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Thomas Lá, Dá Cá #4: Homem-Aranha Superior escreveu certo por teias tortas

Muita gente acredita que os fins justificam os meios. É uma postura um tanto ousada e que dá margens para medidas infelizes mas, de certa forma, é exatamente a cartilha que seguiu Dan Slott, o atual roteirista das aventuras mensais do amigão da vizinhança.

Pois é, aquele mesmo autor que foi xingado pelos quatro cantos do planeta ao ousar matar Peter Parker e fazer com que o velho Doutor Octopus transferisse sua consciência para o corpo do herói aracnídeo, uma reviravolta inusitada cuja fundamentação científica jamais será revelada.

Todo mundo sabia que aquele decisão não podia ser permanente e que, como manda a regra dos quadrinhos, ninguém fora a Gwen Stacy permanece morto, só que mesmo o leitor mais otimista achou difícil engolir o nascimento da linha Homem-Aranha Superior.

O modo como essa nova fase foi concebida não poderia ter sido mais enrolado, complicado e infeliz mas, quem diria, não é que dessa vez os fins realmente justificaram os meios?

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Graças àquele lag de lançamento que nós já estamos acostumados e conhecemos muito bem, tivemos que aguentar quase um ano de atraso para que a versão nacional do Homem-Aranha Superior alcançasse seu desfecho, já conhecido pelos leitores norte-americanos desde outubro do ano passado. Mas a espera valeu a pena.

Ao longo das 19 edições que a Panini publicou por aqui fomos agraciados com histórias empolgantes, inovadoras, criativas e, quem diria, até mesmo capazes de nos fazer aprender um bocado sobre o próprio Peter Parker. Até mais do que vínhamos aprendendo enquanto nosso piadista querido vestia o uniforme!

Não só por uma pequena parte de sua consciência aparecer aqui e ali pentelhando e ensinando lições de heroísmo ao Doc Ock, mas principalmente pelos paralelos que são traçados entre a história dos dois personagens.

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Não é simplesmente brilhante que, tão logo um vilão assuma o posto de Homem-Aranha, o prefeito J.J. Jameson vire o maior fã do mascarado? E o que dizer da vida amorosa do teioso? Se Peter Parker sempre foi tremendamente superficial, saindo apenas com as garotas mais lindas de Nova York, coube ao Oquinho encontrar o amor em uma das últimas mulheres para quem Peter olharia.

Cada encontro com vilões e tretas com os Vingadores e diversos aliados do Aranha ajudaram a tornar a mensal empolgante e com cheirinho de novidade, deixando qualquer aracno-fã doido para saber o que iria acontecer na edição seguinte.

Até por isso é uma pena que a publicação tenha encontrado seu fim precocemente. É notável que, em sua reta final, a trama dá uma grande corrida, fazendo com que o excelente arco Nação Duende dure menos do que deveria.

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Ao menos, a despeito de todas as probabilidades, Slott conseguiu escrever uma saga memorável e, partindo do puro desprezo dos fãs, construir um arco que será lembrado para sempre como uma das mais divertidas e profundas sagas do aracnídeo. De fato, uma aventura superior.

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