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Críticas

Análise: Seeds of Memories é o mais básico que Harvest Moon pode ser

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Harvest Moon: Seeds of Memories

Não que eu tenha aproveitado todos os jogos de simulação que eu conheci, mas eles fizeram parte da minha vida, consideravelmente. Se The Sims foi a série desse tipo que eu mais joguei, Harvest Moon foi a que mais me cativou. Depois de uma frustrada experiência com a versão de Nintendo 64, eu só fui entender a beleza da franquia com Friends of Mineral Town, lançado para GBA no longínquo ano de 2003. Por mais que não fosse perfeito, ele era bonito, bem feito e, acima de tudo, conseguia me divertir.

Assim, ao abrir a tela inicial de Harvest Moon: Seeds of Memories, era isso que eu esperava. Se eles já conseguiram todo esse sentimento treze anos atrás, o que poderiam fazer agora? O fato de ser o primeiro jogo mobile da franquia nem me assustou tanto — e, com louvor, o game não peca nesse quesito —, mas, infelizmente, foi exatamente aí que começou a minha decepção com essa nova fazenda.

Antes de tudo, uma explicação nominal

Para não cometer injustiças, é bom falar desde já: quem fazia Harvest Moon em 2003 não é a mesma que criou Seeds of Memories. Desde 1996, a franquia japonesa Bokujō Monogatari era produzida pela Marvelous e publicada, na América, pela Natsume, com o nome de “Harvest Moon”. Entretanto, em 2004, a desenvolvedora anunciou que, a partir de então, a sua divisão americana, a XSEED Games, seria responsável pela localização da série por aqui, agora sob o nome de Story of Seasons.

A Natsume, então, continuou a fazer jogos com o nome Harvest Moon, em parceria com outras desenvolvedoras. Só para você saber, o primeiro deles, The Lost Valley (3DS), foi o que teve as piores notas até hoje. Mesmo que ele seja criticado por outros motivos, já dá até para saber o que esperar desse, né?


Memórias esquecíveis

“Você herdou/ganhou/recebeu uma fazenda e precisa fazê-la produzir para salvá-la da destruição/não ser expulso da cidade/trazer algo mágico de volta à vida. Ah, não esqueça de se casar com um homem/uma mulher e formar uma família!” — escolha um de cada opção e você tem a história de um Harvest Moon. Por isso que ninguém espera uma grande trama na série, mas sim uma espécie de construção da vida da sua personagem. É legal ver a importância que pequenos fatos podem causar na formação dela.

Em Seeds of Memories, a coisa também começa assim e continua bem até: alguns espíritos da colheita pedem ajuda para revitalizar a Sprite Tree, uma árvore mágica, a partir das memórias das pessoas sobre a fazenda. Assim, sua missão é ser um fazendeiro e, ao trabalhar na propriedade, fazer com que os moradores lembrem que ela existe.

Se você estava, assim como eu, esperando que elas fossem grandes fatos de importância na história ou aparecessem de forma natural e orgânica no gameplay, esqueça tudo isso. Na verdade, as “memórias” são um outro nome para “achievements”. Ao todo, são 150, que vão dos ridículos “Conheça tal pessoa pela primeira vez” e “Venda seu primeiro item” até os deslocados “Pesque 100 peixes” e “Desbloqueie todas as outras memórias”.

Os jogadores que gostam de completar os seus jogos com todas as conquistas vão querer todas as memórias para fechar o sonhado 100% e os que não ligam muito para isso, vão simplesmente ignorar isso e se focar em manter a fazenda e ter uma vida pessoal. De toda forma, essa trama não funciona bem e não adiciona muita coisa às partidas.

Era uma fazenda muito engraçada…

Por mais que a regra ainda seja a de que “jogos para celular devam ser pequenos”, muitas empresas estão quebrando-a e lançando games bem completos, com muito conteúdo e por um preço justo e razoável. Com o preço de $9.99 definido pela Natsume pelo aplicativo, o que se esperava era ter um grande título, capaz de nos surpreender mesmo depois de várias horas de jogo.

