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Análise: Resident Evil Revelations 2 mata a pau em seu primeiro episódio

Há anos a Capcom promete um novo Resident Evil que retorne às origens. E a maior promessa ficou com Resident Evil 6, que no final das contas oferecia três campanhas: uma lembrava de longe os dois primeiros games da franquia, outra remetia de leve à terceira iteração da série e a última parecia Call of Duty.

Mas isso não se aplica à sub-série Revelations, que visa agradar aos fãs de longa data. Com visual e mecânicas que se inspiram fortemente nos primeiros títulos da série criada por Shinji Mikami em 1996, Resident Evil Revelations chegou ao Nintendo 3DS em janeiro de 2012 (e posteriormente, em maio de 2013, aos consoles de mesa) mostrando que o espírito da série ainda vive.

E agora chegou a vez de Resident Evil Revelations 2. A continuação da sub-série pegou tudo o que seu antecessor tinha de bom e tornou ainda melhor: os ambientes estão muito mais escuros, os inimigos mais aterrorizantes, os ambientes mais assustadores e a trilha sonora simplesmente fenomenal.

O primeiro episódio de Revelations 2 traz de volta Claire Redfield, a protagonista de Resident Evil 2 e Code Veronica — e irmã do Chris —, e nos apresenta a Moira, uma das filhas do grandalhão barbudo Barry Burton. As moças fazem parte de uma organização chamada Terra Save, que atua no mundo todo oferecendo ajuda a vítimas de ataques bio-terroristas. Em um evento da organização, o local é atacado e vários membros da Terra Save são sequestrados.

Claire e Moira acordam em uma prisão, com estranhos braceletes em seus braços, e descobrem que alguém as está observando. As moças saem, então, em busca de uma saída — e precisam suar a camisa para se manterem vivas —, até que encontram uma torre de rádio, onde pedem por socorro e descobrem que estão presas em uma ilha remota, onde são constantemente observadas por uma mulher insana que gosta de citar Kafka.

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Claire e Moira buscam uma forma de fugir da misteriosa ilha

Somos então apresentados a uma versão um pouco mais velha e menos imponente de Barry, o ex-S.T.A.R.S. expert em armamentos. Após captar o pedido de socorro de sua filha, Barry sai em seu barco em busca de Moira. Ao chegar à ilha, o grandalhão encontra a pequena Natasha Korda, uma menina misteriosa que parece vir se virando muito bem sozinha numa ilha cheia de monstros. A dupla tenta chegar à torre de onde Moira enviou o pedido de socorro, e para isso precisa passar por maus bocados. Ao chegar ao local, Natasha faz uma revelação bombástica que deixa um belo gancho para o próximo episódio.

O primeiro episódio de Revelations 2 é dividido em dois capítulos: o primeiro com Claire e Moira, e o segundo com Barry e Natasha. A primeira parte é bem tensa, com momentos de total tranquilidade até que de repente as moças são atacadas por hordas de Afligidos (os novos inimigos, que ao que tudo indicam são humanos e não são vítimas de qualquer tipo de vírus), e funciona bem como tutorial para a nova jogabilidade.

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Ao chegar à ilha, Barry Burton encontra a pequena Natasha Korda

Já o trecho de Barry e Natasha é um pouco mais voltado para a ação, mas não de um jeito ruim: o capítulo passa longe de ser comparado com Resident Evil 6 e também não se parece tanto com Resident Evil 4, ele apenas tem um ritmo um pouco mais acelerado, mas sem perder o climão sombrio e de tensão. Barry enfrenta inimigos um pouco mais fortes e explora ambientes um pouco menos fechados, mas ainda assim você não sente que está jogando dois games diferentes quando acontece a mudança de capítulos.

Vale frisar que apesar de explorar lugares mais abertos, o capítulo de Barry não deixa de ser assustador. A parte em que é preciso cruzar uma floresta à noite é sensacional, pois não há qualquer tipo de mapa ou indicadores na tela (como as infames setinhas de direção de Resident Evil 6) e força o jogador a se virar em um lugar escuro, onde mal é possível enxergar qualquer coisa, enquanto precisa lidar com ataques de monstros criados a partir de pedaços de gente. Sinistro!

