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Críticas

Red Dead Redemption II retrata o Velho Oeste de 1899 com perfeição

Testamos Red Dead Redemption 2, o segundo jogo da franquia de Velho Oeste da Rockstar Games, desenvolvedora da série GTA

Publicado

em

John Marston é um antigo pistoleiro fora da lei que, após ser abandonado em um assalto e deixado para morrer pela sua antiga gangue liderada por Dutch Van der Linde, larga a vida de bandido. Junto de sua família, sua esposa Abigail e seu filho Jack, John decide viver uma vida pacata e sossegada. Porém, agentes do governo prendem sua família e o ex-pistoleiro se vê obrigado a acabar com sua antiga gangue para salvar sua esposa e filho. Todos esses acontecimentos ocorrem no primeiro jogo da série, Red Dead Redemption, lançado em 2010 para Xbox 360 e PlayStation 3.


Veja também:


Porém, muitas histórias não foram contadas no primeiro game e por isso, a Rockstar Games trouxe agora o segundo jogo da série que, mesmo sendo nomeado de Red Dead Redemption 2, não é exatamente uma continuação. RDR2 é, na verdade, um prelúdio dos acontecimentos do primeiro game, mostrando a vivência de John Marston — mas pela perspectiva de um outro parceiro da gangue, Arthur Morgan.

A gangue de Dutch

Após um assalto que deu errado em Blackwater (sim, a mesma cidade que tem no primeiro game), o bando de Dutch vê necessária uma fuga para o norte, fugindo das autoridades e deixando alguns membros para trás, presos ou mortos. Eles são obrigados a atravessar uma nevasca para sobreviver e passam dias presos por conta disso. Após o fim dessa neve toda, eles decidem ir para a região de Heartlands, procurar um lugar onde seu bando possa ficar sossegado e sobrevivendo. E o game abre a partir desse momento, em que você pode visitar qualquer um dos lugares do imenso mapa do jogo.

Controlando Arthur Morgan, você tem a missão de cuidar do acampamento e cumprir as missões dadas pelos companheiros do grupo. Então prepare-se para levar as moças para a cidade para coletar informações de possíveis golpes e assaltos para realizar, ou até mesmo caçar animais para garantir a sobrevivência do pessoal. E isso conta muito para a sua moral com a gangue. Os dois primeiros capítulos de Red Dead Redemption 2 não passam de um grande tutorial sobre como jogar o game, então é possível considerar que o jogo realmente começa a partir do capítulo 3.

Um Velho Oeste cheio de detalhes

É claro que eu vou começar o review pelos inúmeros detalhes trazidos por Red Dead Redemption 2, mostrando que este segundo jogo é uma evolução gigantesca em relação ao primeiro game, lançado em 2010. Vamos começar pelas coisas mais óbvias: as atividades. Como comentei anteriormente, Arthur pode exercer inúmeras funções para ajudar o acampamento, mas de forma geral ela gira em torno de quatro pontos principais: comida, medicamentos, dinheiro e armamento.

Existem mil formas de dar esse suporte em cada um dos pontos citados. Vamos pegar a parte da alimentação, por exemplo. Você pode optar por caçar os animais, escolhendo entre as inúmeras espécies espalhadas pelo imenso mapa do jogo, podendo pescar peixes, comprar as carnes prontas já do açougueiro etc.

Caçar requer um cuidado maior para que a peça seja melhor aproveitada. Ou seja, ao encontrar a sua presa, é necessário analisá-la para descobrir qual é a melhor arma para realizar o abate, sem prejudicar as partes do animal. Além disso, é preciso procurar acertar em lugares críticos para que o animal não sofra e não prejudicar a qualidade da pele, carne ou qualquer outro item que ele possa dar.

Além da caça para alimentação, existem animais que são nomeados como lendários dentro do jogo. Eles são animais únicos que é necessário uma série de pré-requisitos para conseguir encontrá-los e abate-los. Primeiramente, é necessário encontrar o local da tal criatura, não há marcação nem indicação em lugar nenhum, então nada que uma boa explorada para que o game indique que você chegou no local certo. Chegando lá, basta encontrar os rastros do animal até encontrá-lo e caçá-lo. Eles são criaturas muito mais fortes que o comum, mas dão bônus exclusivos que fazem valer todo o trabalho da caçada. Então fique de olho e se arme bem quando for encontra-los.

