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Opinião: Entrar na nova geração com o pé direito? Espere mais um ano ou dois

Quando escrevo meus textos para o PlayReplay, costumo deixar o título por último, para ter certeza de que está compatível com as minhas palavras. Esse aqui, confesso que li e reli por diversas vezes sem deixar de sentir algum estranhamento. Afinal, nos últimos anos, investi até um pouco além do que devia em consoles e jogos mais novos, mesmo tendo minhas raízes fincadas nas gerações passadas. Vir até aqui e admitir que errei, bem, faz com que eu me sinta um pouco perdedor. Mas faz parte.

“Tão tenso assim?”, você me pergunta. A resposta segue logo abaixo.

Incompletos

Lembro que na década de 90, ver uma versão atualizada de um console nas lojas era uma mensagem clara de suporte, de extensão da vida útil de um aparelho e um breve aceno para a base instalada, principalmente em países em desenvolvimento como o nosso. Conforme o tempo passa, a tecnologia para a produção de um videogame acaba se tornando mais acessível e, consequentemente, barata. Com isso, lançar um novo modelo com um preço mais enxuto e realista é extremamente sensato e de bom tom. Infelizmente, nem sempre é assim que as coisas acontecem.

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Na geração passada, entrei com o pé esquerdo ao comprar um Xbox 360. O modelo da placa-mãe, só fui descobrir alguns meses depois, quando me vi forçado a pesquisar sobre isso. Sim, eu havia sido mais uma vítima do 3RL. Aprendi a diferenciar Falcons, Zephyrs e Jaspers, depois de comprar gato por lebre. Reballing, aumento de tensão nos coolers, perda total ou não. Ali, caiu a ficha de que os videogames já não eram mais os mesmos. Exclusividade da Microsoft? Claro que não, já que os donos de PS3 da época também tiveram seus problemas com a tal Yellow Light of Death.

Justiça seja feita, nisso a Big N nunca falhou (e que continue assim). “Nisso” e apenas nisso, porque os anos iniciais de seus consoles têm sido sofríveis, ainda que compreensíveis (tecnologia nova). Tudo bem, o problema não é exclusividade de ninguém.

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Comprar um PS4 no ano passado foi uma escolha premeditada e consciente. Eu já sabia que o catálogo era limitado, entre outras agruras que a gente acaba lendo aqui e ali. Mas a sequência de problemas que venho enfrentando desde então parece minar aos poucos a minha confiança adquirida em mais de 20 anos como jogador. Auto-eject, loop no modo de segurança, um HD queimado (consequência dos problemas anteriores) e muita persistência, tudo para poder estar em dia com a diversão. Comprar de forma prematura? Nunca mais.

O jeito é esperar uns dois anos ou mais, quando todos os problemas tiverem passado. Triste, não? Mais triste ainda é concluir que, se em dado momento, todos resolverem seguir os meus passos, não haverá um segundo instante pra que os problemas sejam resolvidos. Não haverá uma base instalada, portanto não veremos jogos nas prateleiras, além dos first-party e alguns gatos pingados. Teremos um amontoado de PS Vitas, aqui e ali.

Valem o investimento como estão?

O mais novo filhote da Sony já tem quase um ano e meio de vida e uma cartela considerável de jogos a seu favor. Se esse texto tivesse data de um mês atrás, eu diria que ainda não há nenhum título forte o bastante para influenciar a sua compra, até o lançamento de Bloodborne. E sejamos francos: R$1.800,00 por um único game? Bem, a menos que você pretenda trabalhar no ramo de alguma forma, ou que tenha algumas verdinhas sobrando (e mesmo assim, com o dólar atual, não recomendo gastar), ainda não é o momento de dar este passo. E o mesmo vale para um Xbox One, sem nenhum argumento maior que a pura paixão de um jogador pra justificar a sangria financeira. Vou isentar o Wii U desta crítica, já que o seu cardápio, hoje, vai de vento em popa. Mas só se você for fã de suas franquias, claro.

Não faria sentido nenhum mencionar os problemas sem refletir sobre uma possível solução. No ramo dos videogames, por exemplo, os consoles inicialmente acabam sendo vendidos por um preço que, se não iguala seu custo de produção, rende até mesmo algum prejuízo para a casa, tudo em troca da fidelidade do consumidor. Com o tempo, essa balança encontra algum equilíbrio, uma vez que os custos de produção caem conforme a demanda. Mas isso tudo serve como justificativa para produtos incompletos ou mal-acabados? Não mesmo.

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Fica evidente que ainda falta um certo esmero por parte das companhias para lançar um produto melhor. O cliente, hoje, faz o papel de cobaia ao aceitar pagar mais caro para usufruir de uma grande interrogação. O panorama é ainda mais sinistro em países como o Brasil, onde o suporte é escasso. Mentalizem a imagem de uma carteira de couro brincando de roleta russa. Pois é.

Com um preço mais agradável, produção em território nacional e um catálogo vasto, investir em um PlayStation 3 ainda é um excelente negócio, principalmente se você andou fora de circulação nos últimos cinco anos (congelado, talvez?). A linha Favoritos não nos deixa mentir, com jogos custando algo em torno dos R$80,00, fora algumas boas promoções que as principais redes de varejo soltam a todo momento.

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Sei que parece impossível resistir aos encantos da tecnologia, principalmente em um momento onde a internet te empurra novas informações a todo instante, mesmo quando você está a quilômetros de distância de um computador. Coragem! Um pouquinho a mais de dinheiro no bolso e um pouquinho menos de aborrecimento em sua vida podem melhorar as coisas!

Quando o catálogo da geração passada parecer menos vistoso diante das mixarias atuais, aí sim será a hora certa de mandar um fatality no porquinho. Isso é, se você não tiver nenhum outro console clássico perdido por aí, implorando por mais um pouquinho de atenção, disposto a recordar os velhos tempos em que tudo parecia muito menos complicado.

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