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Retrô: Emocione-se mais uma vez com Chrono Trigger, o RPG definitivo para os 16 bits

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Você já se envolveu emocionalmente com a história de um game, a ponto de sofrer ou sorrir a cada virada na trama?


Se a resposta for sim, recomendo que siga em frente e leia este artigo até o fim. Afinal, não é todo dia que um clássico tão influente completa 19 anos. Menos ainda, um que tenha figuras como Akira Toriyama (criador de Dragon Ball), Hironobu Sakaguchi (produtor da série Final Fantasy) e Yuji Horii (diretor da série Dragon Quest), dentre outras estrelas, em seu elenco. chrono-trigger-playreplay Hoje, 22 de agosto, Chrono Trigger completa 19 anos desde o seu lançamento na América. No Japão o lançamento aconteceu 5 meses antes, em março, no mesmo ano de 1995. Este ano entraria para a história como um dos mais importantes para a geração 16 bits, principalmente se você for fã do gênero RPG: Breath of Fire 2, Earthbound e Secret of Evermore são contemporâneos de Crono e seus amigos. Mas ainda que todos estes títulos fossem brilhantes, lhes faltava a centelha de genialidade que sobra em Chrono Trigger.

Neste texto, nós vamos tentar entender os principais motivos que fizeram desta aventura um marco na história dos games e daqueles que ousaram se emocionar (muito) a cada viagem no tempo.

 

UM TIME DOS SONHOS

Mesmo nos dias de hoje, em que há a consciência de que games são tão rentáveis quanto as produções milionárias de Hollywood, talvez seja difícil encontrar um time tão forte quanto o que a Square (ainda não era Square-Enix) reuniu. Juntar Hironobu Sakaguchi, Yuji Horii e Akira Toriyama para criar um game foi uma sacada de mestre. Com tanto talento reunido, deve ter acontecido tudo em um piscar de olhos, certo? Errado!

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A ideia surgiu em 1992, quando os três decidiram criar algo inédito. O trio já era consagrado, já que nomes como Final Fantasy, Dragon Quest e Dragon Ball eram mundialmente conhecidos, então havia credibilidade e espaço para criarem à vontade. Mais tarde, vendo que não seria uma tarefa tão simples, juntou-se ao time o produtor Kazuhiko Aoki.

Nesse momento, os planos da Square eram de licenciar a nova obra como parte da franquia Seiken Densetsu (a mesma de Secret of Mana) e lançá-lo para o drive de disco do Super Famicom, mas o periférico não foi para frente e o projeto foi alterado para ser lançado nos cartuchos convencionais.

Ainda não se tinha ideia da forma geral do game ou de sua trama, até surgir a ideia de envolver viagens no tempo, inicialmente reprovada por não ser original. Masato Kato foi quem a reprovou, quando uniu-se a Horii para, juntos, elaborarem a trama. Acabaram voltando atrás e assim nascia Chrono Trigger.

Se avançarmos um pouco na concepção do jogo, chegaremos rapidamente em outro ponto crucial para o sucesso da Square: uma trilha sonora rica e envolvente, mesclando diversos estilos musicais em faixas que vão da total letargia à esperança. Era o trabalho de estreia de Yasunori Mitsuda como compositor.

Hoje, não temos nenhuma dúvida de que foi um trabalho bem sucedido. Mitsuda chegou a dormir no estúdio por muitas noites, e atribuiu a isso a criação de diversas faixas, inclusive a faixa final, To Far Away Times, que veio através de sonhos inspiradores. Durante o processo, Mitsuda adoeceu e Nobuo Uematsu, lendário compositor, assumiu as faixas finais. Não havia espaço para nada dar errado.

