Conecte-se conosco.

Retrô

Retrosfera Especial: Entrevistamos Wellington Fox, do Game Boy Club

Publicado

em

Colecionar videogames é um passatempo custoso, mas muito prazeroso. Se você já tem a sua coleção ou ainda está construindo uma, sabe o quão divertido é passar por aquele longo processo de pesquisa, limpeza e pura apreciação de prateleiras lotadas de games clássicos.

Uma das propostas da Retrosfera, além de ensinar e auxiliar quem pretende construir um arsenal de jogos em casa, é entrevistar colecionadores e colher relatos sobre suas motivações. Você, sim, você mesmo! Está mais do que convidado a participar com a gente e contar sobre a sua coleção! Nossos contatos estão listados no final dessa postagem, então é só escrever pra gente e nós entraremos em contato.

wellington-fox-playreplay-1

O primeiro entrevistado dessa coluna é Wellington “Fox” Aciole , um dos colaboradores do Game Boy Club, site exclusivamente dedicado aos portáteis Nintendo, com ênfase em um dos seus filhos mais velhos, o Game Boy. Ele também faz parte da equipe de arte do GameBlast.



PlayReplay: Wellington, como começou a sua história com os games e de onde surgiu a paixão pelos portáteis?

Wellington Fox:

Tudo começou quando eu tinha lá meus 6 anos de idade e meu pai conseguiu um Atari, atração da família na época. Nos idos dos anos 80 a situação era difícil, minha família não tinha condições fartas, os videogames eram relativamente caros e a situação da economia brasileira também não era das melhores. Um belo dia achei um portátil na rua, meio arranhado e sujo, mas funcional. Tratava-se de um Game & Watch Ball! Consegue imaginar a felicidade de uma criança que nem sabia o que era Nintendo?

game-watch-ball-playreplay

Consegue se imaginar achando um desses na rua?

 

PR: Uma grande coincidência, você é um rapaz de sorte! O que veio depois?

WF: Já nos anos 90, passei a jogar Phantom System com meu primo e um amigo (Marcos Vinícius, saudades suas!). Numa dessas jogatinas, tive meu primeiro contato com um Game Boy, de um amigo, e cheguei a sonhar em ter um. Esse sonho só se concretizou alguns anos depois, eu era adolescente e já trabalhava, quando comprei o meu Game Boy usado nas barraquinhas do Largo 13, em São Paulo. Depois veio o Game Boy Pocket, também em um rolo, até adquirir um Game Boy Color Kiwi Bundle, com Pokémon Pinball, em suaves prestações. A caixa era bem grande e eu me arrependo até hoje de tê-lo vendido.

Com o tempo, vi que a minha paixão era pelos consoles Nintendo e os fui adquirindo, um a um, portáteis ou de mesa. Em 2012, passei a dar mais atenção à minha coleção e esse desejo só aumentou, depois que passei a fazer parte do Game Boy Club.

 

wellington-fox-playreplay-2

Eis uma pequena parcela da coleção de portáteis de Wellington

 

PR: Só Nintendo? Nos portáteis, você acredita que o Game Boy já teve um concorrente à altura?

WF: Não apenas um, mas vários. O diferencial do Game Boy sempre foi sua vasta biblioteca de títulos. Game Gear, Lynx e TurboExpress eram muito superiores, tecnicamente, mas não foram páreo. O Game Boy, além de tudo, era um portátil econômico. Mesmo que economia, na época, fosse ser movido a 4 pilhas.

Eu sou da época em que Nintendo e Sega eram rivais fortíssimos, Mario e Sonic eram os expoentes dessa batalha. Com isso, independente da rivalidade entre as companhias, nós jogadores éramos os vencedores, pois podíamos desfrutar dos dois lados e nos divertíamos bastante.

 

PR: Esse é um excelente recado para os ‘istas’ dos dias de hoje! E o que te levou a se tornar, efetivamente, um colecionador?

WF: Desde aquele Game & Watch, me tornei um grande fã da Nintendo. Havia um sentimento de nostalgia que não era preenchido, mesmo que eu comprasse um console de mesa. Foi quando eu direcionei meus esforços para o Game Boy e passei a adquirir itens cada vez mais raros. Sou colecionador e jogador, não deixo meus portáteis parados e, sempre que posso, dou uma geral na coleção.

Não tem sensação melhor que pegar um cartucho bacana e jogar bastante, só para desfrutar dos velhos tempos. Colecionar é um hobby sem fim, pois sempre surge uma tentação nova, novos itens imprescindíveis e a coleção nunca está completa!

 

wellington-fox-playreplay-3

 

PR: E entre os itens da sua coleção, qual é o seu favorito?

