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Retrô: O prazer de colecionar videogames

Jogo videogames há no mínimo vinte anos e sempre gostei de acompanhar as novidades na indústria. O problema é que, até alguns anos atrás, toda vez que eu resolvia comprar um novo console, acabava tendo que vender os anteriores para conseguir o dinheiro que precisava, sem me importar em me desfazer de tantos momentos e boas memórias que tive com eles. Com o início da minha vida profissional, decidi comprar aos poucos todos os consoles que havia tido até então, e foi o que fiz.

Foi nessa hora que algo mágico aconteceu: percebi que aqueles consoles e jogos que me fizeram tão feliz outrora me traziam uma sensação de satisfação tão grande que chegava a ser maior até do que a de comprar um novo videogame em seu lançamento. E esse foi o momento em que decidi que poderia começar a colecionar videogames.

 

Revisitando a infância

Tive o privilégio de viver a minha infância durante o período de auge das locadoras de videogames no Brasil. Como bem descreveu meu amigo Thomas, as locadoras eram muito mais do que  lugares onde alugávamos jogos, e chegavam a ser verdadeiros centros de convivência para pessoas apaixonadas por videogames. Porém, estes também eram os lugares em que, de certa forma, passávamos mais vontade.

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Como naquela época eu dependia dos meus pais para ter um novo jogo, geralmente ficava maravilhado com as possibilidades, mas acabava deixando de jogar e conhecer muitas coisas, afinal, nem por meio do aluguel de jogos era possível conhecer muita coisa do Super Nintendo, por exemplo. Não que eu não tivesse vontade de jogar vários daqueles títulos que via nas prateleiras.

Com a minha decisão de colecionar videogames, acabei me focando não apenas em recuperar tudo o que vendi com o passar dos anos, mas também em investir nesses jogos que deixei de jogar em suas respectivas épocas. Hoje em dia, finalmente estou podendo conhecer títulos que despertaram minha curiosidade por anos. E sabem do que mais? Por mais que a indústria tente nos convencer do contrário, games divertidos não deixam de ser divertidos só porque novas tecnologias aparecem.

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Acho que muitos de vocês já tiveram amigos que possuíam certos jogos que vocês adoravam jogar, mas que, por alguma razão, vocês nunca chegaram a ter. Este foi o meu caso com Banjo-Tooie, por exemplo. Um amigo e eu chegamos a terminar o jogo na época de seu lançamento, mas nunca tive o jogo em mãos para poder reviver aquela aventura quando eu bem entendesse. Isso até eu finalmente conseguir o jogo a um preço bacana no eBay e ligar o meu novo velho Nintendo 64 para ter novamente aquela experiência fantástica.

 

A emoção da busca

Além de toda a nostalgia que senti iniciando minha coleção, também descobri mais um sentimento muito legal quanto a colecionar jogos: a emoção que sentimos ao encontrar um jogo raro e consegui-lo por um preço bom. Apesar de dar um baita trabalho ficar caçando os títulos por sites de leilão e comunidades de colecionadores pela internet, a procura traz uma empolgação que acaba se transformando em satisfação (ou decepção) quando conseguimos encontrar o que estamos procurando. E com isso vamos aprendendo alguns macetes para conseguir colecionar.

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Ter paciência é o mais importante deles. Não vale a pena comprar o primeiro exemplar encontrado do jogo que você procura, mesmo quando você acha que está diante de uma oportunidade única. Sempre existem desavisados que acabam vendendo, a preço de banana, aqueles jogos que estavam jogados em um armário por mais de uma década, sem saber que eles valem uma pequena fortuna. Parece estranho, mas acreditem, isso acontece bastante.

Outra dica bastante valiosa é estudar o produto que você está procurando, pois vários vendedores espertinhos tentarão te convencer que alguma coisa muito fácil de ser encontrada é um item muito raro, só para poder elevar o preço às alturas. Não acredite em qualquer vendedor, porque eles farão de tudo para te convencer de algo que nem sempre é verdade.

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Tentando seguir essas duas dicas, acabei encontrando uma locadora que estava se desfazendo de boa parte do seu acervo. Após muitas rodadas de negociação, consegui adquirir uma coleção espetacular de mais de 100 jogos para Nintendo 64 por um preço justo. Falando nisso, é sempre bom focar a sua coleção em algum tipo de jogo, console ou até mesmo franquia. Além de ser mais fácil de completar, traz ainda mais felicidade por tornar mais claro o progresso rumo ao seu objetivo.

No meu caso, decidi que conseguirei os 296 jogos lançados para o Nintendo 64 nos Estados Unidos, já que esse foi o videogame mais marcante de toda a minha vida e fruto de grandes lembranças da minha infância. E isso está sendo uma das coisas mais legais que já fiz na minha vida gamer.

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Descobrindo influências

Mais legal do que tudo o que eu já disse neste texto é descobrir de onde vieram certas ideias que acabaram se tornando tendência nas gerações atuais. Desde que comecei a revisitar clássicos de gerações passadas, acabei aprendendo muito sobre a história dos jogos e de como muitos estilos de gameplay se tornaram padrão. E tudo isso considerando que eu já jogava na época daquelas gerações.

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Mas imaginem só como deve ser legal para os mais jovens descobrir que Call of Duty só existe da forma que é hoje porque, em 1998, GoldenEye 007 popularizou o gênero FPS nos consoles? E a tal da Rare, que não faz quase nada hoje em dia? Por que respeitam tanto essa empresa? Pois é, e estou apenas arranhando a superfície de tudo o que é possível aprender ao se conhecer jogos antigos (e nem estou falando de clássicos do Super Nintendo, Nintendinho ou até mesmo do Atari).

Dia desses, em minhas buscas por jogos do Nintendo 64, acabei descobrindo que o console foi lar do primeiro jogo produzido pela Sucker Punch, hoje conhecida pela série inFAMOUS, no PlayStation. Além disso, também descobri que o console possui diversos jogos que foram lançados para uso exclusivo de locadoras, tendo sua venda proibida na época. Tempos estranhos, não?

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O prazer de colecionar

Meu foco em jogos antigos não fez com que eu perdesse o gosto por jogos novos. Muito pelo contrário! Com tantas descobertas e novas formas de me divertir, acabei valorizando ainda mais a indústria atual, mas sem me esquecer de como chegamos onde chegamos. Poderia passar parágrafos e mais parágrafos escrevendo sobre o prazer de tudo isso que descobri nos últimos anos, mas deixarei isso para outra ocasião.

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A mensagem que quero deixar é que colecionar jogos foi uma das decisões mais acertadas que tomei em relação à minha vida gamer, porque nada é mais legal do que nos aprofundarmos em algo que realmente gostamos. O sentimento de orgulho de ver uma coleção se formando é algo indescritível, e tenho certeza que continuar colecionando e buscando clássicos esquecidos ainda me farão feliz por muito tempo. E quem disse que os tempos de ouro dos videogames já passaram?