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Cuphead é um golão de diversão!

Cuphead foi um dos jogos indie mais aguardados de todos os tempos. As versões para PC (download via steam) e Xbox One passaram por inúmeros adiamentos que só serviram para aumentar ainda mais a expectativa para ver como seria o primeiro game do Studio MDHR. Felizmente, a espera valeu cada segundo!

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Não sei vocês, mas eu, uma criança dos anos 1980, sempre tive uma mistura de medo e curiosidade pelos desenhos animados da década de 30. Volta e meia alguma relíquia dessa geração passava no Cartoon Network, e eu assistia intrigado ao modo como os personagens se moviam de forma tão diferente. Até o tom era bem distinto dos otimistas desenhos que eu seguia, como Thundercats e Tartarugas Ninjas.

Não sou um estudioso da história da animação, mas sei que Cuphead consegue me causar o mesmo sentimento que eu tinha ao ver esses desenhos antigos, tanto no design de seus personagens como nas temáticas que aborda, tudo bem dark e macabro, num interessante contraste com o sorriso pueril de seus protagonistas.

No episódio de hoje…

Bem, tudo começou quando Cuphead e seu compadre Mugman, que gostam de rolar os dados, por acaso esbarraram com um jogo dos diabos e, nossa, eles pagaram o preço por isso! Agora, a única forma de resgatar suas pobres almas é cumprindo contratos para o tinhoso. Contratos estes que consistem em derrubar chefões cabulosos em batalhas super intensas, sob medida para quem é fera em videogames. E põe fera nisso!

Embora não figure necessariamente entre os jogos mais difíceis já feitos, Cuphead pode intimidar o pessoal mais leite com pêra graças à sua falta de checkpoints e segmentos extensos que exigem reflexos apurados. Inicialmente o jogo seria focado justamente nesses embates contra bosses, mas durante o ciclo de desenvolvimento, foram incluídas também fases no estilo Run and Gun, como popularizadas pelos clássicos do Super Nintendo e Mega Drive.

Legado do passado

É justamente de títulos como Contra e Mega Man que Cuphead parece tirar mais inspiração para o seu nível de desafio. Em muitos sentidos, o jogo está muito mais para Contra III The Alien Wars do que para, digamos, Battletoads, um dos títulos mais brutais do NES.

Afinal, na maioria do tempo Cuphead é um jogo extremamente justo, focado no aprendizado, tentativa, erro, e memorização de padrões. 99% das mortes serão culpa do jogador, e as 1% que acontecem por algum pequeno bug ou desbalanceamento não chegam perto de estragar a experiência.

O desbalanceamento, inclusive, parece fruto da ousadia dos desenvolvedores do que qualquer outra coisa. Ao incluir diversas fases e padrões nos chefes, nem sempre você vai se deparar com a combinação mais amigável. Para piorar, volta e nunca você ainda pode cair em situações em que os elementos se combinam de tal forma que fica impossível não aceitar levar um dano, o que é punição exagerada demais.

No entanto, isso é apenas um pequeno e raro problema. Ao longo de toda a sua campanha, Cuphead se aproxima dos jogos do passado muito mais pelo seu alto nível de diversão e fator replay que ele proporciona do que pela frustração com a dificuldade.

Pode apostar!

Se você tem dúvidas sobre Cuphead valer ou não o seu investimento, pode descer do muro; caso você seja um admirador dos antigos jogos de plataforma, e de suas lendárias lutas contra chefões, não há jogo indie mais bacana para comprar. Provavelmente eu vou lembrar com alegria de suas batalhas por anos a fio!

E você ainda tem duas opções para calibrar a diversão a seu gosto: dá para jogar cooperativamente com um amigo, ou optar por um modo de dificuldade menos exigente. A pegadinha é que na dificuldade mais simples, você não vai conseguir ver todas as formas dos chefes e, com isso, perder parte do belo conteúdo do game. Ou seja, você tem que GIT GUD para apreciar Cuphead em sua plenitude.

O esforço, no entanto, é mais do que recompensado com personagens brilhantes, trilha sonora absolutamente incrível, e um belo sistema de pontuação que o estimula a revisitar os níveis de novo e de novo em busca da diversão. Então, vamos todos fazer um brinde à Cuphead! Venha e sirva-se também de um belo copo de nostalgia, inovação e diversão muito bem equilibradas!

Cuphead – Nota: 5/5

Produtora: Studio MDHR
Plataformas: PC, Xbox One
Plataforma utilizada na análise: PC
Produto cedido para análise: Não
Gamertag do jornalista