 

PERSONAGENS MUITO CARISMÁTICOS

Cada um dos sete personagens jogáveis vem de uma era diferente, com características marcantes que ajudam a criar um vínculo forte entre o jogador e a trama. A ideia inicial era bem diferente e o processo contou com a sensibilidade de Akira Toriyama em modificar e adaptar cada personagem até chegar ao time que conhecemos. Veja abaixo um estudo inicial dos personagens do game.

estudo-personagens-chrono-trigger

Dá pra observar que alguns personagens sofreram poucas modificações, como Crono, Marle e Lucca. O velhote baixinho acabou desaparecendo e o monstro mais alto parece ser um estudo inicial para Robo. Conheça agora um pouco sobre cada um dos personagens definitivos do game e eleja seus favoritos nos comentários:

 

crono-playreplay

[infobox color=”light”]Crono é o nosso herói e vive no presente com sua mãe. Não fazia a menor ideia de que passaria por tantos perigos, mas descobre sua força interior conforme a história se desenvolve. É extremamente destemido e usa uma katana como arma, além de controlar o elemento luz.[/infobox]

 

marle-playreplay

[infobox color=”light”]Marle é, na verdade, uma princesa e vive no castelo de Guardia. Gosta de dar suas voltinhas por aí e, numa dessas, conhece Crono. É muito esperta e alegre, acaba sendo impossível não se apaixonar por ela! Principalmente porque caberá a ela a missão de curar o grupo durante a jornada, ou de lançar gelo para esfriar os ânimos.[/infobox]

 

lucca-playreplay

[infobox color=”light”]Além de brilhante inventora, Lucca é amiga de infância de Crono. É dela a máquina do tempo que ajuda nossos heróis a mover-se pelas eras, além de outras invenções como o robô Gato (Gonzalez, em japonês). Lucca usa uma arma laser e um martelo como armas, depois desenvolve a habilidade de controlar magias de fogo. Qualquer semelhança com Bulma, de Dragon Ball, não é mera semelhança![/infobox]

 

frog-playreplay

[infobox color=”light”]Frog na verdade é Glenn, um cavaleiro da Idade Média em Chrono Trigger. É um dos guardas da Rainha Leene, pela qual tem um amor platônico. Dedicou sua vida de forma honrada a defender sua rainha e seus amigos, e hoje deseja vingança contra Magus, por ter assassinado seu amigo Cyrus. Frog empunha uma espada e usa magias do elemento água, além de algumas magias de cura.[/infobox]

 

robo-playreplay

[infobox color=”light”]Em um futuro distante, Robo foi criado para dar assistência aos homens, mas acabou largado de mão até ser encontrado por Lucca e os outros. Apesar de ser uma máquina, possui personalidade quase humana. Contudo, uma vez que não possui “vida”, não é capaz de receber magias de Spekkio, limitando-se ao uso de sua grande força física, ataques de raio laser e bombas.[/infobox]

 

ayla-playreplay

[infobox color=”light”]Ayla vem da pré-história, realçando ainda mais o contraste entre os personagens de Chrono Trigger. Seu povo está em guerra com uma raça de répteis inteligentes, os Reptites. Ayla é forte, ágil e valente, o que só realça sua posição como líder da tribo Loka. A guerreira se junta ao grupo de Crono quando eles vão ao passado para reparar a espada de Frog, Masamune.[/infobox]

 

magus-playreplay

[infobox color=”light”]Seu nome em japonês é Maoh, ou demônio-rei, quer mais? Magus, como ficou conhecido por aqui, é um mago negro responsável pela morte de Cyrus, amigo de Frog. Originalmente era conhecido como Janus, o antigo príncipe de Zeal. É um personagem enigmático e ambicioso, porém de poder devastador.[/infobox]

 

A HISTÓRIA

Um bom RPG está intimamente ligado a um bom roteiro. Ajuda no envolvimento com a trama, com os personagens e dá o sentimento de compromisso: VOCÊ QUER SALVAR O MUNDO. Assista a abertura do game em anime, desenvolvida especialmente para a versão lançada para o PlayStation e diga se não dá vontade de se aventurar com esses caras!

