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Críticas

Figurado e o multiplayer que existe naturalmente

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Figurado

Dentre todas as “grandes” disputas de opiniões do mundo moderno, uma das mais tímidas, porém interessantes, é a “Questão do Multiplayer“. Há quem diga que nada pode superar o fato de juntar os amigos no sofá, enquanto outros defendem os múltiplos jogadores pela internet como o futuro dos jogos. Mas, em meio ao fogo cruzado, uma pequena categoria de títulos não precisa brigar. Afinal, eles sabem que tudo isso é uma perda de tempo.

Depois das palavras cruzadas, dos puzzles de Professor Layton e das questões de matemática, é o app brasileiro Figurado (iOS/Android) o próximo a “figurar” nessa lista. Todos esses tem uma coisa muito importante em comum: eles conseguem unir pessoas para resolver seus desafios sem mesmo precisar colocar atrás da caixinha a palavra “multiplayer”.

 

Meu reino por um trocadilho

Por mais estranho que isso possa soar, o gameplay de Figurado é baseado em trocadilhos. Trocadilhos visuais e gramaticais, para ser mais exato. Como em uma “revistinha Coquetel digital”, a ideia é ver alguns desenhos non-sense e entender que palavra ele, por algum motivo, representa. E não são coisas tão óbvias, ou que precisam daquele seu conhecimento perdido do Ensino Médio: a ideia aqui é realmente brincar com os sons das palavras e a forma com que elas são escritas.

A sílaba “BAL” e um cachorro do lado: qual seria a resposta? “Balcachorro”? Não, isso nem existe… “Buldogue”? “Bal” é parecido com “Bul”, talvez seja uma pegadinha… Não, também não. Que tal bal…cão? Isso, balcão. “Bal” + um cão. Ok, agora você pegou o espírito do jogo (e provavelmente deu aquela risadinha no canto da boca).


Isso é o que eu chamo de pensar fora da caixa.

Isso é o que eu chamo de pensar fora da caixa.

E tudo continua até você perder a sua própria definição de “pensar fora da caixa” ou ultrapassarem os limites sensatos dos trocadilhos. Uma grande letra K com um A no meio? Bom, o “K” está dentro do “A”, então, “k no a”, ou melhor, “canoa”! Ou então, você tem um A com um coração invertido do lado? Aódio? Acoração? Não: como a figura está invertida, a palavra também fica assim e chegamos em “amora” = a + amor ao contrário.

Por mais que isso pareça chato e difícil, tudo corre de forma bem tranquila. A curva de aprendizado chega a ser até lenta, com alguns bem fáceis quase no meio do jogo. E, bom, nem preciso dizer a cara que qualquer um fica depois de adivinhar um desenho complicado, quase uma hora depois, e ver como aquilo era fácil. Sim, isso acontece bastante, experiência própria.

 

O tal multiplayer inerente ao jogo

Esta seção do texto explica toda a introdução. Eu realmente espero que isso faça algum sentido para você.

Palavras cruzadas. Surgiram em 1913 e te desafia a encontrar palavras que encaixem perfeitamente nos espaços, seguindo certas dicas. As palavras se intercruzam e começam a dar dicas para as outras. Parece simples, mas você nunca sabe todas elas (a não ser que você seja realmente bom).

Professor Layton. Surgiu em 2007 e te desafia a resolver vários puzzles muito interessantes, enquanto você conhece a história de um gentleman tipicamente britânico e seu ajudante. Cada puzzle tem uma resposta única e sempre tem dicas para te ajudar. Parece simples, mas você nunca consegue resolver todos (a não ser que você seja realmente bom).

Questões de matemática. OK, isso nem é um jogo, mas todo mundo que passou pela época de fazer vestibular sabe como é. São questões que abrangem muitas áreas do conhecimento e, geralmente, existe uma resposta certa e exata. Parece simples, mas você nunca consegue resolver todos (a não ser que você seja realmente bom).