As montarias são basicamente cavalos, como já acontecia no primeiro jogo. Você precisa aumentar o vínculo com a criatura para tirar o melhor proveito do seu animal. Para tal, é necessário cumprir certas missões logo no começo do capítulo 2 para liberar o estábulo, onde você pode cuidar do seu azarão e garantir o melhor para ele. O vínculo entre o personagem e o animal vai até o nível 4, e cada nível libera novas habilidades que o cavalo pode realizar, como empinar, responder aos assovios, e por aí vai.

Uma curiosidade que não poderia ficar de fora: os cavalos possuem órgãos genitais em RDR2, e eles reagem de acordo com o clima do ambiente. Ou seja, no frio a parada encolhe. A Rockstar se preocupou com tantos detalhes durante o desenvolvimento do jogo que até coisas desse nível não passaram batido pela equipe — e muito menos pela internet.

As pessoas nas cidades também devem ser mencionadas aqui. Elas possuem um nível de inteligência artificial incrível. As cidades são bem detalhadas, com estalagens, bares, açougues, lojas de armas, e cada cidade pode possuir algum tipo de loja diferente da outra.

Por ser um bandido, você pode assaltá-las. Mas lembre-se que a moral baixa em certas regiões faz com que os preços dos produtos aumentem. Durante esse assalto, se você machucar os habitantes mas poupar sua vida, eles aparecem no dia seguinte com faixas para tratar as feridas que você causou.

Outra coisa que os NPCs fazem é reparar nas roupas e nas ações de Arthur. Se o protagonista está imundo, eles vão comentar, assim como caso você fique seguindo algum deles ou fique muito próximo, eles ficam incomodados, podendo até iniciar um tiroteio por conta disso. Os NPCs também cuidam uns dos outros, a ponto de um cidadão defender outro mesmo você não interagindo com ele.

Eu poderia ficar aqui escrevendo todos os detalhes que percebi durante o jogo, porém creio que o que foi dito aqui já passa a ideia de complexidade que o mundo de Red Dead Redemption 2 apresenta para os jogadores.

Missões e mais missões

Assim como seu antecessor, as missões em Red Dead Redmption 2 podem ser divididas de duas formas: principais e secundárias. A primeira é marcada no mapa na cor amarela e completar essas missões dará continuidade à história do game. Já a segunda é representada no mapa com a cor branca, que presenteiam o jogador com ótimos bônus que auxiliam muito na missão principal. Mas não para por aí, o jogo não lida apenas com esses dois tipos de missões.

Durante a exploração do mapa, inúmeros eventos podem cruzar o seu caminho, e basta você ficar atento ao mapa para percebe-los. Muitos deles são mais fáceis de identificar, pois sempre aparece alguém falando e a legenda entra em destaque na tela. Normalmente, elas aparecem como uma bola cinza clara no mapa, mas nem dão bônus.

No trajeto de uma cidade para outra, encontrei um cidadão que estava sofrendo, dizendo que havia sido picado por uma cobra. A complexidade da missão não chegou ao ponto de precisar ir criar um soro com o veneno da cobra, e uma medicina ou sugar o veneno da área picada já resolveria o problema. Momentos depois, o mesmo personagem me chama na cidade, aleatoriamente, e agradece por ter salvado sua vida, oferecendo-me qualquer item da loja que ele está sentado em frente. Nesse caso, para mim, foi uma loja de armas, mas já encontrei outro caso similar e no fim me levou para a loja de roupas.

Como eu disse anteriormente, algumas delas são apenas para narrativa, como o caso de brigas que você encontra na rua e pode apenas assistir sem receber nada em troca. Como não tomei partido num caso desses, não sei informar se era possível interferir e ganhar algum prêmio nesse tipo de missão. Mas só de acompanhar esses eventos já era gratificante, pois me fazia sentir visitando um mundo realmente vivo e em constante movimento.

