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Análise: J-Stars Victory VS+ misturou animes, mangás, pancadaria e nostalgia em nossos corações

Apenas o som do vento e o farfalhar do gramado podiam ser ouvidos dali. Sem os usuais gritos e ameaças vindo das arquibancadas, lutar na arena do Torneio das Trevas se tornava um tanto quanto melancólico. Não que Goku ligasse, pois já havia decidido o destino do universo em locais muito menos amistosos. Para Naruto, por outro lado, aquele silêncio que antecede uma tempestade era esmagador, pois mal podia esconder sua ansiedade. Luffy, Toriko, Kenshin e Seiya também estavam por ali, prontos para o começo do combate e trocando olhares apreensivos. Mal sabiam o que viria pela frente…


 

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Juntar toda essa galera da revista Shonen Jump em um único jogo não é algo exatamente novo, mas nem por isso deixamos de nos espantar a cada lançamento. A festança começou faz tempo, em 1989 pra ser mais exato, quando foi lançado o RPG Famicom Jump – Hero Retsuden. Essa mistura de mangás acabou se tornando tradição, mas a fórmula deu muito mais certo com os jogos de luta, mais próximos da preferência dos leitores da Jump.

J-Stars Victory VS+ é um jogo de luta, mas em uma arena aberta, nos mesmos moldes das séries Ultimate Ninja Storm, de Naruto, e Budokai, de Dragon Ball. Apostando em movimentos simples e combates frenéticos, o jogo diverte, principalmente se você tiver um amigo pra jogar junto. Sozinho, pode ser que você acabe enjoando, mesmo que o título apresente uma gama bastante razoável de modos de jogo. Não é bem um aspecto negativo, e sim uma característica bastante comum aos jogos de luta baseados em séries de anime.

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O jogo está dividido em cinco modos de jogo, dentre os quais se destacam:

J-Adventure: Dividido em arcos, você joga com os principais figurões da Shonen Jump, percorrendo um grande mapa, desafiando oponentes e desbloqueando missões alternativas. No arco de Luffy, por exemplo, você recebe uma embarcação para navegar por aí, enquanto arruma treta com amigos e inimigos. É, sem dúvidas, o modo que vai te prender por mais tempo. Os outros arcos são capitaneados por Naruto (Naruto), Kurosaki Ichigo (Bleach) e Toriko (Toriko). Vale a pena jogar todas elas, viu?

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Victory Road: Aqui, temos que vencer alguns desafios pré-determinados pelo jogo, enquanto encaramos alguns times bastante apelões. São vários caminhos distintos, com nível de dificuldade crescente.

Os outros modos são os já manjados Free Battle e Arcade, com direito a jogatina online, claro. Além disso tudo, há ainda a Loja, onde é possível comprar novos personagens para completar a lista, chegando a marca de 52 lutadores disponíveis, divididos entre personagens principais ou aqueles que só podem desempenhar a função de suporte. Falaremos um pouco sobre as diferenças entre os tipos mais pra frente.

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Ready… Go!

Uma vez escolhido o modo de jogo, tudo se resume a descer o cacete nos oponentes, sem dó. Os ataques estão divididos em dois botões, com variações ao pressionar um botão ou outro de forma simultânea. Além disso, há algumas opções de esquiva, recarga de “ki” e corrida, essencial para percorrer as longas arenas.

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Apesar de você escolher três personagens na hora de lutar, apenas dois lutam efetivamente, enquanto o terceiro fica apenas de suporte, podendo ser invocado de tempos em tempos para completar ou interromper um combo. Você controla apenas um dos personagens, enquanto a máquina fica encarregada do segundo.

A cada oponente derrotado, contabiliza-se 1 ponto e para chegar à vitória é necessário acumular 3 pontos. Lutar “cada um por si” e deixar seu companheiro ser surrado pode não ser a melhor das estratégias, então é bom ficar atento e tentar trabalhar em equipe.

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No topo da tela há uma barra que indica o termômetro da batalha, pendendo para um time ou para o outro. Uma vez que ela chega ao seu limite é ativado o modo especial, que permite transformações ou mesmo ataques capazes de causar grande dano. Esse modo é limitado por tempo. Yusuke Youkai, Toguro 100% e Naruto Kyuubi, por exemplo, você só vai encontrar aqui. E se for o seu oponente quem estiver no Modo Especial, é melhor você fugir por uns tempos, pelo menos até a crise passar. O canal Vish fez uma compilação bem bacana de todos os especiais do jogo, que você pode conferir abaixo:

Os combos são super simples de se executar, já que os comandos são os mesmos para todos os personagens. Embora cada um tenha suas peculiaridades no campo de batalha, chega a ser um pouco desanimador que a jogabilidade seja tão simples. Pelo menos nos ataques especiais, seria legal ter que executar alguma sequência maior de botões ou um comando mais requintado, nos mesmos moldes de Street Fighter ou Mortal Kombat.