Todo esse papo furado tem três pontos em comum com Figurado e muitos outros jogos: são propostos desafios, eles tem respostas certas e únicas e, geralmente, você não consegue resolver todos “a não ser que você seja realmente bom”. E o que todo mundo faz? Exatamente, pergunta para a pessoa do lado, porque são poucos que são realmente bons. Essa é a mágica do “multiplayer inerente” de que estou falando.

"Eu vejo trocadilhos... TODO O TEMPO!"

“Eu vejo trocadilhos… TODO O TEMPO!”

O jogo é claramente para ser jogado por uma única pessoa, mas, conforme a coisa complica, ela desencadeia uma interação com as pessoas do redor. O melhor é que tudo fica mais divertido quando outras pessoas começam a olhar para o celular, tentando adivinhar a mesma palavra que você. Quando você menos vê, já resolveu bem mais desafios do que poderia imaginar.

Figurado consegue passar esse cenário de uma forma extremamente natural. Parece até que ele foi feito para ser jogado com outras pessoas do lado, mesmo sem dizer isso explicitamente. Uma coisa é certa: a verdadeira e esperada “experiência de jogo” só funciona quando tiver com outros por perto tentando fazer os piores trocadilhos possíveis. E isso é realmente um mérito.

 

Página após página

A ideia do jogo parecer uma “revistinha Coquetel digital” faz até mais sentido do que você imagina. Todo o visual do app realmente remete a uma história em quadrinhos e os desenhos tem uma qualidade bem interessante. Fica aí a ideia de fazer uma versão impressa do Figurado, porque não faltaria muito para isso se concretizar e eu imagino que ficaria bem interessante.

Como não poderia faltar, o jogo ainda te dá dicas e letras das palavras ainda não descobertas, ajudas que podem ser compradas com moedas ganhadas resolvendo desenhos ou a partir de microtransações. Se você jogar com seus amigos, como sugeri, provavelmente vão sobrar moedas, já que a coisa não é tão balanceada assim. Enquanto elas sobram, faltam desenhos, que ainda não são muitos e, caso seus amigos se animem muito, podem esgotar em uma única conversa de bar. Mesmo assim, sempre atualizações são feitas com novos desafios.


De toda forma, Figurado é aquele jogo que pode até parecer que foi feito para jogar sozinho, mas ele fica bem mais legal com outras pessoas. Na verdade, a não ser que você realmente goste desse tipo de desafio, ele não vai ter muita graça sem amigos por perto. Além disso, ele é bonito, tem trocadilhos engraçados, é brasileiro, em português e você não paga nada por ele (a não ser que queria alguns desenhos adicionais). Que tal dar uma chance para ele na próxima fila do restaurante sexta à noite?

Figurado — Nota 4/5

Desenvolvedora: Antworks Studio
Plataformas: Android, iOS
Plataforma utilizada na análise: Android

Cientista da computação em formação pela USP São Carlos, sempre encontra tempo para falar sobre jogos, tecnologia, viagens no tempo e outras loucuras. Desenvolve jogos, aprecia chocotones, escreve sobre ciência no Deviante e fala sobre pérolas desconhecidas dos games na coluna Free to Play, aqui no PlayReplay.

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Brinquedos que Marcam Época é um presente da Netflix

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No finzinho de 2017 a Netflix disponibilizou uma de suas melhores e mais subestimadas produções. Quase sem alarde, The Toys That Made Us (Brinquedos que Marcam Época, em português) chegou ao serviço de streaming e, se você gosta de brinquedos e colecionáveis, não deveria deixar esse documentário passar batido!


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Por enquanto são apenas quatro episódios com pouco menos de uma hora cada um, mas já há outros quatro encomendados, com estreia programada para ainda em 2018. Já estão no ar documentários sobre Star Wars, GI Joe, Barbie e He-Man, e na segunda levam estreiam LEGO, Transformers, Hello Kitty e Star Trek.

Com direção de Tom Stern, o documentário criado por Brian Volk-Weiss é extremamente nostálgico, como não poderia deixar de ser, mas, diferente de outras produção da Netflix, jamais se limita a uma apelação barata para nossas lembranças a fim de provar seu valor. Não, aqui há bastante trabalho de pesquisa e material interessante até mesmo para os aficionados mais versados no tema.