O maior pistoleiro do Velho Oeste

Red Dead Redemption é um jogo imenso. Os mapas demoram muito tempo para serem percorridos, a variedade dos animais nos campos é gigantesca, a qualidade da inteligência artificial dos NPCs é surpreendente. Tudo teve sua evolução e isso é apenas uma fração das coisas que Red Dead Redemption 2 traz como melhorias, conceitos aprendidos tanto em seu antecessor como em GTA V, que até hoje recebe atenção da Rockstar e constantes atualizações.

Uma das novas evoluções que merece destaque é a mecânica do Red Eye. Ela é uma habilidade que faz com que tudo fique em câmera lenta, permitindo miras mais precisas nos oponentes ou até mesmo marcar os adversários para disparar tiros automáticos. Ela também é utilizada nos duelos entre os pistoleiros.

Diferente do primeiro game, em que era necessário preencher uma barra a cada ponto crítico marcado, essa é literalmente quem saca mais rápido. Você precisa segurar o botão de gatilho para encher a barra da mira, em seguida apertar novamente para sacar a arma e, por fim, apertar uma última vez para atirar. O tutorial não é bem explicativo, mas com o tempo você pega o jeito disso.

O importante é que em grande parte dos duelos você pode desarmar o oponente, atirando na mão que segura a arma. Mas isso não é sempre possível, já que algumas missões impedem esse acontecimento, sendo necessário matar seu inimigo.

Com todas essas variedades e imersão possíveis dentro de Red Dead Redemption 2, o game com certeza te prenderá por muitas horas de jogatina, isso apenas na versão single player. A prometida versão multiplayer online, que consta a informação no box com sessões de até 32 jogadores, ainda não está disponível, mas já abre nossas mentes para o que pode ser um dos maiores jogos multiplayer já feitos até hoje para consoles, superando até mesmo o GTA V.

Mas nem tudo é um mar de rosas, como disse, a atualização de Multiplayer ainda não existe no game, da mesma forma que fizeram com GTA V, o que deixa a gente ansioso para o que esta por vir. E, claro também, jogos grandes como esse possuem bugs, alguns deles podem atrapalhar levemente a jogatina. Durante a minha análise, encontrei alguns bugs do cavalo andando para o lado do nada durante as trotadas nos campos ou até mesmo Arthur sacando a arma sem necessidade e sem eu apertar o botão para isso. Isso me fez apontar a arma para pessoas inocentes sem que eu quisesse, já que não tinha percebido a arma sacada.

O game com certeza vai concorrer ao prêmio de jogo do ano junto com God of War e, definitivamente, é um jogo que receberá muitas atualizações no decorrer do tempo. Red Dead Redemption 2 ainda tem muitas cores para mostrar e muito charme para ser descoberto e, com toda certeza, vale a pena se aventurar nas planilhas do Velho Oeste para descobrir cada novidade que a Rockstar se deu o trabalho de nos entregar.

Cópia de Red Dead Redemption 2 cedida pela Ecogames.

Red Dead Redemption 2
9.5 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Nível absurdo de detalhes
  • Inteligência artificial
    espetacular
  • Controles fluidos
Contras
  • Alguns bugs
  • Falta do multiplayer
    (por enquanto)
Avaliação
Red Dead Redemption 2 é um game que precede a história do primeiro jogo, trazendo as aventuras do bando de Dutch do qual John Marston e Arthur Morgan fizeram parte. RDR2 apresenta um universo cheio de detalhes, trazendo o game bem próximo da realidade, o que com certeza fará você gastar horas e horas para descobrir cada ponto novo feito para esse jogo.
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Designer, pós graduado em Gestão da Informação e Business Intelligence, amante da música e pianista, é gamer desde os 4 anos de idade e seu maior sonho sempre foi trabalhar com videogames. Fez parte do portal GameBlast, mas hoje se dedica exclusivamente ao PlayReplay.

Comentários

Anime

Viva as idols de Zombie Land Saga!

Um dos melhores animes do ano!