 

Diversão pra galera

As principais séries que já deram as caras na Shonen Jump estão bem representadas, com pelo menos um personagem de cada disponível, dando mais espaço para séries tradicionais (Dragon Ball e Naruto, por exemplo) mas sem esquecer de outros mangás que a galera curte bastante (Kuroko, de Kuroko No Basket, por exemplo). Esses personagens menores estão em sua maioria limitados a função de striker, sem que seja possível controlá-los: eles surgem, usam um ataque e somem, só sendo possível invocá-los novamente quando a barra de ‘ajuda’ estiver cheia. Hisoka (Hunter x Hunter), Rukia (Bleach) e Allen Walker (D.Gray-Man) estão entre os personagens que só podem ser utilizados como strikers. Todos podem ser adquiridos na loja do jogo, com moedas que são adquiridas conforme você avança no jogo, sem nenhum tipo de microtransação envolvendo moeda real (yay!).

As arenas seguem a mesma diversidade do elenco, com cenários baseados em Namekusei (Dragon Ball), Alabasta (One Piece), Konoha (Naruto) e até mesmo a Vila Pinguim (Dr. Slump), cada um com suas características marcantes: prédios, plataformas, espinhos ou campos abertos, tudo para dificultar ainda mais a vida dos estrategistas de plantão.

A trilha sonora empolga, a começar pelo tema de abertura: “Fighting Stars” junta Hironobu Kageyama (de”Cha-la Head Cha-la”, por exemplo), Akira Kushida (o homem dos sentais) e Hiroshi Kitadani (a voz de “We Are”, abertura famosa de One Piece), três das vozes mais aclamadas entre os fãs dos animes, mais ou menos como juntar Dio, Robert Plant e Rob Halford em uma banda de rock, dadas as devidas proporções. No mínimo épico!

 

As demais músicas que servem de fundo para a porradaria também são boas, mesmo sem grande ligação com os animes de origem de cada cenário, muito provavelmente por conta dos direitos de propriedade envolvidos. É um detalhe pequeno, já que você pode passar suas próprias músicas para o jogo, através de um pendrive e arquivos MP3. Aí sim, hein!

A parte gráfica acaba desanimando um pouco, fugindo do tradicional esquema de cel shade, tão usado em jogos baseados em animes. Em seu lugar, um estilo tridimensional mais realista e menos cartunesco, que não casou tão bem. Também é perfumaria, mas vale nota.

Na parte da jogabilidade, J-Stars Victory V+ é honesto: promete pancadaria e entrega pancadaria, sem muita frescura. Um único detalhe irritante nisso tudo é a pseudo-invencibilidade que os personagens ganham quando levantam de um combo, tirando a chance de emendar um ataque mais longo, além de dar uma chance de contra-ataque fulminante. É estratégico e nós entendemos, mas fica no mínimo estranho um cara estar de pé e ser “atravessado” por um Kamehameha sem sofrer nenhum ferimento.

Conclusão

J-Stars Victory VS+ é divertido, principalmente se você tiver uma turma pra jogar junto e montar um torneio. Não tem como não se empolgar quando, por exemplo, você vê um Dragão Negro das Trevas rasgar a tela de encontro ao seu adversário, ou mesmo o terror de encarar de frente um Vegeta Super Saiyajin. Impossível não soltar um grito de excitação ou medo, ainda mais se você for um fã de animes e mangás. Sim, porque o jogo foi feito pra você!

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São 45 anos (completados em 2014, quando o game foi lançado no Japão) de publicação e toneladas de páginas de muita porradaria, magias e transformações, tudo isso compilado em um jogo que está longe de concorrer ao título de Game do Ano, mas que pode se tornar um cliente assíduo das jogatinas de fim-de-semana, sem nenhum demérito nisso. Quanto àquela luta do começo do texto? Só jogando pra descobrir o verdadeiro final.


J-Stars Victory VS+ — Nota 4/5

Desenvolvedora: Bandai Namco
Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 3, PlayStation Vita
Plataforma utilizada na análise: PlayStation 4

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