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Análise: Mind Zero é um RPG legal, mas não passa disso

Vou confessar: eu esperava muito de Mind Zero. Sou fã de Persona, série da qual a Acquire bebeu da fonte na hora de criar seu mais recente jogo para o PlayStation Vita, e por isso fiquei animado quando soube que o game estava vindo pro ocidente. Dei logo um jeito de comprar minha cópia no lançamento, e assim que pus minhas mãos na caixinha e comecei a jogar… bem, fiquei meio decepcionado.

A trama é até interessante, apesar de meio genérica: um surto de pessoas com atitudes violentas e descontroladas assola a cidade. A polícia está atrás dessa galera, acreditando que eles sejam usuários de Mind, e é isso que a população também sabe sobre os incidentes: aparentemente, é tudo culpa da tal droga e seus usuários. Mas não é bem assim: a galera de patente mais alta sabe que, na verdade, MINDs são seres de uma outra dimensão que dominam a mente dos humanos — podendo, no processo, acabar com a vida de seus “hospedeiros”. Humanos que se aliam a MINDs ganham enome poder, mas caso não consigam manter o controle acabam sendo consumidos, tornando-se extremamente imprevisíveis e violentos, e posteriormente vindo a óbito.

E é aí que entram os protagonistas. Você controla Kei Takanashi, um garoto do colegial que acaba sendo puxado pra uma sala estranha, onde conhece uma mulher misteriosa que lhe diz que, caso não queira morrer, ele deve escolher uma das armas disponíveis no local. Se ele escolher a arma errada, a morte também é certa. E a partir daí ele ganha a habilidade de controlar seu próprio MIND, bem como enxergar os habitantes da outra dimensão e combatê-los. Aos poucos ele vai descobrindo que outras pessoas também têm essa habilidade, e o seu grupo vai aumentando cada vez mais.

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A sorte não sorri pra todo mundo, meu jovem

Deixando de lado a história um tanto rasa, com a batida trama do “policial-casca-grossa-percebe-algo-estranho-e-investiga-crianças-que-estão-tentando-salvar-o-mundo”, algo que me incomodou bastante em Mind Zero foram os gráficos. Ah, e os efeitos sonoros também. E os controles. Ok, muita coisa me incomodou em Mind Zero. Mas vamos por partes.

O jogo promete um visual bonito, principalmente se você levar em consideração os teaser trailers e as artes promocionais. Nos primeiros vídeos dava pra ver que os gráficos não eram lá essas coisas, mas eu acreditava que aquilo ainda era a versão não-finalizada do jogo e que no lançamento a coisa seria diferente. Mas não foi. A gente sabe que o PS Vita tem poder de processamento grande o suficiente pra rodar jogos lindos como Uncharted: Golden Abyss e Killzone: Mercenary. Mas aí você joga Mind Zero e tem a impressão de que se trata de um título de PSP. Exceto pelas áreas fora das dungeons, quando temos acesso ao mapa e à maioria dos diálogos que movem a história, tudo é muito feio.

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“Bonito esse jogo para PSP…”

A dublagem dos personagens é muito boa, contando com atores de qualidade na vozes dos personagens mais recorrentes. Porém, os efeitos sonoros são terríveis. Os sons de passos são ruins, bem como os ruídos durante as batalhas; enfim, durante os combates tudo parece muito abafado, como se os sons tivessem sido comprimidos em um formato inferior aos arquivos de som dos diálogos. Não fosse pelo ótimo trabalho de dublagem e uma ou outra música de fundo que toca pela cidade, daria para dizer que os sons do jogo são todos péssimos.

Os controles também não são bons. Para se mover pela cidade, o esquema é semelhante ao visto em jogos como Persona 3 e Shin Megami Tensei IV: você vê o mapa por cima, e vai movendo o cursor até o ponto para onde deseja ir. Até aí, tudo bem, normal, fizeram o feijão-com-arroz. A coisa só fica complicada mesmo nas sequências de exploração de dungeons. Aqui o jogo toma uma perspectiva em primeira pessoa, mas a movimentação do personagem é difícil de controlar pela alavanca direcional do Vita: por vezes eu andava para trás tentando ir para o lado ou dava um passo a mais quando queria andar só um “quadrado” para a frente. Se você jogar pelo analógico, a movimentação fica mais exata. Os menus também são pouco intuitivos, e navegar por eles pode ser um pouco frustrante. Não vai ser incomum entrar e sair de uma opção do menu diversas vezes sem querer.

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A exploração de dungeons rola em primeira pessoa

Durante as batalhas, nas quais você pode participar com até três personagens do seu time simultâneamente, a ação se desenrola em turnos. Aqui você pode escolher entre atacar com sua arma, invocar seu MIND, bloquear ou tentar fugir. Ataques com a própria arma normalmente causam pouco dano, mas são uma boa quando seu MIND está enfraquecido. Bloquear faz com que os golpes dos inimigos causem menos dano, além de fazer sua barra de técnica (que funciona como sua estamina) e a energia de seu MIND encherem mais rápido. Tentar fugir não é recomendado, porque a taxa de sucesso não é lá muito grande…

Quando seu MIND é invocado em batalha, o dano causado aos adversários com golpes físicos é bem superior ao causado pelos personagens humanos. Além disso, MINDs podem usar ataques especiais, que variam desde golpes elementais e magias de cura a fortes ataques físicos focados em um vários adversários e imposição de status nos participantes das batalhas. A parte chata é que cada personagem só pode ter um MIND, então não rola aquela variação vista em outros jogos semelhantes.

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Seus MINDs são de grande ajuda na hora das batalhas

É claro que o jogo tem seus pontos positivos: Os mapas das dungeons são enormes, com muitos andares repletos de inimigos e itens escondidos em baús, além de um ou outro puzzle. Os combates não são nada fáceis, necessitando uma boa estratégia, muito treino e bons equipamentos. E a história em si, apesar de não ser genial, compensa um pouco boa parte das falhas do jogo.

Mind Zero tinha tudo para ser como Toukiden: um jogo que pegou um conceito batido, comum, e o moldou de forma a casar com uma história interessante e gráficos que fazem jus ao hardware do Vita. Mas, em vez disso, o jogo da Acquire acabou saindo uma cópia ruim de Persona, pobre e quase sem nenhum carisma.

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Nem tanto, cara, não exagera

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Mind Zero — Nota 2,5 / 5

Plataforma: PS Vita
Gênero: Dungeon Crawler RPG
Desenvolvimento: Acquire, ZeroDiv

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