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Estamina #03: How to Get Away With Murder é de tirar o fôlego

Nada de romances melosos, terror desenfreado, suspense sem “causa, motivo, razão ou circunstância” ou CSI… How to Get Away With Murder caiu no gosto da crítica e do público por ter uma proposta ousada e que cumpre o que se propõe a fazer, ou seja, provar por A mais B que o ser humano é capaz de tudo e mais um pouco em situações extremas.

Annalise Keating, a protagonista e elo de conexão entre todos os personagens, é uma renomada advogada de defesa que possui a artimanha de sempre livrar seus clientes de acusações de assassinato, tanto “criminosos” quanto “inocentes”. Na prática, ela não trabalha com esses estereótipos em nenhum momento – essa é a grande sacada da série!

Ela encara todos os julgamentos como histórias a serem finalizadas nas quais seus clientes já possuem papel pré-determinado: o de inocente perante o júri. E como uma boa história que se preze, para que consiga o veredito favorável, atua como uma astuta roteirista proporcionando ferramentas e provas judiciais contundentes. É assim que Annalise constrói a imagem de seus clientes como ela – e somente ela! – almeja que seja.

Boss nata!

Boss nata!

Porém, o mais curioso e intrigante é que o brilho de Annalise aparece por completo durante as cenas em que ela não está atuando nos julgamentos. Além de advogada, ela dissemina a arte da defesa certeira em um curso de Direito e concede “estágio” para os destaques da turma junto de seus dois cães de guarda, Bonnie e Frank. O prêmio a ser disputado entre os estudantes seria uma oportunidade real de trabalho ao lado dela e o troféu de “melhor pupilo”, mas a linha que separa a vida pessoal da vida profissional é quase invisível, não é mesmo? Possuímos os mesmos valores e conceitos pessoais em todos os lugares, somente privilegiamos motivações e objetivos diferentes dentro de cada um desses dois âmbitos de acordo com o local e com quem estamos nos relacionando.

Foi assim que assisti de camarote os planos dos estagiários, dos funcionários e da própria Annalise mudarem logo no primeiro episódio. Assim que vi o piloto, não me contive e gritei um “PQP” bem alto em plena madrugada tamanho o frisson que senti — e ainda tenho resquícios dessa sensação boa até agora. Além disso, o ser humano adora ouvir uma história bem contada. Juntando isso ao fato de que a série não tem personagens com propósitos fracos e vazios, Annalise manda e desmanda colocando em xeque o que acabamos de absorver e aceitar durante um ou vários episódios, de uma hora para outra.

Fala que eu te defendo!

Annalise coleta informações com seus clientes e bota todo mundo para trabalhar!

Pode parecer exagero da minha parte, mas digo sem medo: curti todos os episódios dessa série, sem exceção — e olha que estamos no meio da segunda temporada, hein?! O trabalho dos roteiristas dessa série e de toda a equipe realmente é fantástico, não foi à toa que Viola Davis, atriz que dá vida à Annalise, ganhou um Emmy por sua atuação. How To Get Away With Murder é coerente, intensa e modelada para deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha, afinal, toda história sempre vai ter mais de uma versão para ser contada.

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