Lembra quando falei de Friends of Mineral Town? Então, ele é um jogo de treze anos atrás, com 8MB de tamanho e com mais conteúdo que Seeds of Memories, um game contemporâneo, feito para uma plataforma móvel de última geração. Como se não bastasse, esse baixíssimo custo-benefício não está apenas no pequeno número de personagens, mas também na carência de mecânicas, que fazem falta aos já familiarizados com a série.

As notas musicais determinam o nível de amizade com os moradores da cidade.

As notas musicais determinam o nível de amizade com os moradores da cidade.

Os cortes começam no próprio mapa de jogo. Basicamente, você tem apenas três locais para explorar durante o jogo: sua fazenda, a cidade e a montanha (com uma encruzilhada pequena entre eles). Enquanto a cidade é, basicamente, algumas casas e lojas em volta de uma praça, a montanha ainda tem a entrada da mina e a fonte da Deusa da Colheita. Mesmo assim, não há outros locais abertos para se explorar, como nos jogos anteriores.

Quase todas as opções de personalização também sumiram, até as que foram introduzidas em A New Beginning (o último Harvest Moon ainda feito pela Marvelous). Não é possível mais escolher a aparência do seu personagem ou os móveis da sua casa, por exemplo.

Ainda assim, o pouco que se manteve consegue sustentar uma atmosfera de jogo mediana. Você pode paquerar um dos pretendentes da cidade, plantar vegetais, flores e árvores, ter animais, pescar e minerar, mesmo que algumas dessas atividades sejam visivelmente mais lucrativas do que as outras. Os poucos moradores mostram a que veio só depois de muito tempo de jogatina e pode ser que ainda consigam te conquistar.

Pronto para o mundo mobile

Sempre que uma série conhecida dos jogos faz a sua estréia no mercado mobile, é de se esperar alguns problemas, principalmente quanto à adaptação do gameplay para uma tela de toque. Seeds of Memories tem muitos acertos nesse ponto, deixando a tarefa de cuidar da sua fazenda bem agradável, de certa forma. Pensando que o game ainda vai receber versões para PC e Wii U, ele tem tudo para se sair bem com o mouse e a tela do GamePad também.

Para movimentar o(a) protagonista, é só tocar no ponto de destino dele, sem muitos problemas. Até mesmo preferindo joysticks virtuais, esse método funciona bem, sem problemas. Para suprir a falta de botões, o jogo muda os controles de acordo com a situação: o Talk Mode é usado para conversar com pessoas e interagir com o cenário e, apertando o canto da tela, o Farm Mode é ativado para começar a cultivar. Os menus do jogo travam um pouco, mas nada que atrapalhe muito.

Um visual “simpático”

Sempre me disseram que quando alguém está feio, mas você não quer dizer isso de forma tão direta, deve falar que ele está “simpático”. Então, Seeds of Memories tem uma direção de arte simpática.

Uma pegada mais cartunesca combina muito bem com a ideia de Harvest Moon, claro, desde que seja bem executada; o que não aconteceu, infelizmente. A maioria dos cenários são bem genéricos e mal acabados, dando a sensação de que se está jogando um produto feito por fãs ou ainda um game feito no RPG Maker — a moradia da Deusa da Colheita é a mais discrepante de todo o resto. Os personagens são melhores visualmente, mas nada que realmente impressione quem já viu coisas bem melhores em iterações anteriores.

Repare em como essa fonte foi feita e tire suas próprias conclusões.

Repare em como essa fonte foi feita e tire suas próprias conclusões.

Os mapas também sofrem desse problema. Enquanto as lojas ainda tem alguma personalidade, a maioria das casas parecem que foram feitas em conjunto habitacional, porque são praticamente idênticas. Os problemas continuam aparecendo na montanha: frutas roxas e flores brancas podem ser coletadas lá… mas, na realidade, eles representam uma infinidade de itens que podem ser pegos. É realmente desconfortante achar uma fruta roxa no chão e ela se tornar um morango, não?

