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Retrosfera Especial: Entrevistamos Wellington Fox, do Game Boy Club

Colecionar videogames é um passatempo custoso, mas muito prazeroso. Se você já tem a sua coleção ou ainda está construindo uma, sabe o quão divertido é passar por aquele longo processo de pesquisa, limpeza e pura apreciação de prateleiras lotadas de games clássicos.

Uma das propostas da Retrosfera, além de ensinar e auxiliar quem pretende construir um arsenal de jogos em casa, é entrevistar colecionadores e colher relatos sobre suas motivações. Você, sim, você mesmo! Está mais do que convidado a participar com a gente e contar sobre a sua coleção! Nossos contatos estão listados no final dessa postagem, então é só escrever pra gente e nós entraremos em contato.

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O primeiro entrevistado dessa coluna é Wellington “Fox” Aciole , um dos colaboradores do Game Boy Club, site exclusivamente dedicado aos portáteis Nintendo, com ênfase em um dos seus filhos mais velhos, o Game Boy. Ele também faz parte da equipe de arte do GameBlast.



PlayReplay: Wellington, como começou a sua história com os games e de onde surgiu a paixão pelos portáteis?

Wellington Fox:

Tudo começou quando eu tinha lá meus 6 anos de idade e meu pai conseguiu um Atari, atração da família na época. Nos idos dos anos 80 a situação era difícil, minha família não tinha condições fartas, os videogames eram relativamente caros e a situação da economia brasileira também não era das melhores. Um belo dia achei um portátil na rua, meio arranhado e sujo, mas funcional. Tratava-se de um Game & Watch Ball! Consegue imaginar a felicidade de uma criança que nem sabia o que era Nintendo?

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Consegue se imaginar achando um desses na rua?

 

PR: Uma grande coincidência, você é um rapaz de sorte! O que veio depois?

WF: Já nos anos 90, passei a jogar Phantom System com meu primo e um amigo (Marcos Vinícius, saudades suas!). Numa dessas jogatinas, tive meu primeiro contato com um Game Boy, de um amigo, e cheguei a sonhar em ter um. Esse sonho só se concretizou alguns anos depois, eu era adolescente e já trabalhava, quando comprei o meu Game Boy usado nas barraquinhas do Largo 13, em São Paulo. Depois veio o Game Boy Pocket, também em um rolo, até adquirir um Game Boy Color Kiwi Bundle, com Pokémon Pinball, em suaves prestações. A caixa era bem grande e eu me arrependo até hoje de tê-lo vendido.

Com o tempo, vi que a minha paixão era pelos consoles Nintendo e os fui adquirindo, um a um, portáteis ou de mesa. Em 2012, passei a dar mais atenção à minha coleção e esse desejo só aumentou, depois que passei a fazer parte do Game Boy Club.

 

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Eis uma pequena parcela da coleção de portáteis de Wellington

 

PR: Só Nintendo? Nos portáteis, você acredita que o Game Boy já teve um concorrente à altura?

WF: Não apenas um, mas vários. O diferencial do Game Boy sempre foi sua vasta biblioteca de títulos. Game Gear, Lynx e TurboExpress eram muito superiores, tecnicamente, mas não foram páreo. O Game Boy, além de tudo, era um portátil econômico. Mesmo que economia, na época, fosse ser movido a 4 pilhas.

Eu sou da época em que Nintendo e Sega eram rivais fortíssimos, Mario e Sonic eram os expoentes dessa batalha. Com isso, independente da rivalidade entre as companhias, nós jogadores éramos os vencedores, pois podíamos desfrutar dos dois lados e nos divertíamos bastante.

 

PR: Esse é um excelente recado para os ‘istas’ dos dias de hoje! E o que te levou a se tornar, efetivamente, um colecionador?

WF: Desde aquele Game & Watch, me tornei um grande fã da Nintendo. Havia um sentimento de nostalgia que não era preenchido, mesmo que eu comprasse um console de mesa. Foi quando eu direcionei meus esforços para o Game Boy e passei a adquirir itens cada vez mais raros. Sou colecionador e jogador, não deixo meus portáteis parados e, sempre que posso, dou uma geral na coleção.

Não tem sensação melhor que pegar um cartucho bacana e jogar bastante, só para desfrutar dos velhos tempos. Colecionar é um hobby sem fim, pois sempre surge uma tentação nova, novos itens imprescindíveis e a coleção nunca está completa!

 

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PR: E entre os itens da sua coleção, qual é o seu favorito?

WF: Adoro todos os modelos do Game Boy, mas meu favorito (e precioso) é o Game Boy Color Kiwi, o primeiro modelo que adquiri com meu próprio salário. Foi com ele que decidi colecionar os portáteis Nintendo. Não tenho mais o meu original, lançado pela Gradiente (NE: Representante da Nintendo no Brasil na década de 90), mas foi o meu companheiro em muitas aventuras, inclusive foi com ele que comecei a gostar de Pokémon.