[youtube id=”m1Sb9CZEz9A” width=”633″ height=”356″]

Nesse sentido, Chrono Trigger é extremamente rico e você acaba se afeiçoando aos seus protagonistas, além de se sentir movido pelo desejo de lutar até o fim.

Estamos em 1000 AD, quando Crono acorda para ir à Feira Milenar ver o último invento de Lucca. Passeando pela feira, todos estão contentes e há bastante coisa para interagir, antes de seguir a trama. Balões para todos os lados e muitos vendedores ambulantes dão o tom do festival e Crono decide curtir.

Pelo caminho, ele tromba com Marle e ela acaba se oferecendo como cobaia para testar a máquina do tempo de Lucca. O que parece ser um evento inocente, na verdade é o gatilho para a trama: o pingente do colar de Marle reage com o teletransportador e ela acaba sendo puxada, indo parar em qualquer ponto da História. Crono e Lucca decidem reativar a máquina do tempo para viajar atrás de Marle e acabam se envolvendo em uma trama que pode culminar com a destruição do mundo.

 

ELEMENTOS INOVADORES

De fato, games com viagem no tempo não são inéditos e o tema é um tanto quanto recorrente. Mas isso interfere na originalidade de Chrono Trigger? Com certeza, não.

A história é envolvente, a trilha sonora, fora de série, e personagens cativantes dão o tom de dramaticidade que um bom RPG precisa. Tantos pontos positivos poderiam estar em risco se a execução não fosse perfeita. Para a alegria de todos, ela foi. E foi muito além disso.

O sistema de batalha vem de Final Fantasy IV e é conhecido como Active Time Battle, onde uma barra de tempo vai enchendo até você poder executar sua ação. Dessa forma há tempo para traçar determinadas estratégias, principalmente porque alguns ataques dependem diretamente da sua localização no campo de batalha para acertar um ou mais inimigos.

chrono-trigger-5

As lutas em geral não são randômicas e você vê seus inimigos no mapa, podendo inclusive evitá-los. Conforme sua party evolui, é possível combinar skills e gerar magias novas de efeitos devastadores. Para fechar o pacote, o game tem 15 finais diferentes, de acordo com suas ações durante a trama. Hoje isso pode soar comum, mas estamos falando de 1995.

 

RECORDAR É VIVER

Além da versão lançada para Super Nintendo, Chrono Trigger teve versões para PlayStation, Nintendo DS, iOS e Android, com leves diferenças e o acréscimo de CGs para ajudar no entendimento da trama. Versões físicas do game, em qualquer console, custam hoje os olhos da cara nos sites estrangeiros ou grupos de venda nas Redes Sociais.

Chrono Trigger teve uma continuação espiritual, Chrono Cross, lançada em 1999 (2000 para nós ocidentais). Não é uma continuação direta, mas acontece no mesmo universo e tem alguns elementos que remetem ao game original, como a presença de Yasunori Mitsuda e Masato Kato, reforçando o desenvolvimento. É um dos melhores jogos da vasta biblioteca de RPGs lançados para PlayStation 1, mas não teve o mesmo impacto que seu antecessor. Um dia falaremos sobre ele, aqui.

O mais divertido, hoje, é passear pela internet e achar homenagens bacanas para a série, o que mostra que Chrono Trigger foi, de fato, marcante. Quer exemplos? Abaixo, Smooth McGroove, conhecido por suas versões a capella, cantando “Corridors of time”, uma das músicas mais famosas e marcantes do game.

[youtube id=”JtKCt8Afk9s” width=”633″ height=”356″]

Outro vídeo bacana vem do Japão, onde o grupo Meine Meinung reproduziu “Yearnings of wind” apenas com instrumentos de corda. O grupo, aliás, é bastante conhecido por seus arranjos para músicas de games. Vale a conferida!

