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Críticas

The Swapper tem puzzles, clones, espiritualidade e discussões sobre ética

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em

Sendo muito sincero, eu não sou o maior fã de jogos de plataforma. É claro que já joguei vários, mas não é exatamente o meu gênero de video games favorito (normalmente fico bem mais animados com jogos de ação ou RPGs, por exemplo). Mas devo dizer que fiquei surpreso com The Swapper, porque desde os primeiros minutos de jogo ele acabou se mostrando muito acima de todas as minhas expectativas. E me prendeu a atenção de uma forma totalmente inesperada.

O jogo começa sem te dar muitas explicações, e você vai conseguindo mais informações sobre o que tá rolando conforme vai explorando o planeta Chori-V e encontrando terminais de computador com alguns logs e emails, bem como pedras sencientes…!! Sim, isso mesmo, você se depara com diversas pedras que, ao que tudo indica, têm consciência própria e provavelmente são a forma de vida inteligente mais antiga do universo.

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O Swapper e os clones

Durante suas andanças, você se depara com um equipamento muito útil e um tanto diferente: o Swapper, um canhão capaz de criar até quatro cópias do seu personagem. Cada clone criado pelo Swapper vai se mover exatamente como o protagonista, e o mais bacana é que o item permite que você desloque sua “consciência” (ou sua alma, dependendo dua sua crença, como um cientista de Theseus em um dos logs) de uma cópia para outra. Legal, não é? Talvez. Ou não.


O Swapper é o principal elemento do jogo, sendo o responsável não apenas por boa parte da sua locomoção pelos cenários como também é essencial para a resolução dos puzzles espalhados pelos ambientes. Você vai usá-lo para subir e descer plataformas incrivelmente altas, ou para alcançar alguns outros trechos dos cenários, visando explorar cada canto da então abandonada base espacial Theseus.

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A busca pela salvação

O seu objetivo é descobrir um modo de fugir dali, de sobreviver. E, para isso, é preciso coletar alguns orbes que liberam acesso a terminais de teleporte e áreas avançadas da estação deserta. Mas conseguir esses orbes não é exatamente uma tarefa fácil: é necessário resolver alguns puzzles que envolvem feixes de luz que inibem a utilização do Swapper de forma parcial ou até mesmo completa.

É preciso pensar em formas de apagar essas luzes ou conseguir, de alguma forma, criar e controlar os seus clones driblando esses pontos de iluminação, seja criando suas cópias em áreas além dos feixes ou localizando cada cópia em pontos estratégicos e ir movendo sua consciência entre elas até alcançar seu objetivo.

Conforme o jogo vai avançando, os puzzles vão ficando cada vez mais complicados, envolvendo diversos tipos de luzes diferentes, muitas plataformas, caixotes, e botões que, quando pressionados, executam algum tipo de ação (como apagar uma determinada luz ou liberar acesso a alguma parte da sala do puzzle). Isso é legal pois o jogo vai te dando a oportunidade de exercitar o seu raciocínio aos poucos, dando tempo de entender como funcionam esses puzzles.

the-swapper-playreplay-001

Conhecimento é poder

Entre um desafio e outro você vai se envolvendo cada vez mais com a aventura, coletando mais logs que vão pouco a pouco te deixando por dentro do que realmente está acontecendo no jogo. Você não sabe quem é o seu personagem e nem o motivo de ele estar ali, em Theseus. Você também não sabe o que é o Swapper, quem o construiu e para que ele serve.

Você não faz ideia do motivo de a estação espacial estar abandonada, e não tem a menor noção do que realmente são as tais pedras inteligentes. Você simplesmente não sabe de nada. Porém, vez ou outra você vai cruzar o caminho de outra astronauta que pouco a pouco vai te dando mais informações sobre o está acontecendo em Theseus. Também é ela quem começa a levantar a bandeira da ética no jogo, fazendo você refletir sobre o uso dos clones criados pelo Swapper. Seriam eles seres vivos? Seria nosso personagem um assassino em massa? E as pedras, teriam elas realmente algum tipo de consciência? Teriam elas almas?

Isso provavelmente foi o que me atraiu tanto em The Swapper. Afinal, como já disse lá no início, não sou exatamente fã de jogos de plataforma. Mas esse esquema de “pense bastante para avançar e descubra tudo por si próprio” somado à profundidade da trama, que aborda temas como ética, espiritualidade e ciência, me prendeu de tal forma que simplesmente era difícil parar de jogar. Eu queria descobrir o que estava acontecendo, queria saber o que eram as pedras, queria ajudar meu personagem a sair daquele ambiente hostil. E, confesso, queria testar minha capacidade resolvendo os puzzles.