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PR: E sobre o Game Boy Club? Como surgiu a ideia e quais são os projetos de vocês?

WF: Foi em uma busca sobre assuntos relacionados aos portáteis Nintendo que encontrei a fanpage do Game Boy Club. Comecei a postar por lá alguns anúncios publicitários antigos e conheci o Eduardo Lima (fundador do Game Boy Club) e o Felipe Sobral, outro fã e colecionador de portáteis. Na época, fui convidado a integrar a equipe ao lado do Otávio Henrique e do Heron Leal. Ainda não tínhamos um site, mas já existia o sonho de ter um projeto maior, ser referência em assuntos relacionados ao Game Boy.

A fanpage começou a crescer rapidamente e veio a ideia de ter um site focado em novidades e curiosidades dos portáteis Nintendo. Nossa proposta é mostrar para os mais novos e reviver, para os mais velhos, a revolução que o Game Boy causou no mundo dos games, além de debater sobre seus títulos de sucesso e edições especiais, que passam de 400. Além da parte nostálgica, nós nos dedicamos à cobertura dos portáteis atuais, misturando nostalgia e atualidade.

 

PR: Exatamente a nossa proposta! Prossiga! (risos)

WF: Nós estamos em uma crescente e temos muitos planos bacanas vindo por aí. Queremos marcar encontros entre os fãs de portáteis, exposição de consoles e outras promoções. Na última, demos um Game Boy na caixa com Pokémon Yellow e Tetris, em uma caixa especial personalizada, comemorando os 25 anos do portátil. Temos muitas ideias, mas tem sido difícil conciliar o Game Boy Club e os afazeres de cada um. Nos esforçamos bastante para ter sempre um tempinho livre, só para atualizar a página.

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Game Boy com caixa personalizada, dado como prêmio na última promoção do Game Boy Club

 

PR: Pra fechar, que dicas você dá para quem está começando a sua coleção, principalmente no caso dos portáteis?

WF: Hoje em dia a tarefa de achar e negociar itens se tornou bem mais simples, tendo sites como ebay, Mercado Livre, OLX e outros. Para começar uma coleção de portáteis, você precisa ter paciência e fazer muitas pesquisas. São muitas ofertas e os preços oscilam bastante, então é bom estar atento a muitos fatores. Eu sigo algumas regras para evitar dores de cabeça:

 

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– Não compre logo de cara. Negocie com o vendedor, confira sua reputação e pegue o máximo de informações que puder. Se possível, negocie pessoalmente e em locais públicos;

– Avalie bem o portátil, verifique se tem arranhões na tela, ferrugem no compartimento de pilhas (e se a tampa está no lugar, claro), se as pilhas têm vazamentos, se há algum dead-pixel, se o som e os botões estão funcionando perfeitamente e se há a etiqueta com o serial number do produto na parte traseira.

– Peça o máximo de detalhes e fotos, principalmente se estiver negociando via internet. Quanto mais completo o portátil estiver, melhor. Se tiver a caixa, manuais e panfletos da época, melhor ainda. Se for um modelo que você não conhece, pesquise sobre e tente reunir o máximo de informações possível.

– É de suma importância ter alguns portáteis para usar na reposição ou restauração de peças para alguns modelos mais antigos. Como eles já não são mais fabricados, é bem difícil encontrar peças sobressalentes. O que eu faço: se eu tenho um Game Boy Color com a tela danificada, vou até os sites de leilão e procuro por ofertas de outros portáteis mais baratos, com acrílico arranhado ou algum defeito qualquer na carcaça e os utilizo para fazer a reposição dos meus modelos mais novos.

– Não deixe seus portáteis sem uso por muito tempo. Com o tempo a tela resseca e deixa aquelas manchas ovais escuras, principalmente nos modelos mais antigos. De tempos em tempos, mate a saudade dos seus portáteis e faça testes preventivos!

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Uma das grandes vantagens de ter uma coleção de portáteis é que eles não ocupam muito espaço, então podem ser guardados em prateleiras, caixas plásticas ou guarda roupas, deixando sua coleção sempre organizada!

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Seguindo as dicas do Wellington, quem sabe um dia sua coleção não fica igual a essa?

 


E é isso, pessoal! Nós agradecemos muito ao Wellington, que dedicou um pouquinho do seu tempo e largou seus Game Boys, só para poder bater esse papo com a gente! O Game Boy Club e o PlayReplay têm em comum a paixão pelos consoles antigos, então é sempre um prazer aprender um pouco mais sobre esse universo louco e árduo, mas muito prazeroso dos colecionadores de games!

Você pode ser o próximo entrevistado e a sua coleção pode ser a próxima a fazer parte da nossa Retrosfera! Para isso, basta enviar um e-mail para a nossa equipe!

Fiquem ligados e até o próximo Retrosfera Entrevista!

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