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Sim, essa onda de remakes e remasterizações pode ser uma coisa boa

Há quem diga que estamos vivendo a era dos remakes e remasterizações. Ainda que esse tipo de prática não seja novidade, é inegável que a geração atual esteja vendo um boom de produções sendo refeitas e relançadas no mercado.

Isso, porém, não é nem de longe uma coisa ruim.

Tudo novo de novo

Pare pra pensar, por exemplo, no recém-anunciado remake de Resident Evil 2. É óbvio que a Capcom sabe que esse é um dos melhores títulos da série, um dos que contam com a maior legião de fãs, e que com certeza vai lucrar rios de dinheiro com o relançamento do jogo.

Ela também sabe, porém, que apenas dar um tapa no visual do game não será suficiente para agradar a seus consumidores, que hoje vivem na era do third player shooter a exemplo de Resident Evil 5 e Resident Evil 6. Então, entregar novamente uma experiência de jogo nostálgica, porém ultrapassada, como foi feito com Resident Evil HD Remaster (ou REmake, como o jogo é carinhosamente conhecido pelos fãs), seria como dar um tiro no pé.

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Resident Evil HD Remaster trouxe o clássico com nova roupagem

Afinal, a galera que conheceu e se apaixonou pela série após o lançamento de Resident Evil 4, por exemplo, muito provavelmente não se interessaria em jogar um game com cenários pré-renderizados e câmera fixa — consequentemente rendendo à Capcom muito menos dinheiro.

E, como se um remake só não fosse suficiente, RE2 está sendo refeito também por uma equipe de fãs: o projeto Resident Evil 2 Reborn está ficando simpĺesmente sensacional. Os caras estão usando jogabilidade e visual inspirados nos últimos games da série e o resultado está ficando cada vez melhor. Então é pouco provável que a Capcom vá entregar algo diferente disso; um “retorno às origens”, aqui, não parece ser a melhor ideia (pelo menos comercialmente falando).

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Resident Evil 2 Reborn, o remake feito por fãs

Não é difícil de imaginar o que veremos com a chegada do remake de Resident Evil 2: um game com jogabilidade bem similar a RE Revelations 2, novidades na trama (como fizeram com a assustadora Lisa Trevor no remake do primeiro RE ou até mesmo pegando elementos dos shooters on rails Resident Evil Chronicles) e até mesmo novos modos de jogo. Aí sim teríamos um remake de respeito.

Seria, ao mesmo tempo, o mesmo jogo e um jogo novo.

Voar por terras distantes

É justamente isso que veremos com a chegada do relançamento de Dragon Quest VIII, para Nintendo 3DS. A Square Enix já confirmou que jogo terá diversas novidades como novas dungeons, novos adversários, um novo final e até mesmo uma história pós-jogo inédita. Ou seja, é o mesmo jogo que foi lançado há mais de 10 anos, mas também é um jogo diferente.

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Dragon Quest VIII está a caminho do 3DS

O mesmo deve valer pra o remake de Final Fantasy VII, outro aclamado RPG da Square Enix. O game terá novo visual completamente adaptado para a atual geração de consoles e já adiantaram que até mesmo a jogabilidade deve sofrer algumas modificações. Não é difícil de imaginar que a produtora encaixe novidades no jogo para justificar a compra a quem já jogou o título no primeiro PlayStation.

Reciclagem nas telonas

E essa onda de reaproveitar sucessos antigos não fica restrita aos videogames. Nos cinemas também não é nada difícil ver filmes recebendo nova roupagem para se adaptarem à nova geração de espectadores.

Por exemplo, o terror Uma Noite Alucinante, de 1981, voltou às telonas em 2013 como A Morte do Demônio, com novo elenco e trama ligeiramente modificada. Outro clássico do terror, Carrie a Estranha (1976) voltou em 2013 estrelado por Chlöe Moretz.

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Carrie em 1976 (esquerda) e 2013

Produzido para os cinemas, em 1982, pelo mestre Steven Spielberg, Poltergeist é outro clássico que recebeu uma nova versão cinematográfica. O longa voltou aos cinemas em maio desse ano.

Desnecessariamente necessários

É claro que, no final das contas, a existência dos remakes não é exatamente uma necessidade. Eles estão aí para nos lembrar dos clássicos, adaptar suas histórias e visuais para a época atual e nos fazer mergulhar em nostalgia. Eles também cumprem bem o seu papel de apresentar histórias aclamadas no passado a toda uma nova geração de público, aproveitando a oportunidade para consertar um ou outro ponto em que ficou (ou não) devendo na produção original.

Mas, tirando isso — e a possibilidade de render bons lucros para as produtora –, a ideia de refazer um jogo ou um filme não é exatamente uma coisa necessária para o mercado. Principalmente um mercado tão criticado por inovar de menos e reciclar demais, como é o caso dos citados videogames e cinema.

Remake de Final Fantasy VII

Remake de Final Fantasy VII

Porém, não serem necessários não invalida a importância dos remakes e remasterizações. Eles podem muito bem ser a porta de entrada para novos fãs e ampliar bastante o público de uma determinada franquia.

Então se existe a possibilidade de mais gente vir a conhecer aquela série de games que eu tanto amo ou aquela franquia de filmes da qual sou fã desde criancinha, e essa possibilidade vem em forma de remakes, digo sem vacilar: que venham os remakes!

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