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CCXP segue evoluindo em sua edição 2016, mas não evita tropeços pontuais

Entre os dias 1 e 4 de dezembro, São Paulo foi novamente o lar da Comic Con Experience, vulgo CCXP, o maior evento de cultura pop do Brasil. Entre painéis lotados, dezenas de estandes reunindo as maiores marcas do mercado e centenas de convidados do mundo dos quadrinhos, televisão e cinema, não faltaram opções para deixar qualquer fã sorrindo de orelha a orelha.

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Casa dos artistas

 

De cara, a maior novidade que podia ser notada era o aumento de espaço do evento, o que se refletia em todos os elementos da feira: os estandes tinham mais metros quadrados e altura, o Artist’s Alley abrigava um número recorde de artistas, a praça de alimentação era mais espaçosa e tranquila, e até as inevitáveis filas estavam mais organizadas do que no ano anterior.

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Bianca Pinheiro, autora da graphic MSP “Mônica: Força”, era um dos talentos nacionais mais procurados

Ou quase. Embora montar o Artist’s Alley como uma grande e democrática mesa onde autores de menor expressão sentavam lado a lado com os principais desenhistas internacionais parecesse uma boa ideia no papel, na prática as filas de fãs acabavam trabalhando contra o evento. Por exemplo, pequenos desenhistas tentavam vender suas ilustrações enquanto eram eclipsados por uma fila gigantesca em busca de autógrafos e fotos de grandes nomes como Alan Davis e Simon Bisley.

Mesmo com esse problema de planejamento, não há dúvidas de que o Artist’s Alley foi um sucesso. Entre estreantes, veteranos e estrelas internacionais, era possível bater um papo e conhecer melhor o trabalho e história de diversos artistas. Felipe Castilho, autor da série legado Folclórico, era um dos expositores que melhor resumia o espírito da feira. Afinal, ele esteve presente em todas as suas edições, primeiro como espectador, depois autografando no estande da Comix, e finalmente estreando no Artist’s Alley em 2016:

“Cara, a cada ano eu acho que a feira só melhora. Estou curtindo muito, porque aqui posso expor meus livros junto com quadrinhos, as áreas nas quais trabalho.”, explica Felipe. “Após um ano difícil em tantos sentidos, é bacana terminar de um jeito positivo, no meio de gente tão interessada e dedicada… é justamente nesse momento de diversão, no meio do entretenimento, através da literatura, que conseguimos passar uma mensagem legal para as pessoas. Sem demagogia, sem ufanismo… É muito legal!”

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Grandes atrações. Literalmente!

 

Os principais painéis foram razoavelmente bem organizados e mostraram algum progresso em relação ao trabalho do ano passado, mas continuam longe do ideal. As filas melhoraram, mas ainda não faz sentido que sua lotação para o dia inteiro seja esgotada nos primeiros minutos do dia. Ainda que esse seja o padrão internacional, o Brasil pode e deve fazer melhor, pois, na prática, acaba acontecendo de pessoas tomarem um lugar cedo no auditório apenas para ver o último painel do dia, alienando alguém que adoraria ver só o primeiro painel e depois ir embora. Além disso, a organização pecou ao só divulgar a grade completa dos painéis pouco mais de 24 horas antes da abertura do evento.

Melhor sorte tiveram os estandes. Praticamente todos eles tinham atividades próprias muito divertidas, e até brindes para quem os prestigiava, que iam desde colecionáveis até pôsteres. No estande da Netflix, por exemplo, era possível participar de uma gincana inspirada em uma prova do seriado 3%, enquanto a Fox permitia que os fãs replicassem o salto de fé tradicional da série Assassin’s Creed.

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Nem tudo é perfeito

 

O PlayReplay cobriu dois dias de feira, quinta e sexta-feira, e aqui precisamos tecer nossa maior crítica e prestar solidariedade a outros sites amigos: é um absurdo que muitos portais honestos e bons trabalhadores tenham tido suas credenciais de imprensa vetadas para todos os dias de feira. Como apenas sábado teve seus ingressos esgotados, era fácil permitir que mais algumas centenas de pessoas cobrissem a feira nos dias 1 e 2.

Ao circular pela feira, ficava evidente, não só pela fartura de ingressos ainda à venda como pelo amplo espaço dos corredores, que o evento se beneficiaria de ter mais visitantes. Nos dois dias o movimento estava super tranquilo, e era fácil circular pela esmagadora maioria dos estandes. A exceção óbvia eram as grandes lojas e companhias que estavam lançando produtos, fazendo liquidações ou expondo as sensações do momento. Na Panini, por exemplo, que estava vendendo todos os seus produtos com desconto de 25%, a fila do caixa podia ultrapassar uma hora de espera em seus momentos mais lotados. A Riachuelo, que lançava uma linha de camisetas licenciadas pela Nintendo, também tinha um estande quase impossível de circular.

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Movimento da praça de alimentação às 11:30 de sexta-feira.

Os Meet and Greets que, graças à crise econômica nacional, tinham preços exorbitantes, estavam bem organizados e pontuais. Os funcionários do evento foram bem treinados e conseguiram manter a ordem com relativa tranquilidade. O único ponto negativo mais sério era a impressão muito lenta das fotos no estande de retirada. O processo inteiro era feito no “olhômetro”, o que retardava ainda mais a entrega das imagens, que chegam em fotos de altíssima qualidade de impressão.

Apesar de a praça de alimentação estar maior do que nunca e ter diversas opções, um problema extremamente comum em eventos nacionais se repetiu na CCXP: independente do restaurante, todos serviam apenas uma opção: Salgados. Ou melhor, preços extremamente salgados! Cada Real economizado em promoções de quadrinhos e bonecos poderia ser facilmente perdido, com muitos juros, caso o visitante decidisse almoçar e jantar na feira.

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Entre erros e acertos, é evidente que a CCXP segue firme como o maior evento cultural do Brasil. Ao reunir grandes nomes do cinema, televisão e literatura em um espaço muito bem planejado, os problemas pontuais são prontamente eclipsados pelo sorriso que estampa o rosto de cada visitante. Que venha a CCXP 2017!