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Críticas

The Legend of Zelda: Majora’s Mask 3D mostra todo o seu valor no 3DS

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The Legend of Zelda: Majora’s Mask é provavelmente o jogo que se encarregou da tarefa mais ingrata em toda a história dos videogames: superar o insuperável. Sequência direta do espetacular Ocarina of Time, o game tinha a missão de se diferenciar de seu antecessor enquanto cativava um público ainda fascinado por tamanho marco na história dos videogames.

A tarefa teria sido um pouco mais fácil caso os fãs da franquia pudesse ficar sossegados quanto ao diretor do jogo, fato que também não ocorreu. Enquanto Ocarina of Time foi dirigido por ninguém menos que Shigeru Miyamoto, Majora’s Mask ficou a cargo de um de seus aprendizes, o até então desconhecido Eiji Aonuma.

Hoje, quase 15 anos depois, a história mudou muito. Ocarina of Time ainda é considerado um dos melhores jogos da história, mas Aonuma conquistou o cargo de produtor de todos os jogos da franquia Zelda. E não é para menos, já que apesar de ofuscado, Majora’s Mask é, facilmente, um dos mais fascinantes jogos de toda a franquia e, certamente, uma obra muito à frente de seu tempo.

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Tão à frente de seu tempo que, mesmo relançado neste mês para 3DS, continua atual e fascinante como se fosse um novo jogo. E talvez seja mesmo, já que no contexto de seu primeiro lançamento, nunca pudemos compreender o seu real valor.

O fim do mundo

Majora’s Mask não é um Zelda como qualquer outro. A princesa que dá nome a lenda só aparece uma vez, ainda no início do jogo, e apenas como uma memória de Link. Ganondorf nem dá sinal de vida e a trama tampouco se passa em Hyrule.

Ao invés de seguir toda a cartilha pré-estabelecida da série, Aonuma optou por trazer uma nova perspectiva à série. Logo no início do jogo, vemos Link partindo em uma jornada pessoal, em busca de um amigo que o acompanhou em suas grandes aventuras do passado.

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Eis que em um ponto isolado de Lost Woods, o garoto é atacado por duas fadas acompanhadas de Skull Kid, o mesmo de Ocarina of Time, que está utilizando uma máscara macabra. Desacordado após o ataque, Link tem sua ocarina roubada e, ao acordar, não consegue recuperá-la, pois Skull Kid rouba também seu cavalo.

Link então se agarra em uma das patas traseiras de Epona e é arrastado até a entrada de uma misteriosa caverna. Lá, o garoto se depara com um abismo e não consegue evitar a queda. Estranhamente, Link sobrevive e reencontra Skull Kid, que rapidamente o transforma em um frágil Deku. Assim, o que parecia ser apenas uma brincadeira de um garoto travesso, começa a se tornar um pesadelo.

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Após se adaptar levemente à sua nova forma, Link se dá conta de que foi parar em um lugar estranho que, apesar de ter algumas semelhanças com Hyrule, se trata de Termina. Mundo paralelo? Sonho? Nunca saberemos. Lá, o garoto descobre que não deve apenas recuperar sua velha forma, mas também impedir que Skull Kid, dominado por aquela máscara, derrube a Lua sobre o mundo. E tudo isso em três dias.

Igual, mas diferente

Majora’s Mask possui basicamente a mesma jogabilidade de Ocarina of Time e os outros jogos tridimensionais da franquia. A diferença é que toda a aventura é calcada não em itens encontrados em dungeons, e sim em máscaras. De figurinos simples que, quando utilizados, mudam as respostas e reações dos NPCs até máscaras que transformam o protagonista em Goron, Zora e Deku, os itens são fundamentais para se avançar na história, que é muito mais focada nos habitantes de Termina do que na missão de salvar o mundo.

