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Monte seu próprio videogame retrô com menos de R$300,00 usando um Raspberry Pi

Armazene seus backups de Snes, Nes, Mega Drive, Master System, Atari e outros em um só micro-console retrô e relembre os tempos áureos sem gastar muito


Juntar todos os consoles em um só sempre foi um sonho que tive, realizado em partes quando tomei posse de um PlayStation 2 e posteriormente de um Wii. Apaixonado por consoles antigos, achei na emulação a oportunidade de experimentar relíquias de vinte ou trinta anos atrás, sem desembolsar fortunas ou perder semanas em negociatas no eBay.

“Mas pera lá, isso é legal?”— Não, não é. E em vista disso, frisamos que este post visa apenas a manutenção de cópias de segurança de games que você já possui e nada além disso. Usar este poder para o bem ou para o mal é por sua conta e risco, ok?

Dito isso, vamos falar um pouquinho do Raspberry Pi, ingrediente chave para a nossa engenhoca funcionar: O RPi é um micro-computador do tamanho de um cartão de crédito, mas possante o bastante para o que precisamos. Sua última versão conta com um processador quad-core de 900mhz e 1gb de Ram, além de gerar vídeo em HD e suportar cartões micro-SD. Excelente, não?

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Mãos à obra:

Eis os itens necessários para você montar o seu próprio console:

  • Raspberry Pi (você pode escolher entre a V2 ou a B+. A V2 é a mais nova e atualizada, ao passo que a B+ tem configurações mais modestas, mas ainda funcionais);
  • Cabo HDMI para conectar o Raspberry à TV;
  • Fonte USB de 5V e 2A (eu não tinha uma e consegui bons resultados com um carregador de celular/tablet);
  • Cartão Micro SD de 16gb – Classe 10 (friso que seja Classe 10, pois a velocidade de transferência é crucial para o bom funcionamento do nosso videogame)
  • Internet e um cabo ethernet OU um dongle Wi-Fi;
  • Teclado USB (não precisa comprar um teclado específico para o RPi. O do seu PC já serve, já que o utilizaremos apenas para as configurações iniciais);
  • Joystick USB (o RPi é compatível com os joysticks de PS3 e Xbox 360, mas seu processo de instalação é mais complexo e fica para um segundo momento);
  • Um pendrive para levar os jogos até o RPi.

Reparem que boa parte dos itens listados acima você já deve ter em casa, restando apenas a compra do Raspberry Pi. Por se tratar de um micro-computador com fins estudantis, você consegue achá-lo por cerca de US$45 se quiser importar o seu, ao passo que no Brasil, fazendo boas buscas no Mercado Livre ou na Farnell (distribuidor oficial), a V2 não sai por menos de R$200,00.

 

1º Passo: Instalando o Sistema Operacional

Com todos os itens em mãos, o primeiro passo é montar o Sistema Operacional do Raspberry. Para o nosso projeto nós vamos usar o RetroPie, que é uma modificação do Raspbian — SO padrão do RPi — específica para o retrogaming. Nele estão reunidos boa parte dos emuladores e drivers necessários, reduzindo drasticamente o nosso trabalho.

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Selecionamos aqui um link para download, tanto da B+ quanto para o V2. Fique atento para trabalhar com os arquivos certos, ok? O download deve ter aproximadamente 800mb.

Outro ponto a ser observado é que os arquivos virão em imagem, então não basta copiá-lo para o seu cartão SD. Caso não saiba como proceder, você pode clicar no nome do seu sistema operacional e seguir as instruções: Windows, OS X, Linux.

Obs: Recomendo fortemente usar computadores ou notebooks com entradas USB nativas. Leitores genéricos de cartão costumam ser lentos, além de haver a chance de corromper arquivos.

 

2º Passo: Ligando seu Raspberry Pi

Após a cópia dos arquivos para o seu cartão SD, ejete-o de maneira segura e o insira em seu Raspberry Pi. Em seguida, basta conectar seu cabo HDMI, o teclado USB, o cabo de rede e ligá-lo na tomada. Reparou que ele ligou direto? Pois é, o Raspberry não tem um botão liga/desliga, então uma vez alimentado, ele já está ligado e pronto para uso. Por se tratar de um aparelho diminuto, seu consumo de energia é relativamente baixo, então não precisa se preocupar em deixá-lo ligado por um longo período de tempo.