[youtube id=”fvCT-MzPm1A” width=”633″ height=”356″]

Falar de Chrono Trigger é falar um pouco da história e evolução dos games, principalmente do gênero RPG. Dá pra prolongar o papo por mais um texto inteiro e ainda teríamos muito o que contar e recordar. Se você já é velho conhecido de Crono e já derrotou Lavos algumas vezes, aproveite agora e trate de dar uma limpeza no seu videogame para curtir mais uma vez a saborosa missão de salvar o mundo. Se não conhece a série ainda, recomendo ao menos uma conferida que seja, porque tempo há, ou pelo menos por enquanto…

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Formado em Publicidade e Propaganda e retrô gamer apaixonado, tem predileção pelos 8 bits. Lê e relê suas revistas de video game antigas todas as noites na hora de dormir. Antes de vir para o PlayReplay, coordenou a área de diagramação do GameBlast.

Destaques

Yellow e Red: uma opção simples para filas e banheiros

Puzzles simples, minimalistas e divertidos compõem dois apps que são uma ótima pedida para estarem no seu celular.

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“Entre diariamente para ganhar ítens bônus!”. “Aproveite essa oferta especial de 30 reais que vai acabar daqui duas horas!”. “Quer acelerar essa construção? Faça uma microtransação!”. Quer saber? Na maioria das vezes, eu acho tudo isso um pé no saco. Eu só queria um joguinho simples pra passar um tempo na fila ou fazendo as necessidades no banheiro.

E eu entendo como o mercado mobile tá crescendo e recebendo títulos mais robustos, mas não é pedir muito isso, não? Felizmente, yellowred são duas pequenas pílulas de puzzles que vão servir exatamente pra isso.

Basicamente, cada app é um conjunto de 50 enigmas minimalistas, que são resolvidos apenas utilizando com toques na tela do celular. Reconhecer padrões, resolver desafios lógicos e repetir sequências são alguns dos jeitos que o designer Bart Bonte encontrou para basear os puzzles.

yellow

yellow

Nada de microtransações, notificações indesejadas ou outros sistemas que estamos acostumados. No máximo, um sistema de dicas simples, caso você fique preso em alguma parte, mas que não vai te ajudar em alguns casos e vai te dar todas as respostas em outros. Nenhum dos enigmas são extremamente difíceis, então, recomendo que você vá no seu próprio ritmo.


yellow é um bom ponto de entrada para começar a entender o estilo do jogo e red funciona mais como um segundo desafio, que consegue, inclusive, utilizar conceitos já estabelecidos e usá-los de maneiras diferentes. Mesmo que sejam relativamente curtos, principalmente se você já gosta do estilo, valem a pena. Gratuito, interessante, divertido e minimalista: bem melhor que o rótulo daquele condicionador.

red

red


yellow e red são jogos desenvolvidos pelo belga Bart Bonte e estão disponíveis gratuitamente para Android (yellow/red) e iOS (yellow/red). Ambos os jogos permitem pagamento para retirar os anúncios, que vão aparecer entre uma dica e outra, e para apoiar o desenvolvedor.

Quer conhecer outros jogos gratuitos e inovadores para jogar e aproveitar muito? Dê uma olhada na nossa coluna Free to Play!

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Anime

A divertida safadeza sci-fi de Darling in the Franxx

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Darling in the Franxx chegou de mansinho, mas logo se tornou uma das maiores surpresas da temporada de inverno, sempre figurando entre os animes mais populares do Crunchyroll nacional.


Veja também:


Como o pôster do anime deixa claro, trata-se de uma ficção científica cheia de mechas, honrando a tradição de obras focadas em robôs gigantescos em lutas divertidas contra criaturas hostis. Mas há algo em Darling in the Franxx que o destaca da concorrência. Algo… bem safadinho.

