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Críticas

Game of Thrones: The Lost Lords tenta, mas não consegue prender o jogador

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Se você achava que o final de Iron from Ice tinha passado a impressão de que a primeira temporada do jogo baseado em Game of Thrones ia deslanchar, pode tirar o cavalinho da chuva. Apesar de algumas reviravoltas e a introdução de novos membros da família Forrester, The Lost Lords tem um ritmo tão lento que chega a cansar em vários momentos.

Viajando para terras distantes

Atenção: O trecho a seguir contém spoilers de Iron from Ice

Após a chocante morte de Ethan pelas mãos de Ramsey Snow, a família Forrester se vê em uma situação ainda mais difícil do que se encontrava após os eventos do Red Wedding. Na busca por alguma forma de salvar sua família e o Ironwood, bem mais precioso da casa Forrester, Lady Forrester envia seu irmão Malcolm para as distantes terras de Yunkai para encontrar seu filho, Asher.

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Enquanto isso, Gared finalmente chega à muralha, inicia seu treinamento e ainda conhece personagens dos livros, como Jon Snow e Frostfinger. Mira, por sua vez, continua em King`s Landing tentando encontrar alguma maneira de ajudar sua família, mesmo que à distância e em terras inimigas. O problema é que a garota, por ser muito inocente e querer desesperadamente ajudar sua, pode estar dando passos maiores que suas pernas e piorando a situação.

Além disso, mais algumas surpresas acontecem logo no início do episódio, mas prefiro não comentar aqui para que pelo menos haja algo chocante durante o gameplay dos que estão lendo esta análise.

Conversando muito, decidindo pouco

Como em Iron from Ice, The Lost Lords possui cenas de ação, que são o ponto alto do título e os já tradicionais diálogos dos jogos da Telltale. O maior problema é que pouco do que acontece durante o capítulo parece ser realmente relevante para a continuidade da história.

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Com cenas inteligentes e bem escritas, o jogo pode até envolver, mas as decisões tomadas pelo jogador são muito rasas e não parecem fazer diferença alguma ao andamento da trama, que se arrasta até o final do episódio, que nem ao menos possui um gancho para o vindouro terceiro capítulo do título.

Apesar deste problema, The Lost Lords se sai bem ao introduzir os novos personagens e locais ao universo do jogo. Dentre os novos  personagens, Asher é o grande destaque. Jovem e perdido na vida, o rapaz se tornou um mercenário e quer levar vantagem em tudo que faz. Suas cenas rendem momentos de ação frenética e diálogos bastante afiados, além de se passarem em Yunkai apenas três dias depois que Daenerys libertou todos os escravos da cidade.

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Mira também se torna um personagem mais forte e sua trama parece começar a tomar forma, mas ainda é cedo para dizer se ela terá papel fundamental no desenvolvimento do enredo ou se vai morrer na praia como boa parte dos personagens da saga de George R. R. Martin.

Problemas milenares

Se há algo que poderia ser repetido em toda e qualquer análise de jogos da Telltale, isso seria como a problemática engine de seus jogos atrapalha a jogabilidade. Contando com as tradicionais travadas e engasgadas, além do atraso de legendas e movimentação dos personagens em relação aos efeitos sonoros, o jogo frustra em muitos momentos por parecer estar travando.

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Além disso, como disse na análise de Iron from Ice, os gráficos não são lá aquelas coisas, e o que deveria passar a impressão de estarmos vendo pinturas feitas à mão a lá The Legend of Zelda: Skyward Sword, parece que estamos diante de simples borrões multicoloridos. Por sorte, o trabalho de dublagem continua espetacular, bem como a trilha sonora que transmite todo o clima épico do universo criado por Martin.

Ainda há esperança para os Forrester

Apesar de tantos defeitos, The Lost Lords segue a cartilha de todos os trabalhos da Telltale, e agradará os amantes de jogos de aventura. Com um ritmo mais lento e poucas decisões importantes, o título peca por não tornar a trama mais envolvente do que era no primeiro episódio.

