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Retrô: The King of Fighters 94′ trouxe inovações ao gênero dos games de luta

Não é todo dia que uma série tradicional completa 20 anos de estrada. The King of Fighters foi, por muitos anos, a maior pedra no sapato da Capcom. A série viveu seus altos e baixos, principalmente depois que a companhia passou a se chamar SNK Playmore, em uma constante relação de amor e ódio entre seus novos títulos e fãs saudosistas. Como entusiastas do gênero, nós do PlayReplay não poderíamos deixar passar a oportunidade de prestar homenagens à série, então decidimos montar nosso especial dividido em 4 partes, cobrindo desde a versão 94 até 97, uma das mais famosas.


 

ESPECIAL KOF – 20 ANOS (Parte 1 de 4)

A década de 90 no mundo dos games ficou marcada, entre tantos pontos altos, como a década dos jogos de luta. Uma profusão de títulos, boa parte deles inspirados no sucesso repentino de Street Fighter 2. A fórmula encontrada pelos criadores de Ryu e companhia era perfeita: estereótipos de todos os cantos do mundo se engalfinhando com golpes especiais e jogabilidade precisa. Fenômeno certo, versões disponíveis para todos os consoles da época e uma guinada na indústria em favor dos Arcades, mais uma vez.

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Diante de uma oportunidade tão clara, a SNK logo arregaçou as manguinhas e mostrou que tinha algo mais que um mero clone de SF2. Fatal Fury e Art of Fighting que o digam, já que ambas as séries traziam algumas inovações ao sistema de luta, além de um rol de lutadores dotados de alguma personalidade (até demais, no caso de Duck King, por exemplo). Aqui no PlayReplay nós chegamos até a arrumar algumas tretas entre os bosses das séries, tamanha a rivalidade surgida desde então.

Um passo a frente da concorrência (e com uma boa carta nas mãos, já que a empresa tinha duas boas franquias disponíveis), surge a ideia de realizar um crossover entre Fatal Fury e Art of Fighting, com a participação de alguns outros lutadores de outros games da empresa, além de combatentes originais. As batalhas seriam organizadas em trios, cada um representando um país. Nascia assim The King of Fighters 94’, com o mesmo nome do torneio organizado por Geese Howard (em Art of Fighting 2 e Fatal Fury) e Wolfgang Krauser (Fatal Fury 2). Ter muitos personagens famosos juntos foi o segredo do sucesso da série? Certamente não, mas foi um dos muitos pontos fortes que vamos esmiuçar pra vocês.

 

8 times e 24 personagens à sua disposição

Terry e Andy Bogard; Joe Higashi; Mai Shiranui; Robert Garcia; Ryo, Takuma e Yuri Sakazaki. Oito combatentes já seria um bom número para a época? Talvez, mais ou menos na média. Mas esses oito não eram lutadores novos ou desconhecidos da galera e nem estavam sozinhos. O sistema de batalhas em trio de KOF privilegiava a diversidade de personagens à disposição, principalmente porque você se veria preso ao trio inteiro até o fim, em vez de escolher apenas um lutador como estávamos acostumados. Mesmo que não fosse igualmente habilidoso no manejo dos três, era essencial ter uma noção mínima do estilo de combate de cada personagem para não passar sufoco antes da luta final.

 

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México, Brasil, Itália, China, Estados Unidos, Coréia do Sul, Inglaterra e Japão eram os países representados no torneio. Seus lutadores não eram necessariamente oriundos do país que defendiam, mas tinham alguma ligação que, fazendo sentido ou não, passava batida. Confira logo abaixo a relação de lutadores desse primeiro episódio da franquia:

 

Hero Team (Japão)

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Formado por três lutadores novos no universo da SNK. Kyo Kusanagi, Benimaru Nikaido e Goro Daimon já haviam lutado em um torneio, no Japão, e ficaram respectivamente em primeiro, segundo e terceiro lugar. Kyo é um jovem estudante que manipula as chamas e logo se tornaria o protagonista da série. Benimaru Nikaido tem a mesma faixa etária de Kyo, enquanto Goro Daimon é ligeiramente mais velho.

O trio japonês é um dos mais fortes do jogo, com opções para os mais variados estilos de jogo, desde a velocidade e alcance das pernas de Benimaru, passando pela defesa e contra-ataque do judoca Goro, até o perfeito equilíbrio entre ataque e defesa de Kyo. Indicado para iniciantes na série.

 

Fatal Fury Team (Itália)

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Os lobos solitários estavam de volta à ativa. Depois de derrotarem Geese Howard e Wolfgang Krauser, os irmãos Terry e Andy Bogard, além do japonês Joe Higashi, uniram forças para levar para casa o título de Reis da Luta.

Terry, Andy e Joe formam um trio consistente, top 3 dentre os disponíveis, sem dúvida. Muitos ataques fortes e boa velocidade por parte de Terry e Andy, além das joelhadas matadoras vindas do muay-thai de Joe. Trio parada dura!

 

Brazil Team (Brasil)

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Paul, Vince e Heidern são mercenários que surgiram no game de tiro Ikari Warriors, lançado ainda na década de 80. Os nomes que você conhece são diferentes? Fique tranquilo! Acontece que no Japão, Paul e Vince são, respectivamente, Ralf e Clark. Melhorou?

O trio brasileiro aposta no porte físico de seus membros para obliterar seus adversários. Não estão interessados em vencer o torneio, mas sim desmascarar quem está por trás da organização do The King of Fighters.

