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Crítica: O Grande Gonzalez é uma grande esquete de 3 horas

Gostando deles ou não, você tem que admitir a importância do Porta dos Fundos no cenário audiovisual brasileiro. Quem diria que um canal nacional no YouTube se tornaria o 8º maior canal de comédia do mundo, alcançaria a marca de 10 milhões de inscritos e expandiria sua marca para tantas mídias? Depois de fazer camisetas, livros, DVDs, peças de teatro e programas na televisão, já era hora deles criarem sua própria série de TV.

Depois de estrear na Fox em novembro do ano passado, O Grande Gonzalez chegou ao YouTube na íntegra, com dez episódios de meia hora cada. Trazendo uma história bem complexa e, ao mesmo tempo, fragmentada, a produção só mostra a capacidade da equipe do Porta em trazer conteúdos bem maiores em extensão, sem perder a qualidade e a essência de seu trabalho.

Não se preocupe: tudo que contarmos sobre a trama é o que você vai descobrir vendo o trailer (ou os primeiros minutos de série). Ou seja, sem spoilers!

Várias histórias em uma

Com o histórico de humor ácido do Porta, o acontecimento a partir do qual é construída a série não poderia ser mais trágica, esquisita e cômica: o mágico Gonzalez (Luís Lobianco) morreu enquanto apresentava um perigoso número em uma festa de aniversário infantil. Agora, a polícia precisa descobrir quem está por trás do crime, interrogando os vários suspeitos que estavam no local e que interagiram com o ilusionista.

O Grande Gonzalez

Gonzalez e sua assistente Vanessa (Thati Lopes): a relação deles chega a ser… mágica?

Cada episódio é baseado no interrogatório de um dos suspeitos e focado na personalidade e no ponto de vista dele, dando um certo caráter episódico à série. Assim, é como se cada vídeo fosse uma esquete separada que, ao mesmo tempo, fazem parte de toda uma sequência de fatos contínua. Outro aspecto interessante deles é serem baseados no que as pessoas dizem: de acordo com que eles contam sobre a morte do mágico, a ação deles nas cenas que representam a história também muda. Uma sacada interessante, sem dúvidas.

Bem-vindo ao interrogatório

O Grande Gonzalez não difere muito, no quesito humor, dos outros trabalhos que o grupo fez, sempre com aquele toque non-sense e fazendo graça com coisas comuns do cotidiano. Entretanto, os personagens aqui são mais importantes do que nunca, já que tudo acontece a partir deles, incluindo a própria narração dos fatos.

Por mais que nenhuma atuação seja horrível, o palhaço Rômulo rouba a cena, interpretado pelo talentosíssimo Fábio Porchat. Por sua vez, a dupla de policiais Lucimar e Wagner, representados por Antônio Tabet e João Vicente de Castro, funcionam muito bem, inclusive em suas piadas próprias. A garota Jocasta (Mirella Vitória), provavelmente, também vai te supreender (até pela importância dela na história, sério).

O Grande Gonzalez

Gerardi (Gregório Duvivier), um mágico que já chega causando

Tem como isso ficar mais estranho?

A série ainda se aproveita de um recurso já utilizado em outras oportunidades: a ideia de ir enrolando cada vez mais a história, com mais elementos e acontecimentos que, até a resolução do todo, não fazem muito sentido. Por mais que isso já tenha sido visto em Refém, minissérie do Porta lançada em 2014 diretamente na internet, aqui eles tem muito mais espaço para usá-lo e fazem isso bem. Não serão raros os momentos que você irá lembrar de coisas que já passaram e que pareciam estar ali por nada, mas conectam-se ao resto, mesmo que pouco.

Pouquíssimas pontas ficam soltas ao fim de O Grande Gonzalez, na verdade, o que é louvável para uma primeira investida na área. Esse sentimento vai se repetindo, episódio após episódio, até que tudo seja esclarecido. O final da série, entretanto, é um pouco decepcionante, graças à resolução sem graça da morte do mágico. Assim, aproveite cada capítulo, pois a impressão que se tem é que eles foram mais trabalhados do que o finale. Já que o diretor do Porta dos Fundos, Ian SBF, anunciou que não haverá uma segunda temporada (em uma entrevista ao UOL TV), esse término, além de ser esquisito, é realmente desapontador.

Um passe de mágica

Se você já é fã do Porta dos Fundos, provavelmente vai gostar de O Grande Gonzalez. A sensação que ela passa é a de assistir uma grande esquete de três horas do grupo, já que toda a série está impregnada da essência que os consagrou — mesmo que isso não resulte em um produto de altíssima qualidade, como alguns outros deles. Se nunca gostou muito, vai ficar um pouco mais difícil de acompanhá-la, já que ela não consegue sair muito disso.

Por outro lado, o fato de terem conseguido produzir uma grande história sem se perder tranquiliza os que estão esperando o filme da equipe, Contrato Vitalício, que deve chegar ainda esse ano. De toda forma, vale a pena dar uma chance a essa primeira empreitada deles no mundo das grandes séries. Afinal, está no YouTube, é de graça e você pode apertar o play aqui embaixo para começar.

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