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Com mais quatro episódios pela frente, a Telltale terá que arrumar uma forma de tornar a história mais profunda e com decisões mais relevantes para que a experiência seja tão memorável quanto a inesquecível aventura de Lee e Clementine em The Walking Dead. E com a riqueza do universo de Game of Thrones e o talento da desenvolvedora, isso com certeza ainda é possível.

Game of Thrones – Episode 2: The Lost Lords – Nota 3/5

Desenvolvedora: Telltale Games

Plataformas: PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One, PC, iOS, Android. Versão utilizada: Xbox One

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Economista, colecionador de games e nintendista fanático reabilitado. Também é apaixonado por Zelda, Star Fox, cachorros e coelhos. Atualmente joga de tudo um pouco e, ao contrário de alguns, nem é tão pessimista assim quanto aos rumos da indústria. Ex-diretor de pautas do GameBlast, dedica-se integralmente ao PlayReplay.

Críticas

Mega Man Legacy Collection 2 | Switch recebe a versão definitiva das aventuras do robôzinho

Nunca foi tão bom jogar Mega Man 7, 8, 9 e 10!

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em

Mega Man Legacy Collection 2 é a coletânea de games da Capcom que reúne as aventuras Mega Man 7, Mega Man 8, Mega Man 9 e Mega Man 10, o que completa todos os jogos numerados da série disponíveis até agora. Ou seja, é o aquecimento perfeito para esperarmos  Mega Man 11, que sai ainda em 2018!


Veja também:


Essa coleção caprichada já contava com versões para PC (steam), PlayStation 4 e Xbox One, mas foi relançada em nova edição para o Nintendo Switch. Se considerarmos as vantagens de portabilidade que o console híbrido da Big N proporciona, não seria absurdo algum afirmar que essa é a melhor forma de jogar Mega Man Legacy Collection 2!

Clique no player acima para conferir o nosso review em vídeo, postado por Aquele Cara, canal parceiro do PlayReplay!

As leis da robótica

Ajuda bastante que os games clássicos do Mega Man tenham aquela estrutura icônica de oito mestres robóticos espalhados por fases curtas e bem azeitadas. O esqueminha de vencer os chefes e então pegar suas armas e usá-las para derrubar outros mestres é de lei na série, e envelheceu perfeitamente. Até porque esse tipo de jogo casa perfeitamente tanto com breves jogatinas a caminho de casa como com maratonas no conforto do sofá, se desafiando nas campanhas principais e nas dezenas de desafios bônus presentes no game.

Se você pegou os jogos na época de seu lançamento, deve lembrar que tanto Mega Man 9 como Mega Man 10 já contavam com um sistema integrado de desafios, que consistiam em fases únicas com armadilhas próprias e também time attacks situados dentro das fases normais do game.

Tudo isso está de volta, mas a Capcom também acrescentou desafios exclusivos da versão Legacy para quem curte competir em placares de liderança online. Todo jogo conta com pelo menos 10 desafios próprios, que premiam o seu desempenho com troféus de bronze, prata ou ouro. É bem legal se desafiar a escalar o ranking, e isso traz novos desafios até para quem, como eu, já sabe os jogos de cor.

Passado glorioso justamente celebrado

Dizer que Mega Man Legacy Collection 2 é uma verdadeira aula de história sobre a série não seria exagero algum já que, diferente da Collection anterior, aqui é possível admirar todos os diferentes estilos artísticos, de design e gameplay que passaram pela série original ao longo das gerações, explorando os diferentes motores gráficos e de gameplay que a Capcom desenvolveu para cada era.

Mega Man 7 (de 1995, no Super Nintendo) é um jogo de ritmo único, com bonecos grandões e visual cartunesco com ar de anime. Como os modelos de personagens ocupam bastante espaço, o jeito de saltar e atacar ganha uma cadência sem igual, o que acabou dividindo bastante os fãs na época. Meu único problema real com ele é que algumas partes, especialmente a introdução, são lentas até demais.