WF: Adoro todos os modelos do Game Boy, mas meu favorito (e precioso) é o Game Boy Color Kiwi, o primeiro modelo que adquiri com meu próprio salário. Foi com ele que decidi colecionar os portáteis Nintendo. Não tenho mais o meu original, lançado pela Gradiente (NE: Representante da Nintendo no Brasil na década de 90), mas foi o meu companheiro em muitas aventuras, inclusive foi com ele que comecei a gostar de Pokémon.

wellington-fox-playreplay-4

 

PR: E sobre o Game Boy Club? Como surgiu a ideia e quais são os projetos de vocês?

WF: Foi em uma busca sobre assuntos relacionados aos portáteis Nintendo que encontrei a fanpage do Game Boy Club. Comecei a postar por lá alguns anúncios publicitários antigos e conheci o Eduardo Lima (fundador do Game Boy Club) e o Felipe Sobral, outro fã e colecionador de portáteis. Na época, fui convidado a integrar a equipe ao lado do Otávio Henrique e do Heron Leal. Ainda não tínhamos um site, mas já existia o sonho de ter um projeto maior, ser referência em assuntos relacionados ao Game Boy.

A fanpage começou a crescer rapidamente e veio a ideia de ter um site focado em novidades e curiosidades dos portáteis Nintendo. Nossa proposta é mostrar para os mais novos e reviver, para os mais velhos, a revolução que o Game Boy causou no mundo dos games, além de debater sobre seus títulos de sucesso e edições especiais, que passam de 400. Além da parte nostálgica, nós nos dedicamos à cobertura dos portáteis atuais, misturando nostalgia e atualidade.

 

PR: Exatamente a nossa proposta! Prossiga! (risos)

WF: Nós estamos em uma crescente e temos muitos planos bacanas vindo por aí. Queremos marcar encontros entre os fãs de portáteis, exposição de consoles e outras promoções. Na última, demos um Game Boy na caixa com Pokémon Yellow e Tetris, em uma caixa especial personalizada, comemorando os 25 anos do portátil. Temos muitas ideias, mas tem sido difícil conciliar o Game Boy Club e os afazeres de cada um. Nos esforçamos bastante para ter sempre um tempinho livre, só para atualizar a página.

gameboyclub-playreplay

Game Boy com caixa personalizada, dado como prêmio na última promoção do Game Boy Club

 

PR: Pra fechar, que dicas você dá para quem está começando a sua coleção, principalmente no caso dos portáteis?

WF: Hoje em dia a tarefa de achar e negociar itens se tornou bem mais simples, tendo sites como ebay, Mercado Livre, OLX e outros. Para começar uma coleção de portáteis, você precisa ter paciência e fazer muitas pesquisas. São muitas ofertas e os preços oscilam bastante, então é bom estar atento a muitos fatores. Eu sigo algumas regras para evitar dores de cabeça:

 

[infobox color=”light”]

– Não compre logo de cara. Negocie com o vendedor, confira sua reputação e pegue o máximo de informações que puder. Se possível, negocie pessoalmente e em locais públicos;

– Avalie bem o portátil, verifique se tem arranhões na tela, ferrugem no compartimento de pilhas (e se a tampa está no lugar, claro), se as pilhas têm vazamentos, se há algum dead-pixel, se o som e os botões estão funcionando perfeitamente e se há a etiqueta com o serial number do produto na parte traseira.

– Peça o máximo de detalhes e fotos, principalmente se estiver negociando via internet. Quanto mais completo o portátil estiver, melhor. Se tiver a caixa, manuais e panfletos da época, melhor ainda. Se for um modelo que você não conhece, pesquise sobre e tente reunir o máximo de informações possível.

– É de suma importância ter alguns portáteis para usar na reposição ou restauração de peças para alguns modelos mais antigos. Como eles já não são mais fabricados, é bem difícil encontrar peças sobressalentes. O que eu faço: se eu tenho um Game Boy Color com a tela danificada, vou até os sites de leilão e procuro por ofertas de outros portáteis mais baratos, com acrílico arranhado ou algum defeito qualquer na carcaça e os utilizo para fazer a reposição dos meus modelos mais novos.

– Não deixe seus portáteis sem uso por muito tempo. Com o tempo a tela resseca e deixa aquelas manchas ovais escuras, principalmente nos modelos mais antigos. De tempos em tempos, mate a saudade dos seus portáteis e faça testes preventivos!

[/infobox]

Uma das grandes vantagens de ter uma coleção de portáteis é que eles não ocupam muito espaço, então podem ser guardados em prateleiras, caixas plásticas ou guarda roupas, deixando sua coleção sempre organizada!

wellington-fox-playreplay-5

Seguindo as dicas do Wellington, quem sabe um dia sua coleção não fica igual a essa?

