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Opinião: Franquias saturadas revelam escassez de boas ideias

A crítica não se resume apenas aos games, mas deixaremos sobre eles o foco principal. Se em um primeiro olhar tudo parece muito novo e revolucionário no mercado atual, basta se atentar um pouco mais e logo veremos a verdade: estamos naufragando em ‘mais do mesmo’. Não acredita?

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Sim, os mesmos nomes estão ali, ano após ano, entre infindáveis continuações de Need for Speed, Battlefield, Pokémon e outras franquias que insistem em copiar a si mesmas, em detrimento de uma verdadeira nova experiência. Exumam e recauchutam títulos bem sucedidos com uma sutil camada de verniz e está pronta a atualização do ano. Um adjetivo a mais no título ou uma remasterização preguiçosa e tudo bem, “estamos gerando conteúdo”. Não é o bastante!

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Uma linha tênue

Antes de mais nada, vale frisar que o problema não está no fato de uma franquia ter lançamentos periódicos, mas sim em experiências requentadas e insossas. A cada novo The Legend of Zelda, por exemplo, temos um aprendizado distinto, construindo e desconstruindo conceitos de jogabilidade, mesmo que a série também tenha seus momentos caça-níquel. Por outro lado, a série Pokémon vive da reciclagem de uma ideia com quase 20 anos de idade, evoluindo muito pouco e apostando alto na fidelidade de seu rebanho.

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Se o mundo dos games fosse uma grande piscina, seria uma tarefa extremamente simples apontar cada um dos envolvidos no cenário atual: os grandalhões da indústria estão todos acomodados na borda, enquanto os desenvolvedores independentes se aventuram corajosamente rumo ao desconhecido. Mesclando ousadia, criatividade e um impetuoso desejo de prosperar, surgem ideias inesperadas que nos transmitem alguma esperança. Infelizmente, nem todos prosperam.

O estopim para esse texto foi o anúncio de mais um título de Assassin’s Creed, ainda que a série não seja o vetor principal da crise. Ao mesclar História e ficção, os assassinos sorrateiros até que são bem sucedidos em criar boas tramas. Contudo, sem nenhum espaço para arejar as ideias, acaba se tornando cansativo e repetitivo executar sempre as mesmas tarefas, independente do pano de fundo escolhido.

Dito tudo isso, parece que sou xiita e rigoroso demais com as tradições, como se as empresas fossem obrigadas a reinventar a roda, ano após ano. Bem, nem tanto, nem tampouco. Gosto de acreditar que Mario é o fiel da balança, já que suas aventuras trazem sempre um algo a mais, mesmo que tudo ali pareça batido e empoeirado. No ápice de suas repetições, há sempre uma lufada de um ar novo e diferente que me faz sentir vontade de jogar tudo outra vez.

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À esquerda, Hideo Kojima; à direita, Shigeru Miyamoto: inovadores e tradicionais ao mesmo tempo

O problema aqui não está em rever velhos amigos ou desenterrar IPs rentáveis, mas em não acrescentar nada à experiência já vivida. Nem mesmo a oportunidade de sentir saudades dos mesmos tiros, curvas e acordes, como se almoçássemos sempre a mesma coisa, sem sequer ser o nosso prato favorito. Aí é dose, né?

 

Ainda há esperança

Recentemente tivemos o cancelamento de Silent Hills e a remoção de P.T. da PlayStation Store, notícia que recebi com dor no coração. A presença de Hideo Kojima e a vibe daquele teaser eram exatamente o que o mercado mais precisava e o que nós jogadores merecíamos: uma verdadeira aula de inovação, com nada mais que um cenário se repetindo ‘n’ vezes. E ao digerir a pancada com um copo d’água, me peguei pensando nos games da década de 1970 e início de 80, que se repetiam indefinidamente sem nunca chegar de fato ao final. Por mais irônico que seja, não é isso o que está acontecendo?

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Por essas e outras, pessoal, recebam Splatoon, Chroma Squad e outras novas franquias de braços abertos. Se ainda lhes falta peso e tradição, pelo menos sobra em frescor e inovação, elementos vitais para a sobrevivência no inconstante mundo dos games.

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