Mega Man 8 (de 1997, para SEGA Saturn e PlayStation 1) foi ainda mais longe na ideia de dar um ar de anime ao game, e conta com vozes dubladas e sequências animadas ajudando a contar a história. Infelizmente a dublagem japonesa, bem superior, ficou de fora da versão americana para Switch. É aqui que temos o que talvez seja a arma mais bizarra e legal da série, uma bola e futebol que causa um belo estrago nos inimigos! Só sinto falta da trilha sonora marcante dos outros games da série.

Mega Man 9 (de 2008) e Mega Man 10 (2010), ambos para Nintendo Wii, PlayStation 3 e Xbox 360, destacam-se pela ousadia de levar a série à uma “retro-evolução”. A ideia desses games, feitos em parceria com a Inti Creates, era recriar a mesma sensação e desafios do clássico Mega Man 2, um dos mais celebrados da série.

Com isso, o time de desenvolvimento aboliu movimentos como o dash e o Mega Buster com tiros carregados, e levou o robôzinho azulado de volta às suas origens, focando o gameplay em saltos precisos e bastante memorização de padrões. Como fã dos primeiros jogos, eu adorei isso, especialmente pela possibilidade de jogar uma campanha controlando o Proto Man, que eu sempre achei o visual mais legal da franquia inteira.

Uma noite no museu

Já que eu falei em aula de história, vale lembrar que nenhuma viagem pelas nossas memórias estaria completa sem um museu de respeito. Ainda bem que esta coletânea traz centenas de artes conceituais, esboços e scans dos heróis e vilões, além de uma biblioteca sonora com todas as músicas dos games!

Mega Man é uma das minhas séries favoritas da vida, e é sempre ótimo ver o personagem ser tratado com a devida reverência. Eu realmente gostaria que a Capcom tivesse reunido as Collection 1 e 2 em um cartucho único mas, fora esse problema de logística — e um estranho detalhe técnico: não dá para consultar mais que quatro placares de liderança em sequência dentro dos desafios, pois o jogo pede para você esperar um pouco até a próxima consulta. Vai entender? —, o pacote é recomendado a qualquer um que ame os jogos originais ou queira descobrir o que fez tanta gente se apaixonar pela série nas décadas passadas. E que venha o Mega Man 11!

Mega Man Legacy Collection 2
9.5 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Quatro ótimos jogos
  • Desafios divertidos
  • Acervo sonoro e de artes
Contras
  • Devia estar na
    mesma collection dos jogos
    Mega Man 1 ao 6
Avaliação
Mega Man Legacy Collection 2 fica ainda melhor no Nintendo Switch graças aos recursos portáteis do console híbrido da Nintendo. Mega Man 7, 8, 9 e 10 podem não ser tão queridos quanto os primeiros jogos do mascote da Capcom, mas proporcionam dezenas de horas de diversão para qualquer fã de plataforma que se preze.
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Críticas

Horizon Chase Turbo é uma deliciosa viagem no tempo

jogo é perfeito para quem sente saudades de Top Gear

Publicado

em

Depois de fazer muito sucesso em sua versão mobile para Android e iOS em 2015, Horizon Chase, o jogo de corrida feito pelos brasileiros do estúdio Aquiris, finalmente chegou em uma versão tunada ao PlayStation 4 e PC (steam). Confira nossas impressões logo abaixo no review completo da nova versão, Horizon Chase Turbo!


Veja também:


Basta ver qualquer imagem do game para entender imediatamente quem é o seu público alvo: toda aquela galera que se amarra em um bom Top Gear, Out Run, ou qualquer um desses clássicos jogos de corrida das gerações 8 e 16 bits, especialmente. Sua proposta é totalmente arcade e sem qualquer compromisso com a simulação, seguindo a cartilha dos jogos que o inspiraram. Nem seria absurdo algum caso o jogo levasse o nome de Top Gear 4 ou qualquer variante disso, já que ele transborda referências à série da Kemco.