Ainda bem que temos memórias

É bom dizer que Seeds of Memories tem todas as premissas básicas de um Harvest Moon, funcionando em uma estrutura bem adaptada aos dispositivos móveis e com um visual bem abaixo da média. Mesmo assim, ele não parece um Harvest Moon como felizmente conhecemos durante todos esses anos. Faltam mecânicas, faltam mais locais, falta carisma, falta um objetivo que realmente valha a pena dar duro em uma fazenda por alguns anos. A única coisa que não falta é um preço salgado, que não representa a pouca quantidade de conteúdo que o app tem.

Se você realmente quer reviver as suas memórias, jogue os Harvest Moon que você tanto gostou na infância ou o ótimo Story of Seasons. Seeds of Memories é uma opção que pode te divertir (e até conquistar o coração dos novatos nesse estilo de game), mas ela não vai conseguir ser mais do que uma fazendinha mediana e sem muita graça.

Harvest Moon: Seeds of Memories – Nota 2,5/5

Produtora: Natsume
Plataformas: iOS (Android, PC e Wii U em breve)
Plataforma utilizada na análise: iOS

Cientista da computação em formação pela USP São Carlos, sempre encontra tempo para falar sobre jogos, tecnologia, viagens no tempo e outras loucuras. Desenvolve jogos, aprecia chocotones, escreve sobre ciência no Deviante e fala sobre pérolas desconhecidas dos games na coluna Free to Play, aqui no PlayReplay.

Cinema

Star Trek Discovery tem um voo de estreia turbulento

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Por mais que Star Trek tenha inspirado dezenas de filmes, não há como negar que Jornada nas Estrelas sempre ficou muito mais à vontade na televisão, seja na série clássica absurdamente inovadora de Gene Roddenberry, ou em suas várias derivadas, como as cultuadas Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager.


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Assim, a notícia de que a CBS e a Netflix disponibilizariam uma temporada completa focada em novas aventuras no universo principal, e não no cânone alternativo estabelecido pela série de filmes da Bad Robot, foi recebida com bastante interesse e, claro, inevitáveis polêmicas na internet, com fãs apaixonados temendo pelo pior. Curiosamente, o primeiro ano de Star Trek Discovery consegue agradar e irritar todos os tipos de espectadores ao mesmo tempo e, infelizmente, isso acontece devido a sua falta de foco.

Os primeiros capítulos são, de longe, os piores da temporada, e mais parecem um extenso, desnecessário e desinteressante prólogo, que poderia ser apagado sem qualquer prejuízo para a série. Ainda que não falte valor de produção neles (todas as naves e planetas mostrados são muito bem feitos, ainda que sua estética pareça derivativa demais do jogo Mass Effect e do filme de JJ Abrams), a trama não empolga.

À bordo da nave Shenzhou acompanhamos a protagonista Michael Burnham (Sonequea Martin-Green) e sua capitã e mentora Georgiou (Michelle Yeoh), mas, após uma batalha infeliz com os Klingons, eles e a Federação começam uma guerra, e Michael acaba perdendo sua patente de primeira oficial e o direito à liberdade após responder por seus atos em um julgamento marcial.


 

Presa e odiada por todos, Michael acaba encontrando uma nova chance à bordo da USS Discovey, onde o Capitão Lorca (Jason Isaacs) nota seu potencial e a coloca para trabalhar com sua tripulação. É uma premissa ok, mas que é pessimamente conduzida por uma trama muito dark, que nada tem a ver com o tom dos seriados anteriores.

Tempos de guerra e conflitos sangrentos até poderiam apontar para um caminho audacioso e servir de gancho para boas soluções otimistas e moderadas, mas praticamente não há espaço para leveza, nem mesmo entre os tripulantes sem carisma da Discovery.  Honrando a histórica luta por diversidade que a franquia Trek sempre se empenhou em trazer muito bem, Paul Stamets (Anthony Rapp) e o Dr. Culber (Wilson Cruz) formam um casal homossexual, mas seu relacionamento é totalmente sem graça e dificulta a criação de empatia, se resumindo a panfletagem vazia e sem graça.

