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Watch Dogs 2 é a evolução que a série precisava

Quem não se empolgou quando a Ubisoft anunciou o primeiro Watch Dogs? Todos ficaram perplexos com as possibilidades dentro do jogo, onde você hackeia sistemas de trânsito, carros, até mesmo celulares, podendo roubar o dinheiro das contas para que você compre seu hot dog no fim do dia. Isso sem contar que, graficamente, estava tudo perfeito. Porém, desde o primeiro anúncio, o caminho da empresa desandou e, como todos sabem, acabou sendo um desastre. Mas a Ubisoft não desistiu da ideia e lançou o segundo capítulo do jogo, e em Watch Dogs 2 vamos ver se a produtora aprendeu com o feedback dos gamers e aperfeiçoou o título para chegar no que imaginamos o que viria ser.

 

Seja o Hacker da liberdade

O mundo está cada vez mais evoluído em questões tecnológicas. Aqueles sistemas que víamos no filme Minority Report estão cada vez mais próximos da realidade. E é numa dessas que vemos o protagonista Marcos Holloway logo nas primeiras cenas. O governo possui um banco de dados imenso de todas as pessoas e cria um “nível de perigo” listando e rankeando cada ser humano, com a intenção de conter possíveis crimes que ele passaria a cometer. Como tutorial, cabe a nós entrarmos nesse sistema e apagarmos todos os dados relacionados ao Marcos para que ele tenha sua “liberdade” de volta.

Com isso, ele prova ser um hacker com habilidades impressionantes e acaba integrando o grupo mais famoso dos invasores de sistemas, o DedSec. O objetivo do grupo é o mesmo que o Marcos desejou no tutorial, garantir a liberdade de todos os habitantes de São Francisco.

 

A hipocrisia da liberdade

Essa crítica vai mais para nós, jogadores, do que para o jogo em si. Confesso que, ao começar a jogar, imaginei inúmeras possibilidades para auxiliar e melhorar a cidade, tanto como um vigilante, quanto como um hacker, através das missões disponíveis durante o jogo.

Minha primeira experiência foi analisar e acompanhar o movimento dos NPCs, vendo o que cada um fazia, se eram suspeitos de algum crime, corrupção, entre outros fatores negativos e, cabia a mim, aplicar uma “punição”, que era um soquinho na cara e saia correndo.

Porém, depois de horas e horas jogando, devido às inúmeras possibilidades dentro do jogo — que comentarei logo mais — já estava eu, roubando os 50 dólares das contas dos outros só pelo prazer de ter o dinheiro e comprar as roupas superfaturadas das lojas milionárias (mesmo os donos dando 30 dólares no hack). Foi aí que comecei a ver que o objetivo principal do jogo acaba se tornando uma hipocrisia nas mãos dos jogadores: de que adianta a liberdade das pessoas, se você usa da mesma tecnologia para benefício próprio?

 

Voltando ao jogo

Deixando a crítica pessoal de lado, o jogo permite inúmeras interações que vão aumentando a cada nível e upgrade efetuado. E a cada novo upgrade, garanto que você vai perder pelo menos uns 10 minutos utilizando essas habilidades nas ruas pela diversão própria.

Habilidades variam desde conseguir identificar pessoas com muita grana em contas para hackear, como até controlar carros, estejam eles com ou sem condutor — e confesso que essa segunda me fez perder pelo menos 2 horas de jogo: criei acidentes entre um carro e a polícia, a lei prendeu o indivíduo e, ao coloca-lo dentro do carro, o veículo “fugiu” da polícia.

Por mais besteira que isso possa parecer no caso citado acima, além da diversão, elas passam a auxiliar suas missões cada vez mais, garantindo que você complete-as com mais rapidez e de forma mais segura, já que seu herói não é um Big Boss da vida que sempre está pronto para a guerra.

 

Falando em guerra…

Mesmo que sua arma principal seja o poder do hack, você pode e precisa se armar com armas de fogo, pois durante sua jornada você encontrará inúmeras gangues que são uma ameaça para a sua vida, então todo cuidado é precioso.

Agora, como você consegue essas armas? A DedSec permite que você crie suas próprias armas e personalize-as em uma máquina muito similar a uma impressora 3D. Nela, você escolhe qual armamento, desde pistolas até submetralhadoras, personaliza e incrementa o trabuco da forma que lhe convém. Claro que não é só chegar e “imprimir” as ferramentas, deve-se gastar um grande volume de dinheiro para que você consiga ser um Rambo em São Francisco.

 

Quando a inteligência não é tão inteligente

Uma das minhas decepções durante o jogo foi o nível da inteligência artifical dos NPCs do jogo. Claro que, como um bom gamer, acabamos jogando de tudo e comparações são inevitáveis. Um jogo lançado para geração passada conseguiu dedicar melhor a IA do que Watch Dogs 2 (vocês devem saber qual famoso open world devo estar falando, né, bandidagem?).

Agora, porque digo isso? Claro que no mundo real, existem várias formas diferentes que cada pessoa possa reagir para cada ação. Já em WD2, as ações são basicamente as mesmas para todos os NPCs que não sejam membros de gangue ou policiais. Você “irrita” ele, fica te encarando, te da uns empurrões, te da um soco e cai fora. Se você insiste na interação, a resposta não sai disso e, tente interagir dando socos no NPC com intervalos grandes, pois se você acerta 2 em sequência, já é caso para chamar o Samu!

Agora sobre a polícia, eu tive a impressão durante o jogo todo que ela não deve conhecer de tecnologia. Aparentemente, ela fica procurando o clássico bandido listrado de máscara, sem saber e nem entender o que está acontecendo. Isso acaba tornando as coisas mais fáceis para causar na cidade sem ser pego.

Porém, confesso que, na hora do volante, os caras são bem treinados. Mesmo com os gadgets para embaralhar os semáforos, subir bloqueios de rua, entre outras ferramentas, é até um pouco complicado escapar dos pilotos profissionais que se encontram na academia. Então se prepare para correr para conseguir escapar.

 

Para fechar

Com Watch Dogs 2 temos um jogo que, comparado com o primeiro em seu lançamento, supera e muito o que foi apresentado e acaba não entregando tantos bugs a ponto de impactar na sua jogabilidade e, consequentemente, na experiência de jogo. Porém, ainda não considero WD2 como um game que esteja entre os Top 10 de 2016.

Vale lembrar que o ponto citado acima parte de alguém que teve como primeira experiência na série o próprio Watch Dogs 2. Quem jogou o primeiro game da franquia de hackers da Ubi deve perceber que diversos pontos que foram recebidos com maus olhos pela comunidade gamer foram melhorados, com muita gente apontando uma grande evolução de um título para o outro. Provavelmente, caso eu tivesse jogado o primeiro Watch Dogs, a nota final deste review e a minha crítica em relação a WD2 não teria ficado tão pesada quanto pode parecer essa análise.

Sendo minha única experiencia com essa série, Watch Dogs 2 me faz pensar que só existem duas respostas para explicar o porque a conclusão da minha análise não foi tão positiva: ou a Ubisoft executou a produção desse jogo às pressas (ainda que aplicando diversas melhorias em relação ao game anterior), ou a temática parece funcionar melhor no papel do que na prática. Se fosse para apostar em um desses dois, ficaria no segundo time. Watch Dogs 2 está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC.

 

Watch Dogs 2 – Nota: 2,5/5

Desenvolvimento: Ubisoft
Plataformas:PlayStation 4 / Xbox One / PC
Plataforma utilizada na análise: PlayStation 4

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