Co-produzido entre a A-1 Pictures e a Trigger, o anime começou a passar em 13 de janeiro de 2018, e logo no dia seguinte iniciou a sua serialização em mangá. Sua história mostra um futuro pós-apocalíptico no qual a humanidade se viu quase extinta graças à ameaça de criaturas monstruosas.

A raça humana montou, então, uma cidade militar e, nela, crianças passam a ser criadas e educadas desde pequenas a treinar com parceiros do sexo oposto a fim de pilotar os mecha chamados Franxx. Hiro, o protagonista, era visto como um prodígio cheio de potencial, mas estranhamente ele não conseguia passar nos testes e pilotar com as outras garotas, ao menos até encontrar a Zero Two, uma Parasita (piloto) infame por sua letalidade.


“O que há de safado nisso?”, você me pergunta, inocente. Bom, eu até poderia até explicar em um parágrafo mas, como dizem por aí, uma imagem vale mais do que mil palavras. Sendo assim, dê uma boa olhada na posição que os garotos e garotas precisam ficar para pilotar as máquinas de combate:

Darling in the Franxx em uma cena sugestiva

Darling in the Franxx em uma cena sugestiva

“Ah, mas isso é só um ângulo infeliz”. “Duvido que todo mundo pilote assim!”. Bom, na verdade…

Darling in the Franxx em uma cena ainda mais sugestiva

Darling in the Franxx em uma cena ainda mais sugestiva

Obviamente essas posições são um pouquinho engraçadas à primeira vista, mas isso poderia até passar batido se não fosse um elemento central do argumento! Repleto de subtextos e metáforas, não é preciso ir muito longe para traçar os mais diversos paralelos entre relações sexuais e as aventuras e arcos dos personagens.

Isso já está fazendo muita gente quebrar a cuca em fóruns de discussão pela internet, montando teorias e caçando significados ocultos nas cenas do anime. Como você bem viu nas imagens acima, em todos os Franxx são os meninos que ficam sentados na posição dominante, enquanto as garotas ficam deitadas em… bem, posição cachorrinho.

O lance é que Hiro simplesmente não consegue botar o seu… “”””robô”””” para funcionar na posição masculina. Na verdade, ele só consegue botar a coisa toda para andar justamente quando aceita ser dominado pela Zero Two, que toma o posto principal. A Zero Two, inclusive, refere-se a si mesma como ぼく(boku, em romaji, um pronome japonês usado apenas por homens e jovens garotos).

Darling in the Franxx: a dominadora Zero Two em toda sua glória parasita

Darling in the Franxx: a dominadora Zero Two em toda sua glória parasita

O que isso quer dizer sobre a relação entre Hiro e Zero Two? Ao menos por enquanto, fica aberto à sua interpretação.

O primeiro episódio do anime é um pouco lento e sem graça, mas se você curtiu as ideias acima, persista, pois do episódio dois em diante esses temas só são explorados mais e mais, cheio de frases de duplo sentido, cenas engraçadas e aquele ecchi maroto, mas também ricas dinâmicas de personagem e símbolos ocultos para aumentar ainda mais a sua diversão.

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Destaques

Conversamos com Patricia Summersett, a voz oficial da Zelda

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The Legend of Zelda Breath of the Wild não foi apenas o jogo mais aclamado de 2017 e o principal jogo do lançamento do Nintendo Switch, mas também um divisor de águas na história da franquia da Nintendo. Afinal, pela primeira vez tivemos vozes para seus personagens! Dar voz para a Princesa Zelda pela primeira vez era uma grande responsabilidade, que a atriz e dubladora Patricia Summersett tirou de letra! Batemos um papo com ela, e o resultado você confere no vídeo abaixo:


Veja também:


PlayReplay: Como e quando você decidiu começar a trabalhar com dublagem de jogos?