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The Swapper não é um game de ação em plataforma, é um jogo intenso — e às vezes tenso — que toca em assuntos como ética, ciência e até mesmo espiritualidade. E isso, para mim, foi algo completamente inesperado que contribuiu (e muito) para prender minha atenção. The Swapper é um título que consegue combinar de forma magistral sua história profunda e madura com um gameplay bem bolado e puzzles inteligentes. Se você ainda não jogou The Swapper, aconselho fortemente que não perca mais tempo e adquira logo a sua cópia.

 

[infobox color=”eg. light”]

The Swapper – Nota: 4 / 5

Desenvolvimento: Facepalm Games
Plataformas: PC, Mac, Linux, PlayStation 4, PlayStation 3 e PlayStation Vita
Plataforma utilizada na análise: PlayStation Vita[/infobox]

Gosta de cachorros, pizza e pipoca. Já foi fanboy da Nintendo e da Sony, mas hoje joga qualquer coisa. Já colaborou em sites e revistas como GameBlast, Nintendo World, Herói e Portal Pop, mas hoje se dedica exclusivamente ao PlayReplay.

Cinema

Live Action de Fullmetal Alchemist tem ritmo acelerado até demais

Adaptação é muito corrida para fãs das antigas, mas pode agradar curiosos

Publicado

em

Diversos animes alcançaram o sucesso nos anos 2000, mas poucos deixaram uma marca tão grande em seus fãs quanto Fullmetal Alchemist. Depois de inspirar séries em 2003 e 2009, longas animados e jogos, o mangá de Hiromu Arakawa agora serve de base para um filme em live action. Bom, mais ou menos, já que o filme toma diversas liberdades criativas.


Veja também:


Se você é fã do material original, é bom se preparar um pouco psicologicamente antes de dar play no filme, já disponível para streaming na Netflix. Afinal, embora a temática básica tenha sido mantida, há muitas diferenças em relação ao material que conhecemos e amamos.

A história segue os irmãos Elric, que tentam trazer sua mãe de volta à vida por meio do tabu da alquimia humana. No entanto, tudo dá errado e Al perde seu corpo físico e fica obrigado a vestir uma armadura para abrigar sua alma, enquanto Ed precisa vestir braço e perna mecânicos. Os irmãos partem, então, em busca da cobiçada Pedra Filosofal, a única forma de restaurar os seus corpos.


Embora apareça com o selo de Original Netflix por aqui, o filme estreou em dezembro do ano passado no oriente pelas mãos da Warner Bros. Japan, com produção da Oxybot. Aliás, se você não está acostumado com o estilo de atuação oriental, não estranhe esse choque de cultura!

Em adaptações live action, os atores japoneses tentam fazer uma atuação bem em estilo “desenho animado em carne e osso”, o que pode causar estranheza para os menos versados na arte. Para quem está acostumado, Ryosuke Yamada, Dean Fujioka e a bela Tsubasa Honda fazem um ótimo e divertido trabalho sob a direção competente de Fumihiko Sori.

É na história, então, que residem a maior parte dos problemas do longa, que serão notados muito mais por quem sabe a obra original de cor. Como o filme tem menos de duas horas para expor toda sua narrativa, naturalmente acontecem muitas concessões e adaptações. O sentimento é de que é tudo muito corrido, até porque personagens importantes são omitidos sem dó, como o Scar. Beira a heresia falar da guerra de Ishtar sem tocar em seu nome.

Da mesma forma, não há qualquer menção ao Pai dos homunculos. Simplesmente é informado que eles foram criados, mas nada tem impacto na narrativa. O ato final é especialmente mal trabalhado, e torna mais notória a superficialidade dos personagens secundários. As pessoas apenas vêm e vão, e não é possível se importar com nada direito.

Ainda assim, não deixa de ser uma opção decente de diversão. Certamente há portas de entrada melhores para o apaixonante universo de Fullmetal Alchemist, mas, se você já é um fã e tem a mente bem aberta, há algo de mágico e profundamente divertido em ver seus personagens favoritos em carne e osso, por mais que sua passagem seja bem breve e corrida.