 


E é isso, pessoal! Nós agradecemos muito ao Wellington, que dedicou um pouquinho do seu tempo e largou seus Game Boys, só para poder bater esse papo com a gente! O Game Boy Club e o PlayReplay têm em comum a paixão pelos consoles antigos, então é sempre um prazer aprender um pouco mais sobre esse universo louco e árduo, mas muito prazeroso dos colecionadores de games!

Você pode ser o próximo entrevistado e a sua coleção pode ser a próxima a fazer parte da nossa Retrosfera! Para isso, basta enviar um e-mail para a nossa equipe!

Fiquem ligados e até o próximo Retrosfera Entrevista!

Compartilhe

Formado em Publicidade e Propaganda e retrô gamer apaixonado, tem predileção pelos 8 bits. Lê e relê suas revistas de video game antigas todas as noites na hora de dormir. Antes de vir para o PlayReplay, coordenou a área de diagramação do GameBlast.

Comentários

Games

5 jogos infinitos com personagens clássicos para o seu celular

Publicado

em

Existem alguns personagens que marcam história e, não importa quantas mudanças aconteçam na indústria dos jogos, eles continuam sendo sinônimo de diversão garantida. E falando em mudanças, muitos deles já estão dando a cara no mercado mobile, fazendo a alegria de quem está com o celular ou o tablet na mão. O PlayReplay separou nesta lista cinco jogos infinitos com personagens clássicos para você aproveitar. Se a fama deles dura pra sempre, por que o jogo tem que acabar logo, não é mesmo?

5. PITFALL!

O aventureiro mais famoso do Atari 2600 chegou completamente modernizado nos dispositivos móveis. Neste remake de PITFALL!, todo o mundo do jogo é apresentado em 3D, expandindo o mundo que apenas conseguíamos imaginar nos anos 80. Para revitalizar as mecânicas, a exploração clássica se uniu a um esquema de corrida infinita semelhante ao do hit mobile Temple Run. Quanto tempo será que você consegue ficar desbravando o desconhecido… sem nem cair em um lago com jacarés?

App Store Google Play

4. PAC-MAN 256

Já ouviu falar do grande erro que envolve a máquina original de Pac-Man? Caso você fosse bom o bastante e chegasse ao nível 256 do jogo, ele simplesmente travava e entrava em um estado bem estranho, que acabou sendo conhecido como um dos glitchs mais famosos da história. Em PAC-MAN 256, a sua missão é fugir desse glitch e guiar Pac-Man por uma versão infinita do seu clássico tabuleiro. Desbloqueie power-ups para te ajudar nessa missão, fuja dos fantasmas que aparecerem e bata seus recordes! (pelo menos, não tem mais final para te impedir, né)

App Store Google Play

3. TETRIS

…você realmente achou que ia faltar Tetris na nossa lista? Esses tetraminós coloridos podem não ter olhos ou pernas, mas fizeram a cabeça de muita gente fritar, não importando para onde e quando ele foi lançado. Na sua versão mobile, ele chega reinventado, adaptado para a tela de toque e com novos modos de jogos e power-ups, aquelas coisas feitas para dar uma balançada nas suas jogatinas. Tetris é um clássico, dispensa muitas apresentações, então vá logo bater o recorde dos seus amigos!

App Store Google Play

2. Sonic Dash

Esse aqui chegou bem rápido ao começo da nossa lista… Brincadeiras a parte, Sonic Dash é um dos melhores jogos de corrida infinita disponíveis hoje no mercado. Além de ter fácil aprendizado e ser bem fluído e bonito, ele traz várias mecânicas já conhecidas dos jogos originais do ouriço ― como a caça por anéis e o famoso Spin Dash ― e dos games mais novos ― como os ataques e as acrobacias aéreas. E ainda dá para derrotar o malvado Robotinik e jogar com outros personagens, como Tails, Knuckles e Amy. O que está esperando para ir correndo para essa aventura?

App Store Google Play

1. Super Mario Run

O pódio, é claro, fica para o personagem de videogame mais icônico da história! Na segunda empreitada da Nintendo no mercado mobile, Super Mario Run é um game muito interessante, vendido por um preço um pouco maior do que o habitual, mas completo e sem a presença de microtransações. Mario deve salvar a Princesa Peach, mais uma vez, das garras do temido Bowser, mas, dessa vez, ele corre sozinho e você usa apenas um dedo para fazê-lo pular sobre inimigos ou obstáculos. Com alguns modos extras ― você pode competir com seus amigos e construir o seu próprio Reino do Cogumelo ―, ele traz a qualidade e a diversão de um bom jogo da Big N.