Se você não estiver seguro sobre suas habilidades, esse não é um trio dos mais indicados.

 

England Team (Inglaterra)

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Um trio feminino, só para dar um charme ao mundo dos marmanjões! King, Mai Shiranui e Yuri Sakazaki são conhecidas dos fãs do gênero e decidiram juntar forças para participar das lutas, já que não sobraram vagas em seus trios originais.

Se derrotadas com golpes especiais, Yuri e King têm suas blusas rasgadas e seus sutiãs à mostra. A animação não era vista com bons olhos desde os tempos de Art of Fighting, sendo retirada a partir da edição seguinte, The King of Fighters 95.

Leves e mortais, as meninas do trio inglês botam pra quebrar, principalmente quando se trata de apelações com voadoras e rasteiras. Tenso!

 

Mexico Team (México)

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O trio de protagonistas de Art of Fighting e representantes do caratê Kyokugen-Ryu. Exímios usuários do estilo “hadouken-shoryuken”, vão além das influências de Street Fighter e botam pra quebrar com ataques devastadores, principalmente os especiais.

Takuma Sakazaki é um dos mais apelões de todo o game, com seus combos “arranca-ficha” que podem levar a barra de HP do adversário em um piscar de olhos. Robert Garcia e Ryo Sakazaki completam um dos trios mais fortes do jogo. Vale a pena investir alguns créditos para aprender as peculiaridades de cada membro do time. Grandes chances de se dar bem nos contras!

 

Korea Team (Coréia do Sul)

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A justiça e a bandidagem, lado a lado. O “ficha-limpa” Kim Kaphwan decidiu testar seu taekwondo e trouxe consigo, dois criminosos barra pesada: Chang Koehan e Choi Bounge.

De forma única no torneio, o time coreano luta uniformizado, mas suas semelhanças acabam por aqui. Além de serem donos dos portes físicos mais opostos de todo o elenco, também são os personagens mais radicais para se controlar. O pesado e forte Chang Koehan, o veloz e leve Choi Bounge podem ser destruidores, mas apenas nas mãos de jogadores experientes.

 

China Team (China)

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Outro trio que veio direto de um game da SNK, Psycho Soldier. Athena Asamiya e Sie Kensou já haviam dado as caras nesse game de ação, lançado em 1987. A eles, juntou-se o mestre beberrão Chin Gentsai, claramente inspirado no personagem de Yuen Siu-Tien, sifu (mestre) de Jackie Chan em Drunken Master. Não conhece? Recomendamos!

Chin, Athena e Kensou formam um trio balanceado, especialmente preparado para pegar os adversários desprevenidos pelo pé. Magias, ataques variados e poder psíquico! Psycho Bolt!

 

U.S.A. Team (Estados Unidos)

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Trio formado pelos esportistas mais bem-sucedidos da América. Brian Battler, Lucky Glauber e Heavy D! não parecem ter ideia do que estão fazendo em um torneio com tamanha magnitude. Não por acaso deram as caras na série em raríssimas ocasiões, sem deixar saudades. Se foi uma tentativa da SNK de se aproximar do público norte-americano, talvez fosse melhor tentar pela fronteira mexicana.

Além destes 24 personagens, temos ainda a participação de Rugal Bernstein, atual organizador do torneio e chefe final do game.

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Um game acima da média

Construir jogos com esmero sempre foi marca registrada da SNK. Cada pequeno detalhe e pincelada trabalhados com precisão, tudo para enriquecer a experiência do jogador. Em The King of Fighters 94, temos 10 cenários com temáticas variadas e um acabamento de encher os olhos. Não acredita? Só conferir logo abaixo.

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Brasil

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China

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Coreia

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Inglaterra

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Itália

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Japão

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México

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Estados Unidos

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Black Noah – 1

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Black Noah – 2

 

O mesmo capricho presente nos gráficos também se dá na trilha sonora. Ambos os aspectos evoluíram de forma cavalar conforme as novas edições eram lançadas, mas mesmo em seus primórdios, KOF sempre esteve em posição confortável com relação a boa parte dos seus concorrentes.

O sistema de batalha também merece menções honrosas. Um inovador sistema de golpes especiais, chamados aqui de Danger Moves, torna as lutas muito mais acirradas. As barras de especial podiam ser carregadas propositalmente ou iam enchendo pouco a pouco, conforme seu personagem sofria dano.

Um outro ponto positivo dos combates em KOF 94 era o sistema de esquivas, em que seu personagem dava um passo para o fundo do cenário sem sofrer nenhum dano. A SNK sempre foi mestra nesses pequenos caprichos, desde o sistema de combate em dois planos de Fatal Fury 2.

A trama não é excepcional, mas não estamos falando de um complexo J-RPG ou qualquer coisa do tipo, e sim da mais pura porradaria. Se a história de Street Fighter tem mais furos que um queijo suíço, que mal faria The King of Fighters ter um roteiro correto e sem rodeios? Com o tempo, elementos do folclore japonês foram adicionados, dando profundidade e dramaticidade ao game. O primeiro arco de KOF (Saga Orochi) durou 4 anos e tem um cantinho especial no coração dos fãs da série.

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Pra quem vê The King of Fighters 94 pela primeira vez, pode achar que a movimentação e animação são um tanto quanto engessados. Vale ressaltar que se trata de um jogo feito há 20 anos e muita coisa mudou desde então. Nós preferimos entender que essas peculiaridades são apenas parte do charme de um game que fez história.