Patricia Summersett: Oi pessoal, é ótimo conversar com vocês hoje, obrigado por me receberem! Quando eu estava na faculdade estudando para me tornar uma atriz, tinha uma aula de dublagem, e foi quando eu vi, pela primeira vez, que você poderia fazer vozes de personagens, e que as pessoas poderiam te pagar por isso, que era realmente uma opção real de carreira. Instantaneamente eu adorei aquilo e pensei “Nossa, isso vai ser ótimo para a minha carreira.” Isso foi 10 anos atrás, e eu venho trabalhando na área desde então. Comecei a gravar demos ainda na faculdade, e também a me candidatar para projetos independentes, o que levou ao meu primeiro videogame, e depois aos grandes jogos AAA. Algo que eu gosto muito sobre ser dubladora de videogames é a chance de interagir com tecnologia de uma forma realmente significativa, que até me ajuda a entender melhor o mundo em que vivemos. De um ponto de vista artístico, é algo que eu aprecio muito.


Conte um pouco sobre o processo que a levou a ser escolhida como a primeira voz da Princesa Zelda.

PS: Quando eu fiz os testes para o papel de Zelda, eu nem sabia que era para dublar a Zelda em si! A Nintendo é altamente sigilosa sobre os papéis, então eu nunca poderia imaginar. O que me passaram foram os detalhes da dublagem, em um teste ao vivo. Eu li que se passaria em um mundo medieval, preferencialmente com um sotaques britânicos, que eles tentaram de várias formas. A idade da personagem parecia muito vaga, tipo, entre 17 anos e… mais velha. Deixaram tudo bem em aberto mesmo, de forma que você não soubesse quem estava dublando, mas ao mesmo tempo teria uma noção do tipo de voz desejada. Então o que eu ofereci foi essencialmente o que eu fiz na chamada depois do meu primeiro teste, e só descobri semanas depois, quando eu tinha conseguido o papel, quem era a personagem. Então muitas das decisões sobre o que eu poderia trazer criativamente já estavam pré-aprovadas, porque elas tinham que passar por vários lugares ao redor do mundo antes de receber um ok. E eu fiquei em choque, eu não… conseguia acreditar no papel que consegui. Que… que era o papel de Zelda. Foi algo que mudou minha vida, explodiu minha mente e continua sendo o presente mais incrível de todos.

Zelda é uma das personagens femininas mais celebradas e queridas do mundo. Nestes tempos em que o feminismo anda tão em pauta, acha que a Zelda pode representar algo legal para as mulheres de todo o mundo?

Sempre que você pega uma personagem feminina que é tão icônica, e ela parte de não ter uma voz para ter uma voz, acho que há um simbolismo profundo nisso, que dialoga com os tempos em que vivemos e as oportunidades que estão lá. Eu amo interpretar guerreiras, e é algo que, na minha vida, é um sonho meu continuar fazendo. Interpretei várias delas, mas Zelda é uma das personagens mais icônicas e gigantescas guerreiras dos videogames, obviamente. Então foi muito legal viajar ao redor do mundo e conhecer muitas mulheres, e poder representar esta personagem guerreira… eu acho que há uma responsabilidade nisso, de interpretar bem o papel e falar bem por todas elas, então… eu tentei.

The Legend of Zelda Breath of the Wild está sendo um sucesso gigantesco de vendas. Seu contato com os fãs mudou depois do lançamento do game?

Então, a comunidade de fãs da Nintendo, para mim… ela mudou minha vida no dia a dia. Eu conheço gente de todo o mundo que ama a Nintendo e sente que Zelda é uma parte grande de suas vidas, e das vidas de suas famílias por 30 anos. Eu conheci o Charles Martinet e falei com ele em duas convenções. Ele é tão incrível também, eu acho que ele aprecia esse presente de ser a voz do Mario… é uma comunidade muito, muito especial! A comunidade de Zelda, a comunidade de Nintendo, o que os jogos representam, o quão bem feitos eles são… As pessoas que gostam de jogos de mundo aberto, desse tipo de jogos de Zelda, tendem a ser muito gentis, a amar fantasia… tendem a ser muito interessadas em enigmas, então rolam até umas discussões intelectuais sobre essas coisas. Tem sido simplesmente incrível. Eu senti muito amor, e tento retribuir isso. É uma ótima troca.

