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Retrô: Turma da Mônica na Terra dos Monstros (Mega Drive)

Turma da Mônica é um clássico, daqueles que transcende gerações e encanta, desde o pai de família que não perde uma edição dos gibis até o seu filho, alfabetizado com as aventuras da turminha e leitor assíduo ao longo de três décadas (e contando). Meu pai e eu sabemos histórias de cor e salteado, com todos os personagens esmiuçados em seus mínimos detalhes. Nossa única diferença está nas mídias: ele se limitou aos gibis, enquanto eu curtia isso e muito mais. E foi dessa forma que experimentei os games da turminha, para nunca mais esquecer.

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A visita à Terra dos Monstros não foi a primeira incursão da dentucinha no mundo mágico dos games, mas tem lá seus encantos por ser a única dos 16 bits. Antes disso, tivemos ainda Mônica no Castelo do dragão e Turma da Mônica em O Resgate, ambos lançados para Master System, igualmente recomendados e divertidos. Falaremos mais sobre eles no futuro.

 

Wonder Mônica!

Como fazer para tornar uma franquia desconhecida em dada localidade em um sucesso de vendas de forma rápida e eficiente? Se você respondeu “trocando o protagonista”, parabéns! Seguindo os passos de Super Mario Bros 2, a Tec Toy mexeu alguns pauzinhos para transformar Wonder Boy in Monster World em um título altamente rentável por aqui. E foi um trabalho bem feito!

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O título original, por si só, já é bastante divertido e tem lá suas qualidades. A série Wonder Boy já era um sucesso desde 1986, quando deu as caras pela primeira vez nos arcades (posteriormente portado para Master System e Game Gear). Mas o trabalho de adaptação para o público brasileiro também foi muito bom. Além dos sprites atualizados (e bem desenhados), houve uma contextualização do roteiro para se adaptar da melhor forma possível à realidade dos gibis, abrindo espaço para que cada um dos principais personagens das histórias tivesse seu devido lugar de destaque.

 

A história

Quando eu disse “da melhor forma possível”, bem, nem tudo é perfeito! Dadas as circunstâncias e o material que a equipe tinha nas mãos, o resultado até superou as expectativas. Segue um resumo:

Mônica resolveu visitar seus amigos no País da Fantasia, quando o encontrou infestado de monstros. O pior de tudo? Seus amigos estão espalhados por todos os lados, cabendo à Mônica encontrá-los e resolver a confusão. Cebolinha está escondido na Vila Feliz, Magali virou princesa, o Anjinho mora nas nuvens e o Cascão… bem, ninguém sabe do Cascão. Que bagunça! Só nos resta avançar na aventura para descobrir o que se passa!

Tudo isso foi devidamente ilustrado no manual de instruções do game, mostrando o capricho no processo de localização do jogo.

 

O jogo

Estamos diante de um game de aventura, mas com umas pitadas de RPG aqui e ali. Apesar de se tratar de um jogo com progressão lateral, não fica devendo em nada aos demais RPGs para consoles da época. Magias, upgrades de equipamentos, inimigos repetidos com ligeiras mudanças na paleta de cores… Está tudo lá, seguindo a cartilha básica do gênero. E é esse o primeiro ponto positivo do jogo: cativa logo de cara, na medida em que vemos o nosso protagonista evoluir.

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Para adquirir armas, escudos e armaduras melhores, é necessário coletar as moedas que caem dos inimigos derrotados. Portanto, não será nada incomum em sua aventura ter que ir e voltar para as mesmas telas para matar os mesmíssimos cogumelos, cobras ou o que for. Mas se tratando de Mônica, até farmar acaba se tornando uma tarefa divertida (e rápida).

Se você quiser avançar, vai precisar mesmo de dinheiro e de todos os equipamentos que puder, já que o nível de dificuldade do jogo é crescente, à medida em que você progride na trama. Os inimigos tiram mais dano, seus padrões de ataque se tornam mais imprevisíveis e o flerte com a morte acaba sendo constante. Chegar até o Rei Demônio não é uma missão nada fácil e lutar contra ele, menos ainda.

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Dá uma olhada na cara de travesso do Cebolinha

Um atenuante para o nível de dificuldade do jogo está na presença de save points, marcados como pensões na entrada de cada vilarejo. Uma noite de sono por dez moedas, até que não está nada mal, principalmente depois que você descobre que ao morrer, é Game Over e fim de papo: volta pro último ponto onde salvou a aventura e perde todo o seu progresso desde então. Carregar um elixir com você é mais do que obrigatório.

Nos aspectos técnicos, Turma da Mônica na Terra dos Monstros se sai bem: a aventura original tem bons gráficos  e uma arte bem encaixadinha com a proposta do game. Os cenários são bem coloridos e detalhados, casando com o traço peculiar das histórias do Maurício de Souza. De quebra, os sprites da Turma também estão super caprichados, com destaque para a cara de serelepe do Cebolinha, realmente impagável!

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As músicas são divertidas, embora se tornem enjoativas com o tempo. Não é um ponto tão negativo assim, já que está dentro das limitações tecnológicas da época. Além disso, há uma grande variedade de composições, o que ajuda bastante.

Um outro ponto a favor está nos textos da equipe brasileira, com uma dublagem divertida e empenhada em situar a Mônica no contexto do game original. Faltou apenas acentuar as palavras, mas nos conseguimos entender com perfeicao, usando a imaginacao.

Por último e não menos importante, os controles não te deixam na mão e isso já é louvável, uma vez que esse não é exatamente o jogo mais fácil da história.

Se você está procurando um desafio retrô pro final de semana, recomendo com todas as minhas forças, seja você fã dos gibis ou não. Antes de ser um game da Mônica, estamos falando de Wonderboy, uma franquia conhecida e respeitada.

Esse é só mais um daqueles jogos que a gente suspira, só de ver a tela de introdução. Mas se estiver com o controle nas mãos, é melhor fazer mais do que isso pra não levar umas coelhadas!

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*Os scans do manual e capa foram retirados do site Sega-Brasil

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