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Análise: Tales from the Borderlands estreia com muita ação em Zer0 Sum

A Telltale Games já se provou uma excelente desenvolverdora de histórias dramáticas com os incríveis The Walking Dead e The Wolf Among Us. Entretanto, a empresa nunca tinha se arriscado na criação de histórias mais leves e engraçadas. Mas tudo isso acaba de mudar com Tales from the Borderlands, uma aventura criada em colaboração com a 2K Games que aborda o universo da franquia Borderlands de uma forma nunca vista antes.

Histórias cruzadas

Tales from the Borderlands funciona da mesma forma dos outros jogos criados pela Telltale: o jogador deve explorar ambientes diversos, interagindo com objetos e personagens encontrados pelo caminho. Mas a parte mais legal de tudo isso é que a história é moldada de acordo com as escolhas do jogador, o que faz com que ele se sinta parte de tudo que está se desenrolando na TV.

A história da vez envolve dois protagonistas, Rhys e Fiona. O rapaz, dublado pelo excelente Troy Baker, é um empregado da Hyperion, mega corporação do universo da franquia, que após ser humilhado por seu chefe, decide destruí-lo a todo custo roubando-lhe uma pequena fortuna (e uma Vault Key).

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Já Fiona é uma golpista moradora de Pandora (planeta sem leis, explorado pelos funcionários da Hyperion) que faz de tudo para tirar proveito dos outros. O destino dos dois se cruza quando  Rhys vai até Pandora com 10 milhões de dólares para comprar uma Vault Key fornecida por Fiona.

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Depois de algumas reviravoltas, muito sangue e algumas das piadas mais hilárias que já vi em um jogo de videogame, ambos são obrigados a partir juntos em uma jornada para consertar algumas burradas que fizeram durante o processo de negociação.

Diferentemente de outros jogos da Telltale, dessa vez o jogador assume o controle de mais de um personagem, de forma que o enredo se torna ainda mais rico e cheio de detalhes, dando o ponto de vista de mais pessoas envolvidas na trama.

A velha jogabilidade da Telltale

O gameplay de Tales from the Borderlands é muito parecido com os jogos anteriores da desenvolvedora, com algumas poucas, mas interessantes adições. Tendo um menor foco no drama, o jogo apela para várias cenas intensas de ação em que o jogador deve ter reflexos rápidos se quiser sair vivo delas.

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Além disso, Rhys possui um olho biônico que pode escanear objetos e pessoas encontradas durante a aventura, fornecendo mais informações que podem ser valiosas durante o jogo. Fiona, por sua vez, pode garimpar os becos de Pandora em busca de dinheiro, que é muito importante em alguns momentos da aventura.

Os diálogos do jogo são inteligentíssimos e garantem gargalhadas a todo instante. Minha única crítica fica por conta da falta de decisões pesadas que devem ser tomadas pelo jogador. Ao contrário do que ocorre nos outros jogos da desenvolvedora, dessa vez não foi necessário sacrificar ninguém ou tomar alguma decisão que pudesse trazer algum tipo de remorso. Mas ainda é cedo para dizer que toda a temporada será da mesma forma, já que os primeiros episódios costumam servir mais para introduzi o universo do jogo do que para efetivamente fazer o enredo andar.

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Algumas coisas nunca mudam

Quando Tales from the Borderlands foi anunciado para a nova geração de consoles, logo imaginei que todos aqueles problemas de travadas insistentes e lentidão característica dos jogos da Telltale seriam resolvidos. Que pena que me enganei.

O jogo é bem mais bonito do que The Walking Dead e The Wolf Among Us, e consegue até fluir melhor que eles. Contudo o jogo trava em alguns momentos e deixa a dúvida se a Telltale vai se preocupar com isso algum dia.

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Tirando isso, o restante do jogo foi muito bem produzido. Com textos inteligentes e atuações impecáveis, o título mantém o jogador preso durante toda a aventura, que dura de duas a três horas. A trilha sonora é a cereja do bolo e ajuda a construir o clima apocalíptico e bizarro do jogo.

Um passo na direção certa

Mesmo com problemas de lentidão e poucas escolhas morais pesadas, o primeiro episódio de Tales from the Borderlands consegue exceder as expectativas com sua narrativa genial. Contando com um estilo ainda inexplorado pela Telltale, o título tem tudo o que fãs, tanto de Borderlands quanto de Adventures poderiam esperar da série. E que venha o segundo episódio!

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Tales from the Borderlands – Nota 4/5

Desenvolvedora: Telltale Games

Plataformas: PS3, PS4, X360, XOne e PC (Versão utilizada: XOne) 

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