Publicado

em

Zombieland Saga (ゾンビランドサガ) é uma série de anime produzida pela Avex Pictures em colaboração com a Cygames, animada pelo estúdio MAPPA. Sua primeira temporada, que teve 12 episódios ao todo, já acabou e está disponível para streaming no site e aplicativo da Crunchyroll nacional. Confira logo abaixo a nossa crítica completa em vídeo e em texto desse anime que foi um dos mais legais da temporada de Outono 2018!


Veja também:


O vídeo de review acima foi postado no nosso canal parceiro Aquele Cara

No topo das paradas

Zombie Land Saga é um anime diferente e tão especial que, mesmo integrando o saturadíssimo universo dos zumbis, conseguiu encontrar uma nova e empolgante abordagem para os monstros, graças a uma metáfora muito esperta: associar o mercado de idols no Japão ao tratamento dado às mortas-vivas da sérieA crítica não é sutil, mas funciona muito bem por dois motivos.

Primeiro, suas personagens, músicas, universo e trama são cativantes e prendem o espectador que curte um pouco de humor negro e pastelão. Segundo, e muito mais importante, Zombie Land Saga claramente tem apreço e compreensão da realidade das idols, relatando de forma crítica, porém apaixonada, tudo de bom e ruim que o acompanha. O anime funciona mesmo que você não saiba absolutamente nada sobre a vida das idols no Japão, mas sua mensagem fica mais pertinente se você souber, pelo menos, um pouquinho sobre seu trabalho.

Por lá, as idols são celebridades muito famosas que vivem vidas super regradas. Como elas vendem não só a sua música, mas também sua imagem atrelada, a rotina das idols é monitorada pelos fãs e mídia constantemente. É necessário vender a imagem da perfeição, então até o vazamento de informações sobre sua vida particular, como um namoro ou qualquer coisa indecorosa, seria vista como destruidora de reputação e, potencialmente, carreira.

As meninas do anime Zombieland Saga

As meninas do anime Zombieland Saga

Já vem daí o primeiro acerto de Zombie Land Saga, ao colocar o grupo de heroínas como zumbis comandadas por um empresário aparentemente inescrupuloso que pretende usar as meninas para alcançar o sucesso, mas sempre escondendo do mundo sua verdadeira forma de zumbis. E tome quilos de maquiagem para deixar as cantoras apresentáveis!

Umas mortas muito loucas

Os primeiros dois ou três episódios não vão muito além dos pontos acima, e funcionam como uma apresentação temática, mas a diversão começa para valer a partir do momento em que as zumbizinhas decidem que seu grupo se chamará Franchouchou e começam a gostar de verdade da ideia de fazer sucesso e encantar o mundo com suas performances.

Em um excelente trabalho de narrativa, elas constroem um forte vínculo de amizade, sem precisar de grandes momentos de exposição ou didatismo exacerbado no roteiro. É nas atividades do dia a dia e em momentos que parecem mero alívio cômico, como a gravação de um comercial para a rede de fast food local, que sua amizade se fortalece. Quando você menos esperar, vai estar amando as meninas do Franchouchou, torcendo por elas e se emocionando com sua amizade verdadeira.

O miolo da temporada é minha parte favorita de Zombie Land Saga, porque ganhamos alguns episódios temáticos mostrando o passado das meninas, e como ele se amarra com o presente. E bom, o que eu posso fazer, né? Eu amo Lost e esse tipo de narrativa sempre funciona comigo.

A pequena Lily-chan estreia um dos melhores momentos de Zombieland Saga

A pequena Lily-chan estreia um dos melhores momentos de Zombieland Saga

Especialmente no episódio sobre a idol mais jovem, a Lily-chan. Acho que dar qualquer spoiler sobre ele devia ser tipificado como crime no nosso Código Penal, mas eu adorei como ele conseguiu passar uma boa lição de representatividade ao mesmo tempo em que não se envergonhava de contar uma trama bem emocional repleta de sutilezas.