App Store Google Play

E aí, esquecemos de algum jogo que não podia ter faltado na lista? E qual é o seu preferido? Deixe nos comentários!

Compartilhe

Continue lendo

Games

Mortal Kombat: um clássico da pancadaria nos jogos

Publicado

em

Mortal Kombat

Você pode não acreditar na teoria de que “todo homem e toda mulher nascem ruins”, mas tem que admitir que a humanidade adora uma boa briga, principalmente se ela for de “mentirinha”, dentro das belíssimas obras da ficção. Os jogos de luta sempre foram amados por isso, chegando a patamares cada vez mais eletrizantes e violentos, até alcançarem um novo nível. Literalmente, um patamar mortal.

1992 foi o ano em que conhecemos Mortal Kombat, hoje uma das maiores franquias de videogame de todos os tempos. Trazendo várias inovações e ditando modelos que são seguidos desde então, a primeira iteração da série não tem apenas uma trama peculiar, mas um desenvolvimento cheio de fatos curiosos.

Quando a luta começa

No início dos anos 90, a referência nos jogos de luta era Street Fighter II, um verdadeiro sucesso, que tinha superado todas as expectativas e conquistado muitos fãs. A americana Midway Games era mais uma das que também queria aproveitar essa fatia do mercado e encarregou Ed Boon e John Tobias a fazer um jogo de luta em menos de um ano — eles realmente conseguiram: o primeiro MK foi feito em apenas 10 meses!

A ideia inicial deles era um game protagonizado por Jean Claude Van-Damme, que estava nos holofotes por causa de seu sucesso no filme “O Grande Dragão Branco” alguns anos antes. Só que o ator já estava negociando sua participação em um jogo para Mega Drive (que nunca foi lançado). Felizmente, o plano continuou e, juntamente com o artista John Vogel e o músico Dan Forden, a produção de Mortal Kombat começou.

KUAL VAI SER O NOME MESMO?
Entre os vários nomes cogitados para o título, estavam Kumite, Dragon Attack, Death Blow e até o icônico Fatality — todos inferiores ao escolhido, convenhamos. Segundo Ed Boon, o nome Mortal Kombat veio de uma brincadeira, quando alguém decidiu escrever a palavra combate com a letra K em uma lousa de seu escritório. Steve Ritchie, famoso designer de pinball, viu isso enquanto visitava o local e sugeriu “ei, por que o jogo não se chama Mortal Kombat?”. Esse é um dos motivos pelo qual todos os jogos usam muito a letra K, como em “kombatentes”, por exemplo.

Todo aquele papo de salvar o mundo

Enquanto boa parte dos jogos de luta (e até mesmo os beat’em ups) da época focavam, na sua maioria, em histórias mais contemporâneas e plausíveis — até porque o hadouken é totalmente possível, claro — Mortal Kombat decidiu seguir uma linha diferente em sua trama, conseguindo encaixar vários personagens bem diferentes entre si dentro da máxima do “alguém quer dominar o mundo”.

No universo de MK, existem três dimensões alternativas principais: o Earthrealm, que é onde fica o planeta Terra como conhecemos; o Netherrealm, conhecido popularmente como o inferno; e o Outworld, antigo reino de Edenia, dominado pelo maligno imperador Shao Khan. Para manter o equilíbrio entre elas, os deuses antigos estabeleceram uma regra bem, digamos, interessante: para qualquer um que tente dominar outra dimensão, é necessário vencer os maiores lutadores dela em dez edições consecutivas do torneio Mortal Kombat.

Mortal Kombat

A primeira tela de seleção de lutadores da história da série!

O jogo começa em uma situação muito favorável a nós, claro: o Outworld já havia ganho 9 torneios e faltava apenas um para dominar toda a nossa dimensão, graças ao monstro de muitos braços Goro, invencível a 500 anos e coordenado pelo feiticeiro Shang Tsung, o verdadeiro chefe final do game. Treinado desde pequeno para salvar o Earthrealm e protegido pelo deus do trovão Raiden, o monge Liu Kang é a esperança da humanidade no torneio.

Todo torneio precisa de “kombatentes” e Tsung fez o favor de convencer algumas pessoas a participar, sem, no entanto, citar a improbabilidade de sair vivo dali. O líder mercenário Kano foi convidado a participar e a agente das Forças Armadas Sonya, que procurava-o a muito tempo, foi atrás dele. Johnny Cage era um fracassado ator de Hollywood que viu no torneio uma forma de aumentar sua popularidade. Scorpion e Sub-Zero já eram inimigos mortais e Shang enganou-os, prometendo entregar um ao outro se lutassem contra o Earthrealm. Estava preparado o Mortal Kombat!

