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Análise: Mario Kart 8 vira a série de pernas para o ar

É praticamente impossível negar toda a importância da Nintendo para o mundo dos games. Mesmo quando em crise, a empresa é capaz de influenciar o andamento da indústria, estando sempre sob os holofotes da mídia, para bem ou para mal. No meio de tantas notícias negativas, hora ou outra a gigante tende a chutar o balde e calar a boca de todos que insistem em profetizar a sua saída do mercado de jogos. Desta vez, como uma bomba atômica, a Big N disparou Mario Kart 8 para lembrar a todos que ela ainda é uma das desenvolvedoras de jogos mais competentes e únicas de todo o mundo.

 

Mirando as estrelas

Mario Kart 8 é, provavelmente, o jogo mais ambicioso da franquia desde a versão lançada para Nintendo 64. Extremamente polido e balanceado, a Nintendo fez questão de refinar cada aspecto de sua fórmula consagrada para oferecer aos jogadores a melhor experiência possível. Contando com um elenco de trinta personagens, incluindo nada menos do que todos os Koopalings, Mario Kart 8 oferece todas as mecânicas implementadas na série desde Super Mario Kart, de Super Nintendo, exceto pelas corridas em dupla de Mario Kart: Double Dash. Para quem diz que a gigante nipônica não inova, basta cinco minutos com o jogo para notar justamente o contrário.

De corridas debaixo d’água, passando por veículos completamente customizáveis e a possibilidade de se utilizar motocicletas e ATVs, além dos famosos Karts, Mario Kart 8 oferece um mar de possibilidades para que os jogadores encontrem a sua própria maneira de jogar, e se nada disso é novidade, saiba que a Nintendo ainda virou tudo de cabeça para baixo, literalmente! Contando com veículos com tecnologia antigravidade, os circuitos deixam de ser planos e passam a fazer loopings ou até mesmo a ter boa parte de seu trajeto em pistas de cabeça para baixo. Mais do que apenas uma alteração estética, a nova mecânica possibilitou aos desenvolvedores um nível de liberdade criativa que acabou resultando no melhor level design da série até agora.

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No limite da criatividade

Como de costume na franquia, o título possui 32 pistas divididas entre oito torneios, sendo quatro de circuitos inéditos e outros quatro de pistas icônicas vistas em jogos do passado. Muito bem selecionadas pela Nintendo, as fases antigas ajudam a mostrar o maior motivo que torna a franquia espetacular. De Music Park, de Mario Kart 7, até as espetaculares Yoshi Valley e Rainbow Road, ambas de Mario Kart 64, todas as pistas foram totalmente redesenhadas para se adaptar a todas as nuances da jogabilidade do novo jogo, chegando até a dar a impressão de que se tratam de novos circuitos.

Mas o maior brilho do jogo vem de suas novas pistas! Incrivelmente criativas, belas e coloridas, todas elas apresentam novidades e abusam das mecânicas de antigravidade do título. Pistas como Shy Guy Falls fazem com que os jogadores delirem, tamanha a quantidade de momentos catárticos presenciados em um curto período de tempo, e isso é algo novo até mesmo em Mario Kart! São tantos detalhes e momentos extremamente criativos que fica difícil reuni-los em uma análise, mas posso garantir que Mario Kart 8 possui as melhores pistas já desenvolvidas na série, o que por si só já é algo praticamente inacreditável.

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Mergulhando na rede!

Se Mario Kart 7 já contava com um modo online robusto, o jogo para Wii U supera todas as expectativas e apresenta uma experiência completa para os jogadores. Isso porque a Nintendo fez questão de implementar diversas funcionalidades muito requisitadas pelo público, como a formação de torneios, chat por voz (infelizmente apenas no lobby, e entre amigos) e até mesmo a possibilidade de fazer upload de vídeos de gameplay diretamente para o Miiverse e o YouTube, o que para a Nintendo é algo completamente inédito e até inesperado. Para completar, ainda é possível assistir replays de jogadores de todo o mundo graças ao Mario Kart TV, um aplicativo que já vem incluso no pacote. Obviamente, a Nintendo não deixou os tradicionais modos splitscreen de lado e ainda é possível – e recomendável – jogar o título ao lado de seus amigos.

 

A revanche dos vencedores!

Mario Kart 8 não conta com muitos itens novos, apresentando apenas três novidades em relação ao jogo lançado em 2011 para o 3DS. Contudo, é o poder desse trio que faz com que o título seja o mais balanceado da franquia. Enquanto a Boomerang Flower permite que os corredores tenham a oportunidade de atingir vários inimigos de uma vez com apenas um item, a Piranha Plant funciona de forma similar ao Bullet Bill, mas destruindo também os itens que aparecerem pelo caminho de seu personagem.

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Ambos são muito úteis e adicionam ainda mais emoção às corridas, que, como de praxe, podem ter seu resultado completamente alterado em questão de segundos.

Contudo, o que brilha mesmo é o Super Horn, com sua capacidade de mandar todos os seus rivais pelos ares e até mesmo de destruir um casco azul, o maior pesadelo de qualquer jogador que esteja liderando as corridas. Com a adição do item, o jogo passa a ficar um pouco mais justo e os líderes finalmente podem correr mais tranquilos rumo à linha de chegada, sem ter que rezar para que um casco azul não apareça no último segundo e lhe tire a vitória.

 

O mais belo Reino do Cogumelo

Como se já não bastasse nos oferecer o Mario Kart mais completo, balanceado e criativo de todos, a Nintendo ainda resolveu provar através dele que seu console de mesa é muito poderoso, já que o título é facilmente o mais bonito já visto no Wii U. Contando com efeitos de iluminação espetaculares e um nível de detalhes estonteante, o jogo é capaz de deixar qualquer jogador boquiaberto. A trilha sonora ainda completa o pacote, sendo formada por composições orquestradas que vão desde remixes de músicas famosas do universo do bigodudo até outras completamente novas e não menos fascinantes.

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Nem tudo é perfeito

Infelizmente não podemos dizer que Mario Kart 8 é perfeito, pois alguns pequenos defeitos ainda pesam um pouco na experiência. Em primeiro lugar, o tradicional modo Battle, em que corredores portando balões tentam destruir uns aos outros, teve suas arenas substituídas por pistas levemente modificadas, o que tornou tudo bem menos divertido e caótico e com mais cara de corrida. Outro problema é que o GamePad foi, mais uma vez, pouco aproveitado, mostrando apenas um mapa pouco eficiente e o botão da buzina dos veículos. Contudo, é possível jogar Mario Kart 8 sem a necessidade da televisão, mas isso já deixou de ser novidade faz tempo.

 

O auge de Mario Kart

Mario Kart 8 não apenas é um dos melhores jogos já lançados para Wii U até o momento como também é um dos melhores já desenvolvidos pela empresa em toda sua história. Com uma infinidade de modos, personagens, itens e pistas, a franquia chegou a um ponto muito difícil de ser superada e continua sendo a melhor opção multiplayer disponível no mercado. Se você ainda esperava um bom motivo para comprar um Wii U, ele finalmente está diante de nós para provar que a magia da Nintendo ainda está muito viva.

 

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Mario Kart 8 — Nota 4,5 / 5

Desenvolvimento: Nintendo
Plataformas: Wii U[/infobox]