Verdadeiras idols

Como esses episódios do miolo para a frente passam a culminar em performances musicais que aquecem o coração do público da Franchouchou ao mesmo tempo em que ajudam as garotas a moldar suas identidades e resgatar suas vidas pouco a pouco, em uma grande corrente de otimismo, eu senti uma energia muito parecida com a daquele jogo de DS, o Elite Beat Agents, em que o poder da música ajuda as pessoas a resolver os menores casos do dia-a-dia.

O zombie rap, postado no canal oficial da Crunchyroll Brasil, é um dos momentos mais engraçados e bem animados da série

Isso, a meu ver, foi o verdadeiro toque de mestre de Zombie Land Saga. O que começa como uma potencial leitura cínica sobre o universo das idols, logo se transforma em uma carta de amor super positiva ao mundo do entretenimento, apreciando tudo que ele pode trazer de melhor para a sociedade, mas sem poupar socos pelo caminho. Como dizem, a história do entretenimento é sempre escrita com muito sofrimento.

Apesar de seu final ser bem redondinho, correto e emocionalmente satisfatório, ficam alguns ganchos e pontas soltas que apontam para uma segunda temporada. Eu gostei tanto da série que já estou na torcida mas, se ela nunca acontecer, tudo bem. Já me satisfaço em passar o resto dos meus dias ouvindo a discografia da Franchouchou. Obrigado pelo show, garotas!!!

Zombieland Saga Temporada 1
10 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Músicas divertidas
  • Idols carismáticas
  • Metáfora inteligente
  • Hilário e emocionante
Contras
  • Pontas soltas
  • Algumas heroínas seguem
    sem eps de origem
Avaliação
Zombieland Saga é um improvável sucesso e, com seu misto de humor negro e ótima construção de personagens, crava seu posto como um dos melhores animes do ano. Hilária e cativante, a obra ainda funciona como uma bela metáfora sobre a indústria do entretenimento japonesa.
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Cinema

Aquaman prova que a DC tem fôlego de sobra nos cinemas

Com Jason Momoa, Amber Heard e Patrick Wilson, novo filme da DC agrada e toma para si o posto de melhor filme do DCEU

Publicado

em

Quem diria que um dia eu estaria deixando registrado na internet que um dos melhores filmes da DC nos cinemas é estrelado, acredite, pelo Aquaman. Mas aqui está: o filme do super-herói e rei de Atlântida é, sem sombra de dúvidas, um gigantesco acerto por parte da DC e da Warner Bros., e mostra que mudar o rumo dos Mundos da DC foi um tiro certeiro.

Com Jason Momoa no papel principal, reprisando sua participação no universo cinematográfico da DC como Arthur Curry, Aquaman nos apresenta uma história que é ao mesmo tempo uma continuação da saga do herói após os eventos de Liga da Justiça e uma quase história de origem.

O longa começa com Arthur narrando a história de amor de seus pais, o faroleiro Thomas Curry (Temuera Morrison) e Atlanna (Nicole Kidman), a Rainha de Atlântida (que ali mesmo já mostra o que podemos esperar do longa com uma sequência de ação de tirar o fôlego), mas logo pula para os dias atuais e nos reapresenta o personagem de Jason Momoa como o herói dos mares divertido, bombadão, meio desmiolado e carismático.

Fica claro desde o início do filme que Aquaman é uma aposta da DC em uma nova abordagem mais colorida e divertida, mas ainda carrega um pouquinho do peso e tom sombrio de filmes como Homem de Aço e Batman vs Superman. Embora o personagem título esteja quase sempre de bom humor, claramente se divertindo com a aventura na qual foi jogado contra sua vontade, Arthur Curry por vezes mostra ainda ter traços do mundo criado por Zack Snyder, mais sóbrio, realista e violento.

Mas nem de longe essa mistura de tons atrapalha. Na verdade, a salada que é o corte final de Aquaman mistura de tudo: temos um roteiro que mescla a clássica jornada do herói com um tom meio Indiana Jones, com os heróis buscando o lendário Tridente do Rei Atlan; temos a trilha sonora, que hora é uma batida psicodélica meio anos 80, hora foca em riffs de guitarra; temos o visual normal do mundo da superfície e logo em seguida vemos as maravilhas do mundo submerso, com todo tipo de personagens e raças diferentes. E essa mistureba funciona no final das contas, e dá a Aquaman uma identidade própria bastante distinta.