LOOK TO LA LUNA
Ed Boon pensou e executou em uma tarde a ideia de colocar um personagem secreto no game. Assim surgiu Reptile, o ninja verde feito a partir de uma variação de cores dos gráficos de Scorpion e Sub-Zero. Sua cor vinha da mistura entre amarelo e azul, características dos outros ninjas. Ele não era jogável e aparecia para lutar apenas sob condições muito específicas: mais ou menos a cada seis partidas no estágio The Pit, durante o modo de um jogador, estranhas silhuetas apareciam sobre a Lua no fundo do cenário. Nesta partida, era necessário vencer os dois rounds perfeitamente (com a marcação Flawless Victory) e terminar com um Fatality para que Reptile desafiasse você para uma luta.

Fatalmente inovador

Mortal Kombat até hoje também é lembrado pela inovação dentro do seu gameplay, começando pela configuração dos botões de seu arcade, depois adaptado aos consoles domésticos, com cinco botões formando um X: dois para socos altos e baixos, dois para chutes altos e baixos e um central, para bloquear ataques adversários. Muitos ataques especiais podiam ser feitos apenas com toques no joystick e poucos pediam para girar o analógico, ideia comum em jogos desse estilo até então.

Mortal Kombat

Controles inovadores para cada vez mais porrada

O botão para bloquear também trouxe mudanças. Em Street Fighter, por exemplo, todo o dano era prevenido ao usar esse recurso; agora, o personagem apenas toma parte dele, aumentando o realismo do jogo, além de facilitar possíveis contra-ataques. Ele também trouxe o conceito de juggling, a ideia de levantar o oponente do chão e continuar batendo enquanto ele está no ar.

Além do modo multiplayer, ele possuia um conceito interessante no modo singleplayer: um segundo jogador podia entrar na partida a qualquer momento do jogo. Os dois lutariam entre si e o vencedor continuaria a história. Tudo sem perder a ideia do torneio, uma saída realmente louvável dos desenvolvedores.

Mas, sem sombra de dúvida, a novidade que MK trouxe tornou-se um dos ícones da série: o Fatality é um ataque de finalização, que pede uma distância certa do inimigo e uma combinação complexa e rápida de botões, feita após a indicação “Finish Him” ao fim da luta. Cada um dos personagens tem o seu próprio golpe final, remetendo a algo de sua personalidade ou história, mas todos eles são literalmente mortais e jorram muito, mas muito sangue.

NEM OS BUGS FORAM POUPADOS
Mortal Kombat
tem um dos bugs mais conhecidos e melhor aproveitados da história. Durante as partidas, podia acontecer um erro no jogo e Scorpion ou Reptile aparecer vermelho na batalha, como se fosse um novo ninja. Para ajudar, em uma tela de controle da versão de arcade, além da quantidade de jogos e outras informações técnicas, aparecia o número de vezes que Reptile aparecia e um certo número de ERMACS — abreviação de error macro, era a quantidade de vezes que um certo erro do game acontecia. Não demorou muito para os rumores de um ninja vermelho chamado Ermac ser o segundo lutador secreto de MK. Os desenvolvedores gostaram tanto da ideia que ele se tornou um personagem de verdade a partir de Ultimate Mortal Kombat 3.

QUEBRE E GANHE UM CHAPÉU
O game trazia um minigame bem divertido entre algumas fases. Chamado de Test Your Might, a tarefa era quebrar um determinado material com as mãos, apertando o botão no momento certo. O primeiro a ser destruído era a madeira, seguido por pedra e aço. Dois jogadores também podem competir um contra o outro, liberando dois novos objetos: rubi e diamante. Divertido, se tornou também uma referência recorrente do jogo.

Seleção de elenco

O visual do primeiro Mortal Kombat é inconfundível. Antes de cair no padrão poligonal da modelagem 3D, todos os personagens do jogo eram fruto de uma, até então, inovadora técnica, no qual atores reais eram contratados para serem fotografados e, depois, eram animados dentro do jogo.

Tanto o protagonista Liu Kang quanto o antagonista Shang Tsung são feitos pelo coreano Ho-Sung Pak (MK foi o segundo trabalho de Pak, depois de ser dublê em “Tartarugas Ninjas II: O Segredo do Ooze”). Daniel Pesina (que também trabalhou no mesmo filme) fez o papel de Johnny Cage — que foi baseado em Van-Damme — e dos ninjas Scorpion, Sub-Zero e Reptile e seu irmão, Carlos Pesina, o de Raiden.

