crer que estamos jogando mais um Adventure em que você pode decidir o que falar nos diversos diálogos do game, até que tudo vira de cabeça para baixo e você descobre que você tem o controle total sobre o que está acontecendo com Max e seus colegas.

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A parte básica da jogabilidade é idêntica à de jogos como The Walking Dead ou The Wolf Among Us. O jogador deve controlar Max, investigando diversos cenários e interagindo com vários personagens para dar andamento ao enredo, que, acredite, é muito mais do que um drama adolescente. A grande mudança é que, para resolver os diversos problemas com que Max se depara, o jogador pode obter a informação necessária para tal e voltar no tempo para usá-la ao seu favor, e isso se aplica a tudo no jogo.

As decisões mais complicadas da aventura também pode ser revertidas. Se arrependeu de sua decisão por achar que ela não surtiu o efeito esperado? Tudo bem! Volte no tempo e resolva de outra forma. E aí você deve querer me perguntar: E isso não tira a graça do jogo? De forma alguma, já que você pode acabar se frustrando com todos os cenários possíveis e ter que escolher o que menos vai trazer consequências ruins num futuro mais distante. E acredite, mesmo com esse poder, o mundo não se mostra bonito de forma alguma.

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The Walking Dead encontra As Vantagens de Ser Invisível

Como disse no início deste texto, uma das maiores qualidades do primeiro título da Dontnod, Remember Me, é sua ambientação que beira à perfeição. Com Life is Strange isso não é diferente. A história de Max tem um clima de filme indie, aos moldes de The Perks of Being a Wallflower (baseado no livro homônimo) ou até mesmo Juno, obras que tratam de forma leve assuntos pesados e polêmicos.

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Max é a típica jovem americana, que está descobrindo o que é a vida e todos os perigos e tentações que a cercam. Seus colegas de classe possuem estereótipos bem definidos, que vão desde o nerd isolado até a riquinha que não perde uma oportunidade de destilar seu veneno. Contudo, basta conhecê-los um pouco mais para perceber que eles são mais profundos do que isso e tem toda uma história de vida para ser descoberta.

A trilha sonora, que puxa para o lado folk/indie é um show à parte e melhora ainda mais a ambientação da aventura. Falando nisso, a abertura de Life is Strange é uma das mais bem executadas que vi nos últimos anos, e consegue com muito pouco transmitir todo o clima do jogo.

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Para tornar tudo ainda mais envolvente, Max possui um diário em que escreve tudo o que lhe vem à cabeça, e estes textos são muito bem escritos e fazem bom uso de uma linguagem mais jovem que abusa de excelentes referências à cultura pop.

O que é bom dura pouco

O primeiro episódio de Life is Strange, Chrysalis, dura cerca de duas horas e meia, o que é muito pouco até para um jogo dividido em episódios. E talvez este seja o maior problema do título, já que, quando a história começa a tomar forma, somos surpreendidos pelo fim do capítulo e a obrigação de ter que esperar algum tempo pela continuação.

Outro problema que encontrei no título foi um bug que fez com que eu não desbloqueasse boa parte das conquistas que consegui destravar durante minha partida. A versão utilizada para esta análise foi a de Xbox One, e terei que jogar mais uma vez para ser se ainda é possível desbloqueá-las.

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Problemas à parte, o primeiro capítulo de Life is Strange é um sopro de vida para os jogos de videogame, seja pela sua ambientação impecável ou por sua temática completamente inovadora que talvez nunca tenha sido utilizada em um game. Contando com um roteiro bem escrito, personagens cativantes e uma trilha sonora muito acima da média, o segundo jogo da Dontnod vem para provar que quando um jogo é feito com amor, o resultado pode ser impressionante.

Life is Strange Episode 1: Chrysalis – Nota 4,5/5

Desenvolvedora: Dontnod Entertainment

Plataformas: PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One e PC. Versão utilizada: Xbox One

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