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Especial: GameCube completa 13 anos, mas os presenteados sempre fomos nós

Com o título de console de mesa com menor vendagem da história da Nintendo, o GameCube teve a missão ingrata de tentar recuperar a popularidade de hegemonia da Big N, que fora perdida para a Sony após a batalha travada entre o Nintendo 64 e o estreante PlayStation. Mesmo assim, a má fama do console nunca foi capaz de tirá-lo do coração dos fãs da Nintendo, que guardam-no em sua memória como um dos mais incríveis consoles da gigante nipônica.

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Com diversas inovações, um poder de fogo invejável e um visual único e peculiar, o GameCube foi lar de diversos clássicos que se mantém vivos nas mentes dos jogadores até hoje, exatamente 13 anos após seu lançamento. E vocês não pensaram que deixaríamos isso passar, certo?

 

O projeto Dolphin

Apesar das boas vendas do Nintendo 64, que chegaram à casa das 30 milhões de unidades em todo o mundo, a Nintendo se via numa tremenda encrenca tendo que concorrer com o PlayStation, que superou a marca de 100 milhões de aparelhos vendidos. Boa parte dessa situação fora causada pela própria Big N que, para evitar a pirataria, utilizou cartuchos como mídia, que possuem armazenamento dezenas de vezes menos do que um CD, mídia do console da Sony.

Para piorar a situação, produzir um jogo em cartucho era muito mais caro do que fazer o mesmo em um CD, o que fez com que boa parte das third-parties migrassem para a Sony e deixassem a Nintendo na mão. Se vendo quase obrigada a mudar, em meados de 1998, a Big N iniciou o desenvolvimento de seu novo console, que possuía o codinome Project Dolphin.

 

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À esquerda, o mini-DVD do GameCube; ao lado de um DVD normal

Anunciado oficialmente no dia 24 de agosto de 2000, o Dolphin surpreendeu a todos por seu visual bastante diferente do que estávamos acostumados a esperar de um console. O aparelho era um pequeno cubo que, apesar do tamanho, contava com um hardware extremamente potente para os padrões da época.

Com uma boa vantagem técnica em relação ao seu principal concorrente, o PlayStation 2, o pequeno console ainda utilizaria um novo tipo de mídia: os mini-DVDs, com capacidade de armazenamento de 1.8 GB, que eram difíceis de piratear e não contavam com todas as restrições impostas pelos cartuchos. Chamado oficialmente de GameCube, o console só seria lançado pouco mais de um ano depois, no dia 14 de setembro de 2001, com uma line-up bastante surpreendente.

 

O paraíso dos jogos

Os jogos de lançamento do GameCube eram surpreendentes não apenas pelos seus gráficos arrasadores, mas também pela sua variedade. A Nintendo almejava reconquistar o apoio das third-parties e isso era facilmente notado ao analisarmos os títulos que chegaram às prateleiras com o console. Se no Japão o aparelho foi lançado apenas com Luigi’s Mansion, Wave Race: Blue Storm e Super Monkey Ball, nos Estados Unidos a história era bem diferente.

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Luigi’ Mansion trouxe o “Mario verde” para os holofotes

Títulos como Star Wars: Rogue Squadron 2, Batman Vengeance, vários games da linha esportiva da EA Games e até mesmo Tony Hawk’s Pro Skater 3 mostravam que a Big N não havia dormido em serviço ao tentar trazer mais desenvolvedoras para o GameCube. Por parte da Nintendo, Luigi’s Mansion vinha como carro-chefe, indo contra uma tradição de três gerações de jogos do Mario fazerem parte dos jogos iniciais de um console da empresa nipônica.

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Apesar do lançamento bem sucedido, houve um espaçamento grande entre a chegada do console e o aparecimento de novos jogos. A própria Nintendo teve que atrasar um pouco alguns títulos, como o inovador Pikmin e o clássico Super Smash Bros. Melee. Ainda assim, o aparelho manteve um ritmo razoável de lançamentos, muitos deles vindos de third-parties, o que mostrava que a estratégia da Nintendo estava dando certo. Mas ainda havia um problema.

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Super Smash Bros. Melee

Concorrência desleal

Fãs da Nintendo sabem muito bem qual o tal problema a que me referi ali em cima, mas vários se negam a acreditar que isso possa realmente ter feito diferença. Diferentemente das outras empresas que produzem consoles de mesa, que, apesar de possuírem franquias próprias, dependem muito mais de outras desenvolvedoras, a Nintendo possui uma série de franquias de altíssima qualidade e que são fundamentais para a estratégia da empresa.

