ás

Análise: The Crew é uma boa ideia que não funcionou tão bem na prática

Quando a Ubisoft anunciou que lançaria um jogo de corrida de mundo aberto no qual você teria liberdade para viajar pelos Estados Unidos de ponta a ponta, foi impossível não esconder o sorriso. A sensação de que a nova geração de consoles tinha finalmente chegado (ainda que o jogo tenha sido lançado também para Xbox 360) era fortíssima, e chamar o game de revolucionário era chover no molhado.

Mas aí começaram os atrasos, e o lançamento do jogo foi ficando cada vez mais distante. “Isso é bom, assim eles lançam o jogo ainda mais bonito e bem feito!”, dizia o mais otimista. Mas, bem, não foi exatamente esse o caso. The Crew chegou às prateleiras cheio de bugs, com problemas de perda de conexão e desbalanceamento da inteligência artificial que tornavam a experiência de jogo quase odiável. Os patches vieram e corrigiram boa parte dos problemas, mas ainda assim o título não está salvo de diversos problemas.

Não raramente os competidores controlados pela máquina farão o impossível: seja acelerando como se não houvesse amanhã e ultrapassando seu carro turbinado, seja desaparecendo da sua traseira e aparecendo lá na frente (quando não exatamente na sua frente, causando uma chatíssima colisão) instantaneamente, os carros de seus adversários sempre parecem ter poderes mágicos que os permitem alcançar o inalcançável (pelo menos pra você).

Outro ponto negativo é a história do jogo, que além de clichê é pouco empolgante. O protagonista é um hipster em busca de vingança, em um plot cheio de conspirações, policiais corruptos e bandidos perigosos (além de rachas e perseguições, é claro). Mas, ei, é um jogo de corrida! Quem precisa de uma história rica e detalhada? Queremos correr!

the-crew-corrida

Tirando esses contratempos e um outro probleminha nos gráficos (tipo prédios à distância carregando do nada ou uma ou outra textura demorando um pouco a mais a carregar — o que, devo dizer, são problemas que não ocorrem frequentemente), The Crew é um jogo e tanto.

A começar pelo óbvio, o mapa é simplesmente fenomenal. Você realmente pode viajar pelos Estados Unidos no seu carro, saindo de um Estado e chegando em outro depois de um bom tempo de viagem — enquanto aprecia as belíssimas paisagens, que contam com fauna e flora diversificadas e condizentes com suas contrapartes do mundo real —, o que torna a experiência memorável.

the-crew-mapa

Cada cidade foi criada para parecer real, então espere por pistas imensas, cheias de carros e construções imensas. Andar pelas ruas das cidades norte-americanas quase passa a sensação de que você realmente está visitando aquele lugar, dado o esmero na criação das locações. Ponto positivo pra galera da Ubi!

Outra golaço marcado pela equipe de desenvolvimento foi o esquema de aprimoramento dos veículos, que em muito lembra os sistemas dos RPGs. Aqui você pode melhorar diversos aspectos do seu carro, permitindo assim a criação de automóveis adaptados à sua necessidade (como, por exemplo, priorizar o controle à velocidade ou a velocidade ao arranque).

the-crew-cidade

Por falar em RPGs, The Crew é um grande MMO: por requerer que o console esteja constantemente conectado à internet, não dificilmente você vai cruzar o caminho de outro jogador pelas ruas da cidade. E isso é bacana porque daí pode surgir um coop inesperado, principalmente se seu grupo de amigos — se é que você tem amigos jogando The Crew online contigo — estiver offline.

Pode até soar como deboche, mas a sensação que fica é de que The Crew foi lançado antes da hora. Mesmo com seus atrasos e adiamentos, parece que se o jogo ficasse no forno por mais alguns meses o resultado poderia ser muito melhor. Levando em conta os erros e os acertos, dá pra fizer que The Crew fica no zero a zero. Não é o melhor jogo de corrida da geração (ainda que seja o mais ambicioso), mas com certeza vale a conferida.

The Crew — Nota 3/5

Desenvolvedora: Ubisoft
Plataformas: PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One, PC
Plataforma utilizada na análise: Xbox One

Os comentários estão fechados.