Kano era interpretado por Richard Divizio e Sonya por Elizabeth Malecki, fechando o elenco. Goro chegou ao jogo por uma técnica de stop motion, feita pelo escultor Curt Chiarelli. O desenvolvedor John Vogel conseguiu uma pontinha no jogo ao ser um guarda mascarado na fase Courtyard.

A SÉTIMA ARTE DA PANCADARIA
Três anos após seu lançamento, Mortal Kombat teve uma adaptação homônima para o cinema, dirigida por Paul W. S. Anderson. Diferente de muitos outros filmes baseados em jogos, ele fez um certo sucesso, sendo aceito pela crítica e pelos fãs, além de seguir praticamente a história original do filme. Hoje é considerado mediano, mas, na época, foi o mais visto nos EUA por três semanas e arrecadou mais de 122 milhões de dólares. Infelizmente, sua sequência “Mortal Kombat: A Aniquilação” foi um verdadeiro fracasso.

Kombate em todo lugar

Por mais que tenha começado nos arcades, MK foi portado para inúmeras — pra não dizer quase todas — plataformas domésticas e portáteis, tanto na sua época quanto posteriormente. Cada uma tinha suas próprias limitações e particularidades:

  • Super Nintendo: enquanto detinha o visual e o som mais bonito dos ports para consoles de mesa, a política contra a violência da Nintendo acabou por amenizar e até censurar boa parte dos golpes e transformar o sangue em um líquido cinza, diminuindo o sucesso dessa versão;
  • Mega Drive/Genesis: mesmo tendo as mesmas censuras da versão de SNES, existia um código para liberar os golpes cortados e o sangue no jogo (o famoso ABACABB), tornando-se bem mais famosa que a versão nintendista;
  • Game Boy: aliou-se a censura da violência com a pouca capacidade técnica do portátil, resultando em um port com controles simplificados e travados e a retirada de Reptile e Johnny Cage do jogo. Pelo menos, Goro tornava-se jogável a partir de um código;
  • Game Gear: tecnicamente superior à versão de GB, também tinha um código para liberar os golpes censurados e o sangue, mas sofreu o corte de Reptile e Kano na lista de lutadores;
  • Master System: praticamente a mesma versão de Game Gear, lançada posteriormente;
  • PC (DOS): a versão mais próxima dos arcades na época em visual e gameplay, foi lançada em disquetes e CD-ROM (que também tinha as músicas e efeitos sonoros da versão original);
  • Amiga: lançada apenas na Europa, tinha controles muito simplistas e toda a parte musical foi simplificada para ser suportada pela ínfima capacidade do computador;
  • Sega CD: não precisava de códigos secretos para acessar o sangue e os golpes censurados, mas tinha tempos muito longos de carregamento e as músicas de certos estágios tocavam nas fases erradas;
  • PlayStation 2/Xbox: lançada como bônus em uma edição especial de Mortal Kombat: Deception, a Premium Pack, era bem fiel à versão original mas apresentava problemas de áudio e gameplay;
  • PlayStation Portable: lançada no pacote Midway Arcade Treasures: Extended Play, apresentava as mesmas características e falhas da versão de PS2/XB;
  • PlayStation 3/Xbox 360/PC: lançada digitalmente no Mortal Kombat Arcade Kollection, é praticamente a emulação dos jogos originais, ainda que tenha alguns erros neste processo.

UMA SEGUNDA SEM IGUAL
Uma grande campanha foi montada para o lançamento simultâneo das versões de SNES, MD, GB e GG. Chamada de “Mortal Monday” — algo como “Segunda-Feira Mortal” — foi marcada pela quantidade exorbitante de comerciais de TV anunciando o game, talvez um dos maiores lançamentos da história dos videogames. Até uma HQ, desenhada pelo co-criador John Tobias e denominada Mortal Kombat Collector’s Edition, foi lançada na época, contando toda a história que se passa antes do início do jogo.

VIDEOGAMES VIOLENTOS?
Não foi só a Nintendo que não gostou da violência de MK, mas também uma boa parcela da sociedade estaunidense achava o jogo inadequado para ser jogado por crianças. Não apenas pelo sangue, mas por causa da utilização de imagens praticamente reais de seres humanos. Uma decisão judicial, então, ordenou a criação de um órgão para regular e classificar jogos em um ano ou o governo interveria no caso. Foi assim que surgiu o Entertainment Software Rating Board (ESRB), organização responsável pela classificação etária de games nos EUA.

