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Retrô: Emocione-se mais uma vez com Chrono Trigger, o RPG definitivo para os 16 bits

Você já se envolveu emocionalmente com a história de um game, a ponto de sofrer ou sorrir a cada virada na trama?


Se a resposta for sim, recomendo que siga em frente e leia este artigo até o fim. Afinal, não é todo dia que um clássico tão influente completa 19 anos. Menos ainda, um que tenha figuras como Akira Toriyama (criador de Dragon Ball), Hironobu Sakaguchi (produtor da série Final Fantasy) e Yuji Horii (diretor da série Dragon Quest), dentre outras estrelas, em seu elenco. chrono-trigger-playreplay Hoje, 22 de agosto, Chrono Trigger completa 19 anos desde o seu lançamento na América. No Japão o lançamento aconteceu 5 meses antes, em março, no mesmo ano de 1995. Este ano entraria para a história como um dos mais importantes para a geração 16 bits, principalmente se você for fã do gênero RPG: Breath of Fire 2, Earthbound e Secret of Evermore são contemporâneos de Crono e seus amigos. Mas ainda que todos estes títulos fossem brilhantes, lhes faltava a centelha de genialidade que sobra em Chrono Trigger.

Neste texto, nós vamos tentar entender os principais motivos que fizeram desta aventura um marco na história dos games e daqueles que ousaram se emocionar (muito) a cada viagem no tempo.

 

UM TIME DOS SONHOS

Mesmo nos dias de hoje, em que há a consciência de que games são tão rentáveis quanto as produções milionárias de Hollywood, talvez seja difícil encontrar um time tão forte quanto o que a Square (ainda não era Square-Enix) reuniu. Juntar Hironobu Sakaguchi, Yuji Horii e Akira Toriyama para criar um game foi uma sacada de mestre. Com tanto talento reunido, deve ter acontecido tudo em um piscar de olhos, certo? Errado!

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A ideia surgiu em 1992, quando os três decidiram criar algo inédito. O trio já era consagrado, já que nomes como Final Fantasy, Dragon Quest e Dragon Ball eram mundialmente conhecidos, então havia credibilidade e espaço para criarem à vontade. Mais tarde, vendo que não seria uma tarefa tão simples, juntou-se ao time o produtor Kazuhiko Aoki.

Nesse momento, os planos da Square eram de licenciar a nova obra como parte da franquia Seiken Densetsu (a mesma de Secret of Mana) e lançá-lo para o drive de disco do Super Famicom, mas o periférico não foi para frente e o projeto foi alterado para ser lançado nos cartuchos convencionais.

Ainda não se tinha ideia da forma geral do game ou de sua trama, até surgir a ideia de envolver viagens no tempo, inicialmente reprovada por não ser original. Masato Kato foi quem a reprovou, quando uniu-se a Horii para, juntos, elaborarem a trama. Acabaram voltando atrás e assim nascia Chrono Trigger.

Se avançarmos um pouco na concepção do jogo, chegaremos rapidamente em outro ponto crucial para o sucesso da Square: uma trilha sonora rica e envolvente, mesclando diversos estilos musicais em faixas que vão da total letargia à esperança. Era o trabalho de estreia de Yasunori Mitsuda como compositor.

Hoje, não temos nenhuma dúvida de que foi um trabalho bem sucedido. Mitsuda chegou a dormir no estúdio por muitas noites, e atribuiu a isso a criação de diversas faixas, inclusive a faixa final, To Far Away Times, que veio através de sonhos inspiradores. Durante o processo, Mitsuda adoeceu e Nobuo Uematsu, lendário compositor, assumiu as faixas finais. Não havia espaço para nada dar errado.