Pessoas envolvidas com as mais diversas etapas da produção e venda de brinquedos, desde seus idealizadores, passando por empregados das empresas, advogados, executivos e varejistas, fornecem aspas repletas de informações, então há muito a se aprender sobre a história do hobby favorito de milhares de pessoas por todo o mundo.


Naturalmente, o foco do documentário fica restrito ao mercado norte-americano mas, felizmente, isso não impede a nossa apreciação e identificação, já que todos os brinquedos mencionados por enquanto fizeram muito, muito sucesso em nossas lojas também, ainda que em diferentes proporções.

Se você nasceu na década de 1980, seguramente deve ter várias memórias sobre esses bonecos! Mas, se for mais jovem, encontrará aqui uma oportunidade de ouro para o aprendizado, que não deve ser desperdiçada.

Ao fim da série, você vai saber muito mais sobre como era a cultura pop durante as décadas de 1970 e 1980. Mais importante, vai entender melhor como funciona a cabeça daqueles que vivem em função de pequenos pedaços de plástico, e como esses pequenos objetos podem ganhar um improvável e gigantesco significado nos corações das pessoas.

 

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Críticas

Franz Ferdinand não consegue ser nem sombra do que já foi em Always Ascending

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No começo dos anos 2000, o rock ganhou uma sobrevida inesperada com o advento do indie e da volta do rock de garagem. Liderado por nomes como The Strokes e Arctic Monkeys, o período foi imensamente frutífero, e até bandas “secundárias” como Kaiser Chiefs conseguiam lançar grandes músicas, mesmo longe de chegar ao mesmo status de fama dos líderes do movimento.


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Em algum lugar no meio do caminho ficava o Franz Ferdinand, banda formada em Glasgow em 2002, com clara inspiração em Talking Heads e nas guitarras do Gang of Four. Com músicas perfeitas para dançar e pular, o grupo trouxe toda uma vibe festiva e sexy para o rock da época, mas acabou não alcançando tanta fama em escala global, até eventualmente se resignar e acomodar com o posto de banda de nicho. Seu novo disco foi lançado esta semana, então vamos avaliá-lo faixa a faixa.

Always Ascending, a faixa título do disco e também a responsável por abrir os trabalhos, é um perfeito resumo dos problemas do novo Franz Ferdinand. Ela começa com uma extenuante introdução de 1:20 minutos regida por um corinho insuportável. O “prêmio” por sobreviver a isso é encontrar um pouco de música eletrônica batalhando por espaço até a canção ter algo interessante a mostrar, o que só acontece aos 2:27 minutos, quando a faixa finalmente soa minimamente tolerável, e nada mais que isso.


Lazy Boy, como o próprio nome indica, mostra um Kapranos mais preguiçoso e desinteressado do que nunca, uma persona que, infelizmente, ele não consegue abandonar por praticamente todo o disco. Melhor sorte tem Paper Cages, a melhor faixa do álbum até então, e uma das poucas que conseguem apontar para o que poderia ser um futuro interessante para a banda.

Ao invés de se contentar com guitarrinhas genéricas tentando alcançar o trabalho lendário do ex-membro Nick McCarthy, a canção abraça o teclado que, por sua vez, alavanca o baixo dançante de Bob Hardy em direção a novos caminhos bem gratificantes. Ali sim Kapranos parece empolgado com o material, e seu vocal vai bem além do tédio onipresente no disco.

A faixa seguinte, Finally, prontamente destrói esse pequeno progresso ao apostar em um novo coro intragável, o que é a segunda pior ideia que a banda teve em sua carreira (perde apenas para a esdrúxula parceria com o Sparks, que gerou a atrocidade chamada FFS). The Academy Award não é das piores, mas sofre do mesmo mal que a maioria das faixas do disco: dura um bom minuto e meio a mais do que deveria, e cansa por isso. Ainda assim, seu ritmo mais lento é um bom suspiro de tranquilidade em um disco que o tempo inteiro se força a parecer agitado, mas jamais consegue engrenar de verdade.