Clique na imagem acima para dar play no nosso review em vídeo, cortesia do canal parceiro Aquele Cara

Até o compositor da trilha marcante do Super Nintendo, Barry Leitch, voltou para escrever as incríveis músicas que temperam as corridas de Horizon. É uma sonzeira de primeira que sabe misturar nostalgia e inovação na dose certa. O mesmo vale para o game si: por mais que sua proposta de gameplay seja pautada no passado dos jogos de corrida, ele nunca parece um produto derivativo e sem alma, pois há tanto amor e empenho em cada canto do jogo que ele acaba se tornando maior que a soma de suas partes.

E nem falo isso por patriotismo barato nem nada não! Eu realmente me diverti demais em cada um dos modos de jogo do Horizon, especialmente o seu cooperativo local, exatamente como tem que ser. É muito legal jogar com um amigo, pois cabe a vocês decidir se a parada é competitiva ou cooperativa!

A parte de modernidade online fica com as tabelas de liderança, já que seus tempos nas dezenas de pistas do game ficam registrados na internet, e aí dá pra desafiar os fantasmas dos amigos que você tiver em sua lista de contatos, o que gera um bom desafio e aumenta o fator replay.

Com o perdão do trocadalho, o motor gráfico faz com que todos os carros tenham um estilo bem legal e coerente com o cenário à sua volta, que usa um estilo caricato meio low-poly que cai muito bem com o mundo ao seu redor. Além de torneios e provas de resistência, o principal modo de jogo é o Volta ao Mundo que, como você já deve ter imaginado, traz pistas espalhadas por todo o globo. Cada pista é focada em cidades ou locais icônicos, então volta e meia pinta um ponto turístico legal no horizonte.

A curva de aprendizado é perfeitamente calibrada, então você vai pegando aos poucos o jeito certo de correr e aprendendo naturalmente os macetes e melhores formas de jogar. Não pense que é só correr, porque nas provas avançadas você precisa estudar até a melhor forma de gerenciar seu combustível e nitros! Ah, e ainda tem uns colecionáveis espalhados em pontos desafiadores das pistas para coletar, o que faz a alegria de qualquer complecionista como eu.

Entre blockbusters e jogos indie de primeira, 2018 já trouxe muitos jogos legais, mas, possivelmente por ser um grande fã de Top Gear, nenhum game do ano me alegrou mais que Horizon Chase Turbo até agora. Se você também gostava dos títulos de corrida da década de 80 e 90, nem precisa pensar duas vezes. O precinho camarada de R$ 50 deve ser todo incentivo que faltava para você ir correndo comprar o seu. Nos vemos na linha de chegada!

Horizon Chase Turbo
10 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Nostalgia sob medida
  • Dezenas de pistas
  • Trilha sonora
Contras
  • Pouca inovação
Avaliação
Horizon Chase Turbo é um legítimo herdeiro de Top Gear, e sabe recriar perfeitamente a sensação de jogar esse clássico 16 bits, usando a nostalgia com muita sabedoria. A trilha sonora é perfeita e jogar localmente com um amigo é tão divertido quanto na década de 1990. Sobe o tema da vitória, Brasil!
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Cinema

Surpreendente, Deadpool 2 é cinema descontraído, divertido e cheio de ação

Entre erros e acertos, longa diverte e surpreende ao tomar rumos inesperados

Publicado

em

Deadpool 2, a continuação do aclamado filme que chegou as cinemas em 2016 com os dois pés nos peitos de nossas expectativas ao subverter o gênero de super-heróis com todo tipo de piadas e violência gratuita e explícita, chega aos cinemas esta semana. O filme, estrelado novamente por Ryan Reynolds, tem a missão de ser tudo o que a película anterior foi e ir além. Mas será que consegue?