Fullmetal Alchemist
6.5 Nota
6.6 Leitores (5 Notas)
Prós
  • Bons atores
  • Divertido
Contras
  • Ritmo acelerado demais
  • Omissão de personagens importantes
Avaliação
A versão em live action de Fullmetal Alchemist tem acertos o suficiente para valer o tempo investido pelos fãs e agradar aos curiosos de plantão, mas adaptações e omissões em excesso comprometem a experiência.
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Cinema

Viva A Vida é uma Festa repleta de emoções

Nem tudo é alegria nessa festa, mas você vai lembrar dela por muito tempo

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em

Devo admitir que não comecei a ver Coco (Viva A Vida é uma Festa, em português) com a melhor das expectativas. Afinal, desde 2010 ou, mais especificamente, desde Toy Story 3, não assisto a um filme da Pixar que eu considere essencial, bonito e divertidíssimo. Então, ainda que muita gente estivesse se derretendo em elogios ao novo desenho, eu não estava lá muito animado.


Veja também:


Até a premissa eu não considerava das mais interessantes, já que a temática de Mundo dos Mortos eu julgava ter sido realizada bem próxima da perfeição no jogo Grim Fandango. Então até o fator ineditismo se perdia neste sentido. Ainda assim, relevei tudo isso e, com a maior boa vontade que consegui reunir, comecei a ver o filme.

 

Viva a Vida é uma Festa conta a história de Miguel, um garotinho de apenas 12 anos que sonha em ganhar a vida como músico. Uma ideia simples o bastante, exceto pelo fato de que sua família odeia música com todas as suas forças. Tudo porque, mais de 100 anos atrás, o tataravô de Miguel abandonou sua tataravó para perseguir o estrelato.


Assim, Miguel pratica violão escondido enquanto decora todas as músicas de seu ídolo Ernesto de la Cruz. Ao mesmo tempo, sua família se esforça ao máximo para convencê-lo a seguir a carreira de sapateiro, como todos os demais familiares. Insatisfeito, o jovenzinho foge de casa no feriado de Dia dos Mortos e, no processo acidentalmente cruza a barreira para o “outro lado”, onde acredita ter uma chance de finalmente encontrar Ernesto.

Durante os dois primeiros atos do filme, a jornada é repleta de clichês e reviravoltas previsíveis e, com isso, me deixou consideravelmente de saco cheio, a despeito de alguns personagens carismáticos que surgiam pelo caminho aqui e ali, com destaque para o adorável esqueleto Héctor, magistralmente interpretado por Gael García Bernal.

Ainda que uma ou outra piadinha funcionasse, a aventura em si não estava me agradando, e chegou à beira do desastre quando seu principal antagonista foi reduzido ao puro maquiavelismo barato. No entanto, os últimos 20 minutos de filme me provocaram algo inesperado e muito especial!

Sem spoilers, várias coisinhas espalhadas ao longo da jornada foram ressignificadas (especialmente a sua canção principal, em uma sacada de gênio) e, quando unidas à linda trilha incidental do mestre Michael Giacchino, viram um soco emocional certeiro em seu cérebro, capaz de demolir até a mais durona das pessoas.

Faz quase um dia inteiro desde que vi o filme e, desde então, já devo ter ouvido a sua música principal, Remember Me, algumas dezenas de vezes. E não penso em parar tão cedo! Aliás, muito me impressionaria se ela não vencesse o Oscar 2018 de melhor canção original, pois seria muito merecido.

Ainda que eu não tenha achado a animação maravilhosa como um todo, e veja sérios problemas com a barriga da jornada, o final de Viva é tão gratificante e emocionalmente devastador que eu não posso deixar de recomendar a obra para qualquer um que tenha interesse em desenhos 3D. Só não esqueça de separar alguns lencinhos antes de começar!

Viva A Vida é uma Festa
8.5 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Emocionante demais
  • Linda trilha sonora
Contras
  • Aventura arrastada
  • Piadas fracas
Avaliação
Viva a Vida é uma Festa é mais uma animação da Disney Pixar que tem tudo para conquistar uma montanha de prêmios. Sua mensagem é linda e sua conclusão emocionante, mas a jornada em si não é das mais divertidas.
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Cinema

Star Trek Discovery tem um voo de estreia turbulento

Publicado

em

Por mais que Star Trek tenha inspirado dezenas de filmes, não há como negar que Jornada nas Estrelas sempre ficou muito mais à vontade na televisão, seja na série clássica absurdamente inovadora de Gene Roddenberry, ou em suas várias derivadas, como as cultuadas Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager.