A tamanha qualidade dos jogos da Nintendo faz com que os jogadores de seus consoles prefiram os seus jogos aos terceirizados, o que acaba afastando essas empresas. Por mais que com o GameCube o apoio tenha sido bem superior ao visto no Nintendo 64, após pouco mais de um ano no mercado, o console começou a ficar em segundo plano para as desenvolvedoras, e o ritmo de lançamentos começou a diminuir um pouco. Mas ainda assim, a Nintendo tinha muitas cartas na manga.

 

Experiências inesquecíveis

Mesmo com esse problema na mãos, a Nintendo soube ter jogo de cintura e oferecer uma experiência inesquecível para quem possuía o console. Desde o magnífico terror psicológico de Eternal Darkness: Sanity’s Requiem até as frenéticas e extremamente divertidas batalhas de Super Smash Bros. Melee, os jogos do pequeno cubo da Nintendo faziam bonito e enchiam os olhos de qualquer fã de jogos eletrônicos.

Foi também nessa geração que a Big N trouxe algumas de suas ideias mais inovadoras para franquias já conhecidas. The Legend of Zelda: The Wind Waker provou ao mundo que jogos com cara de desenho animado podem ser incríveis, e Metroid Prime levou os jogadores para dentro do capacete de Samus em uma das experiências mais memoráveis de todos os tempos.

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The Legend of Zelda: Wind Waker

E por que raios vamos querer jogar Donkey Kong em um controle tradicional se agora podemos controlar o macacão batucando em bongôs? Séries de esportes como Mario Tennis e Mario Golf chegaram a seu ápice, e com Mario Kart: Double Dash dois personagens dividiam o mesmo Kart. Tá bom ou querem mais?

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Mario Kart: Double Dash

Enquanto a Nintendo bombardeava os jogadores com títulos incríveis, diversos third-parties como Splinter Cell, Prince of Persia, Call of Duty e Sonic eram lançados e, mesmo que menor que o da concorrência, o apoio dessas desenvolvedoras era bastante satisfatório. Mas a Nintendo ainda tinha mais para oferecer!

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Sonic Heroes

Fechando parcerias pesadas com diversas desenvolvedoras, a Nintendo conseguiu trazer uma série de jogos exclusivos para o seu console. A Capcom não só lançou um incrível remake do primeiro Resident Evil para o GameCube como também trouxe para ele toda a série, incluindo os inéditos Resident Evil 0 e Resident Evil 4. Além disso, essa parceria ainda rendeu frutos como Viewtiful Joe e Killer 7.

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Resident Evil 0

A Sega também entrou na festa e trouxe títulos como Sonic Adventure DX, Skies of Arcadia Legends, Super Monkey Ball e Billy Hatcher and the Giant Egg, um fantástico jogo de plataforma que acabou sendo deixado de lado por muita gente. Como cereja do bolo, os nintendistas puderam celebrar o retorno da Square-Enix à Nintendo com Final Fantasy: Crystal Chronicles, e pudemos até mesmo ver a chegada da série Metal Gear Solid ao GameCube com o excelente Twin Snakes, remake do jogo de 1998. Nada mau para um console que na época era considerado moribundo.

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Metal Gear Solid: Twin Snakes

À frente de seu tempo

Poderia encher uma infinidade de parágrafos apenas com fatos que nos fazem lembrar como o GameCube foi um console excelente para a sua época e como seus jogos fizeram a cabeça de mais de vinte milhões de jogadores pelo mundo, mas o legado deixado pelo console consegue ir além disso tudo.

A conectividade entre o console e o GameBoy Advance pode ser considerada uma primeira tentativa da empresa em implementar jogabilidade em duas telas em um console, tal como é hoje na linha DS e no próprio Wii U. Além disso, Luigi’s Mansion foi um dos primeiros jogos a suportar 3D estereoscópico, algo bastante utilizado hoje, mas que foi descartado na época pela baixa popularidade de TVs tridimensionais de então. A empresa ainda trabalhou em um protótipo de controle com sensores de movimentos que acabou se tornando o famigerado Wiimote.

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O fim de uma era

O GameCube foi o primeiro console de mesa da Nintendo a não utilizar cartuchos como mídia e o último a seguir os caminhos tradicionais da indústria. A entrada de Satoru Iwata como presidente da empresa acabou fazendo a Big N mudar de direção e tentar encontrar novos públicos, o que acabou resultando na chegada dos portáteis da linha DS, no Wii e posteriormente no Wii U.

Jogadores que curtem games mais tradicionais acabaram sentindo-se órfãos quando o Wii chegou e com isso acabaram migrando para outras empresas, adotando o novo console como algo complementar. Se a mudança de escopo foi algo bom ou não para a Nintendo, vamos discutir em uma próxima oportunidade, mas o fato é que hoje, 13 anos depois do lançamento do GameCube, podemos ver com clareza a tamanha qualidade daquele pequeno cubo mágico nintendista. Parabéns GameCube. E obrigado!