Link tem apenas três dias para evitar que a Lua caia sobre Termina, mas com a sua ocarina em mãos, é capaz de retornar ao primeiro dia e recomeçar o ciclo. A grande maioria dos itens é perdido nessa brincadeira, mas o conhecimento adquirido no ciclo anterior se mantém, além das conquistas mais cruciais como a conclusão de um templo e os itens-chave lá obtidos. Fazendo um paralelo com jogos atuais, o sistema é bem parecido com o que vemos em títulos como Life is Strange, mas veja só, pensado há quinze anos atrás!

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Como eu disse ali em cima, Majora’s Mask é muito mais focado na vida dos personagens de Termina do que na salvação do mundo por meio de templos (que desta vez são apenas quatro). Para facilitar o trabalho de Oficial-de-Resolução-de-Problemas-Alheios-do-Mundo-Paralelo, Link recebe, ainda no início da aventura, o Bomber’s Notebook, um caderno onde são anotadas as rotinas de todos os personagens para que possamos aprender seus padrões e resolver seus problemas em vários ciclos de três dias.

Com histórias de vida ora bizarras, ora muito interessantes, os personagens são cheios de conflitos pessoais que podem ser resolvidos com uma mãozinha de Link. Cada sidequest completada rende ao herói uma nova máscara. Ao todo são 24 máscaras espalhadas pelo compacto mundo do jogo e, mesmo que não necessárias para se completar o jogo, a recompensa por conseguir todas é um dos itens mais surpreendentes, enigmáticos e impressionantes de toda a franquia.

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Além de toda a mudança de foco do jogo em relação ao seu antecessor, as dungeons também são completamente diferentes, já que cada uma exige habilidades não apenas de itens, mas também das máscaras. Transformado em Goron, Deku ou Zora, Link adquire habilidades completamente diferentes, e essa nova mecânica rende em calabouços extremamente criativos e únicos.

A batalha contra Goht, chefe de Snowhead Temple, é uma das mais espetaculares e brutais da franquia. Transformado em Goron, Link deve rolar incansavelmente para conseguir derrubar o vilão, que corre em disparada por corredores hostis. Após a longa e inovadora batalha, o jogador sente como se tivesse acabado de sair de uma situação mortal, algo que não acontece em Zelda há alguns anos.

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Pequenas mudanças que fazem diferença

Para o remake, a Nintendo, em parceria com a Greezo, preparou algumas melhorias para ninguém botar defeito. Para começar, o Bomber’s Notebook é agora mais intuitivo do que era há 15 anos. Com ele, se tornou mais fácil acompanhar os eventos que permeiam o dia a dia dos personagens.

Além disso, agora é possível escolher a hora do dia em que você deseja estar após tocar a Song of Double Time, uma mão na roda para  o jogador otimizar seus ciclos de três dias e resolver os problemas dos personagens sem ter que ficar esperando as horas passarem. Algumas outras alterações menores, como a capacidade de salvar o jogo a hora que desejarmos e uma sutil mudança na forma de matar os chefes tornaram o jogo um pouco mais acessível, já que para a época ele era considerado bem difícil.

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Visual repaginado

Se o trabalho da Greezo com Ocarina of Time 3D já havia sido excelente, em Majora’s Mask a coisa fica ainda melhor! Contando com texturas bem definidas e uma modelagem de personagens excelente, o jogo ficou ainda mais envolvente. O clima sombrio do enredo e da vida dos habitantes de Termina entram em conflito direto com o visual alegre e colorido do título, dando uma sensação ainda maior de estranheza que faria até Suda 51 sentir inveja.

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A trilha sonora continua a mesma de quinze anos atrás, e isso nem de longe é um defeito. As músicas aprendidas durante a jornada continuam marcantes, e temas como  Song of Healing continuam tocantes e icônicos para a franquia.

You’ve met with a wonderful fate, haven’t you?

