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Retrô: Com Metroid, a Nintendo mostrou ao mundo a sua capacidade de inovar

Os anos 80 foram muito importantes para a Big N. Após garantir o seu espaço nos Estados Unidos com o bem sucedido lançamento de Donkey Kong, em 1981, a empresa adentrou em uma era de ouro que deu vida a várias de suas franquias de peso. Metroid, uma das mais importantes, completou vinte e oito anos no último dia 6 e, em comemoração a isso, preparamos uma matéria especial para relembrar e celebrar a ascensão de Samus Aran no rol dos mais incríveis personagens dos videogames!

Nasce uma heroína

Com o grande sucesso dos jogos de plataforma, como Super Mario Bros. e Ice Climber, a Nintendo se viu com a oportunidade de mostrar a sua visão sobre videogames ao mundo, e decidiu expandir ainda mais o seu catálogo de franquias. The Legend of Zelda foi o primeiro jogo da Big N a tentar a apresentar algo diferente de seus jogos de plataforma, e Metroid veio logo em seguida.

Criado por Gunpei Yokoi, mente responsável pelo GameBoy, e desenvolvido pelo Nintendo’s Research and Development 1 em parceria com a Intelligent Systems, Metroid foi definido na época como um shooter side-scrolling contando com elementos jamais vistos em nenhum jogo. Com clara inspiração na franquia cinematográfica Alien, o desenvolvimento do jogo foi relativamente tranquilo, e os produtores decidiram surpreender a todos criando uma protagonista mulher, algo muito raro para a época.

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Mas não pensem que isso foi anunciado logo de cara! A ideia dos desenvolvedores era surpreender completamente os jogadores, que só descobririam que Samus é uma mulher se completassem o jogo em menos de cinco horas, o que destrava um final em que ela tira seu traje de combate. Isso mesmo, este era um dos finais! Metroid é um dos primeiros jogos da história a ter mais de um final, contando com cinco diferentes. A exibição de cada um dependia do desempenho do jogador durante a jornada.

Para esconderem ainda mais as suas intenções, Yokoi e seu time de desenvolvedores se referem à heroína como se ela fosse um homem até no manual do jogo, o que tornava a surpresa ainda mais incrível para os que conseguissem terminá-lo rapidamente. Desde então, Samus se tornou um ícone dos videogames, e em todo jogo da franquia a garota tira o capacete e até mesmo toda a sua armadura ao final da aventura.

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Salvando o universo

Na época do Nintendinho, boa parte do enredo dos jogos era contada pelo manual, já que os consoles ainda não eram poderosos o bastante para que criassem muitos diálogos e cutscenes detalhadas que conseguissem explicar toda a história dos títulos. Grande parte dessa compreensão sobre a história dos jogos ficava a cargo da imaginação dos jogadores, que mergulhavam fundo nos universos virtuais. Com Metroid não foi diferente, mas o enredo do jogo até que é bem interessante.

Em um futuro distante, um grupo de piratas espaciais decidiu tocar o terror no universo e, para isso, roubaram Metroids do laboratório da Galactic Federation para cloná-los e transformá-los em um exército  de armas biológicas. Para quem não sabe, os Metroids, que dão nome à franquia, são seres flutuantes que, quando em contato com outro organismo vivo, agem como parasitas e sugam toda a energia vital de seu hospedeiro.

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Com a galáxia correndo um enorme perigo e a incapacidade da Federação em derrotar sozinha a ameaça dos piratas espaciais, a mercenária Samus Aran é contratada. A tarefa da garota, que é uma das mais respeitadas caçadoras de recompensas de todo o universo, é de se infiltrar no planeta Zebes, base dos piratas, para eliminar a ameaça de uma vez por todas. Parece fácil, não?

Uma galáxia de inovações

Como já disse, a Nintendo não estava para brincadeira com suas novas franquias, e Metroid trouxe uma série de inovações à indústria. Além da protagonista mulher e dos múltiplos finais, o jogo futurista também ficou marcado pela sensação de desolação e melancolia passada ao jogador enquanto ele controlava a personagem pelos vastos territórios de Zebes. Além disso, assim como The Legend of Zelda, Metroid conta com mecânicas de evolução de personagem em que, conforme se evolui na história, novas habilidades e power-ups são destravados, tornando a protagonista cada vez mais poderosa.

O elemento de exploração do jogo também foi destaque na época por introduzir o hoje já tradicional sistema de backtracking, através do qual o jogador deve revisitar várias áreas com o propósito de coletar novos itens e ir descobrindo novos caminhos, que vão se tornando alcançáveis graças às novas habilidades conquistadas durante a jornada.

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Por ser uma aventura extensa para os padrões da época, o jogo também conta com um sistema de gravação de dados que permite que o jogador salve seu progresso na aventura. Enquanto no Japão o cartucho vinha com uma bateria interna que possibilitava isso, no Ocidente o jogo fazia uso de um sistema de passwords. As duas tecnologias eram novidade na época, e pouquíssimos jogos já haviam adotado esse padrão. Hoje tudo isso pode parecer besteira, mas em uma época em que os jogos eram muito simples e não duravam mais do que uma hora, poder gravar o progresso de um jogo era algo revolucionário que logo virou tendência.

Melancolia espacial

Diferentemente de Mario e Zelda, que são jogos com um clima leve e feliz, Metroid é um jogo mais melancólico e introspectivo. Seu visual, escuro e com tonalidades mais sombrias, se combina com seu trabalho de áudio, que utiliza o silêncio como recurso. Contando com poucas músicas, o jogo possui momentos sem trilha de fundo nos quais só é possível ouvir os passos de Samus e os sons dos inimigos. Tal padrão, que também era novidade para a época, contribuía para que os jogadores se sentissem ainda mais imersos na aventura da mercenária.

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Uma pérola atemporal da Nintendo

O sucesso de Metroid foi tanto que a franquia acabou se tornando uma das maiores não apenas da Nintendo, mas de toda a indústria. Com inúmeras sequências lançadas para quase todos os consoles da Big N, a série é reconhecida pela inovação, já que a cada novo jogo lançado, novos conceitos são introduzidos. O título original para Nintendinho já recebeu até um remake para GameBoy Advance, o famigerado Metroid: Zero Mission. Contando com gráficos atualizados e com um enredo melhor desenvolvido, o jogo foi sucesso de crítica e foi considerado uma bela homenagem ao game dos anos oitenta. Nada mais justo para um jogo que ajudou a popularizar ainda mais os videogames ao redor do mundo.