 

PERSONAGENS MUITO CARISMÁTICOS

Cada um dos sete personagens jogáveis vem de uma era diferente, com características marcantes que ajudam a criar um vínculo forte entre o jogador e a trama. A ideia inicial era bem diferente e o processo contou com a sensibilidade de Akira Toriyama em modificar e adaptar cada personagem até chegar ao time que conhecemos. Veja abaixo um estudo inicial dos personagens do game.

estudo-personagens-chrono-trigger

Dá pra observar que alguns personagens sofreram poucas modificações, como Crono, Marle e Lucca. O velhote baixinho acabou desaparecendo e o monstro mais alto parece ser um estudo inicial para Robo. Conheça agora um pouco sobre cada um dos personagens definitivos do game e eleja seus favoritos nos comentários:

 

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[infobox color=”light”]Crono é o nosso herói e vive no presente com sua mãe. Não fazia a menor ideia de que passaria por tantos perigos, mas descobre sua força interior conforme a história se desenvolve. É extremamente destemido e usa uma katana como arma, além de controlar o elemento luz.[/infobox]

 

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[infobox color=”light”]Marle é, na verdade, uma princesa e vive no castelo de Guardia. Gosta de dar suas voltinhas por aí e, numa dessas, conhece Crono. É muito esperta e alegre, acaba sendo impossível não se apaixonar por ela! Principalmente porque caberá a ela a missão de curar o grupo durante a jornada, ou de lançar gelo para esfriar os ânimos.[/infobox]

 

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[infobox color=”light”]Além de brilhante inventora, Lucca é amiga de infância de Crono. É dela a máquina do tempo que ajuda nossos heróis a mover-se pelas eras, além de outras invenções como o robô Gato (Gonzalez, em japonês). Lucca usa uma arma laser e um martelo como armas, depois desenvolve a habilidade de controlar magias de fogo. Qualquer semelhança com Bulma, de Dragon Ball, não é mera semelhança![/infobox]

 

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[infobox color=”light”]Frog na verdade é Glenn, um cavaleiro da Idade Média em Chrono Trigger. É um dos guardas da Rainha Leene, pela qual tem um amor platônico. Dedicou sua vida de forma honrada a defender sua rainha e seus amigos, e hoje deseja vingança contra Magus, por ter assassinado seu amigo Cyrus. Frog empunha uma espada e usa magias do elemento água, além de algumas magias de cura.[/infobox]

 

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[infobox color=”light”]Em um futuro distante, Robo foi criado para dar assistência aos homens, mas acabou largado de mão até ser encontrado por Lucca e os outros. Apesar de ser uma máquina, possui personalidade quase humana. Contudo, uma vez que não possui “vida”, não é capaz de receber magias de Spekkio, limitando-se ao uso de sua grande força física, ataques de raio laser e bombas.[/infobox]

 

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[infobox color=”light”]Ayla vem da pré-história, realçando ainda mais o contraste entre os personagens de Chrono Trigger. Seu povo está em guerra com uma raça de répteis inteligentes, os Reptites. Ayla é forte, ágil e valente, o que só realça sua posição como líder da tribo Loka. A guerreira se junta ao grupo de Crono quando eles vão ao passado para reparar a espada de Frog, Masamune.[/infobox]

 

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[infobox color=”light”]Seu nome em japonês é Maoh, ou demônio-rei, quer mais? Magus, como ficou conhecido por aqui, é um mago negro responsável pela morte de Cyrus, amigo de Frog. Originalmente era conhecido como Janus, o antigo príncipe de Zeal. É um personagem enigmático e ambicioso, porém de poder devastador.[/infobox]

 

A HISTÓRIA

Um bom RPG está intimamente ligado a um bom roteiro. Ajuda no envolvimento com a trama, com os personagens e dá o sentimento de compromisso: VOCÊ QUER SALVAR O MUNDO. Assista a abertura do game em anime, desenvolvida especialmente para a versão lançada para o PlayStation e diga se não dá vontade de se aventurar com esses caras!

[youtube id=”m1Sb9CZEz9A” width=”633″ height=”356″]

Nesse sentido, Chrono Trigger é extremamente rico e você acaba se afeiçoando aos seus protagonistas, além de se sentir movido pelo desejo de lutar até o fim.