Veja também:


Antes de começar a crítica, é preciso fazer aqui uma declaração: nunca fui realmente fã do Deadpool. Voltando uns bons 15 anos no tempo, lembro que quando mais jovem, na época da escola, lia avidamente as HQs da Marvel e discutia os arcos e edições com os amigos, meio que ignorava um pouco o mercenário falastrão. Lembro nitidamente de ranquear meus super-heróis favoritos com a galera e sempre — sempre mesmo — um dos únicos a bater o pé e dizer que “o Deadpool é que é foda” era o Luiz Felipe Piorotti, que também colabora aqui no PlayReplay.

Avançamos no tempo e agora é 2016. Wade Wilson chega aos cinemas, interpretado por Ryan Reynolds, em um filme que muda bastante alguns aspectos do personagem e seu folclore, mas ainda assim se mantém fiel à essência do que se entende por Deadpool.

Era mais do que evidente que o filme vinha para causar com sua classificação etária alta, que lhe rendeu o título de filme para maiores mais rentável da história do cinema e ainda ajudou a preparar o terreno para o violentíssimo (além de muito bom) Logan, que fechou com chave de ouro a saga do Wolverine de Hugh Jackman nos cinemas. Não digo que virei fã de carteirinha do Deadpool, mas o filme com certeza me divertiu bastante e deixou aquele gostinho de “quero mais.”

Cuidado! A partir daqui o texto contém spoilers!

Voltamos agora ao presente, e Deadpool 2 está aí. Desde o começo do filme é notável que a equipe de produção optou por apostar todas as fichas em repetir (e aprimorar) tudo o que deu certo no longa anterior, como todo tipo de piadas sexuais, escatológicas e tiradas quebrando a quarta parede, até porque o fator “novidade” (que foi sem dúvidas um dos maiores trunfos da estreia de Deadpool nos cinemas) já passou.

Somos apresentados a um Deadpool tristonho — mas sem perder o senso de humor — cometendo suicídio, e após sua “morte” o filme repete o esquema de “memória narrada” do longa anterior e acompanhamos Wade Wilson matando bandidos ao redor do planeta, mostrando o que o personagem fez entre uma trama e outra. A ação durante este trecho do filme beira a perfeição (palmas para o diretor David Leitch, de John Wick!), cheia de cenas rápidas e violentas repletas de desmembramentos e mortes e piadas e muito, mas muito sangue. E são os acontecimentos desta sequência que desencadeiam a trama de Deadpool 2.

Após um terrível infortúnio, Wade perde a vontade de viver (culminando na tentativa de suicídio) e acaba sendo socorrido por Colossus (Stefan Kapicic), que aqui ganha um papel mais relevante como bússola moral e verdadeiro amigo do mercenário falastrão em uma sequência que tem uma das melhores (e mais inesperadas) participações especiais do filme. A trama vai se desenrolando até que Deadpool topa entrar para os X-Men como trainee/estagiário ao lado de Colossus e Míssil Adolescente Megassônico (Brianna Hildebrand), e é aí que somos apresentados a Russell Collins (Julian Dennison), um jovem mutante que busca vingança contra o orfanato onde sofria constantes abusos.

A química entre Wade e Russell funciona muito bem, o que ajuda a comprar a ideia de que Deadpool faria de tudo para salvá-lo quando Cable vem do futuro para exterminar o rapaz. Segundo o coroa bombado, quando adulto, Russel é responsável pela morte da família do brucutu, interpretado por Josh Brolin — que parece tão confortável na pele do mutante viajante do tempo quanto estava como Thanos, no último Vingadores.

E a partir daí o filme engata em um ritmo frenético, parando apenas para respirar (e soltar uma piada ou quebrar a quarta parede, isso quando não faz tudo isso de uma vez), e nos deleita com sequências de ação, diálogos, interações e reviravoltas na trama que nos deixam ao mesmo tempo sentados na pontinha da cadeira, gargalhando e boquiabertos.