Lois Lane é um pouco agridoce, porque algumas partes instrumentais são interessantes e quase empolgantes, mas a harmonia vocal coloca tudo a perder com versos arrastados e chatos. Algo parecido acontece em Huck and Jim, porque o baixo e a bateria de Paul Thomson apontam para uma  música instigante, e o vocal de Kapranos e letra pífia anulam as virtudes da canção.

Quando tudo parecia fatalmente corrompido, Glimpse of Love aparece como uma salvadora improvável. Não por acaso, tal qual Paper Cages, é um exemplo perfeito de como jogar uma vibe meio Hotline Miami pode dar certo para um Franz Ferdinand desfalcado de seu guitarrista principal. O tecladinho, quando bem usado, cria uma atmosfera muito boa e, de novo, ela ajuda Kapranos a soar como o bom vocalista que costumava ser. Disparado a melhor faixa do álbum!

Munido dessa energia, Feel the Love Go aponta para um fechamento de disco com um pouco de dignidade. Instrumentos de sopro foram uma boa adição e, finalmente, o Franz Ferdinand conseguiu soar dançante e feliz como a banda que conquistou a galera no começo dos anos 2000.

Slow Don’t Kill Me Slow é um epílogo desnecessário e novamente mais longo do que deveria, e ajuda o álbum a terminar com bem mais erros do que acertos. No entanto, nem tudo está perdido. As poucas faixas genuinamente boas, como Paper Cages e Glimpse of Love, são um claro indicativo de que o Franz Ferdinand ainda consegue soar interessante mesmo sem apelar para truques batidos ou meras emulações de seu passado. O jeito é torcer para vermos mais disso nos trabalhos futuros da banda.

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Pokémon Gold & Silver #1 é um novo (e divertido!) mundo de aventuras

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A Editora Panini está fazendo um ótimo trabalho com a marca Pokémon. Depois de publicar a saga Black & White, em 2017 os mangás Pokémon Adventures passaram a ser lançados em ordem cronológica, desde Red Green Blue, passando por Yellow e agora, em fevereiro de 2018, chegou o momento de seguir a saga Gold & Silver!


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Como nos volumes anteriores, o roteiro é de Hidenori Kusaka, que já mandou super bem nas outras sagas e, mais uma vez, conseguiu replicar perfeitamente o clima dos jogos nas páginas dos mangás. Quem está quase se despedindo é a ilustradora Mato, que a partir do Volume 10 japonês (será a nossa terceira edição, ainda sem data de lançamento prevista) dará lugar a Satoshi Yamamoto devido a problemas de saúde.

Infelizmente, já neste volume nacional é possível notar uma simplificação de seu traço. Os painéis ainda são muito divertidos e a história flui com ótimo ritmo, mas é evidente que Mato não estava em sua melhor forma e, assim, diversas cenas ficam mais rasas do que deveriam.

Isso não chega a atrapalhar a diversão, e o preço de R$ 13,90 é mais do que justo pelas quase 220 páginas de aventura, que adaptam com razoável fidelidade a trama contada nos jogos Pokémon Gold & Silver de GameBoy e GameBoy Color.


O protagonista, como não poderia deixar de ser, é o jovem e empolgado Gold, que começa sua jornada a partir da cidade de New Bark, e de lá segue em uma improvável aventura. Em Johto, a cena competitiva ainda não é tão forte, e os Líderes de Ginásio ainda estão sendo escolhidos e testados.

Relembre o nosso book tour em vídeo pelas primeiras edições do mangá Pokémon Red Green Blue

Assim, Gold ainda não sonha em ser campeão ou mesmo um treinador de respeito. Para ele, Pokémon são seus parceiros e parte da família. No entanto, a natureza exibida e impulsiva do jovem logo o coloca no caminho da confusão. Por acidente, sua mochila cheia de criaturas é roubada por membros da equipe Rocket, e Gold acaba suspeitando de Silver, o que o coloca em uma caçada frenética em busca do rival para um acerto de contas.

Como de praxe, a cada capítulo dessa história encontramos um Pokémon diferente, o que é uma boa oportunidade de explorar seus poderes de formas nunca vistas nos games ou anime. Ou seja, é um prato cheio para quem adora os monstrinhos da Nintendo.

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