Um legado de vitórias

Mortal Kombat criou uma legião de fãs mundo afora, revolucionou vários aspectos dos jogos de luta e deixou um legado incrível na indústria dos videogames. Muita coisa para um jogo feito em 10 meses, não? Talvez, mas o que realmente importa é que, sempre que quiser, o Outworld estará a um torneio de dominar o planeta e só você pode salvá-lo ao vencer o Mortal Kombat!

Mortal Kombat

Compartilhe

Continue lendo

Retrô

Retrô: Power Instinct Matrimelee tem casório, briga e nostalgia (Arcade/Neo Geo)

Publicado

em

Houve um período no começo dos anos 2000 onde os jogos de luta eram lançados aos montes, mais ou menos com a mesma velocidade da safra de dez anos antes. Pode-se dizer que foi um último suspiro para os jogos de luta baseados em sprites como conhecemos, já que a produção de títulos do gênero só fez cair de uns anos pra cá.

matrimelee-playreplay
Um dos jogos mais interessantes desse período foi o Rage of the Dragons, que nós destrinchamos recentemente: batalhas em dupla, combos que conectam com facilidade, personagens coesos e um pano de fundo baseado em Double Dragon. Foi uma bola dentro da Noise Factory, que aproveitou o embalo para ressuscitar a série Power Instinct, oriunda dos consoles de 16 bits e muito famosa em território japonês. Por lá a franquia atende por “Goketsuji Ichizoku”, que em tradução literal seria algo como “Clã Goketsuji”.

 

Você aceita este jogo?

Matrimelee é o quinto título da série e um dos últimos jogos lançados para o Neo Geo (port posterior ao seu lançamento nos Arcades). Trouxe algumas novidades para o gênero e foi o grande responsável pela popularização da franquia fora do Japão. Elementos marcantes como a Bloodline Battle e a barra de Stress causaram um certo estranhamento no começo, mas têm o seu devido reconhecimento por tentar inovar em um terreno já saturado.

A loucura, que é marca registrada da série, já começa no nome: Matrimelee é a junção das palavras “Matrimony”e “Melee”. O porquê disso é que a história do jogo envolve um torneio onde o vencedor ganha a mão da Princesa Sissy ou de seu irmão se estiver no controle de uma personagem feminina. Sem mais nem menos, é isso. Ah! Isso e o trono do reino, caso eu tenha esquecido de mencionar!

Nessa vibe de insanidade temos um elenco de personagens doidos, músicas cantadas que não têm pé e nem cabeça, participações especiais inusitadas, usar o juiz como arma ou escudo (!), enfim… é um circo muito louco! Mas um circo especial, daqueles que você assiste, para e pensa: como eu não conheci isso antes? E é essa a reação geral ao jogar Power Instinct Matrimelee pela primeira vez.

 

Com o life cheio ou meio vazio…

Jogar Power Instinct é, pelo menos num primeiro momento, bastante simples. São quatro botões, divididos entre dois botões de soco e outros dois de chute, como quase todos os jogos lançados para a placa MVS. E eu disse num primeiro momento porque se você só quer se divertir finalizando o jogo, não vai encontrar muitos problemas se souber persistir. O desafio real está em aprimorar suas habilidades, aprender a conectar alguns combos e fazer bom uso da barra de Stress. Mas no que consiste essa barra? Bem, é como a barra de especial dos jogos de luta em geral, mas que se carrega na medida em que seus ataques são defendidos ou que você sofre ataques, representando bem a ideia do estresse que um lutador sofre durante o combate. E cada vez que a barra enche, há uma grande explosão de energia que é capaz de lançar seu adversário longe e interromper combos, além de deixá-lo invencível por alguns poucos instantes, suficientes pra te tirar do sufoco.

Além disso ainda temos a Bloodline Battle, que é acionada no momento em que os dois personagens fazem provocações simultâneas, o que leva a um combate mano-a-mano para ver quem executa primeiro os comandos exibidos em um telão que desce do teto da arena. Pra fechar o pacote, há a possibilidade de você usar o juiz (que tem aquele estilão Kuroko de Samurai Shodown, saca?) para se defender de um ataque adversário, ou atirá-lo como uma fireball. Doido, né?

matrimelee-3-playreplay

 

…Na riqueza e na pobreza!