The Legend of Zelda: Majora’s Mask 3D é o remake de um dos jogos mais únicos da franquia. Ofuscado por Ocarina of Time na época de seu lançamento original, o jogo foi ganhando seu espaço com o passar dos anos, e agora, em 2015, retorna com força total para provar que não só merece um lugar no coração de todo fã da franquia, mas também na calçada da fama dos melhores jogos já feitos. Certas obras precisam de tempo para serem reconhecidas, assim como seus criadores. Por sorte, nem o jogo, nem seu criador precisaram morrer para este momento chegar.

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The Legend of Zelda: Majora’s Mask 3D – Nota 5/5

Desenvolvedora: Greezo
Plataforma: Nintendo 3DS

Economista, colecionador de games e nintendista fanático reabilitado. Também é apaixonado por Zelda, Star Fox, cachorros e coelhos. Atualmente joga de tudo um pouco e, ao contrário de alguns, nem é tão pessimista assim quanto aos rumos da indústria. Ex-diretor de pautas do GameBlast, dedica-se integralmente ao PlayReplay.

Cinema

Star Trek Discovery tem um voo de estreia turbulento

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Por mais que Star Trek tenha inspirado dezenas de filmes, não há como negar que Jornada nas Estrelas sempre ficou muito mais à vontade na televisão, seja na série clássica absurdamente inovadora de Gene Roddenberry, ou em suas várias derivadas, como as cultuadas Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager.


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Assim, a notícia de que a CBS e a Netflix disponibilizariam uma temporada completa focada em novas aventuras no universo principal, e não no cânone alternativo estabelecido pela série de filmes da Bad Robot, foi recebida com bastante interesse e, claro, inevitáveis polêmicas na internet, com fãs apaixonados temendo pelo pior. Curiosamente, o primeiro ano de Star Trek Discovery consegue agradar e irritar todos os tipos de espectadores ao mesmo tempo e, infelizmente, isso acontece devido a sua falta de foco.

Os primeiros capítulos são, de longe, os piores da temporada, e mais parecem um extenso, desnecessário e desinteressante prólogo, que poderia ser apagado sem qualquer prejuízo para a série. Ainda que não falte valor de produção neles (todas as naves e planetas mostrados são muito bem feitos, ainda que sua estética pareça derivativa demais do jogo Mass Effect e do filme de JJ Abrams), a trama não empolga.

À bordo da nave Shenzhou acompanhamos a protagonista Michael Burnham (Sonequea Martin-Green) e sua capitã e mentora Georgiou (Michelle Yeoh), mas, após uma batalha infeliz com os Klingons, eles e a Federação começam uma guerra, e Michael acaba perdendo sua patente de primeira oficial e o direito à liberdade após responder por seus atos em um julgamento marcial.


 

Presa e odiada por todos, Michael acaba encontrando uma nova chance à bordo da USS Discovey, onde o Capitão Lorca (Jason Isaacs) nota seu potencial e a coloca para trabalhar com sua tripulação. É uma premissa ok, mas que é pessimamente conduzida por uma trama muito dark, que nada tem a ver com o tom dos seriados anteriores.

Tempos de guerra e conflitos sangrentos até poderiam apontar para um caminho audacioso e servir de gancho para boas soluções otimistas e moderadas, mas praticamente não há espaço para leveza, nem mesmo entre os tripulantes sem carisma da Discovery.  Honrando a histórica luta por diversidade que a franquia Trek sempre se empenhou em trazer muito bem, Paul Stamets (Anthony Rapp) e o Dr. Culber (Wilson Cruz) formam um casal homossexual, mas seu relacionamento é totalmente sem graça e dificulta a criação de empatia, se resumindo a panfletagem vazia e sem graça.

Melhor sorte tem a fofa Sylvia Tilly (Mary Wiseman), que consegue ter um bom arco de personagem, começando como uma garota insegura que fala demais e teme a opinião dos outros, e progredindo lentamente para o posto de uma oficial determinada, que acredita e luta por seus amigos. Sem dúvidas ela é quem mais se aproxima do tom tradicional de Star Trek.

