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Retrô: The King of Fighters 95′ e o título de Rei dos Jogos de Luta

Rugal parecia estar de volta, para o espanto de todos os combatentes. Dado como morto ao final de The King of Fighters 94’, quem poderia imaginar que o “R” estampado em todas as cartas de convocação eram as iniciais de seu nome? Estava aberta mais uma edição do torneio de artes marciais mais famoso do mundo.


 

ESPECIAL KOF – 20 ANOS (Parte 2 de 4)

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O sistema de trios foi mantido e todos os times decidiram manter suas formações, com exceção do já deslocado grupo norte-americano. Em seu lugar, surge uma nova equipe com muito mais representatividade e imponência: Billy Kane, ex-chefe de Fatal Fury 2; Eiji Kisaragi, ninja oriundo de Art of Fighting e, finalmente, um misterioso jovem de cabelos vermelhos e que viria a transformar a história do game drasticamente: Iori Yagami.

Com a chegada de Iori, a trama de KOF começa a ganhar novas camadas de dramaticidade, aumentando exponencialmente o grau de envolvimento entre máquina e jogador. Iori era o perfeito arquétipo do bad boy, em perfeito contraste ao ar de bom moço exalado por Kyo Kusanagi, seu eterno rival.

Não fosse o bastante, em KOF 95 temos os verdadeiros indícios de que há uma história maior se desenrolando nos backstages, que viria a ser a Saga Orochi, favorita de 10 entre 10 fãs da série. O pau comeria mais uma vez!

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Trios personalizados

Ter a possibilidade de escolher entre trios, em vez de personagens únicos, era o charme da franquia. As lutas eram relativamente mais longas e reviravoltas aconteciam a todo momento, aumentando a imersão na hora do fight. Para a SNK, isso era o bastante? Definitivamente, não.

Em The King of Fighters 95, você tinha liberdade para personalizar o seu trio, com infinitas possibilidades e estratégias de combate. Unir Terry Bogard, Ryo Sakazaki e Kyo Kusanagi era possível, realizando os desejos mais profundos dos jogadores da época.

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Team Edit? Um sonho realizado

Terminar o game com os trios “certos” liberava os finais certos, ao passo que um trio personalizado tinha à disposição apenas um encerramento genérico. A escolha estava por sua conta.

Logo abaixo, você confere os 8 times presentes no torneio. Tecerei comentários apenas sobre o Rivals Team, já que as formações foram mantidas com relação ao torneio anterior. Para saber mais sobre eles, basta consultar a primeira parte do nosso especial.

 

Hero Team

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Benimaru Nikaido, Kyo Kusanagi e Goro Daimon

Fatal Fury Team

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Andy Bogard, Terry Bogard e Joe Higashi

Ikari Team

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Ralf Jones, Heidern e Clark Still

Women Team

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Yuri Sakazaki, Mai Shiranui e King

Art of Fighting Team

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Robert Garcia, Takuma Sakazaki e Ryo Sakazaki

Kim’s Team

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Chang Koehan, Kim Kaphwan e Choi Bounge

Psycho Soldier Team

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Sie Kensou, Athena Asamiya e Chin Gentsai

Rivals Team

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Billy Kane, Iori Yagami e Eiji Kisaragi

Billy Kane e Eiji Kisaragi já eram conhecidos da galera por suas participações em suas séries de origem. Billy é mestre em ataques de longo alcance, com seu maldito eficiente bastão. Eiji é veloz, como todo bom ninja, com ataques físicos levemente mais fracos, porém propícios para longas combinações. No vídeo abaixo, você pode ver alguns exemplos.

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Por último, o jovem Yagami: rápido, forte, com voadoras e rasteiras de alcance razoável, além de fireballs e outros combos mortais. Facilmente um dos personagens favoritos dos apelões.