Power Instinct Matrimelee mantém boa parte do elenco de outros jogos da série, com o acréscimo de quatro novos personagens, além do último boss, a própria Sissy em pessoa. Pra fechar com chave de ouro, outros quatro personagens vieram diretamente de Rage of the Dragons, mantendo todo o seu rol de ataques, sem por e nem tirar detalhes, apenas adaptando-os ao novo sistema. São eles: Jimmy, Lynn, Jones e o padre loucão, Elias. Além deles, eis a listinha de lutadores, de cima para baixo, da esquerda para a direita:

Em cima: Olof, Buntaro, Shintaro, Hikaru, Clara, Gouketsu Tane e Gouketsu Ume;
Embaixo: Kanji Kokuin, Poochy, Reiji Oyama, Keith Wayne, Chinnen, Saizo Hattori,White Buffalo e Anny Hamilton

 

matrim_moves_jap

Clique na imagem para ver em tamanho original

Um outro ponto especial de Matrimelee é a trilha sonora, com algumas canções cantadas (em japonês) cujas letras fazem referência ao non-sense. Em uma delas uma banda de gordinhos tira um som pesadão repetindo o refrão “debu” incessantemente. Debu, do japonês, significa gordo!

Destaque mais do que especial para o tema de Sissy, que é a Marcha Nupcial em uma versão louca e acelerada, mesclando elementos de rock e música eletrônica. Quer mais? Deixamos algumas músicas do jogo logo abaixo, só pra você ter ideia do tamanho da confusão. 

A parte gráfica de Matrimelee é boa, beirando o ótima. Todos os personagens são bem animados, os golpes têm transição bem feita e ótimos efeitos, mas ficou faltando acrescentar mais alguns cenários para deixar tudo nos trinques. É um detalhe pequeno, mas mostra capricho.

Matrimelee é um jogo injustiçado, já que não chegou a fazer o sucesso proporcional às suas qualidades. A série Power Instinct teve outros dois episódios, sendo um deles uma versão turbinada de Matrimelee, (com alguns personagens a mais, mas sem o Poochy) mas anda meio sumida desde então. Seria interessante ver um novo título da série, mas sem perder as suas raízes dos gráficos bidimensionais e super coloridos, em contraste aos muitos polígonos e paletas de cores discretas dos jogos atuais.

Enfim, pra quem busca uma experiência duradoura e satisfatória em um jogo de luta, o PlayReplay vos declara jogo e jogador! =)

Compartilhe

Continue lendo

Últimas notícias

Games6 horas atrás

Detroit: Become Human | Jogo receberá demo no PS4

A demo contará com a primeira missão do novo jogo da Quantic Dream.

Games6 horas atrás

Night Trap | Jogo será lançado no Nintendo Switch

O jogo que causou tantas controvérsias nos anos 1990 finalmente será disponibilizado em um console da Nintendo.

Playerunknown's Battlegrounds Playerunknown's Battlegrounds
Games7 horas atrás

PUBG | Segundo mapa será testado esta semana no Xbox One

Os jogadores de PlayerUnknown's Battlegrounds finalmente poderão jogar no mapa Miramar.

Música8 horas atrás

Franz Ferdinand | Glimpse of Love recebe clipe oficial

É o novo single do disco Always Ascending

xbox xbox
Games9 horas atrás

Xbox Live Gold | Jogos gratuitos de maio são revelados

A Microsoft revelou os jogos gratuitos da Xbox Live Gold mais cedo do que o esperado.

Música10 horas atrás

Tears for Fears | Banda trabalha em seu primeiro disco de inéditas em 14 anos

Finalmente conheceremos a sequência de Everybody Loves a Happy Ending

Games11 horas atrás

Fire Emblem Heroes | Novos personagens são adicionados ao jogo

O update também trará um capítulo inédito para a campanha principal do game.

Música12 horas atrás

The Killers | Discografia da banda é relançada em box de vinil

Box já está em pré-venda no site oficial da banda

Música13 horas atrás

Avril Lavigne | Cantora anuncia disco de inéditas para 2018

É o primeiro disco de inéditas desde 2013

Games14 horas atrás

Darwin Project | Jogo se torna free-to-play no Steam

A partir de hoje, será possível jogar o novo Battle Royale totalmente de graça.

Games15 horas atrás

NBA Playgrounds | Sequência deve ser lançada este ano

A Saber Interactive garantiu que o jogo chega ao PC e consoles até o meio deste ano.

Literatura16 horas atrás

Os Estranhos | Universal Pictures consegue os direitos do livro de Stephen King

James Wan será o produtor e possível diretor do filme

Anime17 horas atrás

Darling in the Franxx | Episódio 16 só irá ao ar no dia 5 de maio

Antes disso teremos um episódio de recapitulação

Séries1 dia atrás

Westworld | HBO libera novo trailer da segunda temporada

Novo ano estreia neste domingo, dia 22

Games1 dia atrás

Wonderful 101 | Platinum Games quer trazer o jogo para o Switch

Apesar de nada estar confirmado, o estúdio está negociando o port do game com a Nintendo.

Em alta