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Críticas

Viaje ao passado com Yooka-Laylee

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Se você lembra com carinhos dos tempos em que assoprava seus cartuchos de Nintendo 64, passava na banca mais próxima em busca de detonados que o ajudariam a encontrar todos os segredos e colecionáveis das aventuras, e não tinha maiores preocupações na vida além de ajudar um urso e uma passarinha desbocada a derrotar uma bruxa maléfica, Yooka-Laylee foi feito para você.

Desenvolvido pela Playtonic Games, um time talentoso formado por diversos ex-funcionários da Rare (ou melhor, por ex-funcionários dos tempos em que a Rare ainda era uma grande desenvolvedora), Yooka-Laylee nasceu como um gigantesco sucesso de financiamento coletivo no Kickstarter, arrecadando mais de dois milhões de Euros em sua campanha.

Sua proposta era simples e clara: disponibilizar um novo jogo na mesma linha dos títulos que marcaram época no Nintendo 64, como Banjo-Kazooie, Conker’s Bad Fur Day e Donkey Kong 64. Para o bem ou para o mal, a promessa foi cumprida rigorosamente. Felizmente para o bem, na maior parte do tempo.


Yooka-Laylee é um jogo absolutamente convicto de seus valores, aplicando sua visão a cada detalhe de seu design. Jogado como um clássico da plataforma tridimensional, suas mecânicas são focadas na busca por colecionáveis espalhados por mapas bem grandes e repletos de segredos, com direito a bastante backtracking.

São cinco mundos ao todo, cada um deles com toneladas de conteúdo para descobrir. A principal meta é obter páginas douradas, que podem estar vinculadas tanto a enigmas ambientais como a pequenas quests habilitadas por personagens carismáticos. Como nem sempre os heróis terão os poderes necessários de cara, várias vezes é preciso voltar aos mundos munido com novos recursos.

Para encher nossos corações de nostalgia, os NPC falam em pequenos balões e grunhidos idênticos aos de Banjo-Kazooie, e há muito do típico humor britânico, tão presente nos velhos jogos da Rare. Prepare-se para esbarrar com vários trocadilhos bobinhos tanto nos nomes dos personagens como em suas falas.

O lagarto e sua parceira morcega aprendem várias habilidades novas ao longo da jornada. Ao conversar com a cobra Trowzer, é possível aprender a rolar, voar, ganhar invulnerabilidade temporária, disparar projéteis e… bom, praticamente todo o arsenal já visto em Banjo-Kazooie. Os poucos poderes novos não impressionam e fica claro que Yooka-Laylee poderia ter se empenhado mais nesse departamento.

Se antigamente era preciso coletar cinco Jinjos por fase, agora há 5 escritores fantasmas espalhados pelo mapa, o que traz um ótimo twist: ao invés de NPC estáticos, cada fantasma traz um desafio único. Os azuis só são revelados com tiros de sonar, os vermelhos estão prontos pra lutar e os rosas precisam ser alimentados por tiros de projéteis.

Outra boa ideia é a expansão dos níveis. Sempre que você abrir um novo mundo, terá acesso a apenas uma fração de seu território total. É preciso desembolsar algumas Pagies para que o mundo livro seja expandido e revele todos os seus segredos. Isso aumenta o fator replay e garante uma boa variedade ao game, embora faça falta não ter mais do que cinco mundos principais e um grande hub central.

O constante sentimento de familiaridade com os clássicos da Rare é, ao mesmo tempo, a maior benção e maldição de Yooka-Laylee. Embora eu tenha sorrido quase ininterruptamente ao longo das pouco mais de 15 horas que demorei para até encarar e derrotar o chefe final, também me senti preso às limitações inerentes ao formato.

Foi delicioso reviver algumas das minhas memórias mais queridas da infância, mas não consegui afastar o sentimento de que tudo que Yooka-Laylee apresenta já foi feito de forma maior e melhor nos tempos do Nintendo 64. Inclusive o game traz de volta alguns problemas de câmera que deviam ter ficado no passado. Enquanto os títulos da Rare feitos em parceria com a Nintendo apresentavam a melhor tecnologia disponível na época, Yooka-Laylee larga com atraso, sofrendo com gráficos e até direção de arte aquém do padrão atual.

Ainda assim, é importante deixar claro que, para cada incômodo presente em Yooka-Laylee, há dois ou três elementos que tornam a jornada mais do que satisfatória. A incrível trilha sonora composta pelo mestre Grant Kirkhope, por exemplo, não apenas recria a vibe dos jogos antigos, como a moderniza de forma bem interessante.

Yooka-Laylee atende perfeitamente às necessidades de seu público. Se você busca um jogo de plataforma extremamente nostálgico, nem mesmo os problemas listados irão impedir sua diversão, então é só correr pro abraço. Já quem busca algo parecido com os modernos blockbusters, jogos de tiro, aventuras ou games AAA do mercado… bom, você tem certeza que clicou no texto certo?