Veja também:


Assim, a notícia de que a CBS e a Netflix disponibilizariam uma temporada completa focada em novas aventuras no universo principal, e não no cânone alternativo estabelecido pela série de filmes da Bad Robot, foi recebida com bastante interesse e, claro, inevitáveis polêmicas na internet, com fãs apaixonados temendo pelo pior. Curiosamente, o primeiro ano de Star Trek Discovery consegue agradar e irritar todos os tipos de espectadores ao mesmo tempo e, infelizmente, isso acontece devido a sua falta de foco.

Os primeiros capítulos são, de longe, os piores da temporada, e mais parecem um extenso, desnecessário e desinteressante prólogo, que poderia ser apagado sem qualquer prejuízo para a série. Ainda que não falte valor de produção neles (todas as naves e planetas mostrados são muito bem feitos, ainda que sua estética pareça derivativa demais do jogo Mass Effect e do filme de JJ Abrams), a trama não empolga.

À bordo da nave Shenzhou acompanhamos a protagonista Michael Burnham (Sonequea Martin-Green) e sua capitã e mentora Georgiou (Michelle Yeoh), mas, após uma batalha infeliz com os Klingons, eles e a Federação começam uma guerra, e Michael acaba perdendo sua patente de primeira oficial e o direito à liberdade após responder por seus atos em um julgamento marcial.


 

Presa e odiada por todos, Michael acaba encontrando uma nova chance à bordo da USS Discovey, onde o Capitão Lorca (Jason Isaacs) nota seu potencial e a coloca para trabalhar com sua tripulação. É uma premissa ok, mas que é pessimamente conduzida por uma trama muito dark, que nada tem a ver com o tom dos seriados anteriores.

Tempos de guerra e conflitos sangrentos até poderiam apontar para um caminho audacioso e servir de gancho para boas soluções otimistas e moderadas, mas praticamente não há espaço para leveza, nem mesmo entre os tripulantes sem carisma da Discovery.  Honrando a histórica luta por diversidade que a franquia Trek sempre se empenhou em trazer muito bem, Paul Stamets (Anthony Rapp) e o Dr. Culber (Wilson Cruz) formam um casal homossexual, mas seu relacionamento é totalmente sem graça e dificulta a criação de empatia, se resumindo a panfletagem vazia e sem graça.

Melhor sorte tem a fofa Sylvia Tilly (Mary Wiseman), que consegue ter um bom arco de personagem, começando como uma garota insegura que fala demais e teme a opinião dos outros, e progredindo lentamente para o posto de uma oficial determinada, que acredita e luta por seus amigos. Sem dúvidas ela é quem mais se aproxima do tom tradicional de Star Trek.

O grande problema da primeira metade da temporada é inserir personagens bem desinteressantes e obrigá-los a enfrentar temas pesados, que vão desde crimes de guerra, passando por estupro e os traumas derivados disso, racismo, abuso animal, enfim, só “diversão”!

Talvez já notando os problemas e insatisfação justificada de uma parcela dos fãs com o clima pesado e militarizado demais, após as férias de fim de ano, a primeira temporada voltou para uma leva final de episódios muito mais palatáveis para quem via a série clássica assiduamente, com direito até a uma exploração rica do Universo Espelho, onde reencontramos o Império Terran, além de uma referência bem bonita à série clássica em seu episódio final.

Atirar para todos os lados pode até não ter gerado o produto final mais coeso do mundo, mas há algo admirável na tentativa de correção de curso no meio do caminho, ainda que isso venha ao custo de sabotar as expectativas de quem estava gostando da série em seus primeiros episódios. Foi um voo turbulento, sem dúvidas, mas se a o próximo ano seguir mais a linha da reta final da primeira temporada, talvez Discovery finalmente encontre um pouco mais de amor quando chegar a seu destino.

Star Trek Discovery - Temporada 1
7 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Alto valor de produção
  • Referências nostálgicas
Contras
  • Tom sombrio demais
  • Personagens sem carisma
Avaliação
Star Trek Discovery lutou muito para encontrar sua própria identidade em sua primeira temporada. Os personagens sem carisma atrapalham demais, tal qual o tom sombrio em demasia. Mas, em sua segunda metade, a temporada engrena um pouco e pode agradar até os fãs da série clássica.
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