James Wan prova que não sabe fazer apenas filmes de terror. O diretor, que tem no currículo longas como Invocação do Mal, Sobrenatural e A Freira, mostra-se bastante confortável na direção de Aquaman, abusando de planos-sequência em cenas de ação, caprichando em cada tomada e conseguindo tirar dos atores e atrizes atuações que funcionam bem e ajudam a construir um mundo divertido, coeso e, embora fantasioso, bastante crível.

Aquaman acerta muito, mas certos aspectos do filme deixam a desejar. O relacionamento de Arthur Curry e Mera (Amber Heard) parece forçado e corrido, em parte por conta do roteiro, em parte pela falta de química entre a dupla de artistas. A trama é bem simples, o que embora ajude a agradar um público maior acaba deixando o novo longa da Warner/DC bem aquém de filmes como Homem de Aço e Mulher-Maravilha.

Colorido e vibrante, Aquaman possivelmente é o melhor filme dos Mundos da DC (ou DCEU, como preferir). O longa tira o melhor de suas forças para esconder suas fraquezas, e o resultado final é uma aventura de 2h22min que passa voando (ou seria nadando?) e gera aquela expectativa para ver o que mais a DC tem para mostrar nos cinemas.

O tom meio galhofa de alguns trechos do filme, com várias piadas e situações cômicas, ajuda bastante a tornar o personagem de Jason Momoa em alguém por quem o espectador torce com gosto. O filme transforma aquele personagem alvo de piadas da época dos Superamigos e dos engraçadíssimos comerciais do Cartoon Network em alguém imponente, importante e interessante, aproveitando alguns conceitos que antes eram motivo de risada em cenas incríveis e momentos marcantes.

Um grande destaque de Aquaman são seus personagens secundários. O vilão Arraia Negra de Yahya Abdul-Mateen II rouba a cena com seu visual fiel aos quadrinhos e sua sede por vingança, enquanto o antagonista Rei Orm, interpretado por Patrick Wilson, se mostra inteligente e implacável, dominando a tela sempre que presente em alguma cena.

Nicole Kidman entrega uma boa Atlanna e surpreende em um papel que parece fugir da sua zona de conforto. O Rei Nereus, interpretado por Dolph Lundgren, embora apareça pouco tem grande importância para o desenrolar da trama e o ator domina o papel em uma atuação extremamente natural.

Senti falta de uma participação maior de Vulko, o mentor de Aquaman interpretado pelo sempre ótimo Willem Dafoe. Cortado de Liga da Justiça, Vulko é importante para a história de Aquaman mas sua participação é bem menor do que pessoalmente esperava. De qualquer forma, o elenco estelar do novo longa da DC brilha tão forte quanto os vibrantes seres vivos e construções submarinas de Atlântida.

Aquaman é, sem dúvida alguma, uma guinada da Warner e da DC na direção certa e mostra que os estúdios ainda têm muito fôlego e um caminho interessante pela frente.

Aquaman
9 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Visuais incríveis
  • Trilha sonora acertadíssima
  • Elenco de primeira categoria
  • Ação de tirar o fôlego
Contras
  • Falta de química
    entre protagonistas
  • Roteiro simples demais
Avaliação
Entre erros e acertos, Aquaman é uma guinada da Warner e da DC na direção certa e mostra que os estúdios ainda têm muito fôlego e um caminho interessante pela frente e é um dos melhores filmes da mais recente leva da DC nos cinemas.
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Críticas

Moonlighter divide seu tempo entre o comércio e a exploração de dungeons

Para que ficar só explorando dungeons quando você também pode vender todo o loot que encontrar?

Publicado

em

O aumento da quantidade e popularidade de jogos independentes nos últimos anos acabou sendo responsável por uma boa diversidade nos tipos de games que foram lançado recentemente. Como dá para imaginar, isso permitiu que jogos que misturam mecânicas de comércio com exploração de dungeons geradas aleatoriamente encontrassem um grande público interessado, como é o caso de Moonlighter.