O grande problema da primeira metade da temporada é inserir personagens bem desinteressantes e obrigá-los a enfrentar temas pesados, que vão desde crimes de guerra, passando por estupro e os traumas derivados disso, racismo, abuso animal, enfim, só “diversão”!

Talvez já notando os problemas e insatisfação justificada de uma parcela dos fãs com o clima pesado e militarizado demais, após as férias de fim de ano, a primeira temporada voltou para uma leva final de episódios muito mais palatáveis para quem via a série clássica assiduamente, com direito até a uma exploração rica do Universo Espelho, onde reencontramos o Império Terran, além de uma referência bem bonita à série clássica em seu episódio final.

Atirar para todos os lados pode até não ter gerado o produto final mais coeso do mundo, mas há algo admirável na tentativa de correção de curso no meio do caminho, ainda que isso venha ao custo de sabotar as expectativas de quem estava gostando da série em seus primeiros episódios. Foi um voo turbulento, sem dúvidas, mas se a o próximo ano seguir mais a linha da reta final da primeira temporada, talvez Discovery finalmente encontre um pouco mais de amor quando chegar a seu destino.

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Críticas

Brinquedos que Marcam Época é um presente da Netflix

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No finzinho de 2017 a Netflix disponibilizou uma de suas melhores e mais subestimadas produções. Quase sem alarde, The Toys That Made Us (Brinquedos que Marcam Época, em português) chegou ao serviço de streaming e, se você gosta de brinquedos e colecionáveis, não deveria deixar esse documentário passar batido!


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Por enquanto são apenas quatro episódios com pouco menos de uma hora cada um, mas já há outros quatro encomendados, com estreia programada para ainda em 2018. Já estão no ar documentários sobre Star Wars, GI Joe, Barbie e He-Man, e na segunda levam estreiam LEGO, Transformers, Hello Kitty e Star Trek.

Com direção de Tom Stern, o documentário criado por Brian Volk-Weiss é extremamente nostálgico, como não poderia deixar de ser, mas, diferente de outras produção da Netflix, jamais se limita a uma apelação barata para nossas lembranças a fim de provar seu valor. Não, aqui há bastante trabalho de pesquisa e material interessante até mesmo para os aficionados mais versados no tema.

Pessoas envolvidas com as mais diversas etapas da produção e venda de brinquedos, desde seus idealizadores, passando por empregados das empresas, advogados, executivos e varejistas, fornecem aspas repletas de informações, então há muito a se aprender sobre a história do hobby favorito de milhares de pessoas por todo o mundo.


Naturalmente, o foco do documentário fica restrito ao mercado norte-americano mas, felizmente, isso não impede a nossa apreciação e identificação, já que todos os brinquedos mencionados por enquanto fizeram muito, muito sucesso em nossas lojas também, ainda que em diferentes proporções.

Se você nasceu na década de 1980, seguramente deve ter várias memórias sobre esses bonecos! Mas, se for mais jovem, encontrará aqui uma oportunidade de ouro para o aprendizado, que não deve ser desperdiçada.

Ao fim da série, você vai saber muito mais sobre como era a cultura pop durante as décadas de 1970 e 1980. Mais importante, vai entender melhor como funciona a cabeça daqueles que vivem em função de pequenos pedaços de plástico, e como esses pequenos objetos podem ganhar um improvável e gigantesco significado nos corações das pessoas.

 

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Críticas

Franz Ferdinand não consegue ser nem sombra do que já foi em Always Ascending

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No começo dos anos 2000, o rock ganhou uma sobrevida inesperada com o advento do indie e da volta do rock de garagem. Liderado por nomes como The Strokes e Arctic Monkeys, o período foi imensamente frutífero, e até bandas “secundárias” como Kaiser Chiefs conseguiam lançar grandes músicas, mesmo longe de chegar ao mesmo status de fama dos líderes do movimento.