Melhor sorte tem a fofa Sylvia Tilly (Mary Wiseman), que consegue ter um bom arco de personagem, começando como uma garota insegura que fala demais e teme a opinião dos outros, e progredindo lentamente para o posto de uma oficial determinada, que acredita e luta por seus amigos. Sem dúvidas ela é quem mais se aproxima do tom tradicional de Star Trek.

O grande problema da primeira metade da temporada é inserir personagens bem desinteressantes e obrigá-los a enfrentar temas pesados, que vão desde crimes de guerra, passando por estupro e os traumas derivados disso, racismo, abuso animal, enfim, só “diversão”!

Talvez já notando os problemas e insatisfação justificada de uma parcela dos fãs com o clima pesado e militarizado demais, após as férias de fim de ano, a primeira temporada voltou para uma leva final de episódios muito mais palatáveis para quem via a série clássica assiduamente, com direito até a uma exploração rica do Universo Espelho, onde reencontramos o Império Terran, além de uma referência bem bonita à série clássica em seu episódio final.

Atirar para todos os lados pode até não ter gerado o produto final mais coeso do mundo, mas há algo admirável na tentativa de correção de curso no meio do caminho, ainda que isso venha ao custo de sabotar as expectativas de quem estava gostando da série em seus primeiros episódios. Foi um voo turbulento, sem dúvidas, mas se a o próximo ano seguir mais a linha da reta final da primeira temporada, talvez Discovery finalmente encontre um pouco mais de amor quando chegar a seu destino.

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Críticas

Brinquedos que Marcam Época é um presente da Netflix

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No finzinho de 2017 a Netflix disponibilizou uma de suas melhores e mais subestimadas produções. Quase sem alarde, The Toys That Made Us (Brinquedos que Marcam Época, em português) chegou ao serviço de streaming e, se você gosta de brinquedos e colecionáveis, não deveria deixar esse documentário passar batido!


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Por enquanto são apenas quatro episódios com pouco menos de uma hora cada um, mas já há outros quatro encomendados, com estreia programada para ainda em 2018. Já estão no ar documentários sobre Star Wars, GI Joe, Barbie e He-Man, e na segunda levam estreiam LEGO, Transformers, Hello Kitty e Star Trek.

Com direção de Tom Stern, o documentário criado por Brian Volk-Weiss é extremamente nostálgico, como não poderia deixar de ser, mas, diferente de outras produção da Netflix, jamais se limita a uma apelação barata para nossas lembranças a fim de provar seu valor. Não, aqui há bastante trabalho de pesquisa e material interessante até mesmo para os aficionados mais versados no tema.

Pessoas envolvidas com as mais diversas etapas da produção e venda de brinquedos, desde seus idealizadores, passando por empregados das empresas, advogados, executivos e varejistas, fornecem aspas repletas de informações, então há muito a se aprender sobre a história do hobby favorito de milhares de pessoas por todo o mundo.


Naturalmente, o foco do documentário fica restrito ao mercado norte-americano mas, felizmente, isso não impede a nossa apreciação e identificação, já que todos os brinquedos mencionados por enquanto fizeram muito, muito sucesso em nossas lojas também, ainda que em diferentes proporções.

Se você nasceu na década de 1980, seguramente deve ter várias memórias sobre esses bonecos! Mas, se for mais jovem, encontrará aqui uma oportunidade de ouro para o aprendizado, que não deve ser desperdiçada.

Ao fim da série, você vai saber muito mais sobre como era a cultura pop durante as décadas de 1970 e 1980. Mais importante, vai entender melhor como funciona a cabeça daqueles que vivem em função de pequenos pedaços de plástico, e como esses pequenos objetos podem ganhar um improvável e gigantesco significado nos corações das pessoas.

 

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Críticas

Franz Ferdinand não consegue ser nem sombra do que já foi em Always Ascending

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No começo dos anos 2000, o rock ganhou uma sobrevida inesperada com o advento do indie e da volta do rock de garagem. Liderado por nomes como The Strokes e Arctic Monkeys, o período foi imensamente frutífero, e até bandas “secundárias” como Kaiser Chiefs conseguiam lançar grandes músicas, mesmo longe de chegar ao mesmo status de fama dos líderes do movimento.