Yooka-Laylee – Nota: 4/5

Produtora: Playtonic
Plataformas: Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One
Plataforma utilizada na análise: PlayStation 4

Formado na arte de reclamar, odeia a internet. Ainda assim, sua hipocrisia sem limites o permite administrar a página no Facebook, plataforma de divulgação do seu primeiro livro. Você também pode seguí-lo em @thomshoes no Twitter, mas provavelmente é uma má ideia...

Críticas

Brinquedos que Marcam Época é um presente da Netflix

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No finzinho de 2017 a Netflix disponibilizou uma de suas melhores e mais subestimadas produções. Quase sem alarde, The Toys That Made Us (Brinquedos que Marcam Época, em português) chegou ao serviço de streaming e, se você gosta de brinquedos e colecionáveis, não deveria deixar esse documentário passar batido!


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Por enquanto são apenas quatro episódios com pouco menos de uma hora cada um, mas já há outros quatro encomendados, com estreia programada para ainda em 2018. Já estão no ar documentários sobre Star Wars, GI Joe, Barbie e He-Man, e na segunda levam estreiam LEGO, Transformers, Hello Kitty e Star Trek.

Com direção de Tom Stern, o documentário criado por Brian Volk-Weiss é extremamente nostálgico, como não poderia deixar de ser, mas, diferente de outras produção da Netflix, jamais se limita a uma apelação barata para nossas lembranças a fim de provar seu valor. Não, aqui há bastante trabalho de pesquisa e material interessante até mesmo para os aficionados mais versados no tema.

Pessoas envolvidas com as mais diversas etapas da produção e venda de brinquedos, desde seus idealizadores, passando por empregados das empresas, advogados, executivos e varejistas, fornecem aspas repletas de informações, então há muito a se aprender sobre a história do hobby favorito de milhares de pessoas por todo o mundo.


Naturalmente, o foco do documentário fica restrito ao mercado norte-americano mas, felizmente, isso não impede a nossa apreciação e identificação, já que todos os brinquedos mencionados por enquanto fizeram muito, muito sucesso em nossas lojas também, ainda que em diferentes proporções.

Se você nasceu na década de 1980, seguramente deve ter várias memórias sobre esses bonecos! Mas, se for mais jovem, encontrará aqui uma oportunidade de ouro para o aprendizado, que não deve ser desperdiçada.

Ao fim da série, você vai saber muito mais sobre como era a cultura pop durante as décadas de 1970 e 1980. Mais importante, vai entender melhor como funciona a cabeça daqueles que vivem em função de pequenos pedaços de plástico, e como esses pequenos objetos podem ganhar um improvável e gigantesco significado nos corações das pessoas.

 

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Críticas

Franz Ferdinand não consegue ser nem sombra do que já foi em Always Ascending

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No começo dos anos 2000, o rock ganhou uma sobrevida inesperada com o advento do indie e da volta do rock de garagem. Liderado por nomes como The Strokes e Arctic Monkeys, o período foi imensamente frutífero, e até bandas “secundárias” como Kaiser Chiefs conseguiam lançar grandes músicas, mesmo longe de chegar ao mesmo status de fama dos líderes do movimento.


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Em algum lugar no meio do caminho ficava o Franz Ferdinand, banda formada em Glasgow em 2002, com clara inspiração em Talking Heads e nas guitarras do Gang of Four. Com músicas perfeitas para dançar e pular, o grupo trouxe toda uma vibe festiva e sexy para o rock da época, mas acabou não alcançando tanta fama em escala global, até eventualmente se resignar e acomodar com o posto de banda de nicho. Seu novo disco foi lançado esta semana, então vamos avaliá-lo faixa a faixa.

Always Ascending, a faixa título do disco e também a responsável por abrir os trabalhos, é um perfeito resumo dos problemas do novo Franz Ferdinand. Ela começa com uma extenuante introdução de 1:20 minutos regida por um corinho insuportável. O “prêmio” por sobreviver a isso é encontrar um pouco de música eletrônica batalhando por espaço até a canção ter algo interessante a mostrar, o que só acontece aos 2:27 minutos, quando a faixa finalmente soa minimamente tolerável, e nada mais que isso.


Lazy Boy, como o próprio nome indica, mostra um Kapranos mais preguiçoso e desinteressado do que nunca, uma persona que, infelizmente, ele não consegue abandonar por praticamente todo o disco. Melhor sorte tem Paper Cages, a melhor faixa do álbum até então, e uma das poucas que conseguem apontar para o que poderia ser um futuro interessante para a banda.

Ao invés de se contentar com guitarrinhas genéricas tentando alcançar o trabalho lendário do ex-membro Nick McCarthy, a canção abraça o teclado que, por sua vez, alavanca o baixo dançante de Bob Hardy em direção a novos caminhos bem gratificantes. Ali sim Kapranos parece empolgado com o material, e seu vocal vai bem além do tédio onipresente no disco.