 

Bosses

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Saisyu Kusanagi, agora como sub-chefe após uma bela lavagem cerebral

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Omega Rugal é o chefão, mais uma vez

 

Mudanças na mecânica e nos gráficos

Eras a frente de seus concorrentes, mesmo assim o time da SNK vislumbrava melhorias em seu sistema de combate, e assim o fez para a edição de 1995. Novos quadros de animação deixaram a movimentação mais fluida, além de pequenos ajustes que só vieram a acrescentar, como o pulo longo, o ataque rápido após a esquiva e o sistema de relacionamento entre personagens. Nesse sistema, ao pressionar os quatro botões de ataque, os personagens do fundo viriam para dar uma mãozinha, caso fossem com a cara do companheiro de equipe.

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Terry Bogard em KOF 94

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Terry Bogard em KOF 95

Todos os personagens ganharam novos ataques, tornando-se mais próximos do que conhecemos hoje, com seus movesets e combos mais famosos. Claro, as coisas eram mais frouxas e choviam combos de 100%, mas isso era visto como parte do charme do game.

Sobre o visual de cada personagem, além dos novos quadros, os sprites foram todos redesenhados, de forma que o visual do game tornou-se ainda mais atraente. A real transformação viria na edição seguinte, The King of Fighters 96. Nem por isso a segunda edição do torneio fez feio, muito pelo contrário: o game conta com uma das melhores introduções de toda a série, com direito ao primeiro flash da rivalidade entre Kyo Kusanagi e Iori Yagami.

Os cenários são um show a parte, característica marcante da SNK. A famosa NeoGeo Land, as águas translúcidas da Sicília, a árvore atingida por um raio na Coreia e outros cenários inspiradíssimos dão o tom do nível de preciosismo por parte dos produtores do game. Confira a relação de backgrounds logo abaixo.

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Brasil

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China

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Inglaterra

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Itália

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Japão

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Coreia

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México

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Estados Unidos

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Saisyu Kusanagi

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Omega Rugal

 

Um pouco da trama

Com o acréscimo de Iori Yagami e a descoberta da sua rivalidade acirrada com Kyo, fica claro que a nova aposta da SNK era tirar o flash da rixa entre Fatal Fury e Art of Fighting, partindo para uma trama própria, mais densa.

Desde a primeira edição do game, imaginava-se que o sobrenome de Kyo, Kusanagi, não estava ali por acaso. A referência remonta à lenda de Yamata no Orochi, ser mitológico de 8 cabeças, similar a uma serpente, que fora derrotado pelo deus Susanoo. Similaridades com Naruto? Sim, ambas as referências bebem da mesma fonte, mesmo que dêem passos igualmente distantes da lenda original. A espada usada por Susanoo chamava-se Kusanagi no Tsurugi, parte dos 3 tesouros sagrados do Japão (os outros dois eram a jóia Yasakani no Magatama e o espelho Yata no Kagami).

 

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Segundo a mitologia japonesa, coube ao deus Susanoo derrotar Yamata no Orochi

Conhecendo um pouco da história bem sucedida de The King of Fighters, sabe-se que Orochi foi o nome do vilão que dominou o primeiro arco da série. Em 1995, seu nome sequer havia sido mencionado durante toda a trama, exceto por um poder “desconhecido” que Rugal tentava a todo custo controlar. Estava sendo preparado o terreno para algo muito maior, que envolveria três clãs (o terceiro clã ainda não havia dado as caras, até então) em um combate de proporções muito maiores que um simples torneio de artes marciais.

KOF 95 geralmente fica esquecido em um canto, quando o assunto envolve listar os melhores episódios da série. Ofuscado por versões mais recentes, a verdade é que a evolução nascia por aqui, em todos os aspectos. Visualmente, pouco havia mudado de um ano para o outro, mas as transformações foram profundas e acertadas.

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Um passo largo para o título de Rei dos Jogos de Luta havia sido dado, enquanto o concorrente apostava em remodelar sua série de forma brusca e surpreendente, com Street Fighter Alpha. Na sua opinião, quem foi o vencedor?

 

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