O que você acha que tem em comum com a Zelda? E no que são mais diferentes?

A Zelda não é boba, ela está mais para uma geek, meio nerd, talvez… e eu sou mais bobinha. Mas dá quase na mesma, né? Nós duas também amamos sapos! E isso me lembra até da minha cena favorita, que foi uma das mais divertidas de gravar. Porque eu cresci beijando todos os sapinhos, brincando com eles, tentava apanhar um diferente por dia em Michigan, onde cresci, porque tinha muita fauna ao nosso redor, então… é, na verdade eu tenho bastante em comum com a Zelda, mas se tivesse que escolher uma só… definitivamente é o amor pelos sapinhos.

Vamos imaginar um cenário aqui: Link partiu em uma aventura e vai demorar para voltar, enquanto Zelda está entediada e pensa em se divertir com um dos quatro campeões de Breath of the Wild. Quem ele vai chamar?

Com certeza a Urbosa! Tanto no jogo como na vida real ela é minha amigona agora, porque trabalhamos juntas e passamos a nos conhecer, e ela é simplesmente incrível. Seríamos melhores amigas… tanto no jogo como na vida real.

Você não usa sua voz apenas para dublar, né? Pelo que vimos, você também parece gostar bastante de cantar.

Ah, obrigada por trazer esse assunto, minha carreira musical… na verdade eu estou trabalhando em meu segundo disco agora mesmo. Minha banda se chama Summersett Band… e a razão dela levar o meu sobrenome é porque eu tenho três irmãs envolvidas com música, e duas são cantoras e compositoras, uma com ópera e outra com folk. Então Summersett ficou como o nome da banda para que todas ficássemos ligadas online… então é, eu tento fazer essa fusão com folk, mas também colaboro com outros projetos musicais com várias outras pessoas, porque música é uma parte gigantesca da minha vida. Na verdade eu estou fazendo umas coisas bem divertidas que ainda não contei para ninguém ainda, mas… eu posso estar tentando gravar um trabalho de Zelda a cappella com minhas irmãs para o aniversário de um ano do Breath of the Wild, e você ouviu isso primeiro mas… bom, não é nada demais. Summersettband.com, e se você for ao meu site normal, o patriciasummersett.com, eu também tenho links para meus trabalhos musicais e redes sociais… eu provavelmente vou postar mais coisas em breve, porque vamos gravar um novo disco nos próximos meses.

Você tem trabalhado bastante ultimamente, aparecendo em filmes, séries e jogos. Quais são seus planos para a carreira?

Parte do meu plano profissional é visitar muitas convenções, vão acontecer algumas em outras partes do mundo, vou visitar o Oriente Médio de novo… também vão acontecer alguns anúncios de videogame em breve… muito em breve, na verdade! Então fiquem de olho!

Que tal deixar uma mensagem final para os brasileiros que acompanham o seu trabalho?

Uma mensagem para todos os meus amigos no Brasil… a maioria de vocês eu não conheci ainda, mas eu amo vocês, amo a sua música, sua dança, sua comida, e aposto que a gente se divertiria muito caso nos conhecêssemos. Eu vi que Rainbow Six Siege teve um grande torneio em São Paulo, e como eu faço a voz da Ash no jogo, conhecia algumas das pessoas que foram ao Brasil participar do campeonato, e fiquei com tanta inveja, porque eu adoraria ir e fazer parte disso tudo… E sobre Zelda, quem sabe… em algum momento, vamos, vamos, nos encontrar em uma convenção, eu adoraria conhecer todos vocês, compartilhar o seu cosplay e arte, e sua paixão por seja lá o que for que vocês estiverem fazendo. Obrigado por me receber e gostar do jogo!

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