A faixa seguinte, Finally, prontamente destrói esse pequeno progresso ao apostar em um novo coro intragável, o que é a segunda pior ideia que a banda teve em sua carreira (perde apenas para a esdrúxula parceria com o Sparks, que gerou a atrocidade chamada FFS). The Academy Award não é das piores, mas sofre do mesmo mal que a maioria das faixas do disco: dura um bom minuto e meio a mais do que deveria, e cansa por isso. Ainda assim, seu ritmo mais lento é um bom suspiro de tranquilidade em um disco que o tempo inteiro se força a parecer agitado, mas jamais consegue engrenar de verdade.

Lois Lane é um pouco agridoce, porque algumas partes instrumentais são interessantes e quase empolgantes, mas a harmonia vocal coloca tudo a perder com versos arrastados e chatos. Algo parecido acontece em Huck and Jim, porque o baixo e a bateria de Paul Thomson apontam para uma  música instigante, e o vocal de Kapranos e letra pífia anulam as virtudes da canção.

Quando tudo parecia fatalmente corrompido, Glimpse of Love aparece como uma salvadora improvável. Não por acaso, tal qual Paper Cages, é um exemplo perfeito de como jogar uma vibe meio Hotline Miami pode dar certo para um Franz Ferdinand desfalcado de seu guitarrista principal. O tecladinho, quando bem usado, cria uma atmosfera muito boa e, de novo, ela ajuda Kapranos a soar como o bom vocalista que costumava ser. Disparado a melhor faixa do álbum!

Munido dessa energia, Feel the Love Go aponta para um fechamento de disco com um pouco de dignidade. Instrumentos de sopro foram uma boa adição e, finalmente, o Franz Ferdinand conseguiu soar dançante e feliz como a banda que conquistou a galera no começo dos anos 2000.

Slow Don’t Kill Me Slow é um epílogo desnecessário e novamente mais longo do que deveria, e ajuda o álbum a terminar com bem mais erros do que acertos. No entanto, nem tudo está perdido. As poucas faixas genuinamente boas, como Paper Cages e Glimpse of Love, são um claro indicativo de que o Franz Ferdinand ainda consegue soar interessante mesmo sem apelar para truques batidos ou meras emulações de seu passado. O jeito é torcer para vermos mais disso nos trabalhos futuros da banda.

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Pokémon Gold & Silver #1 é um novo (e divertido!) mundo de aventuras

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A Editora Panini está fazendo um ótimo trabalho com a marca Pokémon. Depois de publicar a saga Black & White, em 2017 os mangás Pokémon Adventures passaram a ser lançados em ordem cronológica, desde Red Green Blue, passando por Yellow e agora, em fevereiro de 2018, chegou o momento de seguir a saga Gold & Silver!


Veja também:


Como nos volumes anteriores, o roteiro é de Hidenori Kusaka, que já mandou super bem nas outras sagas e, mais uma vez, conseguiu replicar perfeitamente o clima dos jogos nas páginas dos mangás. Quem está quase se despedindo é a ilustradora Mato, que a partir do Volume 10 japonês (será a nossa terceira edição, ainda sem data de lançamento prevista) dará lugar a Satoshi Yamamoto devido a problemas de saúde.

Infelizmente, já neste volume nacional é possível notar uma simplificação de seu traço. Os painéis ainda são muito divertidos e a história flui com ótimo ritmo, mas é evidente que Mato não estava em sua melhor forma e, assim, diversas cenas ficam mais rasas do que deveriam.

Isso não chega a atrapalhar a diversão, e o preço de R$ 13,90 é mais do que justo pelas quase 220 páginas de aventura, que adaptam com razoável fidelidade a trama contada nos jogos Pokémon Gold & Silver de GameBoy e GameBoy Color.


O protagonista, como não poderia deixar de ser, é o jovem e empolgado Gold, que começa sua jornada a partir da cidade de New Bark, e de lá segue em uma improvável aventura. Em Johto, a cena competitiva ainda não é tão forte, e os Líderes de Ginásio ainda estão sendo escolhidos e testados.

Relembre o nosso book tour em vídeo pelas primeiras edições do mangá Pokémon Red Green Blue

Assim, Gold ainda não sonha em ser campeão ou mesmo um treinador de respeito. Para ele, Pokémon são seus parceiros e parte da família. No entanto, a natureza exibida e impulsiva do jovem logo o coloca no caminho da confusão. Por acidente, sua mochila cheia de criaturas é roubada por membros da equipe Rocket, e Gold acaba suspeitando de Silver, o que o coloca em uma caçada frenética em busca do rival para um acerto de contas.

Como de praxe, a cada capítulo dessa história encontramos um Pokémon diferente, o que é uma boa oportunidade de explorar seus poderes de formas nunca vistas nos games ou anime. Ou seja, é um prato cheio para quem adora os monstrinhos da Nintendo.

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