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A coisa fica feia quando Barry e Natasha chegam à floresta durante a noite

Ainda que a comparação seja inevitável, Barry e Natasha em pouco lembram Joel e Ellie de The Last of Us. Exceto pelo fato de ser um homem adulto e uma jovem menina, tudo entre os dois difere da dupla do jogo da Naughty Dog. Até mesmo a relação entre Barry e Natasha tem um tom mais sério, diferente do relacionamento mais próximo e brincalhão de Ellie e Joel.

A transição entre os trechos do jogo impressiona bastante. São pouquíssimas as vezes em que há tela de loading e, mesmo quando o jogo chega a ambientes mais abertos e cheios de elementos, não percebemos queda na frame rate durante o gameplay. O único porém em relação ao visual fica pras cenas de corte, que parecem ter um tratamento um pouco menos polido do que o resto do jogo. Enquanto os gráficos em tempo real impressionam, as cenas parecem rodar em qualidade inferior.

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Resident Evil Revelations 2 oferece gráficos lindos com desempenho de cair o queixo

Alguns problemas apresentados nos controles do primeiro Revelations foram resolvidos, e em Resident Evil Revelations 2 você consegue se mover, desviar e mirar de maneira muito mais eficaz do que no jogo anterior. Acertar um headshot em um alvo se movendo em Revelations era um sacrifício, enquanto que na sua continuação é muito mais fácil de mirar. O problema é acertar: diferente dos Oozes, que eram lentos e fáceis de acertar, os Afligidos se movem muito mais rápido e com movimentos mais bruscos, fazendo com que acertá-los seja um pouco mais complicado. E, acredite, isso é bom.

Revelations 2 aposta também em novas mecânicas, trazendo agora a possibilidade de se mover furtivamente e acabar com a raça dos inimigos no melhor estilo stealth. O jogo também trouxe de volta a possibilidade se se alternar entre os personagens, permitindo que você mude de Claire para Moira (e vice-versa), por exemplo, a qualquer momento. Além disso, a capacidade de encontrar itens escondidos no cenário está de volta, mas em vez do Scanner do jogo anterior, Moira e Natasha podem enxergar itens que normalmente passariam batidos.

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Economize balas abatendo os inimigos furtivamente

Enquanto Moira precisa usar sua lanterna para procurar elementos escondidos e atordoar os Afligidos, Natasha dá conta do recado de outra maneira: a pequenina consegue sentir os inimigos e itens escondidos nas proximidades usando uma misteriosa habilidade, e usa tijolos para se defender e atacar os monstros que cruzarem seu caminho.

Outro ponto positivo de Revelations 2 é sua dublagem. O trabalho dos dubladores ficou ótimo, seguindo a tendência dos últimos jogos da série, mas aqui veio uma sacada genial que com certeza vai te deixar com um sorrisinho no canto da boca: Revelations 2 tira sarro e faz referências engraçadinhas aos diálogos canastrões dos primeiros jogos.

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Barry enfrenta inimigos mais fortes do que os da campanha de Claire e Moira

Pra finalizar, o Modo de Raide faz mais sentido do que nunca funcionando como uma espécie de simulador controlado pela vilã por trás do sequestro das protagonistas. É possível personalizar seu holograma como qualquer um dos personagens já liberados, incluindo aí a galera secundária da Terra Save.

Parece que a Capcom acertou a mão com a sub-série Revelations, apostar em jogos com clima mais pesado e roteiro mais denso tem rendido ótimos jogos (a ponto de este que vos escreve não se conformar de esse tipo de tratamento não ser dado para os games da série principal). Assim como seu antecessor, Revelations 2 tem tudo para ser um grande sucesso de público e crítica.

Se a Capcom entregar outros episódios tão bons quanto este primeiro, Resident Evil Revelations 2 vai figurar facilmente entre os melhores jogos da série.

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Dica: use a lanterna da Moira pra atordoar os inimigos e depois mude para a Claire e desça o cacete sem dó

Resident Evil Revelations 2 – Colônia Penal — Nota 4/5

Desenvolvedora: Capcom
Plataformas: PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One, PC
Plataforma utilizada na análise: Xbox One

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