Um dos grandes destaques dos trailers, a equipe X-Force criada por Deadpool brilha na sequência mais interessante, divertida e inesperada de todo o filme. Vanisher (não pisque ou vai perder a ótima participação especial!), Shatterstar (Lewis Tan), Bedlam (Terry Crews, o eterno “pai do Chris”), Zeitgeist (Bill Skarsgaard, o palhaço de It- A Coisa), Peter (Rob Delaney, simplesmente o melhor!) e Domino (Zazie Beetz, que mostrou que apesar de todas as críticas negativas dominou o papel) extrapolaram o surpreendente e provaram que a Fox fez a lição de casa na hora de conseguir manter os segredos guardados a sete chaves.

Deadpool 2 acerta em cheio em nos presentear com o inesperado, tomando rumos completamente diferentes do que esperávamos, mas peca (e muito) no uso da computação gráfica. Quando personagens feitos em CG aparecem na tela, fica mais do que evidente que são gerados por computação gráfica. Basta comparar o Colossus do primeiro filme com o desta nova película para perceber que a qualidade dos efeitos especiais caiu consideravelmente. Quando o último vilão do filme aparece, então, aí sim é que a coisa fica realmente feia.

Por falar em vilão, Deadpool 2 sofre ao mesmo tempo com o excesso e com a falta de vilões. Pois é, eu explico. O filme tem 3 vilões principais: o primeiro surge na sequência de introdução, mas é descartado logo em seguida; o segundo, Cable, vira a vida de Deadpool de cabeça pra baixo mas logo se torna um aliado; enquanto o terceiro e último surge de maneira extremamente inesperada mas não tem qualquer peso ou importância para a trama. Em momento algum em Deadpool 2 há um senso de urgência ou de real perigo, o que atrapalha um pouco a experiência.

Em alguns momentos o filme também parece não saber aonde quer chegar, e de certa forma transformar Deadpool em alguém tão emocional em uma trama de alma amargurada em busca de redenção não combinou tanto com o personagem que Ryan Reynolds nos agraciou em 2016. Foi até mesmo por isso que foi impossível conter a risada quando o próprio Deadpool aponta que o roteiro do filme é preguiçoso.

Mas nada disso torna a experiência de Deadpool 2 ruim. Muito pelo contrário, a continuação honra o legado do filme anterior e se prova um filme imperdível. Depois do trauma de Vingadores: Guerra Infinita, nada melhor do que gargalhar no cinema em uma aventura descontraída, divertida e cheia de ação.

A sacada de aproveitar ambientações como a Mansão X e utilizar músicas famosas que realmente funcionam no contexto da trama ajudam Deadpool 2 a segurar a atenção do espectador, que fica atento a todo instante tanto pra pegar as referências e rir das piadas quanto para saber o que vai rolar na cena seguinte. 

Ah, e não saia do cinema quando subirem os créditos! Deadpool 2 tem as melhores cenas “pós-créditos” (no caso, no meio dos créditos) que já vi em um filme de super-heróis, tirando sarro e “corrigindo erros” do passado. Simplesmente genial! Resta saber o que será da franquia, agora que a Marvel detém os direitos do personagem e dos X-Men — e é provavelmente por isso que o longa termina sem deixar tantos ganchos para uma possível sequência.

Mesmo com alguns defeitos bastante evidentes, Deadpool 2 definitivamente merece ser assistido no cinema. Só tome cuidado para não engasgar quando rir enquanto come sua pipoca!

Deadpool 2
8 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Ação na medida certa
  • Ótimas participações
    especiais
  • Reviravoltas na trama
  • Cenas "pós-créditos" geniais
Contras
  • Computação gráfica
  • Deadpool de coração mole
  • Não passa sensação
    de perigo
  • Trama meio preguiçosa
Avaliação
Entre erros e acertos, Deadpool 2 oferece uma aventura surpreendente emocional, cheia de reviravoltas e, é claro, violenta e divertida, que merece ser assistida na tela do cinema.
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