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Hands-On: Final Fantasy XV: Episode Duscae é um presente para os fãs da franquia

Final Fantasy Type-0 HD foi anunciado pela Square-Enix no ano passado e empolgou apenas os fãs de longa data da franquia, e olhe lá. Percebendo a recepção não muito calorosa do público, a empresa decidiu apelar e anunciar que juntamente com o título remasterizado de PSP, os jogadores receberiam de brinde a primeira e limitadíssima versão demo de Final Fantasy XV.

Como era de se esperar, o interesse dos jogadores pelo título cresceu de forma exponencial e, numa tacada de mestre, a Square conseguiu deixar todo mundo interessado em sua remasterização, mesmo que pelos motivos errados. Na última semana, como mais um jogador tentado pela oferta quase irrecusável da empresa, decidi comprar a demo cujo brinde era um jogo remasterizado, e após horas de teste pude concluir: estamos diante de uma provável obra-prima.

Caçadores de recompensa

A demonstração de Final Fantasy XV recebeu o nome de Episode Duscae por se passar inteiramente em uma região chamada…Duscae. O local, amplo e cheio de ambientes únicos para explorar, é cenário de uma aventura de cerca de três horas. Noctis, o protagonista do jogo, e seus amigos (que ainda não consigo me lembrar como se chamam) precisam conseguir dinheiro para consertar seu carro, que quebrou na beira da estrada próxima dali.

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Contudo, a busca não é das mais fáceis: para conseguir os 25.000 gil necessários para o reparo, os garotos, que parecem ter saído de uma boyband, deverão derrotar Behemoth, um monstro colossal que está vagando pela região. E assim começa a sua jornada por algo que é, provavelmente, apenas a ponta do iceberg do jogo que será lançado em algum momento no futuro.

O primeiro contato

Logo de cara fiquei de queixo caído com a qualidade gráfica do jogo. Lembram-se de quando sonhávamos em controlar aquelas lindas CGs de Final Fantasy VIII ainda nos anos 1990? Pois é, com Final Fantasy XV isso se tornou realidade. As belíssimas animações, aliadas aos cenários absurdamente detalhados e efeitos de luz destruidores fazem de Episode Duscae um dos jogos mais lindos que já vi em toda a minha vida, mesmo sendo ainda apenas uma demonstração.

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A interação de Noctis com seus amigos é extremamente natural, assim como suas ações, que são completamente independentes. Ao chegar em uma pequena comunidade com alguns Chocobos, fiquei surpreendido com a espontaneidade de todos os personagens, que interagiam entre si e com o cenário, sempre sem depender de minhas ações no controle do protagonista. É como se realmente cada um tivesse vida própria, e isso é espetacular.

Os cenários, completamente abertos, servem de aviso da Square para os fãs. Fica claro que a empresa aprendeu com as críticas sofridas com Final Fantasy XIII e decidiu acertar as coisas. Mais ainda: não apenas a arte empregada em Duscae, mas também a estrutura do jogo remete muito à Xenoblade Chronicles, o que é um excelente indicativo de que o jogo seguirá o caminho da evolução dos RPGs japoneses.

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Minha única crítica é quanto a performance do jogo. Nem sempre tudo foi fluido como deveria ser, e me deparei com diversas quedas de framerate, tanto nas batalhas quanto em simples momentos de exploração.  É claro que isso deverá ser corrigido até o lançamento do jogo, mas é algo que não dá para passar batido, nem se considerarmos que Duscae é apenas uma demo

Lutando para sobreviver

Episode Duscae tenta mostrar de tudo um pouco. Exploramos uma lindíssima planície, uma caverna e até cenários mais fechados, como uma floresta habitada por monstros. Assim como em Xenoblade, há vida por toda parte, e cabe ao jogador decidir lutar ou não com os monstros que cruzam nosso caminho.

As batalhas, em tempo real, são muito divertidas e mostram que o sistema tem muito potencial. No controle de Noctis, o jogador pode desferir golpes normais, que não consomem MP e outros, especiais, que consomem. A barra de MP se carrega automaticamente, de maneira que o jogador deve dosar muito bem os ataques normais e especiais para que não fique impossibilitado de utilizá-los no meio da luta.

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Ao perder completamente o HP, ao invés de morrer, o personagem fica sem poder executar nenhum movimento, o que pode ser resolvido com a ajuda de seus amigos ou até mesmo com o uso de uma poção. Ao final de cada uma das batalhas, o jogador recebe pontos de experiência que servem para subir de nível e aprender novas habilidades.

Contudo, para subir de nível, é necessário acampar em pontos determinados do mapa, o que força o jogador a interromper seu progresso para poder ficar mais forte. No início isso parece estranho, mas aos poucos vai se tornando mais natural, mesmo que pior que os métodos mais tradicionais de outras iterações da série.

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As batalhas, mesmo que divertidas e promissoras, ainda estão muito cruas e pouco fluídas. Primeiramente, a inteligência artificial de seus parceiros não funciona muito bem, e eles mais atrapalham do que ajudam. Em segundo lugar, o sistema de travamento de mira não é nada bom, e torna as batalhas muito mais complicadas do que deveriam ser. Geralmente, mesmo com a câmera travada em um inimigo, é muito difícil acertar algum golpe, e depois de um tempo isso começa a ficar muito frustrante.

Final apoteótico

Duscae tem um ritmo muito bom. A primeira missão consiste em investigar onde Behemoth pode estar escondido. Ao descobrir, o jogador deve invadir seu covil e tentar derrotá-lo. Com uma batalha muito cinematográfica criada para que o jogador perca, o jogo mostra que pode ter momentos mais focados na narrativa do que nunca.

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Após a derrota, os rapazes buscam uma forma de vencer o monstro, e isso finalmente ocorre quando os heróis obtém o poder de Ramuh, summon clássico da franquia. Mas a melhor parte é a forma que o ser é evocado: após ficar sem HP, o jogador deve segurar o botão X para chamar o summon. Todo o cenário começa a mudar, relâmpagos vêm de todos os lados e então o imponente Ramuh surge na batalha, derrotando Behemoth com apenas um golpe.

O momento é tão épico e tão surpreendente que provavelmente já se tornou o vídeo mais capturado no PlayStation 4 até agora, afinal, é  impossível não querer mostrar algo tão incrível como isso para o resto do mundo. Após a batalha, a recompensa é obtida, o carro é completamente recuperado e os heróis seguem em sua jornada, deixando ao jogador apenas um gostinho de quero mais.

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O retorno de Final Fantasy

Episode Duscae é a prova de que a Square-Enix ainda é uma das desenvolvedoras mais importantes e talentosas do mundo. Contando com uma ambientação fora de série, gráficos de tirar o fôlego e gameplay espetacular, Final Fantasy XV tem tudo para marcar o retorno triunfal da franquia, que vinha decaindo cada vez mais até na visão de seus maiores fãs. Infelizmente, o jogo ainda não tem data para ser lançado, e teremos que nos contentar por algum tempo com a pequena amostra que tivemos na semana passada.

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