Estamos em 1000 AD, quando Crono acorda para ir à Feira Milenar ver o último invento de Lucca. Passeando pela feira, todos estão contentes e há bastante coisa para interagir, antes de seguir a trama. Balões para todos os lados e muitos vendedores ambulantes dão o tom do festival e Crono decide curtir.

Pelo caminho, ele tromba com Marle e ela acaba se oferecendo como cobaia para testar a máquina do tempo de Lucca. O que parece ser um evento inocente, na verdade é o gatilho para a trama: o pingente do colar de Marle reage com o teletransportador e ela acaba sendo puxada, indo parar em qualquer ponto da História. Crono e Lucca decidem reativar a máquina do tempo para viajar atrás de Marle e acabam se envolvendo em uma trama que pode culminar com a destruição do mundo.

 

ELEMENTOS INOVADORES

De fato, games com viagem no tempo não são inéditos e o tema é um tanto quanto recorrente. Mas isso interfere na originalidade de Chrono Trigger? Com certeza, não.

A história é envolvente, a trilha sonora, fora de série, e personagens cativantes dão o tom de dramaticidade que um bom RPG precisa. Tantos pontos positivos poderiam estar em risco se a execução não fosse perfeita. Para a alegria de todos, ela foi. E foi muito além disso.

O sistema de batalha vem de Final Fantasy IV e é conhecido como Active Time Battle, onde uma barra de tempo vai enchendo até você poder executar sua ação. Dessa forma há tempo para traçar determinadas estratégias, principalmente porque alguns ataques dependem diretamente da sua localização no campo de batalha para acertar um ou mais inimigos.

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As lutas em geral não são randômicas e você vê seus inimigos no mapa, podendo inclusive evitá-los. Conforme sua party evolui, é possível combinar skills e gerar magias novas de efeitos devastadores. Para fechar o pacote, o game tem 15 finais diferentes, de acordo com suas ações durante a trama. Hoje isso pode soar comum, mas estamos falando de 1995.

 

RECORDAR É VIVER

Além da versão lançada para Super Nintendo, Chrono Trigger teve versões para PlayStation, Nintendo DS, iOS e Android, com leves diferenças e o acréscimo de CGs para ajudar no entendimento da trama. Versões físicas do game, em qualquer console, custam hoje os olhos da cara nos sites estrangeiros ou grupos de venda nas Redes Sociais.

Chrono Trigger teve uma continuação espiritual, Chrono Cross, lançada em 1999 (2000 para nós ocidentais). Não é uma continuação direta, mas acontece no mesmo universo e tem alguns elementos que remetem ao game original, como a presença de Yasunori Mitsuda e Masato Kato, reforçando o desenvolvimento. É um dos melhores jogos da vasta biblioteca de RPGs lançados para PlayStation 1, mas não teve o mesmo impacto que seu antecessor. Um dia falaremos sobre ele, aqui.

O mais divertido, hoje, é passear pela internet e achar homenagens bacanas para a série, o que mostra que Chrono Trigger foi, de fato, marcante. Quer exemplos? Abaixo, Smooth McGroove, conhecido por suas versões a capella, cantando “Corridors of time”, uma das músicas mais famosas e marcantes do game.

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Outro vídeo bacana vem do Japão, onde o grupo Meine Meinung reproduziu “Yearnings of wind” apenas com instrumentos de corda. O grupo, aliás, é bastante conhecido por seus arranjos para músicas de games. Vale a conferida!

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Falar de Chrono Trigger é falar um pouco da história e evolução dos games, principalmente do gênero RPG. Dá pra prolongar o papo por mais um texto inteiro e ainda teríamos muito o que contar e recordar. Se você já é velho conhecido de Crono e já derrotou Lavos algumas vezes, aproveite agora e trate de dar uma limpeza no seu videogame para curtir mais uma vez a saborosa missão de salvar o mundo. Se não conhece a série ainda, recomendo ao menos uma conferida que seja, porque tempo há, ou pelo menos por enquanto…

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