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Retrosfera: Guia do Colecionador de Games (Parte 2)

Na primeira parte do nosso Guia para Colecionadores nós abordamos questões bacanas pra quem está começando, como ter foco e traçar um rumo, otimizando gastos e enriquecendo sua coleção. Afinal, é como disse Séneca: Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir. Profundo, não?

Além disso, listamos algumas dicas pra você não ser passado pra trás nas negociações, já que muitas delas acabam sendo feitas sem nenhum mediador entre as partes, tudo na base da confiança. Um dos meus maiores prazeres enquanto colecionador é receber o pacote e conferir se está tudo certinho. A linha entre sonho e pesadelo, aqui, é muito tênue. Seguindo nossas regrinhas básicas, você diminui as chances de ser passado para trás.

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E para essa semana, como começamos? Comprando, é claro! Vamos listar os principais locais de compra, bem como seus prós e contras. Cabe a você decidir, seguindo sempre o que o deixar mais à vontade.

 

Onde comprar?

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Mercado Livre: Por experiência própria, digo que o Mercado Livre é uma boa fonte de pesquisa, mas uma péssima alternativa de compra para games retrô. Você pode ter uma noção de preços, mas estes sempre estarão pelo menos uns 50% acima do que é considerado razoável. O lado positivo é ter sua compra protegida pelo MercadoPago (lembre-se sempre de questionar se o vendedor trabalha com essa forma de pagamento), mas os preços exagerados acabam afastando compradores. Isso o impede de fazer bons negócios por lá? De forma alguma, eu mesmo já fiz bons (e maus) negócios por lá. Com o tempo e um vendedor de confiança, você consegue preços mais baixos.

Sempre que for consultar um produto, fique de olho na qualificação do vendedor. Ele precisa ter boa qualificação, número razoável de vendas e bastante tempo de cadastro. Assim, é mais garantido que ele não fará nenhuma besteira.

 

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ebay: O dólar em alta tem afastado um pouco a galera, mas ainda é uma das melhores opções. Por ter mais opções, por ter vendedores especializados em retrô games e pela falta de noção dos vendedores brasileiros em geral, comprar lá de fora acaba sendo uma opção muito mais em conta, mesmo com os riscos de ser taxado e a demora na entrega.

As dicas aqui são as mesmas do Mercado Livre, com um pouco mais de atenção por envolver encomendas vindas de outros países. É importante consultar se o vendedor tem alguma restrição quanto a enviar para o Brasil, além de estar sempre atento se o anúncio é um leilão ou se a mercadoria está anunciada em seu preço final. Os mais raros e caros, melhor procurar por lá.

Fóruns/Redes Sociais: É onde está o ouro, com um número cada vez maior de adeptos. A cada dia surge um novo grupo no Facebook, mas a organização de boa parte deles ainda é amadora, com poucos ou nenhum recurso para coibir a ação dos vigaristas de plantão. Peça o máximo de recomendações que puder, fotos e tire screenshots de suas conversas, já que prevenir é melhor que remediar.

Já que não há taxa de ágio, os preços costumam ser menores. Não recomendo sair negociando a torto e direito. Em vez disso, descubra alguns vendedores de confiança e peça cotações, sempre comparando preços!

Outra opção é você procurar apenas por vendedores da sua região e marcar a negociação em algum local público. Te dá a chance de conferir o produto de perto antes de fechar negócio.

Lojas e sites especializados: Cobrarão os olhos da cara, mas com maior garantia sobre a qualidade do produto. Aqui, vale o poder da barganha e muita pesquisa, já que sempre tentarão te empurrar algo como ‘um negócio da China’.

Em uma oportunidade próxima, faremos uma lista legal de sites e lojas recomendadas por nós. Fiquem espertos!

 

No estado? Relabel?

Alguns termos usados por vendedores e colecionadores merecem a sua atenção, já que o valor de um game pode mudar drasticamente de acordo com a sua condição. Estar lacrado é o ideal, mas isso vai de cada um. Ter a caixa e o manual originais já preenche os requisitos de muitos colecionadores, ao passo que outros fazem questão apenas de ter os games, a fim de economizar e investir em quantidade. Aqui, valem o seu bom senso e grau de exigência, já que a coleção é sua!

Como qualquer item de coleção, um game em seu estado original vale muito mais que um cartucho sem seu label (rótulo) original. Confira abaixo um pequeno dicionário de termos usados.

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Cartucho relabel, com o rótulo mais fosco e escuro que o normal

Relabel – É quando o cartucho teve seu rótulo original substituído por uma réplica. Um cartucho com rótulo alterado tem um valor mais baixo de mercado e dificilmente o resultado é próximo do original. Os processos de impressão são diferentes (sendo as cópias feitas, geralmente, em impressoras laser ou plotters), resultando em cor, textura e brilho diferentes do original. É importante o vendedor deixar sempre claro quando um cartucho estiver nessas condições.

Repro – São cartuchos regravados. Você pode achar, por exemplo, um cartucho original de Chrono Trigger em português. Para tal, basta trocar o chip, mantendo as demais propriedades intactas. Normalmente, cartuchos de menor valor são regravados com games de maior valor de mercado.

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Sonic no Super Nintendo? É uma cilada, Bino

Alternativa / Paralela – Cartuchos pirateados. Fuja deles, sempre. São feitos com componentes de baixa qualidade, além de ter pouco ou nenhum valor para uma coleção. Se você investiu seu rico dinheirinho em um console antigo, qual o propósito de ter um cartucho pirata?

Claro, a discussão não é tão rasa e rende muito pano pra manga, mas nós do PlayReplay não incentivamos a pirataria, dentre tantos outros motivos, porque respeitamos a indústria. Simples assim! ;)

No estado –  Se um vendedor diz que algo está “no estado”, passe longe. A ideia é que “no estado” seja algo sem nenhum teste, podendo ou não funcionar. Na prática, ninguém seria tolo o bastante para não testar algo, já que a diferença de preço entre um estado e outro é grande. Assim, “No estado” significa que é sucata. A menos que você tenha interesse em reaproveitar peças, não espere nada funcional disso.

Refurbished – Remanufaturado, em tradução literal. Normalmente, trata-se de um produto que apresentou defeito ao sair de fábrica. Quando isso acontece, o produto é devolvido para a empresa, que não pode mais vendê-lo como um produto novo. Se o defeito for algo simples de se consertar, ele é corrigido e volta ao mercado como um produto refurbished.

Se você já fez compras em sites como Deal Xtreme, deve estar acostumado com o termo. Apesar do preconceito (muito por conta do desconhecimento), geralmente são tão bons quanto os novos, por um preço bem mais em conta.

Loose –  São os cartuchos soltos, sem capa, caixa ou manual. É o que mais se encontra por aí e isso não é algo necessariamente ruim. Se você for um colecionador exigente, passará longe. Se seu intuito é apenas ter os games em sua estante, vai pagar menos por eles.

 

E é isso, galera! Por essa semana, é só! Com as dicas que demos até aqui, você já está preparado para começar a sua coleção sem grandes problemas. Se pintar alguma dúvida ou você tiver alguma sugestão de artigo para colecionadores, não deixe de comentar, ok?

Para a semana que vem, mais algumas dicas e a nossa primeira colecionadora entrevistada!

Quer mostrar a sua coleção? Mande um email para eidytasaka@playreplay.com.br!