Veja também:


O jogo chegou este ano no PC, PlayStation 4 e Xbox One, mas foi só no início de novembro que ganhou sua esperada versão no Nintendo Switch.

Nossa aventura já começa com um tutorial bem básico e estritamente visual dos nossos movimentos e habilidades em uma dungeon cheia de inimigos e loot a ser adquirido. Para dar mais ênfase na trama que vem a seguir, nosso herói de cabelos brancos acaba sendo derrotado por dezenas de inimigos que não param de aparecer.

Em seguida somos resgatados e aprendemos as mecânicas da nossa pequena loja chamada “Moonlighter” (um termo usado para aqueles que possuem um trabalho normal durante o dia e precisam trabalhar à noite para ter uma renda extra). O esquema é bem simples: todo aquele loot que você conseguiu na dungeon explorada pode ser colocado à venda na loja.

Quando o seu comércio estiver aberto, diversos clientes virão, avaliarão os preços dos itens e comprarão aquilo que considerarem um bom negócio. É aí que entra um fator interessante: descobrir quanto vale cada objeto colocado à venda. É você que determina o preço, mas é a reação dos clientes que vai te mostrar se o item está muito caro, muito barato ou com um valor justo.

Tudo é anotado no seu diário dentro do game, então não é preciso ficar lembrando de todos valores por si próprio. Outro aspecto interessante é que se houver muita demanda para um item, seu preço pode ser aumentado de acordo, mas o desinteresse de um objeto bastante oferecido também pode diminuir seu valor.

Com tudo isso entendido, podemos voltar para as dungeons no início da noite. Falando nisso, há 5 dungeons no total, sendo que é necessário passar pelas 4 primeiras (derrotando o chefe de cada) para desbloquear a última. Com isso, você não só faz progresso na trama geral do game, como também enfrenta um número maior de inimigo e encontra uma diversidade de itens diferentes.

Felizmente, esses itens não servem apenas para serem vendidos na sua loja. Eles são necessários para conseguir armas, armaduras, poções e vários outros componentes que podem te auxiliar em suas aventuras norturnas. Isso pode ser adquirido em outros comércios que você desbloqueia na hora que achar melhor.

É claro que para também é necessário ter dinheiro suficiente para pagar tudo isso, o que nos leva de volta à loja. Como dá para perceber, é um belo de um ciclo vicioso que dá o tom pelo resto do game. Por isso, haverá alguns momentos que Moonlighter parecerá meio repetitivo e que será necessário fazer um pouco de grind para conseguir todos os materiais requisitados para uma arma ou item desejado, por exemplo.

Isso não torna o game menos divertido, até porque essa repetição e grind já são esperados de um título deste tipo. Ainda assim, é algo bom de se ter em mente se pretende investir seu tempo e dinheiro no jogo.

O bom é que é possível fazer várias melhorias na sua própria casa e loja, o que já ajuda bastante a facilitar certos aspectos da sua aventura. Isso inclui uma cama que te dá mais energia pela manhã, um baú que guarda mais itens, bônus que fazem os clientes darem uma gorjeta maior, etc.

Outro aspecto que merece ser mencionado é o visual do jogo, que segue o padrão retrô de tantos games indies. A diferença é que ele é muito mais detalhado do que temos visto em outros títulos recentemente e consegue entregar um charme extra quando combinado com a ótima trilha e os efeitos sonoros que o acompanham.

No geral, Moonlighter entrega uma experiência bem mais completa do que pode se imaginar no começo da aventura, especialmente se você investir seu tempo na parte do comércio em vez de focar apenas nas dungeons. É um jogo simples, divertido e que definitivamente vai te prender por dezenas de horas no Switch.

Moonlighter - Switch
8.5 Nota
0 Leitores (0 Notas)
Prós
  • Estilo artístico lindo
  • Bem viciante
Contras
  • Tem um pouco de grind
  • Pode ser meio
    repetitivo
Avaliação
Moonlighter entrega uma experiência bem mais completa do que pode se imaginar no começo da aventura, especialmente se você investir seu tempo na parte do comércio em vez de focar apenas nas dungeons.
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