Logo de cara, ele inicializará o Emulation Station, que nada mais é que um front-end dedicado à emulação. Seu joystick USB já deve estar funcionando normalmente, assim como o seu teclado. Vamos aproveitar pra fazer algumas configurações básicas?

 

3º Passo: Expandindo o cartão SD:

Pressione F4 em seu teclado para ir para o terminal, que é a tela preta onde podemos entrar com os comandos diretamente. Por lá, vamos fazer com que o RPi reconheça todo o seu cartão SD, além de configurar o layout do seu teclado.

digite: sudo raspi-config

Com isso, você verá este menu de configuração:

raspi-config

Entre no item 1 e o RPi liberará todo o espaço disponível em seu cartão SD, deixando tudo prontinho pra que você transfira seus jogos. Aproveite o embalo e configure uma senha para o seu usuário, entrando no item 2. Na opção 4 é possível configurar o layout do seu teclado, facilitando o trabalho no terminal.

Por último, vá até a opção 7 e configure um overclock em seu RPi, otimizando seu dispositivo para melhorar a performance nos jogos. Esse passo é completamente opcional, uma vez que pode comprometer a durabilidade do seu gadget. Eu configurei o meu no high e não senti muita diferença na temperatura da placa.

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4º Passo: Ajustes finos

De volta ao terminal, basta digitar ‘emulation station’ no terminal pra que o RPi volte à interface de jogos. Pressionando Start em seu joystick (que já deve ter sido detectado), é possível configurá-lo. Contudo, essa opção apenas configura o seu uso para o Emulation Station, sem nenhuma interferência nos jogos em si. Para configurá-lo realmente, você deve ir até o menu RetroPie, onde você pode ainda fazer ajustes de áudio entre outras opções que não vamos mexer agora.

 

5º Passo: Transferindo seus jogos

Uma vez que a internet já está configurada em seu RPi, você pode ligá-lo à sua rede através de SFTP ou simplesmente transferir suas cópias de segurança de jogos via pendrive. Nós vamos ensinar os dois processos, cabendo a vocês decidir pelo mais prático:

 

– Pendrive: Formate seu dispositivo com o sistema FAT 32 (NTFS e afins não são reconhecidos pelo sistema Raspbian) e crie uma pasta chamada RetroPie. Ao conectar seu pendrive no RPi, automaticamente serão criadas as pastas de Bios e Roms, separadas por sistema.

Agora basta você espetar seu pendrive no computador e gravar os backups em suas respectivas pastas. Quando você conectar o pendrive no RPi, ele mesmo fará o download, tudo de modo automático.

(Atente para a luz do pendrive piscando! Este é um sinal de que não deve desconectá-lo ainda.)

 

– SFTP: Baixe em seu computador um cliente FTP. Nós recomendamos o Filezilla, um dos mais tradicionais e confiáveis do mercado. Feito isso, basta entrar com o IP do RPi (caso não o saiba, digite ifconfig no terminal), nome de usuário (pi, por padrão) e a senha definida no passo 3 deste tutorial.

Captura de Tela 2015-05-20 às 16.32.11

Já definida a rede, vá até o seguinte diretório:

/home/pi/RetroPie/Roms

Agora é só enviar os backups para as suas respectivas pastas e pronto!


 

Difícil? Não, só um pouquinho trabalhoso. Dá pra melhorar algumas configurações e refinar ainda mais o seu RetroPie, mas só com essas configurações básicas já é possível se divertir bastante relembrando os velhos tempos.

Não custa nada repetir, mas a nossa ideia ao divulgar este tutorial é apenas fortalecer a cena retrô gamer brasileira e dar a oportunidade aos que não têm acesso de jogar preciosidades perdidas pelo tempo ou que não foram traduzidas para nenhum idioma ocidental. Portanto, não temos nenhum link para download dos backups e tampouco queremos vê-los em nossos comentários, ok?

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