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Em algum lugar no meio do caminho ficava o Franz Ferdinand, banda formada em Glasgow em 2002, com clara inspiração em Talking Heads e nas guitarras do Gang of Four. Com músicas perfeitas para dançar e pular, o grupo trouxe toda uma vibe festiva e sexy para o rock da época, mas acabou não alcançando tanta fama em escala global, até eventualmente se resignar e acomodar com o posto de banda de nicho. Seu novo disco foi lançado esta semana, então vamos avaliá-lo faixa a faixa.

Always Ascending, a faixa título do disco e também a responsável por abrir os trabalhos, é um perfeito resumo dos problemas do novo Franz Ferdinand. Ela começa com uma extenuante introdução de 1:20 minutos regida por um corinho insuportável. O “prêmio” por sobreviver a isso é encontrar um pouco de música eletrônica batalhando por espaço até a canção ter algo interessante a mostrar, o que só acontece aos 2:27 minutos, quando a faixa finalmente soa minimamente tolerável, e nada mais que isso.


Lazy Boy, como o próprio nome indica, mostra um Kapranos mais preguiçoso e desinteressado do que nunca, uma persona que, infelizmente, ele não consegue abandonar por praticamente todo o disco. Melhor sorte tem Paper Cages, a melhor faixa do álbum até então, e uma das poucas que conseguem apontar para o que poderia ser um futuro interessante para a banda.

Ao invés de se contentar com guitarrinhas genéricas tentando alcançar o trabalho lendário do ex-membro Nick McCarthy, a canção abraça o teclado que, por sua vez, alavanca o baixo dançante de Bob Hardy em direção a novos caminhos bem gratificantes. Ali sim Kapranos parece empolgado com o material, e seu vocal vai bem além do tédio onipresente no disco.

A faixa seguinte, Finally, prontamente destrói esse pequeno progresso ao apostar em um novo coro intragável, o que é a segunda pior ideia que a banda teve em sua carreira (perde apenas para a esdrúxula parceria com o Sparks, que gerou a atrocidade chamada FFS). The Academy Award não é das piores, mas sofre do mesmo mal que a maioria das faixas do disco: dura um bom minuto e meio a mais do que deveria, e cansa por isso. Ainda assim, seu ritmo mais lento é um bom suspiro de tranquilidade em um disco que o tempo inteiro se força a parecer agitado, mas jamais consegue engrenar de verdade.

Lois Lane é um pouco agridoce, porque algumas partes instrumentais são interessantes e quase empolgantes, mas a harmonia vocal coloca tudo a perder com versos arrastados e chatos. Algo parecido acontece em Huck and Jim, porque o baixo e a bateria de Paul Thomson apontam para uma  música instigante, e o vocal de Kapranos e letra pífia anulam as virtudes da canção.

Quando tudo parecia fatalmente corrompido, Glimpse of Love aparece como uma salvadora improvável. Não por acaso, tal qual Paper Cages, é um exemplo perfeito de como jogar uma vibe meio Hotline Miami pode dar certo para um Franz Ferdinand desfalcado de seu guitarrista principal. O tecladinho, quando bem usado, cria uma atmosfera muito boa e, de novo, ela ajuda Kapranos a soar como o bom vocalista que costumava ser. Disparado a melhor faixa do álbum!

Munido dessa energia, Feel the Love Go aponta para um fechamento de disco com um pouco de dignidade. Instrumentos de sopro foram uma boa adição e, finalmente, o Franz Ferdinand conseguiu soar dançante e feliz como a banda que conquistou a galera no começo dos anos 2000.

Slow Don’t Kill Me Slow é um epílogo desnecessário e novamente mais longo do que deveria, e ajuda o álbum a terminar com bem mais erros do que acertos. No entanto, nem tudo está perdido. As poucas faixas genuinamente boas, como Paper Cages e Glimpse of Love, são um claro indicativo de que o Franz Ferdinand ainda consegue soar interessante mesmo sem apelar para truques batidos ou meras emulações de seu passado. O jeito é torcer para vermos mais disso nos trabalhos futuros da banda.

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