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Em algum lugar no meio do caminho ficava o Franz Ferdinand, banda formada em Glasgow em 2002, com clara inspiração em Talking Heads e nas guitarras do Gang of Four. Com músicas perfeitas para dançar e pular, o grupo trouxe toda uma vibe festiva e sexy para o rock da época, mas acabou não alcançando tanta fama em escala global, até eventualmente se resignar e acomodar com o posto de banda de nicho. Seu novo disco foi lançado esta semana, então vamos avaliá-lo faixa a faixa.

Always Ascending, a faixa título do disco e também a responsável por abrir os trabalhos, é um perfeito resumo dos problemas do novo Franz Ferdinand. Ela começa com uma extenuante introdução de 1:20 minutos regida por um corinho insuportável. O “prêmio” por sobreviver a isso é encontrar um pouco de música eletrônica batalhando por espaço até a canção ter algo interessante a mostrar, o que só acontece aos 2:27 minutos, quando a faixa finalmente soa minimamente tolerável, e nada mais que isso.


Lazy Boy, como o próprio nome indica, mostra um Kapranos mais preguiçoso e desinteressado do que nunca, uma persona que, infelizmente, ele não consegue abandonar por praticamente todo o disco. Melhor sorte tem Paper Cages, a melhor faixa do álbum até então, e uma das poucas que conseguem apontar para o que poderia ser um futuro interessante para a banda.

Ao invés de se contentar com guitarrinhas genéricas tentando alcançar o trabalho lendário do ex-membro Nick McCarthy, a canção abraça o teclado que, por sua vez, alavanca o baixo dançante de Bob Hardy em direção a novos caminhos bem gratificantes. Ali sim Kapranos parece empolgado com o material, e seu vocal vai bem além do tédio onipresente no disco.

A faixa seguinte, Finally, prontamente destrói esse pequeno progresso ao apostar em um novo coro intragável, o que é a segunda pior ideia que a banda teve em sua carreira (perde apenas para a esdrúxula parceria com o Sparks, que gerou a atrocidade chamada FFS). The Academy Award não é das piores, mas sofre do mesmo mal que a maioria das faixas do disco: dura um bom minuto e meio a mais do que deveria, e cansa por isso. Ainda assim, seu ritmo mais lento é um bom suspiro de tranquilidade em um disco que o tempo inteiro se força a parecer agitado, mas jamais consegue engrenar de verdade.

Lois Lane é um pouco agridoce, porque algumas partes instrumentais são interessantes e quase empolgantes, mas a harmonia vocal coloca tudo a perder com versos arrastados e chatos. Algo parecido acontece em Huck and Jim, porque o baixo e a bateria de Paul Thomson apontam para uma  música instigante, e o vocal de Kapranos e letra pífia anulam as virtudes da canção.

Quando tudo parecia fatalmente corrompido, Glimpse of Love aparece como uma salvadora improvável. Não por acaso, tal qual Paper Cages, é um exemplo perfeito de como jogar uma vibe meio Hotline Miami pode dar certo para um Franz Ferdinand desfalcado de seu guitarrista principal. O tecladinho, quando bem usado, cria uma atmosfera muito boa e, de novo, ela ajuda Kapranos a soar como o bom vocalista que costumava ser. Disparado a melhor faixa do álbum!

Munido dessa energia, Feel the Love Go aponta para um fechamento de disco com um pouco de dignidade. Instrumentos de sopro foram uma boa adição e, finalmente, o Franz Ferdinand conseguiu soar dançante e feliz como a banda que conquistou a galera no começo dos anos 2000.

Slow Don’t Kill Me Slow é um epílogo desnecessário e novamente mais longo do que deveria, e ajuda o álbum a terminar com bem mais erros do que acertos. No entanto, nem tudo está perdido. As poucas faixas genuinamente boas, como Paper Cages e Glimpse of Love, são um claro indicativo de que o Franz Ferdinand ainda consegue soar interessante mesmo sem apelar para truques batidos ou meras emulações de seu passado. O jeito é torcer para vermos mais disso nos trabalhos futuros da banda.

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