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Retrô: Psycho Fox: a raposa que salvou o mundo (Master System)

Segundo o folclore japonês, as raposas são seres super inteligentes dotados de poderes místicos. Podem entrar em sonhos, criar ilusões para confundir os homens, criar fogo a partir de sua cauda ou boca e até mesmo assumir forma humana, geralmente no corpo de uma mulher.

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No finalzinho da década de 80, uma raposa das mais espertas protagonizou um encantador game de plataforma, gênero em altíssima na época. Lançado para Master System, Psycho Fox agradou ao apresentar um nível razoável de dificuldade e muitas possibilidades de exploração. Seu poder? Se transformar em outros animais. Isso, por si só, já chamava a atenção. Transformar-se em hipopótamo, macaco ou tigre abria um leque de novos caminhos, já que o peso e força de cada animal interferia diretamente na jogabilidade.

 

Raposa-Macaco-Hipopótamo-Tigre

Para chegar até o vilão, Madfox Daimyojin, Psycho Fox e seus amigos devem atravessar sete mundos divididos em 3 fases cada, derrotando quantos inimigos puderem durante o trajeto. O formato é similar a qualquer game de plataforma da época, mas Psycho Fox consegue se destacar por suas peculiaridades.

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A habilidade de transformação é regrada, sendo ativada apenas com o uso de um item cuja forma lembra uma escada. Cada animal tem uma habilidade específica, então não serão raras as situações em que você se verá obrigado a se transformar para seguir em frente (ainda que existam rotas alternativas). Exige-se um mínimo de cautela e sabedoria na hora de mudar de animal, já que é necessário usar outro item-escada para voltar a forma original.

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Psycho Fox: A raposa é a mais balanceada dos quatro.

Hipopótamo: É o fortão da trupe. Use-o para quebrar algumas rochas que obstruem caminhos.

Macaco: Pula alto e é bem leve, ideal para chegar nas plataformas mais altas.

Tigre: É o mais rápido de todos.

 

Em Psycho Fox os power-ups estão escondidos dentro de ovos. Na verdade, quase tudo aqui está escondido dentro de ovos, até mesmo alguns inimigos. Quebrá-los ou não é uma decisão sua, mas geralmente vale a pena correr o risco. Nesses ovos, além da escadinha você pode conseguir uma poção de invencibilidade, um saco de dinheiro (para as fases bônus), um bonequinho que aniquila todos os inimigos da tela e um pássaro. Pássaro?! Eu explico: era comum na época não haver uma barra de energia para o personagem, então se você levou dano, morreu. Para dar uma mãozinha aos jogadores, você podia carregar o pássaro ao seu lado. Assim, se você sofresse algum dano apenas perderia o seu aliado, sem perder a vida.

Um outro elemento que sempre me encantou em Psycho Fox foi a possibilidade de poder viajar entre os mundos, através de warp-zones dispostos em algumas fases. A ideia veio diretamente de Super Mario Bros., mas foi aplicada de forma criativa aqui: os warp-zones ficam em buracos negros perdidos pelas fases, que só podem ser acessados se você destruir aquele pedacinho do céu, na base do murro ou com a ajuda do pássaro. Se você chegar a uma plataforma que parece sem propósito ou um beco sem saída suspeito, pode ficar esperto pois deve ter um warp-zone na área.

 

Colorido que só

Psycho Fox é bastante colorido, com gráficos de qualidade e cara de desenho animado. Os mundos são bem diferentes entre si e têm um visual bacana, mesmo que os cenários pareçam meio vazios às vezes. Cavernas, mata a céu aberto, deserto, gelo… todos os clichês estão lá, mas de uma forma diferente e agradável.

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A trilha sonora era uma das minhas favoritas quando eu era moleque. São melodias simples, mas que cativam. Aliás, essa é a análise geral do game: simples e cativante. Além disso, os efeitos sonoros são competentes e realçam a ideia de estar controlando um desenho animado.

 

 

Um título competente

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Psycho Fox não é um game extremamente popular. Mesmo na sua época, não foi nenhum fenômeno de vendas ou de crítica. Se você é colecionador e tem curiosidade em jogar bons games, deve achar um cartucho em bom estado na faixa de R$50,00, sem grandes dificuldades. A abundância de games de plataforma lançados no mesmo período talvez tenha ofuscado um pouco o seu brilho, além de não haver nenhum elemento excepcional em sua fórmula. Apesar disso, Psycho Fox garante algumas poucas horas de diversão honesta, sem enrolação.

Aqui no Brasil, o game serviu de base para o game do Sapo Xulé. Nada foi modificado, senão os sprites de seus protagonistas. Lembro que na época chegaram a vender um bonequinho cujo pé fedia! E as pessoas compravam e levavam para suas casas, felizes, um sapinho fedorento.

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Para o Mega Drive, foi lançado Magical Flying Hat Turbo Adventure (que acabou virando DeCapAttack no ocidente), considerado um sucessor espiritual de Psycho Fox. Vale a pena conferir, só por curiosidade. DeCap segue a mesma fórmula de seu antecessor, mas com gráficos mais convincentes e deslumbrantes.

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