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Análise: Rogue Legacy (Multi) é obra-prima feita para testar sua resiliência

Cada período da história dos games tem contornos bem delineados e seu respectivo contraste com relação às demais. Ao encarar um novo game pela frente, logo o comparamos a uma aventura do passado e realçamos suas similaridades e diferenças. Esse, talvez, seja um dos grandes recursos que nós nos valemos para situar nossos leitores sobre o que podem e devem esperar de cada novo game. “Tem toques de Metroid, com um quê de Castlevania.”– Quem nunca ouviu nada assim? Pois é, funcionava bem, até eu jogar Rogue Legacy

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É quase um game para NES, SNES, PSX E Atari

Confesso que, retrô gamer que sou, logo fiquei empolgado com os gráficos pixelados e a trilha sonora com jeitão de chiptune. Sabia que o desafio a minha frente era muito maior, mas a primeira grande motivação estava em ter um pé nos tempos áureos dos games e aí vieram as primeiras comparações, já que o gênero de ação 2D tem raízes tão fortes nos 8 bits. “Ghouls n’Ghosts, Castlevania e Metroid”, eu pensei. Mas Rogue Legacy vai além.

Trajando uma armadura medieval e espada em punho, andarilhando por um castelo com cara de poucos amigos, logo fui apresentado ao mapa no melhor estilo Castlevania – Symphony of the Night e passei por um tutorial, pelo qual serei eternamente grato. Quando a ação começou pra valer, tive a oportunidade de explorar algumas poucas salas (que de fato lembram o castelo de Dracula), até ser detroçado por magos que atiravam bolas de fogo. “Já?!”, pensei. E foi aí que as coisas se tornaram mais e mais interessantes. Rogue Legacy é difícil pra !$@#$&.

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Na segunda tentativa, você controla um descendente direto do primeiro cavaleiro. E assim sucessivamente, sempre herdando os espólios deixados por seus ancestrais, vitais para o sucesso na exploração do castelo. Ver uma árvore genealógica ser destroçada por monstros de toda sorte pode ser frustrante no começo, mas algo te impulsiona a tentar mais e mais, até o sabor da vitória contra um inimigo mais forte. A cada insucesso, você pode (e deve) investir seu ouro coletado em novos recursos como peças de armadura, armas, skills ou aprimoramentos, que vão desde NPCs aliados até aumento de atributos. Não fazê-lo implica em perder toda sua fortuna logo que entrar no castelo para Caronte, o barqueiro do Inferno.

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A cada nova tentativa, você pode escolher entre três cavaleiros de diferentes classes e atributos físicos, além de outras peculiaridades que só apimentam o desafio, como controlar um personagem míope, gigante ou careca(?), dentre outras aberrações. Isso somado a variedade de classes diferentes às quais seu cavaleiro pode pertencer e já se vê um grande rol de opções para encarar a pedreira que é sobreviver em Rogue Legacy. Menos mal.

 

Desistir é para os fracos

Em minhas novas investidas, percebi que as salas haviam mudado de posição, assim como a disposição dos inimigos. Muito mais cauteloso, tratei de avançar de forma sorrateira até chegar em outros cenários, mas só encontrei inimigos mais e mais poderosos. Baús estrategicamente dispostos, além de nacos de frango e poções são brisas de esperança para seguir em frente, mas são escassos e devem ser consumidos com total parcimônia.

Após algumas tentativas, fui pegando o jeito e descobri que era possível até mesmo travar a posição das salas, pagando uma pequena taxa a um NPC na entrada do castelo. Era um facilitador, já que era possível teleportar entre pontos específicos conhecidos no mapa, evitando áreas de fogo cruzado intenso e espinhos maliciosos. A essa altura do campeonato eu estava no vigésimo descendente, sem demonstrar nenhuma vontade de desistir.

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Nesse ponto, escolher a classe certa para encarar o desafio torna-se um ponto chave, uma vez que há uma grande diferença de atributos entre cada uma delas, adequando-se perfeitamente ao estilo do jogador. Shinobis são velozes e de dano bem distribuído, mas não causam acertos críticos e têm HP menor. Paladinos, por sua vez, são os mais equilibrados e podem ser a escolha certa para encarar alguns chefes. As raízes de um game visualmente simples mostram-se mais e mais profundas, de forma que seja necessária uma boa dose de raciocínio se quiser ir além de alguns segundos de vida. É preciso calcular cada movimento, o que só fez aumentar meu respeito e temor por cada vão e fresta onde meu cavaleiro pudesse se embrenhar. Mas eu morri outra vez!

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O veredito

Essa amálgama de elementos daqui e dali mostra que houve grande acuidade por parte do time da Cellar Door Games em construir um bom jogo nos mínimos detalhes. Cenários caprichados, músicas de arrepiar mesclando instrumentação moderna e arranjos tradicionais, game devidamente localizado para o português, além de uma dose cavalar de desafio tornam Rogue Legacy um clássico imediato. Não se trata de usar magias ou acertar golpes, de coletar ouro ou derrotar chefes, mas de persistir e ser resiliente para registrar o nome de seu cavaleiro na História. Ainda que isso possa custar cerca de 100 tentativas ou mais, é claro.

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Rogue Legacy – Nota: 5 / 5

Desenvolvimento: Cellar Door Games
Plataformas: PC, Mac, Linux, PS4, PS3 e PS Vita
Plataforma utilizada na análise: PS Vita[/infobox]